"Conecte - se ao que importa"
O celular, hoje, tornou-se tão necessário que, na falta dele, as pessoas não saberão o quê fazer... Além de nos trazer e levar "n" informações de/a vários cantos e a milhões de usuários, conhecidos ou não, que é muito gratificante; é uma forma que muitas pessoas estão encontrando, ultimamente, para se deslocar da rotina estressante do dia a dia, em casa mesmo, ou depois do trabalho... aliviando as tensões tão frequentes, as angústias, as preocupações, as incompletudes, a solidão etc.
Cada um busca nele a sua própria válvula de escape, de acordo com o tempo que dispõe... principalmente, se não há algo que possa lhe dar um prazer momentâneo ou um sentimento de propósito. Mas a maioria, mesmo em meio aos afazeres domésticos e cuidados com as crianças ou outros, está conectada quase o tempo todo que pode.
Se o nosso tempo era pequeno com a intensa correria, do dia a dia... do mês a mês... do entra ano e sai ano... sem férias... sem feriado... lavando, cuidando, trocando, corrigindo, limpando, mimando, explicando, cozinhando, alimentando, passando, orientando, arrumando, banhando, amamentando... etc... imagine, agora...
Existem pessoas que, mesmo no trabalho, fazem quase tudo falando ao celular... Você já viu gente assim...? Está ali cortando o seu cabelo ou escovando... e a profissional está falando ao telefone o tempo todo! Conversando com os filhos em casa, dando ordens... Tem gente que aproveita até o tempinho que está amamentando...
Isso acontece, muitas vezes, até sem perceber... O hábito está quase virando vício, praticamente uma nomofobia..."em que a pessoa se vê incontactável... se o aparelho de celular ou qualquer outro telemóvel ou dispositivo com a internet não estejam ali do seu lado". Às vezes, uma pessoa está conversando com outra... mas a outra está respondendo só em monossílabos e interjeições...."Oi /Oh/ Eh!/Ah!/ ann! /é /sim/ vou/ tá"...pois está conectada... passando mensagens, escrevendo ou lendo, ao mesmo tempo, que conversa com a outra pessoa. Isso não está acontecendo com você não!?Existem pessoas que tem mais de um telefone, eu tinha, mas um ladrão fez "o favor" de me roubar.
Muitas mulheres - esposas, mães, que eram super dedicadas, zelosas carinhosas, passaram a descuidar dos afazeres da casa, da alimentação da família e de outras responsabilidades. E, por isso, a panela queima, o leite derrama... a banheira enche... e as horas passam...
Muitos maridos, por sua vez, também, estão muito mais presos aos jogos e outros contatos on - line do que à família. Há jogos e mensagens que estão até tirando o sono de muita gente... desfazendo até casamentos... por tantas intimidades com outras e outros, e por jogos no próprio celular, etc.
Enquanto o vício estiver prejudicando só o casal, que são adultos, usando uma expressão bem goiana - "tá ruim, mas tá bão". O prejuízo imensurável fica quando os filhos pequenos estão sendo trocados e estimulados a fazerem a mesma coisa, além da falta de cuidados, da falta de diálogo, da falta de carinho dos pais, etc...
Infelizmente, muitos pais, ainda, não se deram conta de que o vínculo entre pais e filhos está perdendo, a cada dia, mais lugar pelo celular... E isso é muito perigoso, tanto por parte dos pais quanto dos filhos.
Em entrevista a Revista Época e Globo, Sergio Sinay, sociólogo, especialista em vínculos humanos, disse que "os pais que delegam a educação e a atenção aos filhos, a terceiros - babás, escolas e até para as novas tecnologias – como celular, televisão e computadores têm uma conduta errada, pois transmitem aos filhos a ideia de que tendo dinheiro podem transferir a outrem aquilo que lhes cabe fazer. E a infância e a adolescência são etapas muito breves da vida e necessárias para o amadurecimento biológico, psíquico e cognitivo. Seremos adultos a maior parte da nossa vida. A adolescência termina entre os 18 e os 19 anos. Quando os pais são ausentes ou não cumpriram suas funções, vemos adolescentes imaturos de 30 ou 40 anos.Fonte: http://colunas.revistaepica.globo.mukher7por7/2012/08/02/para-dedicar-tempo- aos-filhos-e-previsa-deixar- outras-coisas- de-lado/
Por isso, se os pais deixarem algumas coisas de lado, e tornarem mais presentes, sempre, que for possível, e limitar/ selecionar/ monitorar o uso do computador, TV e celular, poderão criar filhos, talvez, mais sociáveis, menos isolados e mais estudiosos.
Em Miami, as escolas limitam o seu uso. Segundo um professor da escola Waldorf, em Miami, “o cérebro da criança precisa do sono para assimilar o aprendizado. Se durante o dia, houve o estímulo da televisão com suas cores, informações, sons, imagens e mensagens muito fortes, o cérebro vai usar a noite para assimilar isto, não o aprendizado da escola. Além de outros efeitos negativos que a televisão causa nas crianças, como: hiperatividade, incentivo ao consumo, informações precoces”.
Portanto...pense nisso antes que seja tarde demais!! Conectar- se ao que importa, equivale dedicar atenção especial àqueles que estão também ao nosso lado, como: filhos, marido/ esposa, pais, familiares, amigos ou outros que estão próximos de nós por alguma circunstância.