terça-feira, 21 de fevereiro de 2023

Uma homenagem de sua cunhada Kátia Barbosa Macedo

Dizem que enquanto uma pessoa é lembrada, enquanto suas histórias  circularem o mundo,  ela viverá. Quando me lembro do Milton Ferreira,  o primeiro sentimento  que acompanha minhas memórias  é de admiração, seguido de gratidão  e saudade.  

Admiração  pela sua história,  menino pobre de recursos financeiros,  o que para muita gente podetia significar  uma sentença; no caso dele  se transformou em uma motivação  para escrever sua história  de próprio  punho. 

Mesmo com a ausência  precoce de seu pai, a luz, a força  e o amor de Dona Luiza e dos irmãos  foram mais um incentivo para  construir um novo caminho de prosperidade,  com muito  trabalho, estudo,  músicas  no violão  e livros. E assim essa família  foi vivendo e superando as dificuldades  da vida com fé em Deus, no trabalho honesto e  alegria.

Milton,  juntamente  com os irmãos  mais  velhos foram a luz no caminho dos irmãos  mais novos.  Um dos traços mais marcantes de sua personalidade  foi a generosidade,  partilhando  o pouco  que tinha  com os irmãos,  tenho dito o grande mentor e inspiração  para o José Ferreira  e Welter, principalmente.  

Outro  traço bem característico  era sua perspicácia inteligência para ler as situações  de um ângulo que ultrapassava as aparências, o que o levou a ser considerado  um político  de referência  em sua região,  pasmem, sem nunca ter se candidatado  a nenhum cargo político.  Uma proeza para poucos.  Por isso toda a gratidão  que não  só eu, mas a grande maioria  que conviveu com ele.

Infelizmente  Milton  foi uma das milhares de vítimas que nos foram arrancadas  pela pandemia que assolou o mundo, e que poderia ter sigo minimizada, no Brasil, se tivéssemos tido  um governo  mais preocupado  com a saúde  da população.  A dor de perder pessoas  que amamos,  sem podermos ao menos despedir,  agradecer por tudo e desejar que sigam seu caminho rumo à luz  de Deus, nos acompanha a todos,  e de vez em quando, sentimos uma lágrima silenciosa  descer dos olhos marejados  de saudade,  da alegria , dos comentários irônicos, das risadinhas, das músicas e da simples companhia por perto.

O mundo ficou  mais pobre sem o Mílton,  cunhado querido. A ideia  maravilhosa  da Nilva de homenageá-lo, coletando escritos deles, depoimentos  e histórias  o transforma em um imortal, pois agora Milton vive não  apenas em minha memória,  mas está escrito na história.  E não  foi pelo "poder do dinheiro", como ele gostava de brincar, e sim pelo poder da força mais poderosa que há no universo: o amor. Amor que espalhou  por onde passou. Salve Milton  para sempre em nosos corações.

Kátia Barbosa Macêdo

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023

Meu padrinho



                            Patrícia de Castro Ferreira
                              -Sua sobrinha e afilhada- 



Sempre associei a imagem do meu padrinho a uma pessoa muito inteligente. Além de todas as outras qualidades que ele certamente tinha, essa sempre foi a que me chamou a atenção. 

E ele não ficava satisfeito em estudar e saber sozinho, sempre incentivou todos ao seu redor a buscarem o conhecimento, seja histórico, literário, político e, claro, de formação profissional. 

Era admirável sentar-se com ele e o escutar falando da história de Caiapônia e as origens das famílias que vieram para esta cidade, com uma memória impecável. 

Lá atrás, ele contribuiu grandemente para que seus irmãos mais novos fizessem uma faculdade, incentivando-os e ajudando para que pudessem estudar. Anos depois, também fazia isso comigo, incentivando a leitura desde que eu era criança (e nem queria saber de ler, mas de brincar... risos). 

Olhando para trás vejo a importância deste incentivo e sou muito grata por tudo que ele fez pela família. A formação que temos certamente veio da inspiração que tivemos. Muito obrigada, padrinho. Para sempre será lembrado! Amo o Sr. e sentimos sua falta!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

Pesca da cuia ....



Há uns três anos, nas férias de julho, nossos dois netos, o mais velho com dez anos, o outro com quatro e um amigo deles com nove anos vieram com os seus pais, do interior de São Paulo, passar uns dias conosco na fazenda. 

 Logo que chegaram, Daniel e Lucas levaram o amigo para conhecer um lindo córrego, denominado por eles de riacho, todo ladrilhado de pedras, que fica bem no fundo da casa. Depois de andar um pouco descalço, molhar os pés, na água branquinha e morna, que  lavava toda a sua margem  por onde a  corredeira passava, tiveram a ideia de pescar lambaris. 

E o lugar é bem característico das veredas, onde a água corre por um rego fundo e largo, e vem serpenteando, lá de cima, entre galhos e folhas secas dos  buritis e outras plantas típicas do lugar úmido e sombrio, formando um lindo aquário a céu aberto. 

Mas antes de começar, com a pesca denominada "pesca da cuia", não esqueceram da recomendação do vovô, de dar uma olhada pelos arredores do riacho, observando se não havia algum animal peçoento, como: serpentes, aranhas, escorpiões, lacraias, abelhas, vespas, marimbondos,  arraias, cobras e outros, que sempre escolhem esse tipo de habitat para fazer morada.

Olharam aqui, olharam ali, atentamente, mas não viram nada que os temesse, e resolveram fixar em um lugar mais limpo, literalmente, de cabeça para baixo e de bumbum pra cima, rsrsrs, para conseguirem pegar os espertos peixinhos do lugar. 

Quem via os dois amigos pescando, naquela posição, ajoelhados nas pedras, poderia reconhecer "que quando alguém quer algo, não vê dificuldade alguma". Levando- os também a crerem  "que nada terá exito sem esforço e sem sacrifício". 

Seus joelhos ficaram esfolados e doloridos, no entanto, pouco reclamaram, pois estavam pegando bastante lambaris, e estavam animados. Principalmente, porque entre colegas, sempre, há uma certa competição interna, mesmo sem dizer quem era o vencedor, falavam! "Nossa o Gabriel já pegou dois." O outro, " eu peguei o maior!".

Era a primeira vez que pescavam, e de cuia, então, foi uma invenção deles. 
Encheram uma bacia de alumínio dos peixinhos de todos os tamanhos; uns menores, outros maiores, e levaram para casa para apreciá- los, por mais algum tempo - não tiveram a intenção de comê- los. 

Passaram o período da tarde todo namorando os tais peixinhos. Dando algum alimento e se divertindo com eles. Mas depois de algum tempo, notaram que alguns peixes estavam boiando na água,  então, olharam bem e viram que alguns haviam morrido.  Só restaram uns oito. Então, o vovô olhou e disse: "que se eles não quisessem vê-los todos mortos, precisariam de levá-los de volta ao seu hábitat".

Então, Daniel, o mais velho, depois de pensar um pouco, resolveu seguir o conselho do vovô, e disse: "Então vamos soltá- Los. Melhor... antes que morram todos". Saíram  com o avô para devolvê-los ao córrego. Chegando ao córrego, escolheram o primeiro poço, que encontraram, e Daniel, bem lentamente, foi deixando cada um ir embora.
 
E o vovô Milton presenciando aquela cena, ficou encantado, e com uma expressão de alegria no rosto por perceber  a determinação, a obediência e a consciência ecológica deles. Lucas, o menor deles, ficou muito triste, até chorou, porque, além de ter sentido a morte dos peixinhos, sabia que o seu irmão, embora, reconhecesse a importância de dar vida aqueles peixinhos, estava descontente porque queria ficar olhando-os por mais algum tempo.

De volta para casa, vovô os convidou   para andarem a cavalo, para esquecerem o que tinha ocorrido com os peixes. E logo todos estavam alegres e não falaram mais sobre o assunto. Ficando a lição e o conselho do vovô - "a vida não é sobre o que a gente conquista, mas sobre o que a gente supera"!

A gente vai embora

Eh, como dizem, “A GENTE VAI EMBORA” e fica tudo aí “; nossos projetos, nossos compromissos, nossos sonhos e esperanças,nosso apego com a família e com os filhos…nossa pressa… nossas angústias e manias, nossa indignação com a política e com a e economia do nosso país, com a vida, com a nossa falta de liberdade ou com a nossa prisão… 

Tudo Fica… quando a gente for embora… 

A GENTE VAI EMBORA e sequer despede dos parentes e amigos mais próximos, pegamos todos, praticamente, de surpresa  ou Não… 

A GENTE VAI EMBORA, mas não do jeito que gostaríamos… se é que alguém já desejou morrer desse jeito ou daquele, um dia…assim como  escreveu Machado de Assis em Memórias Póstumas de Brás Cubas. Dando vida a alguém depois de morto…

Será  o quê as pessoas falariam  no dia do meu, do seu, do nosso velório? Será que mencionariam a minha, a sua, a nossa importância, o nosso jeito de ser e de compreender as coisas? 

Falariam de nossa ambição ou de nossa vaidade? De nossas qualidades ou defeitos? Ou da Importância, que pensávamos que tínhamos ter, mas muitos não davam o mínimo valor, mas depois da morte, sim …falam, lamentam, choram… 

A GENTE VAI EMBORA e a vida continua… com a  falta de fé, de comunicação e de amor entre as pessoas. 

A GENTE VAI EMBORA e deixa tudo aí, até aquilo que vc tinha mais ciúme. Até aquilo que vc não emprestava para ninguém, e guardava debaixo de sete chaves! Seus livros, seus textos, seus pendrives… seu celular…seus segredos… 
Tudo ficará exposto para quem quiser ver… sua intimidade vai embora também, e tudo é revirado… doado… como se a sua , a nossa sombra ainda ali não mais estivesse. Mas não podemos fazer nada, a gente já se foi…e embora toda a nossa energia, ainda esteja presente ali, nada podemos fazer…

A GENTE VAI EMBORA, pois é. É bem assim: piscou, o show da vida terminou… Show ou Malabarismo? Não escolhemos nem o dia e nem a hora… nem a roupa… nem o caixão… nem onde gostaríamos de ficar… Tudo não será escolhido por você!!

 "A GENTE VAI EMBORA o tempo todo, aos poucos e um pouco mais a cada segundo que passa"...desde o momento que a gente nasce. Por isso, não vale a pena ficar preso a tantas coisas banais e insignificantes que só nos fazem sofrer.

AH, A GENTE VAI EMBORA…e fica tudo aí!!!