O objetivo desta cavalgada seria o resgate da rota da Estrada do Sal, saindo de Caiapônia ( antiga Rio Bonito), até à cidade de Baliza, percorrendo, assim, o caminho por onde passaram os tropeiros que levaram sal e mantimentos de Rio Bonito até os garimpos de Baliza, às margens direita do lendário Rio Araguaia.
Os cavaleiros Caiaponienses saíram logo de manhã da fazenda do Secretário de Agricultura do Município, Edison Abreu, percorrendo todo centro da cidade e atravessaram o Ribeirão Monte, na antiga estrada de Caiapônia e Doverlândia, pegando em seguida a velha estrada cavaleira, que a partir daquele local, iniciaram a cavalgada pelo cerrado e pelos capoeirões, rumo a primeira parada para o almoço, que seria na velha sede da fazenda, que pertenceu ao Coronel Zequinha Carvalho, patriarca da família Carvalho de Caiapônia ( avô do Senhor Joaquim Franco, bisavô do João da Onça e do Jaime do Joaquim Franco, do Franc, trisavô do Dr Aliviar e do Edinho da Lubrifiltros)
Atendendo ao convite da comitiva, fui ao encontro dos cavaleiros para o seu primeiro almoço. Chegando à fazenda velha, por volta das 12 horas, onde o grupo já estava almoçando, e os cavalos descansando amarrados a uma cerca antiga enfrente ao casarão.
Ao chegar naquele local, fiquei surpreso ao deparar com aquela cena - um grupo de tropeiros almoçando na sala de um casarão abandonado. Fiquei olhando e admirando aquela velha sede da fazenda, que pertenceu ao Coronel Zequinha Carvalho, local que, durante longos anos, serviu de pouso de boiadas e boiadeiros, ponto de parada para almoço e descanso dos viajantes da antiga Rio Bonito, até a cidade de Baliza ou rumo a Mato Grosso.
O velho casarão, construído há mais de 140 anos, na fazenda Campo Belo, às margens do Córrego Ponte Alta, mesmo abandonado há bastante tempo, e com algumas paredes caídas e parte do telhado ao chão, ainda, está ali imponente a desafiar o tempo e o próprio abandono.
Olhando para a velha casa, fiquei imaginando quantas pessoas já habitaram aquele casarão. Quantos casamentos, batizados e festas ali realizaram. Quantas estórias estão registradas naquelas paredes, e quantas tragédias aquelas janelas assistiram. Quantas boiadas ali pousaram....
Casarão estilo colonial foi construído quase todo com madeira de aroeira. Chamam atenção as grandes portas e janelas, o número de quartos e o telhado com telhas comuns. Nas paredes já corroídas pelo tempo, nota- se, perfeitamente, as marcas das mãos dos operários que construíram aquela casa.
Quantos causos de caçadas de onças, antas e de assombrações aquela sala já ouviu. Quantas botas andaram rastando suas esporas por aquele assoalho, rumo a cozinha e aos inúmeros quartos da casa. Quantos bois, vacas e tropas foram apartados naqueles velhos currais.
No quintal, cercado por lascas de aroeira, pude ver velhas mangueiras, jabuticabeiras, e a certidão do rego d'água, que vinha serpenteando da cabeceira até chegar a uma grande bica de aroeira, que está no mesmo lugar; onde certamente, as mulheres e algumas pretas remanescentes de escravos cumpriam, todos os dias, as tarefas domésticas, fazendo doces de leite com mamão, peneirando arroz socado em monjolo ou fazendo sabão de bola.
Espero que os organizadores da primeira Cavalgada da Estrada do Sal, tenham anotado no seu Diário de Viagem, a existência de um velho casarão no Município de Caiapônia construído, ainda, no século XlX, e abandonado na imensidão dos cerradões da velha Rio Bonito, e que precisa ser restaurado para preservar um pouco da história da colonização da nossa terra.
Parabéns aos organizadores e aos participantes da primeira Cavalgada da Estrada do Sal
Milton Ferreira
Advogado e Produtor Rural
Milton era apaixonado por fazendas antigas. Depois, de uma visita dessa, chegava me contando tudo que tinha visto, muitas vezes, maravilhado com tudo que tinha visto.
Nenhum comentário:
Postar um comentário