Sempre, quando morre um ente querido, ouvimos de alguém ou lemos nos stories de muitas pessoas a frase que “a vida é um sopro”, seguida desta preciosa lição, considerada por todos, principalmente de imediato, como o ideal sentido da vida - "Viver e amar no presente”.
E, embora, seja urgente, sempre, é deixado para depois, devido ao apego ao celular, rotina cansativa, do dia a dia, tanto no trabalho quanto nos estudos, que nos amarra muito, nos deixando presos, sem podermos fazer bem até o essencial, que é cada um poder viver melhor para si mesmo, com os nossos familiares, com os nossos amigos e companheiros de jornada de trabalho. As vezes, o estresse é tanto que nos consome, enraivecendo por pouca coisa.
Na verdade, muitos de nós, não fomos preparados para viver, apenas, momentos felizes. Nos fizeram acreditar que para sermos felizes, a felicidade deveria ser constante, ou seja, a vida toda; e não é, a vida nos permite ter, apenas, momentos felizes.
E esses momentos são "Instantes", que a escritora americana, Nadine Stair, com 85 anos, vem nos falar, inclusive, com sentimentos de arrependimento, por não ter aproveitado a vida como gostaria, e vem nos dar uma grande lição, enquanto é tempo; segundo padre Manzotti, no seu programa "Poetizar".Uma vez que, "Vivemos, de modo incorrigível, distraídos das coisas mais importantes.” João Guimarães Rosa (1908-1967)
Vejamos que beleza de poema.
INSTANTES
Se eu pudesse viver novamente minha vida, na próxima,
trataria de cometer mais erros. Não tentaria ser tão
perfeito, relaxaria mais, Seria mais tolo ainda do que
tenho sido, Na
Verdade, bem poucas coisas levaria a sério.
Seria menos higiênico, correria mais riscos, viajaria mais,
contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas,
nadaria mais rios. Iria a lugares onde nunca fui, tomaria
mais sorvete e menos lentilha, teria mais problemas reais e
menos problemas imaginários.
Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata e
produtivamente cada minuto da vida: claro que tive momentos
de alegria. Mas, se pudesse voltar a viver, trataria de ter
somente bons momentos. Porque, se não sabem, disso é feita
a vida, só de momentos; não perca o agora. Eu era um desses
que nunca ia a parte alguma sem um termômetro, uma bolsa de
água quente, um guarda-chuva e um pára-quedas; se voltasse
a viver viajaria mais leve.
Se eu pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço no
começo da primavera e continuaria assim até o fim do
outono. Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais
amanheceres e brincaria com mais crianças, se tivesse outra
vida pela frente. Mas, já viram, tenho 85 anos e sei que
estou morrendo.
(Poema de Nadine Stair atribuído a Jorge Luís Borges)
Sempre, questionei sobre o sentido e o fim da vida. Por que isso aconteceu com essa pessoa e não com outra? Por que agora? Foi uma fatalidade? Ou chegou a sua hora? De repente, sem nenhuma explicação, sem nenhum sentido, a pessoa passa dessa vida para outra. Era o seu destino?
Muitas pessoas acreditam que o
destino já venha traçado, pronto, ou seja, demarcado. Muito triste pensar dessa forma, não é? Acredito que há uma força sobrenatural que atua sobre nós seres humanos, e a que podemos contar é com a força de vontade, que Deus nos dá todos os dias para começar e recomeçar. Destino, não!
É claro que contar com um pouco de "sorte" é muito interessante, para podermos viver melhor, fazer as escolhas acertadas e mais saudáveis, atrair mais oportunidades de momentos mais felizes, de acordo com os sonhos ou jeito de cada um.
Uma vez que, somos nós que vamos construindo o nosso mundo; entre erros e acertos, a nossa trajetória vai sendo registrada, vamos assim dizer; mas que, muitas vezes, vamos vivendo, involuntariamente, típico do significado que o dicionário nos traz, "sem saber o porque... um pouco inconsciente, sem muita reflexão... tipo - deixa a vida me levar". Mas que Joseph Campbell vem reforçar esse pensamento, dizendo que, "a vida é desprovida de sentido, nós que lhe damos ou atribuímos o sentido. E que estar vivo é o sentido.”
E, embora, muitas pessoas, ainda, não consigam enxergar o sentido da vida vivendo...depois que perdi o meu saudoso marido, essa questão ficou muito clara para mim, não importa quantos projetos realizamos e qual era o meu, o seu, o nosso propósito, não temos muito controle de nada; e tudo na vida pode mudar, como as nuvens no céu; já percebeu o quanto as nuvens mudam num piscar de olhos, e apesar de sermos conscientes disso... não podemos parar... quase ninguém pode...
A vida continua... com trabalho, com tanta coisa que as convenções humanas, com suas crenças limitantes vão exigindo de nós, e vão nos agregando, de certa forma, como se fosse lei, e vamos agindo mecanicamente, como se fôssemos viver para sempre... e a vida vai passando... e nós vamos acomodando...e esquecendo de dar um melhor sentido às nossas vidas.
E aí... por falta de tempo, de repente, não importamos de deixar mensagens de bom dia no grupo da família. A família também não preocupa...
Por falta de tempo não cumprimos o ritual de beleza, não passamos um creme e nem o filtro solar, não tomamos o café da manhã direito, não cumprimentamos o vizinho de porta ou o que passava pelo portão, ou saia do elevador.
Por falta de tempo não ligamos mais para os pais, para os irmãos e para os amigos. Eles também, não!
Por falta de tempo não cumprimentamos o colega de trabalho pelo aniversário, não o elogiamos, não o parabenizamos pela sua conquista.
Por falta de tempo, não temos olhos para os ipês, para as sibipirunas e os flamboyants floridos da rua que passamos por ela todos os dias.
Por falta de tempo não consertamos aquela roupa que compramos para ir naquele evento com a família!
Por falta de tempo não regamos nossas plantas e não batemos na porta daquela vizinha nova. Ela também não teve tempo. Ninguém tem mais tempo. Tempo ou interesse?
Por falta de tempo não vamos mais à igreja. Não temos tempo para Deus! Não temos tempo para a família. Não temos tempo para contemplar a natureza. Não temos tempo para o outro e, principalmente, para nós mesmos (as).
Por falta de tempo esquecemos de 'viver'. De fazer o que vale mais a pena "viver para si".
Tudo por falta de tempo?
Ainda dá tempo! ? Só o futuro dirá.
Não esqueça que só temos uma vida para viver .
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