domingo, 19 de março de 2023

O poupador sem vaidade

O Poupador Sem Vaidade

Milton, quem o conheceu bem,  concorda comigo, que era um grande poupador e não fazia gastos desnecessários, que considerava supérfluos. Desde pequeno, como ele mesmo dizia : “ não comprava nem picolé, que era coisa que menino gostava. Economizava tudo que ganhava”.

Sempre foi assim! Ficava feliz quando pegava um serviço advocatício e ia receber um bom dinheiro, mas em contrapartida não gostava de gastar, com o que não fosse essencial. Sobre dinheiro tinha uma crença: “ dinheiro gosta de quem gosta dele, mas não aguenta abuso “.

Economizar para ele exigia certa disciplina básica: primeiro, conhecer a sua realidade financeira ou salarial, não fazendo dívidas acima de suas expectativas e possibilidades, sem saber onde estaria o dinheiro para efetuar o pagamento, a curto ou longo prazo; e segundo, ter o controle de tudo era essencial! 

Além de não gastar mais do que ganhava  - não era uma pessoa consumista. Ele só comprava o que, realmente, estava precisando. Às vezes, ele olhava um carro novo, por exemplo, ouvia a proposta do vendedor, ficava até deslumbrado, sabia que podia comprar tranquilamente, mas não realizava a compra. Chegava me falando sobre a expectativa daquela compra, até feliz, e se eu perguntasse:  E Por que não comprou, Milton? Ele respondia: “Só olhei e deixei a vontade passar!! “ 

Era assim, não comprava nada por impulso, ou seja, sem pensar nos prós e contras, e dar uma pesquisada ou ter uma conversa com alguns dos familiares e amigos que tinham conhecimento sobre o assunto… se aquele negócio compensava, se era algo que valorizaria ou se era um produto comercial. Pensava nessa questões também.

Sabia também aproveitar as linhas de crédito para financiamento que os bancos ofereciam, uma vez que, há grande variedade de opções das mesmas, no mercado, que atendem aos mais diversos perfis de público e às mais diversas finalidades, trazendo conveniência e flexibilidade para pessoas e empresas. Como o FCO, por exemplo. O FCO, para quem não sabe, é um “Custeio Agropecuário que oferece crédito para cobrir as despesas de produção das atividades agrícolas e pecuárias de empreendimentos situados na região Centro-Oeste, conforme bb. com .br. 

O ruim de quem tem um comportamento poupador é que  ele não se preocupa com ele mesmo; deixa de satisfazer algum prazer seu do momento presente, para poder aproveitar no futuro ou pensar na família no momento de uma necessidade. Futuro este tão imprevisível, que não sabia se o viveria ou não! E o Milton não foi diferente, preocupou-se muito pouco com ele mesmo. Tinha muito medo de morrer novo e deixar os filhos pequenos e desamparados. Sempre, me dizia isso! 

Não tinha vaidade com quase nada, nem com casas e nem com carros de luxo; com vestuário, então, raramente, comprava roupas, sapatos e cintos. Tinha um sapato no pé e outro para passeio. Pode acreditar, não tinha chulé! Até isso o ajudou a economizar. Roupas se eu não comprasse, ele nem pensaria, dizia: “é a Nilva que compra roupa para mim”. E quando eu levava alguma peça para experimentar, dava um trabalho, nunca achava hora para tal. 

Às vezes, eu insistia para se vestir melhor, ele colocava a mão no peito e dizia: “Eu sou o que sou, Nilva ! “Dizia que não precisava investir em aparência, ele era o que realmente era, e as pessoas já o conheciam. Era muito simples! Se eu lhe pedisse para ir ao mercado, quando chegava em casa, ele apenas trocava a camisa de mangas por uma gola polo, que já tinha usado na noite anterior e saía apressadamente. Fazia tudo muito rápido, quando eu pensava que estava saindo de casa, já estava chegando, ou vice-versa. 

E um dia saiu com a camisa gola polo pelo avesso. Peça que tem o avesso bem marcado.Tinha esse costume. E,  se alguém falasse, dizia brincando, que “era para lhe trazer proteção, boa sorte, boas energias e dinheiro “ e um dia a funcionária do caixa de um mercado lhe avisou que estava com a camisa do avesso, e ele respondeu: “é moda, moça”! E todos que estavam próximos, riram dele, e ele sorria também, e chegava me contando, e continuava com a camisa do avesso. 

Mas sabia que a primeira impressão é a que fica, e que a imagem era importante. Quando mudamos para Caiapônia “ para ele ser advogado “, como ele mesmo dizia, investiu em uns três ternos, calças e paletós, e usou-os por algum tempo,para ir ao escritório e ao fórum; segundo ele, “para passar uma imagem de mais velho e escondesse a cara de menino”. Todavia, algumas pessoas achavam que ele fosse mesmo “bancário”, pois era como os funcionários do banco usavam na época . Depois, deixou os ternos de lado, e optou por um vestuário mais clássico e sóbrio.

Era, no bom sentido da palavra, uma pessoa ambiciosa, que sempre teve como missão transformar o seu desejo de ter uma vida financeira melhor em uma meta de vida. (Quem foi pobre pode me entender melhor, embora, até os ricos quanto mais têm mais querem. Quem aqui não quer ? ). Então, sempre, trabalhou, economizou e administrou o que tinha com esse objetivo - vencer a pobreza. Além de ter uma autoestima positiva para chegar onde quisesse, e, apesar das adversidades, era muito esforçado,  dedicado e honesto. 

Não, não era ganancioso. “Ambição é ter disposição para encarar desafios e crescer, alcançar objetivos e realizar sonhos. Já a ganância é aquela vontade de ter mais do que precisamos no momento como se nada fosse suficiente”. Não era o caso dele. Ele já sentia realizado com o que havia conseguido. “E, acredite, para ter a carreira que tanto sonhou é importante ter um pouco de ambição, pois ela nos impulsiona e nos ajuda a buscar a realização profissional”.  Se não fosse ser como era, não teria conseguido atingir os seus objetivos. 

Nesse assunto, sempre, vamos encontrar os que veem a ambição como algo negativo, caindo no senso comum e confundindo os dois termos. Todavia, quando ela é moderada vira o melhor ingrediente para o sucesso, conforme Equipe Blog Portal Pós (2021).

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