O gatinho Arisco
Há quase um ano, morava um pessoal em um retiro ( retiro esse é o nome que se dá a um lugar retirado da sede, de onde os donos da fazenda moram), e quando foi embora de mudança para outro lugar, deixou um casal de gatos lá na fazenda, a "Deus dará", como dizia a minha mãe, sem alimentação, comia, certamente, Insetos, ratos, passarinhos o que encontravam pela frente.
E, logo, a gata pega cria e dá a luz uns sete gatinhos. Mas, não sei porque morreram quase todos, não sei se foi a gata mesmo que os matou, algumas mães costumam matar os seus próprios filhotes, ficou apenas um machinho. Dizem que as fêmeas do mundo animal costumam negar o leite às filhas e, às vezes, até as matam. Talvez, seja de estresse, sobrando apenas esse machinho, que tornou-se o mais arisco de todos. É claro, foi o único que escapou da maldade da mãe.
Sempre tive vontade levar a mãe e o único gatinho que sobrou para onde a gente mora, mas tanto a mãe quanto o filhote eram muito ariscos, não deixava pegá-los. Eu ia, neste retiro, uma vez por semana, e sempre levava comida para eles, mas como eram muito ariscos, não aproximavam da gente, às vezes, quando estávamos em um lugar, eles não entravam. Com certeza, devido ficarem muito sós, e não terem costume com pessoas.
Sempre os chamava, mas nada... Já fazia quase 6 meses e nada deles socializarem com a gente. De repente, um dia, aproximei da mãe... e ela deixou pegá-la, estranhei... mas depois fui ver.... estava doente... parece que um outro animal havia mordido na sua traseira, e estava bem machucada. Levei para outra fazenda... passei um medicamento... mas não foi curada... está lá. Já o gatinho era muito bravo.... Se ouvisse a nossa voz, ele corria...
Mas, aos poucos, depois de um certo tempo, começou a aproximar mais, e foi amansando. İnteressante, que, às vezes, quando chegava eu dizia: "olá, venha aqui, eu trouxe comida prá você", e como a fome era muito, ele vinha se aproximando, encostando nas coisas, como se estivesse com vergonha. Mas era passar uns dias sem vê- lo e ficar meio arisco de novo.
Mas não desistia, sempre, que eu ia a fazenda, não o via, ou via só de relance. Às vezes, o chamava, mas não aproximava da gente, era muito arisco mesmo. De repente, comecei a chamá-lo, e ele foi aproximando mais. E como os gatos têm algumas características parecidas com as dos seres humanos, hein, gente!
De repente, foi ficando menos medroso e quando eu o chamava, ele vinha encostando nas cadeiras,como se estivesse com vergonha. Mesmo morando em um lugar que ele não tinha acesso a comida; ele caçava ratos, insetos e passarinhos. Sempre, encontrava penas pela varanda da casa. Era um animal saudável e bonito.
E sempre que ia lá, não esquecia de levar comida para ele, e chegava falando " venha aqui, eu trouxe comida para vc, Pipoca. Nome escolhido pelos meus netos. Então, ele vinha vindo devagar, pé por 👣 chegando... meu marido ficava encantado da forma como ele foi aproximando de mim.
Lembro- me que o primeiro dia que passei a mão em seus pelos, ele gostou tanto, que quando saí pelo quintal, ele quase me atropelava, por estar andando, próximo aos meus pés, querendo mais carinho. Às vezes ,até deitava para tocá- lo. Fico pensando até os animais gostam de carinho, imagina as pessoas!
Agora, não, já deixa eu fazer cafuné nele com o pé, uma fofura! E... ele gosta tanto de um carinho...(quem não gosta? )