terça-feira, 22 de junho de 2021

8- Mudança para Caiapônia

Para onde vou, não sei - só sei que irei 

Hoje, finalmente, realizei um grande sonho, vendi o meu escritório de contabilidade. Escritório que foi responsável pelos estudos do meu irmão Zé e pelo meu casamento. 
Despeço - me dele com alegria, pois parto em busca de lutas e de realizações. Esperanças armazenadas que, agora, poderão ser realizadas.

Vou embora e, ainda, não sei para onde, só sei que irei. Lutar, viver e conseguir o sucesso que tanto esperei nos meus dezessete anos de escola. 
  
Estou quase dizendo adeus.
Goiânia, 04/06/ 1979.

Milton, antes de terminar o curso de direito, tinha um escritório de contabilidade em Goiânia. Antes, de ter o seu próprio, trabalhava no escritório de outra pessoa. 

Até, quando terminei o curso ginasial, tinha a intenção de fazer um curso de Magistério. Mas ele me incentivou a fazer o curso de Técnico em Contabilidade, pois poderia ajudá-lo. Assim, fiz, e pude ajudá-lo, um pouco, até ficar grávida do Virgílio. Mas logo formou em Direito, e mudamos para Caiapônia.

Foi através de seus amigos de República, Dr Benjamin de Oliveira Santos e Dr Wilson Costa, que surgiu a ideia de conhecer Caiapônia para morar e, como ele disse, exercer a advocacia. 

Primeiramente, ele foi sozinho conhecer Caiapônia. Depois de alguns dias, fomos de mudança. Eu, ele e o Virgílio de 10 meses. Chegando em Caiapônia, a casa que tínhamos alugado para morar não estava desocupada. Era uma casa boa, que fica em frente a Igreja Católica, que pertencia a Dona Zica do Sr Baiano. Hoje, pertence a Rosa.

E aí, você pode imaginar, leitor (a) chegar em um lugar estranho, com a mudança para ser descarregada, e não ter onde colocá-la. Naquele tempo, sem telefone, tudo tornava mais difícil. Até que um amigo de seu primo nos cedeu parte da casa de sua mãe, até a nossa ser desocupada. 

E o Adenilson, seu primo, e a sua esposa Regina, nos hospedaram por alguns dias, com toda atenção e carinho. Não esqueço. Tenho muita carinho e gratidão por eles.

Talvez, se tivesse dito que preferia Jataí, talvez, o nosso destino teria sido outro... 
E nesse ínterim, um dia, com a intenção de irmos para Jataí, pegamos por engano uma estrada que ia para Rio Verde. Tivemos que voltar alguns kilômetros e pegar a estrada que ia para Jataí. Estrada de chão, e o combustível estava na reserva. Lembro  que o Milton me disse durante a viagem - "se eu não preferia que mudássemos para Jataí?" "Eu disse que, não, que já havíamos planejado ir para Caiapônia, então, deveríamos tentar ficar lá mesmo. Caso não desse certo, poderíamos procurar outro lugar''. Assim, fizemos....


       

A pandemia que parou o mundo... ninguém previu e nem esperava...

De repente... sem aviso prévio...a população mundial, de ricos e pobres, tem a sua velha e cansativa rotina interrompida... restringindo a toda gente a viver o mesmo drama, não respeitando fronteiras, raças ou culturas; tirando dela o que tinha de melhor - o direito de ir e vir - de sair para a rua, de ir ao shopping, de ir às lojas para ver as vitrines, de ir aos domingos ao estádio de futebol, de ir ao cinema, de ir às feiras livres, de ir à igreja, de festar e de visitar a família e amigos. De respirar o ar...

À elite foi demilitada as viagens, a continuidade dos estudos acadêmicos e especializações dos filhos em outros países; e ao pobre e ao ambicioso de fazer o quê sempre fazia... trabalhar... trabalhar... e trabalhar a semana inteira... o mês inteiro, para comprar, comprar e pagar...e pagar... 

E, desse modo,  a maioria das nações passa a ficar, literalmente, presa em seus próprios lares, muitos passando até por dificuldades, sem poderem trabalhar para comprar o seu próprio pão de cada dia... sem data marcada para terminar; por causa de um tal vírus, que é invisível... e, em muitos casos,  até assintomático...  uma surpresa em cada organismo... ou como disse o presidente do Brasil, igual a uma "gripezinha", mas que já vitimou milhares de pessoas pelo mundo afora. 

A meu ver, ninguém deveria subestimar o que não se conhece... Muitos países estão vivendo um verdadeiro colapso social. E, no Brasil, embora, já tenha morrido mais de 500 mil pessoas, meio milhão de pessoas, gente; não se pode esquecer nunca que Deus nos protegeu e continua nos protegendo bastante; imagine se esse vírus tivesse entrado, no Brasil, durante o Carnaval de 2019, estaríamos vivendo um verdadeiro tsunami. E o mar, com certeza, estaria muito mais revolto... ou quase toda a população do país inteiro estaria doente ou morta, e  o comandante, como é " teimoso, do contra, desafiador e provocador" não saberia para onde nos levar. Uma vez que, a OMS defende o isolamento e ele não... 

No início, poucos estavam enxergando o tamanho das ondas. Para muitos eram como se elas não existissem, embora, houvesse muito perigo.... em muitas embarcações, milhares se afundaram... e continuam, ainda, afundando. E o que nos restava e, ainda, nos resta era / é ver o que deu certo e o que não deu com as mesmas e experimentarmos para podermos atravessar, meio, a tantos mortos. 

E...  além do grande medo de contrair esse tal Covid 19, as pessoas tinham e continuam tendo muito receio de perder a "normalidade" de viver; o medo do estrago econômico; o medo de perder o emprego, o medo da perda de conexão com os familiares e amigos, por muito tempo, e o medo de perder a própria vida. Quem não tem?Tudo isso gerou e continua gerando um grande sofrimento. É como estivéssemos doentes ou pior de luto coletivo, principalmente, para quem é do grupo de risco, e mora, nas cidades, onde existem muitos casos.

Como disse um amigo virtual... "Para mim  que moro na Fazenda não  mudou muita coisa, mas  para quem vive na cidade  não  é  fácil... ficar confinado sem poder sair, sem receber visitas  e sem poder trabalhar... penso que  é estressante!! Temo é  que a crise possa se  instalar e as pessoas com baixo poder equisitivo  passem fome.... e nessa hora, temos que unirmos para ajudar da melhor forma os mais necessitados!!!"
 
Realmente, o isolamento social não está sendo fácil, tem gerado grande ansiedade, e invadido a mente das pessoas, de tal forma, que somente as imagens dolorosas e negativas tomem posse de seus pensamentos - famílias ficando doentes. İdosos estão no grupo de maior risco. Preocupamos também com os filhos e netos. Preocupamos com tudo. Com o desemprego. Com a fome. Com o futuro. Com o que está porvir? Ficar doente e perder o emprego nos amedronta. 

Os meios de comunicação tentando nos deixar mais informardos, nos aterroriza cada dia mais. Mas a ordem da OMS é que precisamos nos isolar, mantendo a distância das pessoas e encontrar o equilíbrio para este grande desafio da atualidade -  viver preso ou pegar o Corona vírus e morrer. Não tem como correr!! Arriscar é perigoso!  

Todos os dias, milhares de pessoas estão se contaminando e morrendo.  Há quem diga que não sairemos ilesos desse tal Corona vírus; que estamos só adiando esse mal. Por isso, não há outra saída, a não ser nos protegermos, mantendo o isolamento das pessoas... até que todas as pessoas sejam vacinadas, e podermos irradicar esse tal desconhecido vírus, que além de ter  vitimado milhares de pessoas, dentre elas, dezenas de profissionais da saúde, que arriscaram e continuam arriscando suas próprias vidas, com tanta precisão e zelo, por todos os países, para salvarem vidas; sem poderem fazer suas próprias escolhas, entre trabalhar e ficar em casa, como a população está tendo.

No entanto... apesar de tudo, muitas pessoas em isolamento estão se rebelando. Assim, alguém do grupo de risco, já é um idoso, aposentado, que deve ter uma vida econômica boa, desabafou no seu Facebook. "Hoje eu saí, cansei de ficar em casa ouvindo noticias, e passando álcool em gel na mão!  Adeus quarentena, adeus pesadelos, vou caçar passarinhos, sim, eles que voam livres, e cantam melodias afinadas serão os meus alvos, não como fiz na infância armado com um badogue, hoje vou caçar passarinhos com tiros que eternizam, apertando o gatilho da minha Canon!  E como foi fácil encontrar todos eles, joguei alpiste, coloquei mamão junto ao HD do meu computador, e aos poucos foram pousando bem na minha frente, livres como eu gostaria de estar! 02 abr  2020."
Agora, imagine um trabalhador que ganha, hoje, para sustentar a sua família amanhã, e tem que ficar de quarentena em casa sem ter o que comer... Eh... com certeza, você também até pensou... como abrir mão da vida... é uma questão de vida e morte. Mas... e de fome também não morre?  İnfelizmente, muitas pessoas não têm muita escolha.

Sem poderem sair para a rua... para terem melhor controle da contaminação do vírus, o comércio, lojas, shoppings, bares, aeroportos, pontos turísticos, tudo, se fecha e pára, exclusivamente, para levar as pessoas a se protegerem do tal vírus, contrariando até o próprio presidente do Brasil, que temendo que a economia entre em colapso, e provoque um grande rombo, nas contas públicas, sai praticando atos abusivos, próprios do seu gênio desafiador e do contra, como: cumprimentar as pessoas, estabelecendo, de certa forma, uma ideia de descumprimento das normas de saúde a favor da abertura do comércio local.

Levando as pessoas a se "relaxarem"/"afrouxarem" o isolamento social, que, ainda, é muito necessário e exigido pelos profissionais da saúde por algum tempo. Mas muitos acreditam: meio a pandemia, que "teremos mais falidos do que falecidos". Vindo de encontro com as opiniões dos economistas de que é a maior queda econômica mundial dos últimos noventa anos.


Mas... por outro lado... 

Quem não se lembra de ter reclamado e pensado, um dia,  poder fazer uma "pausa" em sua vida, poder organizar sua casa, ter tempo para os filhos, para o marido ou esposa ou para você mesmo (a)? Poder refletir sobre a sua existência, no mundo, além de só trabalhar e trabalhar! Quem não sonhou um dia aproveitar mais do conforto do lar? Quem sabe... estudando a distância e trabalhando em casa. Não precisando sair de casa para nada...  nem para ir ao mercado... nem para ir levar e buscar as crianças na escola...  nem para ir aos bancos... nem para ir ao médico... nada... tudo a distância.... tudo online!?

 Agora, pode fazer isso... Como disse Mário Sérgio Cortella (2018), em outro contexto, citando o poema de Mário Quintana "Tenta esquecer - me" com os versos: "Toda a tristeza dos rios / É não poder parar! ". "E é muito parecido, Cortella continuou, com a tristeza que temos hoje". Depois cita Fernando Pessoa ( como Álvaro Campos) " Acabamos com isto e tudo mais... / Ah, que ânsia humana de ser rio ou cais". 

Na verdade, a rotina atual de parte da população é escravizante. Lembro- me bem de quando fui professora, como eu desejava parar... poder descansar em casa... e trabalhava quase em frente a minha casa, até ouvia quando a sineta tocava, saía correndo, e chegava ainda "em tempo". Agora, imagine a vida de uma pessoa que mora em uma cidade grande, que para chegar até a escola e voltar para casa tenha que pegar um, dois ou três ônibus lotados ou metrô. Que, simplesmente, só pára quando vai dormir. E quando dorme não pode descansar. Os sonhos a derrubam da cama, ela perde o ônibus, e seu ponto é cortado. Ela, com certeza, pensou, também, em poder fazer uma pausa em sua vida para descansar... mas ... não... essa pausa obrigatória, é claro! E poder organizar a sua vida, que tornara tão mecânica... e que, há muito tempo, vem se sentindo sufocada.

A pandemia parou o mundo. Tudo foi fechado. Fecharam também todas as escolas, mas a maioria delas está com a prática de aulas à distância, online, em casa, numa escala, jamais, realizada e pensada, que poderia dar certo, para o Ensino fundamental. Transmitidas por grupos, via whatsapp, vídeos e áudios. Usando até um mantra oficial de um país, como a China, que 90% de tudo vem de lá, (inclusive, o próprio vírus) um país obcecado pelo sucesso também educacional - “Parem as aulas, mas não parem de aprender”, ou pára o mundo, mas o professor não pára de ensinar.

"Veja o exemplo da China. Muito antes do início da pandemia, o país vinha investindo pesadamente em soluções educacionais digitais para sua imensa massa de estudantes. A competição brutal entre os estudantes chineses para conseguir vagas nas melhores escolas do ensino médio de sua cidade (por  meio  de um  exame  de admissão)  e depois para ser selecionados nas melhores universidades permitiu o florescimento da indústria do reforço escolar.

Antes restrito a quem podia pagar um professor particular, dezenas de startups criaram modelos exclusivamente online ou híbridos para atingir um número cada vez maior de alunos. “A China é o país que lidera a aplicação de inteligência artificial na educação”, diz Maria Spies, cofundadora da consultoria australiana especializada em educação Holon IQ." Por Ernesto Yoshida, Luisa Granato, Rodrigo Loureiro e Fabiane Stefano, de Xangai e Hangzhou. Revista Exame (abr 2020)


Precisávamos, realmente, de algo que provocasse uma ocasião de estacionamento... poderia ter sido diferente... não com tantas dores... para nos proporcionar uma vida menos agitada e mais participativa com os de casa. Estávamos vivendo como "a síndrome do sapo fervido", que é colocado em um recipiente, com a mesma água de sua lagoa, fica estático durante todo o tempo em que aquecemos a água, até que ela ferva. O sapo não reage ao gradual aumento da temperatura (mudanças do ambiente) e morre quando a água ferve. Inchadinho e feliz. 

No entanto, outro sapo, jogado nesse mesmo recipiente já com água fervendo, salta, imediatamente, para fora, meio chamuscado, porém, vivo!

Existem pessoas que têm comportamento similar ao do SAPO FERVIDO. Não percebem as mudanças, acham que está tudo bem, que vai passar, que é só dar um tempo... e, muitas vezes, fazem um grande estrago em si mesmas, "morrendo" inchadinhas e felizes, sem, ao menos, ter percebido as mudanças.
 
Outras, ao serem confrontadas com as transformações, pulam, saltam, em ações para implementar as mudanças necessárias. Encorajam-se, diante dos desafios, buscam a melhor saída para a solução dos problemas, tomam atitudes." ( texto de autor desconhecido, mas que foi explicada por Olivier Clerc pela primeira vez)

(Lembrei- me de uma passagem que nunca esqueci. Quando trabalhava no Colégio, tinha uma turma que estudava em uma das salas mais quentes da escola, devido ter sido construída sem observar as normas de engenharia, então era muito baixa, sem vitrôs, mesmo tendo um ventilador, era insuportável. Os professores reclamavam do calor, mas como entrava ali, só ficava quarenta minutos, e saía, ia suportando; mas para os alunos eram terrível. Então, quando dispensava uma turma de uma sala mais arejada, o diretor pedia para o professor ir com a turma para outra; incrível que pareça, vocês não vão acreditar, a turma sentia frio - muitos diziam: "professora, estou com frio". Viu como é essa síndrome do sapo fervido?). 

Assim... muitas pessoas morrerão com o Corona vírus,  mas, no futuro, acredita- se que estaremos nos protegendo muito mais.  Higienizando mais, principalmente, as mãos. Estaremos mais conscientes. A discussão sobre a saúde, sobre o incentivo à  pesquisa e à preparação dos hospitais e dos profissionais da saúde estará mais focada em soluções, com o objetivo de todos estarem mais bem prevenidos e equipados para quaisquer eventualidade. Promovendo um impacto muito grande na Tecnologia e na Ciência...transformando vidas, valores,  trabalhos, escolas e, principalmente, a saúde, se Deus quiser. 

Concluindo, é oportuno citar o pensamento de Allan Kardec: "Às vezes é necessário que o mal chegue ao excesso, para se tornar compreensível a necessidade do bem e das reformas." (Por Ernesto Yoshida, Luisa Granato, Rodrigo Loureiro e Fabiane Stefano, de Xangai e Hangzhou. Revista Exame (abr 2020)).

İnfelizmente, foi, sempre, assim... Antes de escrever esse texto, eu tinha, ainda,  o meu marido. Ele também morreu há quase quatro meses, vítima desse vírus maldito. Ele está entre os 500 mil mortos. 


domingo, 20 de junho de 2021

6-A origem dos meus filhos, sobrinhos e minhas indagações

  6-A origem dos meus filhos, sobrinhos e minhas indagações...
Obs ( Colocar este texto depois que falar sobre o Virgílio e a Nalygia)
Desde criança, fui um leitor assíduo, lendo tudo que via pela frente, principalmente, História e Literatura, e sempre, me interessei por assuntos que falam da origem do Universo, do Homem, sobretudo da minha região e do seu povo.
O tempo foi passando, mas a minha curiosidade, as minhas inquietações intelectuais continuaram; e preocupado em conhecer um pouco da história da nossa região, fui lendo livros que falavam do povoamento do Sudoeste Goiano, da origem das famílias, da história da nossa gente. 

E, nesse ínterim, decidi estudar a origem das minhas sobrinhas Patrícia e Fernanda. Montando o quebra- cabeça de suas ascendências, descobri que os sobrinhos Michel, Reiner e Ana Luiza, também, descendiam dos mesmos ancestrais que fundaram Jataí e Caiapônia, e acabei montando a árvore genealógica também deles. 

         Histórias da minha família
           e de minha esposa
Sempre, tive em mente contar um pouco da história da minha família e da família da minha esposa, e deixar registrada para os meus filhos. Mas não é fácil conseguir informações sobre a origem da minha família.
Minha família por ser pobre e obscura, não encontrei dados suficientes para retroagir além dos meus avós e bisavós; isto por que, até meados do século passado, somente, quem tinha um pouco mais de informação, influência social ou econômica fazia os registros de nascimento, casamento e falecimento, através da İgreja Católica, pois, até a entrada em vigor do Código Civil Brasileiro, em 1917, era esta instituição, o único órgão responsável pelo registro civil das pessoas. 

Daí, a dificuldade de encontrar dados sobre as famílias mais pobres e mais humildes, que não sabiam da importância de fazer o registro de nascimento, casamento e de óbito dos membros familiares. Mesmo assim, apesar da falta de informações, fui recordando as histórias que a minha mãe me contava sobre a sua família e a família do meu pai, dos lugares onde moravam e de fatos acontecidos, envolvendo o meu pequeno grupo familiar.
 
Origem da família de minha esposa
Por outro lado, casei com uma moça pertencente a uma das famílias mais tradicionais de Jataí, "os Ferreiras de Moraes", que juntamente com outras famílias, Vilela, Silveira, Carvalho, Gouveia, Moraes e Barros foram responsáveis pela fundação e desenvolvimento desse município. Hoje, a família Ferreira Moraes é uma das mais numerosas do município de Jataí. 

E foi lendo e relendo livros que retratam as famílias e o desenvolvimento dessa região; conversando com velhos parentes da Nilva, com seus avós e tios, consegui levantar a história dos ascendentes dos meus filhos, por parte de sua mãe, até o mineiro Joaquim Antônio de Moraes, nascido em 1773, casado com Vitória Maria da Conceição, nascida em 1783; moradores na região do Triângulo Mineiro, e de sua nora Francisca Maria Ferreira de Menezes, casada com Luiz Antônio de Moraes, que mesmo viúva, veio juntamente com seus filhos em busca de oportunidades, aqui no Sudoeste Goiano; levados, certamente, pela grande corrida de mineiros e paulistas para a região de Jataí e Caiapônia, em meados do século XlX.

Na pesquisa que fiz, encontrei a lista dos votantes da primeira eleição, ainda, no Distrito de Jataí, em 1884, e entre os 41 votantes estavam os nomes dos ascendentes de Virgílio e Nalygia: José Ferreira de Moraes e Francisco Ferreira de Moraes; ficando, assim, demonstrado, que mesmo naquela época, os parentes dos meus filhos já eram importantes na cidade.

Meio fácil de encontrar dados familiares

Outro meio fácil de encontrar dados familiares é através dos processos de Inventários arquivados nos Cartórios de Família e Sucessões existentes em todos as Comarcas. Não tenho notícias sobre processo de Inventário de algum membro da minha família, ficando desta forma comprovado a falta de patrimônio dos meus ancestrais. Já por parte da minha esposa existem, na Comarca de Jataí, vários processos de Inventário e Partilha dos seus antepassados - Ferreira de Moraes.

Depois de juntar algumas peças do quebra-cabeça da origem familiar dos meus filhos, principalmente, por parte de sua mãe, relutei, se devia ou não fazer a árvore genealógica deles, e contar um pouco da história dos seus antepassados. E se este simples trabalho teria alguma utilidade, se serviria para conseguirem algumas informações sobre os seus ancestrais, ou, se seria jogado no cesto das coisas imprestáveis no canto da sala. 

Mesmo assim, diante desta possibilidade, ouso concluí- lo aos destinatários.Espero que essas informações, mesmo descritas, rudimentarmente, e de forma simples, possam um dia servir de fonte para os meus filhos transmitirem aos seus filhos e aos seus netos, um pouco da história dos seus parentes, da nossa região e do seu povo. 
Novembro de 2009.

Ato altruísta

Milton era apaixonado pela origem de famílias. Era gratificante ver o seu interesse por pesquisas para conhecer as minhas origens e, concomitantemente, de nossos filhos. Tinha alguns livros em casa, que falavam sobre algumas famílias de Jataí, e, sempre, estava folheando um ou outro livro; e, sempre, me contava, e se eu distraísse por algum motivo, ele ficava nervoso, rsrsrsrrsr, e dizia que eu "não me interessava por nada'. 

Mas, segundo Amy Harris, professora de história da Universidade Brigham Young, esse tipo de trabalho refere-se a uma pessoa altruísta, que tem consciência genealógica. O ato de descobrir quem são nossos antepassados e ter um senso de responsabilidade para com eles, nossos progenitores e toda a humanidade futura é um ato de grande altruísmo". (https://www.familysearch.org/blog/pt/family-history-2/)

Então, Milton tinha algumas características altruístas, se assim posso dizer; sempre, preocupou em saber quem foram os seus, os meus antepassados, e concomitantemente, os de nossos filhos! 

Mesmo quando tinha, praticamente, só o necessário para viver, preocupou com a sua mãe e com o futuro de seus irmãos mais novos.

Era saudosista. Gostava de conversar com idosos, para ouvir suas histórias. Gostava de assistir documentários das antigas fazendas que produziam café. Tinha grande interesse pelo velho...pelo passado...



sábado, 19 de junho de 2021

9 -Reflexões de aniversários


Caiapônia, 06/06/1983

Ontem foi o meu aniversário. Um dia comum como tantos outros. Completei 31 anos. As pessoas dizem que esta idade é o limite entre a juventude e a velhice. Eu, sinceramente, ainda, não preocupei com o problema. 

Às vezes, volto ao passado, através de constantes pensamentos. Pensamentos que me levam pelo labirinto do tempo, recordando momentos bons e ruins.

Não sei se estou mais velho. Meu filho de quatro anos já está estudando. Sei que as minhas preocupações com a vida, com a cultura e com o saber, se aprofundaram, tornei mais lúcido e mais preocupado.

Não estou levando a vida que quero. Mas estou tentando a minha liberdade. Liberdade em todos os aspectos. Liberdade profissional, liberdade econômica e intelectual.

Hoje estou mais velho. O que mudei? O que mudará? Somente o tempo encarregará da resposta.

Não fiquei feliz e nem infeliz com a passagem do meu aniversário. Estou aprendendo a ver as coisas com simplicidade, sem ufanismo. 
               Caiapônia, 06/06/1983

Já sou um quarentão
 05/06/1995

Estou completando, hoje, 43 anos de idade... Quando era menino, vivendo de aventuras e de sonhos, pelas ruas, pelos córregos e pelos cerrados da pequena Serranópolis - cidade onde passei a minha infância, quem tinha quarenta anos era considerada uma pessoa velha, e era tratada com muito respeito.
    Nesta idade, as pessoas já eram avós, tendo em vista que casavam- se muito cedo. Assim, eu cresci achando que quando completasse esta idade, eu também seria um homem sisudo e cheio de respeito.
     No entanto, chego aos 43 anos achando- me muito moço, saúde intacta, disposição para o trabalho e com muitos sonhos na cabeça. 
     Meus filhos Virgílio e Nalygia, com 16 e 14 anos, estão estudando em Goiânia, fazendo o mesmo caminho que fiz em 1972, quando deixei Jataí e segui em busca de uma profissão e de uma aventura.
       Em breve, meus filhos já estarão formados e realizando seus sonhos. Espero que sejam felizes, e que a vida cobre menos deles pelas realizações do que cobrou de mim.
       Mas, aos quarenta e três anos, sinto- me forte e com determinação para o trabalho, tanto como advogado ou na fazenda, onde realizo- me como fazendeiro, um sonho de menino pobre. 
     O que sou e que tenho conseguido, devo quase que, exclusivamente, a Deus e ao meu esforço. Nada consegui de graça. Fui à luta por tudo que tenho e sou.

Hoje, sinto- me mais feliz e mais "rico", não pelo que tenho, materialmente; mas, pelo que sou e pela minha família: minha querida esposa, meus queridos filhos, minha querida mãe, irmãos e amigos.
    Por tudo isso, sempre, dou graças a Deus, por me proporcionar tanto.
      A vida continua e o tempo não pára. A cidade não para, tudo passa tão rápido, e, às vezes, demoradamente.
      Quando eu tinha dezoito anos, eu disse a uma namorada, que apesar de ser muito pobre, sem nome e sem família importante, eu seria alguém na vida. Este desafio acho que venci, e esta namorada eu nunca mais a vi.
    Por onde anda meus amigos. O Orlando, o Oripinho, o Dalmy, o João Amaral, o Sandoval e tantos outros? 
    Onde estão?
             Caiapônia, 05/06/1995.

O Milton, sempre, teve um desejo enorme de vencer para ter e dar uma vida mais confortável para a família. Nunca se preocupou com nenhum tipo de luxo. Nem com casa e carro luxuosos. Era um homem que tinha dois cintos e dois pares de sapatos; assim, como ele mesmo dizia ''um no pé e outro para sair". Só comprava quando não dava para usar mais. Roupas - nunca ia a uma loja para comprar. Preferia que eu fosse. E, às vezes, dava um trabalho enorme para experimentar. Ele dizia: "Eu sou o que sou. Não são as roupas e calçados que vão mudar o que sou". 

06/06/2001)

Ontem, completei 49 anos de idade. É o meu primeiro aniversário deste século.

Lembro- me como se fosse hje das minhas projeções de criança, comentando com amigos, que no ano de 2000, estaria velho, ou seja, com 47 anos.

O tempo passou rápido. Dentro de mim, ainda vive aquele menino sonhador, cheio de planos e esperança no futuro.

Biológica e psicologicamente, sinto- me como se tivesse 35 anos. Fisicamente posso até parecer um quarentão, mas minha alma é jovem, e ainda pulsa pungente a minha juventude. (06/06/2001)

 O Milton gostava de comemorar seu aniversário com poucas pessoas. Sempre convidava um ou dois casais mais íntimos para um jantar, que eu mesma fazia. 
Mas houve alguns anos, que seus amigos iam em casa para cumprimentá- lo. E, nem sempre, estávamos esperando, e ia chegando... chegando...e eu ficava agoniada, já que não tinha preparado nada suficiente, e em Caiapônia não encontrava nada pronto, assim, de improviso para oferecer aos amigos. 
Às vezes, até lhe perguntava com antecedência, se queria que eu fizesse algum prato, mas ele dizia que não, que não havia convidado ninguém.

Na verdade, ele não havia convidado, mas os amigos iam em casa. Precisava preparar algo. Mas ele não se preocupava, e não gostava de me incomodar. Mas para mim não era incômodo nenhum.