sábado, 19 de junho de 2021

9 -Reflexões de aniversários


Caiapônia, 06/06/1983

Ontem foi o meu aniversário. Um dia comum como tantos outros. Completei 31 anos. As pessoas dizem que esta idade é o limite entre a juventude e a velhice. Eu, sinceramente, ainda, não preocupei com o problema. 

Às vezes, volto ao passado, através de constantes pensamentos. Pensamentos que me levam pelo labirinto do tempo, recordando momentos bons e ruins.

Não sei se estou mais velho. Meu filho de quatro anos já está estudando. Sei que as minhas preocupações com a vida, com a cultura e com o saber, se aprofundaram, tornei mais lúcido e mais preocupado.

Não estou levando a vida que quero. Mas estou tentando a minha liberdade. Liberdade em todos os aspectos. Liberdade profissional, liberdade econômica e intelectual.

Hoje estou mais velho. O que mudei? O que mudará? Somente o tempo encarregará da resposta.

Não fiquei feliz e nem infeliz com a passagem do meu aniversário. Estou aprendendo a ver as coisas com simplicidade, sem ufanismo. 
               Caiapônia, 06/06/1983

Já sou um quarentão
 05/06/1995

Estou completando, hoje, 43 anos de idade... Quando era menino, vivendo de aventuras e de sonhos, pelas ruas, pelos córregos e pelos cerrados da pequena Serranópolis - cidade onde passei a minha infância, quem tinha quarenta anos era considerada uma pessoa velha, e era tratada com muito respeito.
    Nesta idade, as pessoas já eram avós, tendo em vista que casavam- se muito cedo. Assim, eu cresci achando que quando completasse esta idade, eu também seria um homem sisudo e cheio de respeito.
     No entanto, chego aos 43 anos achando- me muito moço, saúde intacta, disposição para o trabalho e com muitos sonhos na cabeça. 
     Meus filhos Virgílio e Nalygia, com 16 e 14 anos, estão estudando em Goiânia, fazendo o mesmo caminho que fiz em 1972, quando deixei Jataí e segui em busca de uma profissão e de uma aventura.
       Em breve, meus filhos já estarão formados e realizando seus sonhos. Espero que sejam felizes, e que a vida cobre menos deles pelas realizações do que cobrou de mim.
       Mas, aos quarenta e três anos, sinto- me forte e com determinação para o trabalho, tanto como advogado ou na fazenda, onde realizo- me como fazendeiro, um sonho de menino pobre. 
     O que sou e que tenho conseguido, devo quase que, exclusivamente, a Deus e ao meu esforço. Nada consegui de graça. Fui à luta por tudo que tenho e sou.

Hoje, sinto- me mais feliz e mais "rico", não pelo que tenho, materialmente; mas, pelo que sou e pela minha família: minha querida esposa, meus queridos filhos, minha querida mãe, irmãos e amigos.
    Por tudo isso, sempre, dou graças a Deus, por me proporcionar tanto.
      A vida continua e o tempo não pára. A cidade não para, tudo passa tão rápido, e, às vezes, demoradamente.
      Quando eu tinha dezoito anos, eu disse a uma namorada, que apesar de ser muito pobre, sem nome e sem família importante, eu seria alguém na vida. Este desafio acho que venci, e esta namorada eu nunca mais a vi.
    Por onde anda meus amigos. O Orlando, o Oripinho, o Dalmy, o João Amaral, o Sandoval e tantos outros? 
    Onde estão?
             Caiapônia, 05/06/1995.

O Milton, sempre, teve um desejo enorme de vencer para ter e dar uma vida mais confortável para a família. Nunca se preocupou com nenhum tipo de luxo. Nem com casa e carro luxuosos. Era um homem que tinha dois cintos e dois pares de sapatos; assim, como ele mesmo dizia ''um no pé e outro para sair". Só comprava quando não dava para usar mais. Roupas - nunca ia a uma loja para comprar. Preferia que eu fosse. E, às vezes, dava um trabalho enorme para experimentar. Ele dizia: "Eu sou o que sou. Não são as roupas e calçados que vão mudar o que sou". 

06/06/2001)

Ontem, completei 49 anos de idade. É o meu primeiro aniversário deste século.

Lembro- me como se fosse hje das minhas projeções de criança, comentando com amigos, que no ano de 2000, estaria velho, ou seja, com 47 anos.

O tempo passou rápido. Dentro de mim, ainda vive aquele menino sonhador, cheio de planos e esperança no futuro.

Biológica e psicologicamente, sinto- me como se tivesse 35 anos. Fisicamente posso até parecer um quarentão, mas minha alma é jovem, e ainda pulsa pungente a minha juventude. (06/06/2001)

 O Milton gostava de comemorar seu aniversário com poucas pessoas. Sempre convidava um ou dois casais mais íntimos para um jantar, que eu mesma fazia. 
Mas houve alguns anos, que seus amigos iam em casa para cumprimentá- lo. E, nem sempre, estávamos esperando, e ia chegando... chegando...e eu ficava agoniada, já que não tinha preparado nada suficiente, e em Caiapônia não encontrava nada pronto, assim, de improviso para oferecer aos amigos. 
Às vezes, até lhe perguntava com antecedência, se queria que eu fizesse algum prato, mas ele dizia que não, que não havia convidado ninguém.

Na verdade, ele não havia convidado, mas os amigos iam em casa. Precisava preparar algo. Mas ele não se preocupava, e não gostava de me incomodar. Mas para mim não era incômodo nenhum.







Nenhum comentário:

Postar um comentário