Dizem que enquanto uma pessoa é lembrada, enquanto suas histórias circularem o mundo, ela viverá. Quando me lembro do Milton Ferreira, o primeiro sentimento que acompanha minhas memórias é de admiração, seguido de gratidão e saudade.
Admiração pela sua história, menino pobre de recursos financeiros, o que para muita gente podetia significar uma sentença; no caso dele se transformou em uma motivação para escrever sua história de próprio punho.
Mesmo com a ausência precoce de seu pai, a luz, a força e o amor de Dona Luiza e dos irmãos foram mais um incentivo para construir um novo caminho de prosperidade, com muito trabalho, estudo, músicas no violão e livros. E assim essa família foi vivendo e superando as dificuldades da vida com fé em Deus, no trabalho honesto e alegria.
Milton, juntamente com os irmãos mais velhos foram a luz no caminho dos irmãos mais novos. Um dos traços mais marcantes de sua personalidade foi a generosidade, partilhando o pouco que tinha com os irmãos, tenho dito o grande mentor e inspiração para o José Ferreira e Welter, principalmente.
Outro traço bem característico era sua perspicácia inteligência para ler as situações de um ângulo que ultrapassava as aparências, o que o levou a ser considerado um político de referência em sua região, pasmem, sem nunca ter se candidatado a nenhum cargo político. Uma proeza para poucos. Por isso toda a gratidão que não só eu, mas a grande maioria que conviveu com ele.
Infelizmente Milton foi uma das milhares de vítimas que nos foram arrancadas pela pandemia que assolou o mundo, e que poderia ter sigo minimizada, no Brasil, se tivéssemos tido um governo mais preocupado com a saúde da população. A dor de perder pessoas que amamos, sem podermos ao menos despedir, agradecer por tudo e desejar que sigam seu caminho rumo à luz de Deus, nos acompanha a todos, e de vez em quando, sentimos uma lágrima silenciosa descer dos olhos marejados de saudade, da alegria , dos comentários irônicos, das risadinhas, das músicas e da simples companhia por perto.
O mundo ficou mais pobre sem o Mílton, cunhado querido. A ideia maravilhosa da Nilva de homenageá-lo, coletando escritos deles, depoimentos e histórias o transforma em um imortal, pois agora Milton vive não apenas em minha memória, mas está escrito na história. E não foi pelo "poder do dinheiro", como ele gostava de brincar, e sim pelo poder da força mais poderosa que há no universo: o amor. Amor que espalhou por onde passou. Salve Milton para sempre em nosos corações.
Kátia Barbosa Macêdo
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