sexta-feira, 10 de novembro de 2023

O poupador sem vaidade



Milton, segundo ele mesmo, desde criança, quando começou a ganhar o seu próprio dinheiro, “não comprava nem picolé, que era coisa que menino gostava. Economizava tudo que ganhava!” E, depois de adulto, quem o conheceu, concorda comigo, que ele não mudou muito, pois, dava a vida ao trabalho, dedicando à profissão e poupando tudo que ganhava, com o objetivo de conseguir dar uma vida mais digna e segura para nossa família.

E pode com o pouco dinheiro que poupou, quando era criança, como engraxateiro, ajudá-lo nas despesas de cursinho e outras, quando saiu do interior e foi para Capital estudar. (Conseguiu passar no primeiro Vestibular. Fazendo o curso que, sempre, sonhou, estudando a noite e trabalhando durante o dia. “Ser advogado, (ele disse), foi o meu primeiro pensamento, quando tive consciência do que é uma profissão, e uma ciência para estudar, para acompanhá-la por toda vida.” 

Foi um estudioso do Direito. Tinha seus momentos de devaneios e de ansiedade ( quem não os tem?), mas era muito positivo. Sempre, acreditou, piamente, que iria sair da condição que se encontrava. Acreditava que seria possível, se fosse dedicado, não parasse de estudar, e se não estagnasse, e se colocasse, sempre, no lugar de aprendiz - o que não sabia perguntava, lia, para aprender sobre a área que não tinha  conhecimento - empreendedorismo e administração financeira. E por que estou falando disso? Porque para ter sucesso na profissão ou qualquer outro trabalho ou empreendimento requer que seja proativo, equilibrado, persistente, competente no que faz, esperançoso, além de ter humildade para perceber que não sabe tudo, e se não souber algo, poder perguntar ou se preparar cada vez melhor).

E para sair da condição que vivia, Milton era prudente, só comprava o necessário - repetindo, não adquiria o que julgava supérfluo ou desnecessário.
Sempre foi assim! Ficava feliz quando pegava um trabalho advocatício e ia receber um bom honorário, mas em contrapartida não gostava de gastar, com o que não fosse essencial, como já foi dito anteriormente. Aprendeu com os Ricos, com os quais conviveu que: “Ricos não gastam com o que não lhes dão lucro, e nem fazem questão de aparecer”. 

E depois que li o primeiro livro de Robert Kiyosaki e Sharon Lechter - “Pai rico, Pai pobre”; pude entender melhor o que o Milton me dizia. Segundo o best-seller, ricos compram ativos e os pobres compram passivos. Isto é: Ativo - é a compra daquilo que tem perspectiva de renda (um imóvel, algo que valoriza, “que pode gerar dinheiro enquanto dormimos” ou algo que se compra com a intenção de ganhar); e o passivo, não - é aquele dinheiro que vai e não volta mais.

Sobre dinheiro, Milton tinha uma crença: “ dinheiro gosta de quem gosta dele, mas não aguenta abuso “. Às vezes, dizia, quando alguém se excedia nos gastos: “dinheiro de trouxa é matula de malandro”. Quando seus irmãos ou amigos postavam algo caro que tinham comprado ou feito, ele dizia: “Isso é a força do dinheiro”. Economizar para ele exigia certa disciplina básica: primeiro, conhecer a sua realidade financeira ou salarial, não fazendo dívidas acima de suas expectativas e possibilidades, sem saber onde estaria o dinheiro, para efetuar o pagamento, a curto ou longo prazo; e segundo, ter o controle de tudo era essencial! 

Mas disse em um de seus textos:” Sempre, vivi acima dos meus limites: físicos, intelectuais e financeiros. Sempre, me preocupei com o presente, mas com os olhos para o futuro. Preocupado com o bem estar da minha família e com o futuro dos meus filhos “.

Milton não era uma pessoa consumista. Ele só comprava o que, realmente, estava precisando. Às vezes, ele olhava um carro novo, por exemplo, ouvia a proposta do vendedor, ficava até deslumbrado, sabia que podia comprar tranquilamente, mas não realizava a compra. Chegava me falando sobre a expectativa daquela compra, até feliz, e se eu perguntasse:  E Por que não comprou, Milton? Ele respondia: “Só olhei e deixei a vontade passar!!” E continuava: Fico feliz só de poder comprar “. 

Era assim, não comprava nada por impulso, ou seja, sem pensar nos prós e contras, e dar uma pesquisada ou ter uma conversa com alguns dos familiares e amigos que tinham conhecimento sobre o assunto… se aquele negócio compensava, se era algo que valorizaria ou se era um produto comercial. Pensava nessas questões também.

Sabia também aproveitar as linhas de crédito para financiamento que os bancos ofereciam, uma vez que, há grande variedade de opções das mesmas, no mercado, que atendem aos mais diversos perfis de público e às mais diversas finalidades, trazendo conveniência e flexibilidade para pessoas e empresas. Como o FCO, por exemplo. Um Custeio Agropecuário que oferece crédito para cobrir as despesas de produção das atividades agrícolas e pecuárias de empreendimentos situados na região Centro-Oeste, conforme bb. com .br. 

O ruim de quem tem um comportamento poupador é que, a maioria deles, não se preocupa com eles mesmos; deixa de satisfazer algum prazer seu do momento presente, para poder aproveitar no futuro ou pensar na família no momento de uma necessidade. Futuro este tão imprevisível, que não sabe se o viverá ou não! E o Milton não foi diferente, preocupou-se muito pouco com ele mesmo. Tinha muito medo de morrer novo e deixar os filhos pequenos e desamparados. Sempre, me dizia isso, quando nossos filhos eram pequenos! 

Não tinha vaidade com quase nada, nem com casas e nem com carros de luxo; com vestuário, então, raramente, comprava roupas, sapatos e cintos. Tinha um sapato no pé e outro para passeio. Pode acreditar, não tinha mau cheiro nos pés e nem odor nas axilas, pelo fato de não transpirar praticamente nada! Até isso o ajudou a economizar. Roupas se eu não comprasse, ele nem pensaria, dizia: “é a Nilva que compra roupa para mim”. Justificando a sua pouca importância por calçados e vestes. E quando eu levava alguma peça para experimentar, dava um trabalho, nunca achava hora para tal. 

Às vezes, eu insistia para se vestir melhor, ele colocava a mão no peito e dizia: “Eu sou o que sou, Nilva ! “Dizia que não precisava investir em aparência, ele era o que realmente era, e as pessoas já o conheciam. Era muito simples! Se eu lhe pedisse para ir ao mercado, quando chegava em casa, ele apenas trocava a camisa de mangas compridas por uma gola polo, que já tinha usado na noite anterior e saía apressadamente. Fazia tudo muito rápido, quando eu pensava que estava saindo de casa, já estava voltando ou vice-versa. 

E um dia saiu com a camisa gola polo pelo avesso. Peça que tem o avesso bem marcado.Tinha esse costume. E,  se alguém falasse, dizia brincando, que “era para lhe trazer proteção, boa sorte e dinheiro “ e um dia a funcionária do caixa de um mercado lhe avisou que estava com a camisa do avesso, e ele respondeu: “é moda, moça”! E todos que estavam próximos, riram dele, e ele sorria também, e chegava me contando, e continuava com a camisa do avesso. 

Mas sabia que a primeira impressão é a que fica, e que a imagem era importante. Quando mudamos para Caiapônia “ para ele ser advogado “, como ele mesmo dizia, investiu em uns três ternos, calças e paletós, e usou-os por algum tempo,para ir ao escritório e ao fórum; segundo ele, “para passar uma imagem de mais velho e escondesse a cara de menino”. Todavia, algumas pessoas achavam que ele fosse mesmo “bancário”, pois era como os funcionários do banco usavam na época . Depois, deixou os ternos de lado, e optou por um vestuário mais clássico e sóbrio.

Era, no bom sentido da palavra, uma pessoa ambiciosa, que sempre teve como missão transformar o seu desejo de ter uma vida financeira melhor em uma meta de vida. (Quem foi pobre pode me entender melhor o que estou falando, embora, até os ricos quanto mais têm mais querem. Quem aqui não quer ? ). Então, sempre, trabalhou, economizou e administrou o que tinha com este objetivo - vencer a pobreza. Além de ter uma autoestima positiva para chegar onde quisesse, apesar das adversidades, sempre, foi muito esforçado,  dedicado e honesto. 

Não, não era ganancioso. “Ambição é ter disposição para encarar desafios e crescer, alcançar objetivos e realizar sonhos. Já a ganância é aquela vontade de ter mais do que precisamos no momento como se nada fosse suficiente”. Não era o caso dele. Ele já se sentia realizado com o que havia conseguido. “E, acredite, para ter a carreira que tanto sonhou é importante ter um pouco de ambição, pois ela nos impulsiona e nos ajuda a buscar a realização profissional”.  Se não fosse ser como era, não teria conseguido atingir os seus objetivos. 

Nesse assunto, sempre, vamos encontrar os que veem a ambição como algo negativo, caindo no senso comum e confundindo os dois termos. Todavia, quando ela é moderada vira o melhor ingrediente para o sucesso, conforme Equipe Blog Portal Pós.

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