Em todas as culturas, a constituição da família foi e continua sendo vista como uma instituição importantíssima, não só no plano individual, mas também no plano social. É a base de tudo. Mas em função das novas realidades e das transformações das relações entre as mesmas, essa Criação de Deus tem mudado muito nos últimos tempos. No entanto, ainda, vale a pena proclamá-la. Independente deste ou daquele formato, do passado ou do presente, todas elas merecem o nosso respeito.
Antigamente, a família tradicional, composta por pai, mãe e filhos, que vem perdurando, até hoje, era orgulho para toda a parentalha. A família dava prestígio para todos. Representava a pátria e o poder. Era distinguida, muitas vezes, pela sua origem/raça/moral e inclinação/vocação. Celebrar o casamento, a união de um novo casal que pretendia iniciar uma família, muitas vezes, até entre parentes, era a realização do maior desejo dos pais.
A maioria das famílias representava muito bem seus filhos por três / quatro ou mais gerações. A maior parte era numerosa de 12/14 filhos, do mesmo pai e da mesma mãe; ou não em razão de morte natural de um dos dois. Os casamentos eram duradouros. A família, embora, fosse grande, não se perdia. Era referência em todos os lugares. Os filhos tinham grande apreço ao falarem de quem era filho, neto ou bisneto. Eu me lembro, quando alguém apresentava alguém dizia: " Este é filho do Fulano, neto do Beltrano...".
O pai era autoridade legítima. A mãe era menos autoritária, dedicava, exclusivamente, ao marido, aos filhos e aos serviços domésticos; mas na falta do pai, por morte do mesmo, ela ou o filho mais velho o substituía / o representava, mantendo, sem muita perda, a estrutura familiar.
O tratamento aos pais pelos filhos era o mais respeitoso possível. Os pais e o irmão mais velho, sempre, tinham liderança e influência sobre todos. Davam nome/segurança/ avalizava/garantia em negócios e falas. Lembro-me de minha avó dizer. “Aquele tem origem. Tem raça. É filho do seu Fulano de tal, neto do Seu Cicrano e bisneto do Seu Beltrano”. “Nunca deu prejuízo pra ninguém”. Mas... ai de quem não cumpria com a palavra...
Mesmo naquela época, havia certos comportamentos e atitudes bem parecidas com as que presenciamos, atualmente; mas bem menos trágicas. A influência exercida pela família, há um tempo, tinha maior determinação na educação dos filhos, e até para a formação de uma sociedade. A maioria das famílias tinha um estilo próprio de ser, de comportar, de educar os filhos, que não se distinguia muito da ideologia de uma família para outra. Quase todas eram rígidas.
Criavam os filhos, impondo/fixando/estabelecendo o que desejavam para eles, e que esperavam dos mesmos, desde a mais tenra idade. Sem ficar aconselhando, controlando. Havia uma série de atitudes que falavam pelos pais, servindo de lição/exemplos/modelos para ir moldando o caráter de toda a prole, tanto pela forma como direcionavam os estímulos aos filhos, quanto à religiosidade, aos bons costumes, à ambientação de suas casas, às companhias e amizades dos primeiros anos, ao positivismo ensinado, à maneira equilibrada em lidar com situações delicadas, ao espírito “arrojado”/empreendedor para fazer as coisas acontecerem; e à rotina de como resolver embaraços de forma instantânea, em vez de adiar as situações, principalmente, quanto à honestidade.
Antigamente, não existiam as TIC (tecnologia de informação e comunicação). Tudo era exposto através da vida que cada família levava. Através do próprio ritmo de vida, experiências, tradição que ia passando de pai para filho, isto é, de geração para geração. Os bons hábitos, as boas regras de etiqueta e as boas maneiras prevaleciam em muitas situações.
Todo mundo reverenciava os parentes, os idosos, os religiosos, os professores, os médicos, os administradores/políticos (prefeitos, governadores e presidentes) etc. Todo profissional que passava por uma Universidade, que era raro, ou tivesse uma representatividade ou um dom natural, até mesmo sem passar por uma faculdade, de fazer qualquer coisa, era muito respeitado.
Bem diferente de hoje, quando há uma desvalorização em todos os campos de nossa sociedade, tanto na religião, família, trabalho quanto na educação e governo, através das quais as pessoas encontravam confiança/referência, no passado, não são mais tão confiáveis ou presentes como costumavam ser. E isso vai deixando os jovens sem boas referências/ sem parâmetros para diferenciar o que é certo do que é errado.
Mas, conforme afirma SARTI (2005), citado por: Aloídes Souza de Oliveira, “Vivemos numa sociedade onde a tradição vem sendo abandonada como em nenhuma outra época da História. Assim, o amor, o casamento, a família, a sexualidade e o trabalho, antes vividos a partir de papéis preestabelecidos, passam a ser concebidos como parte de um projeto em que a individualidade conta decisivamente e adquire cada vez maior importância social”. Como você vê essa questão? Você tem boas referências da sua família?
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