Meu filho casou - se com uma moça, e demoraram ter filhos, quase quatro anos, queriam, primeiro, se afirmar mais profissionalmente. E como moravam longe da gente, nós em Goiás e eles em São Paulo, não podíamos visitá-los tão amiúde.
Mas um dia, saímos de Caiapônia e fomos para o interior de São Paulo visitá-los. Então, logo que chegamos, conversa vai, conversa vem, meu filho disse para a sua esposa: "Amor, traga o Dommy para conhecer o vovô e a vovó
" rsrsrsrrsr... Milton, meio sem jeito... não sabia desse tal neto, entretanto o aguardou, e para não ser deselegante, fez um pequeno gesto de carinho na cabeça do tal neto, que chegou todo assanhado, pulando, logo subindo no sofá, e deitando bem em cima dos seus óculos.
E sabe como são filhotes, tudo que vê põe na boca, acabou carregando e mordendo nas astes dos óculos do vovô...E sempre que o vovô deitava no sofá, ele vinha e deitava em cima dos seus pés. Vovô, embora, não estivesse acostumado com aquilo, aceitou.
Milton gostava muito de animais, mas não tinha grande preferência pelos pets, embora, os mesmos fossem carinhosos com ele. Não esqueço que, tínhamos um vizinho de fazenda, que tinha um cachorro que não podia ver a gente passar para a nossa fazenda de carro , para ele ir correndo atrás da camionete. Milton dizia que era o cachorro de dois donos. E como o animal gostava dele! O dono sempre o amarrava para não ir com a gente! Mas era só soltá-lo que ele chegava todo cansado em nossa fazenda.
Milton gostava muito dos suínos, bovinos e equinos. Ficava muitos minutos vendo os porcos se alimentarem, e gostava de ver a farra deles por uma manga que caia do pé. Quando o chão ficava forrado delas debaixo das mangueiras, ele gostava de encher o carrinho de mão, para vê-los se empanturrarem de comer. E um dia, ele jogou algumas abóboras, e dois porcos do mangueiro disputaram uma bem grande, frente a frente, e chegou rindo e me contando que eu poderia estar lá para registrar o momento.
Pelos bovinos, ele exibia um sentimento próprio do fazendeiro comum - rústico, que queria sempre ter mais! Ele me dizia: Nilva, quero chegar a tal ano ( futuro não muito próximo) com 500 vacas nelores parideiras. Conseguiu! (Até depois que ele faleceu, pensamos em continuar com a criação de gado da forma que ele fazia. Mas um amigo dele que trabalhava com ele, na fazenda, nos disse; "igual ao Dr Milton será difícil").
Gostava muito do gado gir.Gostava de criar cavalos. E pelos equinos, ele preferia àqueles que tinham mais jeito para a lida com o gado, ou seja,para o trabalho no campo.
Os animais, sempre, ocuparam um lugar especial na vida do Milton, e também de quase todos nós, há séculos, e hoje ainda mais, não é surpresa para ninguém... E, hoje, os animais de estimação são os mais variados aos mais exóticos. Mas, a meu ver, os pets, ainda, são os mais preferidos. E, hoje, os amantes têm o direito de criá- Los onde quiserem, até mesmo em apartamentos, desde que os tutores sigam regras e dicas, que nem sempre os lindos animais conseguem cumprir e agradam a todos.
E hoje a maioria dos que tem animais de estimação cuida com o maior zelo e carinho; e os mesmos têm uma vida que muitos seres humanos não têm. Dormem juntos com seus criadores, levam para todos os cantos possíveis, como foi o caso do casal que compartilhou a valsa do casamento ao lado do seu cão. Tem pet que vai para escola. Você acredita? Para desestressar.
E, além de muito zelo, carinho, precisam também de serem educados. E observando uma cena esses dias, fiquei a pensar... e fazendo uma analogia entre a educação das crianças e dos animais, uma vez que há muitos critérios em comum; e muitos de seus donos não conseguem educá- Los bem, resultando em grandes transtornos.
Um dia, precisei de uma costureira para arrumar algumas barras de calças e saias; então, minha prima fez a gentileza de me levar em uma costureira de muita referência. Chegando lá, agradei muito da senhora, muito educada e muito simpática. Excelente profissional da costura. Mas fiquei um pouco surpresa com o tanto de pets pelo sofá, tanto os pequenos quanto os grandes. E logo um pet pegou o sapato da minha prima e saiu pelo quintal; um entrou debaixo da minha saia, que era longa e rodada, e ficava brincando com a minha saia. Logo que fui provar uma saia, um dos maiores, entrou no quarto que eu estava, pulou em cima da cama, e da cama pulou a janela. Ah, gente, pensa, no constrangimento, e a senhora não sabia se nos atendia, ou se atendia os seus pets. Assim, pensei, tudo precisa de educação, até os animais, e se não conseguirmos, o sofrimento será de ambos.
E até aí tudo bem. Mas percebo que essa tal humanização exagerada aos bichos, além de causar sofrimento aos animais, aos donos também.E há casos de que, literalmente, a meu ver, passam dos limites. E pelo fato de conviverem tão próximos de nós e serem tão apaixonantes... são vítimas do antropoformismo.
Certo dia, há muito tempo, estava na cozinha, quando morava em Caiapônia, entretida com os preparativos para o almoço, e ouço a minha vizinha de muro aos gritos: "Eu te mato, menina! Sai de novo para você ver, sem vergonha, se eu não te acabo no chinelo, ainda vai pegar uma barriga aí, sua safada, e vai me dar trabalho".
E eu de minha casa, não sabendo com quem ela falava, fiquei indignada, achando que teria sido com a filha, e pensei...meu Deus... como uma mãe tem coragem de falar desse jeito com uma filha...ela tinha uma mocinha de uns 13/14 anos que foi minha aluna, na época. Depois fui descobrir, sua cachorrinha chamava 'Menina'.
Outro dia, liguei para a minha prima, que tem os filhos todos criados, que há muito tempo não sabia notícias dela, e aí perguntando se ela estava bem e tal, ela começou a reclamar que estava com um problema seríssimo de coluna, porque o Bill, seu cachorrinho, já muito velho, muito gordo, ficara cego, e ela ficava com ele para baixo e para cima, porque o mesmo não conseguia andar. Aí até lhe sugeri. "Por que não compra um carrinho, como aqueles de bebê para ele, se você está sofrendo com esse problema? Ela disse:" Vou comprar".
Depois, fiquei sabendo que seu Bill havia morrido, e ela quase morreu junto de depressão também. Depois de um certo tempo, conversando sobre a escrita de um dos meus livros, ela me disse que o seu maior desejo era escrever um livro em homenagem ao seu grande amor pelo Bill.
Outro caso interessante foi de uma bancária aposentada. Eu e meu saudoso marido fomos a um aniversário de um amigo dele, e conversando com uma amiga do aniversariante, que assentou a minha frente; ela dizia que havia trabalhado aqui na cidade, mas mudou-se, e que há muito tempo não passava mais por aqui, porque não podia sair mais de casa, porque o seu Tico, havia sido vítima de um acidente automobilístico e ficado tetraplégico, não andava, e ainda fazia as necessidades em fraldas. Então, não podia sair porque não tinha com quem deixá-lo, e carregar era difícil.
E como o som do ambiente estava muito alto, a gente acaba ouvindo as falas pelas metades, e comecei achando que era seu filho, depois que entendi que era seu pet de estimação.
E..., sempre, estou vendo, alguém humanizando os animais! E, embora, já tenha praticado alguns atos de muito zelo e amor para com os animais desde os meus dez anos de idade, como: ensinar uma cachorrinha andar, pelo fato dela ter se endurecida... devido o tempo que ficara deitada, viva, mas sem se mexer. Tratar de uma galinha, que quebrara o bico ao cair do puleiro, e, só conseguir comer comida mais pastosa, e, finalmente, cuidar de uma gata que fora atacada por um animal feroz, na fazenda, e ficar arrastando de uma perna.
E, sempre, estou conversando com os meus gatos. Eu tinha um gatinho, que era filho dessa gata que falei, que era de uma família que morava na fazenda, e quando mudou-se, deixou os gatos - um gato e uma gata com uns seis filhotes.
E pelo fato de terem ficado lá, meio " a Deus dará", sem se alimentarem, ficaram meio ariscos. A gata, não sei se de fome ou estresse, matou quase todos os filhotes, sobrando apenas um, que tornou-se o mais arisco de todos. É claro, foi o único que escapou da maldade da mãe.
Sempre, eu ia a fazenda, não o via, ou via só de relance. Às vezes, o chamava, mas não aproximava da gente. De repente, comecei a chamá-lo, e ele foi aproximando mais. E como os gatos têm algumas características parecidas com as dos seres humanos, hein, gente!
De repente, foi ficando menos medroso e quando eu o chamava, ele vinha encostando nas cadeiras,como se estivesse com vergonha. Mesmo morando em um lugar que ele não tinha acesso a comida; ele caçava ratos, insetos e passarinhos. Sempre, encontrava penas pela varanda da casa. Era um animal saudável e bonito.
E sempre que ia lá, não esquecia de levar comida para ele, e chegava falando " venha aqui, eu trouxe comida para vc, Pipoca". Nome escolhido pelos meus netos. Então, ele vinha vindo devagar, pé por 👣 chegando... meu marido ficava encantado com a forma que ele foi se aproximando de mim.
Lembro- me que o primeiro dia que ele deixou eu passar a mão em seus pelos, ele gostou tanto, que quando saí pelo quintal, ele quase me atropelava, por estar andando, próximo aos meus pés, querendo mais carinho. Às vezes ,até deitava para tocá- lo. Fico pensando...se até os animais gostam de carinho, imagine as pessoas!
Mas acredito que essa tal humanização exagerada, além de causar sofrimento aos animais, aos donos também. Contudo, assim é a vida, e não podemos negar que os amamos tanto, assim, como um ente humano querido! E aqui lembrei-me de uma outra passagem de um cachorrinho por nome de Boby, que meu filho tinha, quando era menino, e que foi atropelado logo de manhã ao sair pela rua. Meu filho tinha uns 10 anos e chorou muito, ficou muito nervoso com o homem e pediu que o enterrasse no quintal de casa e lhe fez até uma poesia...
Contudo, se você, leitor, leu até aqui... deve ter percebido que, embora, eu tivesse certa admiração pelos animais, não parecia tanto; até que a minha filha adquiriu uma Yorkshire, uma Mini cachorrinha. Linda! Amável! Esperta! Que de tão inteligente, só falta falar. E só agora pude entender melhor por que minha prima sofria tanto da coluna por carregar o seu cachorrinho que ficara cego; porque a ex- bancária não tinha como viajar por causa do seu cachorrinho que ficara tetraplégico e porque a minha vizinha ficava tão nervosa quando a sua pet saia.
Só agora entendi porque as pessoas dormem com eles nas suas camas e suportam o odor de urina em toda a casa e não sente. İsso tudo é o amor pelos pets, que quase se compara ao amor pelos humanos. A gente ama muito esses bichinhos! E como 'são parecidos com gente'!! E quantos cuidados devemos ter com eles!! O mundo animal é um mundo à parte.
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