quarta-feira, 7 de junho de 2023

Homenagem ao vovô Milton - Daniel

Eu sou o Daniel Chiquitin Moraes Ferreira, primeiro neto da vovó Nilva e do vovô Milton. A vovó Nilva era professora, mas está aposentada; porém em alguns trabalhos de Português, ela me ajudava, quando eu não conseguia fazer. O vovô Milton era advogado e fazendeiro. 

 Meu avô tinha duas fazendas, mas eu gostava mais de ir na Fazenda Morro de Mesa, pois lá era muito grande e tinha bastante animais, e eu adorava andar a cavalo na garupa com o meu pai ou com o meu avô.  Andávamos pelos pastos para ver se tudo estava normal...Parávamos um pouco para ver as vacas, depois voltávamos para a casa da fazenda.

Na fazenda, sempre, tinha paçoca de amendoim, feita por Orlene, a funcionária da fazenda. Eu e meu irmão gostávamos muito. Eu também adorava o caldo de cana que fazia lá. Eu gostava de ver meu pai e o meu avô colocando a cana para ser espremida no engenho. E a minha avó pegava o balde de garapa, coava para não deixar fiapos do bagaço. 

Lá, eu também adorava dar milho para os porcos com o meu avô. Eu e o meu irmão Lucas, todos os dias, e às vezes quando dava, a gente ia também pescar com o vovô...Sempre, eu e meu irmão no colo do meu pai ou do meu avô, e o meu avô ia nos ensinando a pegar o peixe. E a minha avó ficava com o celular filmando e tirando fotos da gente e da paisagem. Minha avó adorava tirar fotos da natureza. Às vezes, quando tinha tempo ou folga, a tia Ná ia para fazenda com a gente.

Depois, a gente ia embora da fazenda para cidade - Caiapônia - Go, onde meus avós moravam. Um dia ou dois dias depois, voltávamos para Marília - SP, onde moramos. Fazíamos isso todos os anos, nas férias de julho, íamos para a fazenda do vovô, e era bem divertido.

Porém, como se diz aquele ditado
 " nem tudo são flores", no começo de 2020, veio a pior pandemia global que eu já presenciei em toda a minha vida, o COVID 19, que logo já estava espalhado pelo mundo afora, chegando o primeiro caso no Brasil. Logo que fiquei sabendo, fiquei preocupado, mas em minha mente, não ia se espalhar tanto, porém estava totalmente enganado, e a cada dia que passava, aparecia mais casos. 

Eu estava cursando a quinta série, e a minha mãe ficou muito preocupada comigo. Um dia, eu acordei e perguntei a minha mãe "por que ela não havia me chamado para ir à escola", e ela me disse "que os casos de COVID haviam aumentado bastante, então, era perigoso, precisaria ficar em casa". Nisso, eu lembrei que tinha um trabalho de Ciências, que era um foguete que eu havia feito com garrafa pet, para ser entregue e apresentado para a minha turma, e que tinha deixado na escola. Mas como não fui à aula, não pude apresentá-lo. 

Logo, meus amigos também começaram a não ir... Depois, a escola mesmo informou aos pais da decisão de paralisar com as atividades escolares, pois a pandemia já estava fazendo estrago demais, causando mortes, e eu e a minha família precisaríamos ficar em casa de quarentena...

No começo, eu estava até gostando de ficar em casa, porém eu não podia chamar os meus amigos para irem a minha casa, e eu não podia ir na casa deles. E, por isso, com o passar dos dias, eu fui ficando entediado, e meu pai já há alguns dias, não estava indo ao trabalho também. Enquanto meus avós estavam na fazenda isolados da cidade, com bastantes suplementos para conseguirem se manter o maior tempo possível lá, e ir menos vezes na cidade. 

Nesse período, começaram as aulas online, e eu podia ver minha turma por alguns meses, apenas, pela tela do notebook da minha mãe, e foi bem legal, todavia, teve aula até, nas férias, devido alguns dias anteriores sem aula.

Depois de alguns meses, meu avô e minha avó pegaram COVID 19, e meu pai ficou muito preocupado, pois meus avós não estavam vacinados, pois a vacina, ainda, não havia chegado na cidade e nem na faixa etária deles. Só o meu pai, por ser médico, foi o primeiro da família a ser vacinado pela astrazeneca.

Passando alguns dias, minha vó estava melhor da COVID 19, mas o meu avô estava no hospital. Meu pai foi visitá-lo, para ver de perto, se ele estava bem e poder cuidar dele. Passaram alguns dias, o meu avô já estava quase recebendo alta, porém voltou a piorar. Meu pai foi novamente para Goiânia, pois ele fora entubado em estado grave. 

Eu e a minha família fomos pra Goiânia e ficamos na casa da minha tia, irmã do meu avô, por uns três dias. Durante esses dias, todos iam ao hospital, menos eu e o meu irmão. No terceiro dia, fomos embora. Meu pai precisava trabalhar. Durante a viagem, recebemos uma notícia de que meu avó havia melhorado um pouco, e ficamos bastante felizes. 

Mas passaram alguns dias, meu avô teve um ataque cardíaco, os médicos tentaram reanimá-lo e teve sucesso. Outro dia, teve de novo, os médicos tentaram, novamente, mas sem sucesso, seu coração não foi reabilitado e meu avô veio a óbito. A hora que fiquei sabendo, não acreditei, pois não estava preparado para receber tal notícia. 

Então, liguei para o meu pai, que estava em Goiânia, e ele chorando me confirmou que meu avô não estava mais na terra. Na hora desabei... até tinha compromissos com as aulas, mas não fui, estava muito triste com essa situação. 

Porém, minha mãe falou que havia chegado a hora dele partir, e mesmo se o vovô estivesse vários outros sonhos para serem realizados; só até aqui, ele já tinha deixado um legado gigante - foi um ótimo profissional, criou uma ótima família e teve uma ótima esposa. 

 A vida é passageira mesmo e temos que aprender com ela... Meu avô deixou muitas coisas - algumas vou guardar de lembranças. As coisas maiores - os bens materiais, meu pai e minha avó estão cuidando. 

A vida começa e uma hora ela acaba. Aqui termino a minha fala em homenagem ao meu avô, que fez a diferença na minha família. 


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