domingo, 25 de novembro de 2018

Eis o grande desafio da convivência - preferir ser feliz a ter razão

  Eis o grande desafio da convivência - preferir ser feliz a ter razão

O que leva, hoje, cada vez mais, uma grande parte das pessoas abrir mão da verdade, principalmente, nas redes sociais e com crianças e adolescentes e compartilhar de um ideal de boa educação e de bom tratamento, através de elogios e gentilezas, que nem sempre correspondem com a realidade?

Fico observando esta tendência, e fico a pensar. Em vez das pessoas valorizarem a reflexão sobre uma postagem, uma matéria, um acontecimento, etc, priorizam- se, apenas, os likes e comentários mais neutros e mais superficiais, objetivando, desse modo, quase sempre, a meu ver, ficar bem com todos e não se comprometerem, como dizia o grande poeta brasileiro, Ferreira Gullar: "preferir ser feliz a ter razão".

Se, por um lado, essa habilidade evita que reações e prováveis ataques sejam desencadeados, pelo fato de muitas pessoas não aceitarem avaliações e opiniões que contrariam seus próprios pensamentos; por outro lado, nota - se que a "indiferença à verdade" venha ganhando espaço, cada vez mais, em quase todos os sentidos; gerando certa desconfiança das afirmações e avaliações feitas de algo por uma ou outra pessoa, do que realmente é bom/ está bem ou não, certo ou errado.

O elogio vazio feito às crianças e aos adolescentes, então, pode, a longo prazo,  criar, nos mesmos, a necessidade de aprovação para o resto de suas vidas - para sentirem que o que fazem está bem, adequado. O que acontece é que eliminamos a capacidade dos mesmos se automotivarem. Eles ficarão, sempre, dependentes​ da aprovação de alguém. Conheço pessoas adultas, assim, se não estivermos motivando sempre, parece que não se sentem satisfeitas. Não fazem um trabalho pelo prazer e pela satisfação que aquela atividade lhes proporciona, mas pela agradável sensação de serem elogiadas. E quando não são elogiadas​ ou não conseguem os likes que desejam ficam insatisfeitas e desestimuladas.

No entanto, apesar de, a maioria das pessoas perceber esse jeito apenas gentil ou educado das mesmas tratarem as outras - "aceita...gosta e até as imita".  Mas, afinal, vale a pena omitir a verdade / elogiar para ser gentil ou educada (o) para agradar alguém?

Para a ciência, a resposta é sim. Segundo estudos feitos por estudiosos e pesquisadores do assunto, participantes que praticaram ações gentis do dia a dia como, por exemplo: dizer um bom dia, tratar bem as pessoas, ajudar, agradar, fazer elogios, etc, registraram níveis mais altos e prolongados de felicidade e positividade em comparação com quem repetiu, sempre, a mesma atitude.

Esse mecanismo, segundo um estudo da Universidade Hebraica, em Israel, "a gentileza está ligada ao gene que libera a dopamina, neurotransmissor que proporciona bem-estar." Então, se proporciona bem - estar e pode aumentar a positividade, e mantermos​ as pessoas queridas à nossa volta, vale muito a pena tentar ser mais agradável.

E, além do mais, este argumento de dizer o quê quer, que prefere ser "mal educado mas ser verdadeiro" já não sustenta mais. Não é mais legal esse perfil...Ah!! Eu nasci assim / quero ser assim/ vou morrer assim!! É importante criarmos novos hábitos! Não se trata de ser falso. Trata, sim, de fazer com que o seu dia e o das outras pessoas tornem melhor. Ninguém precisa ser grosseiro para ser sincero. 

Todos nós podemos discordar de alguém, que pensa diferente de nós, fazendo valer o nosso ponto de vista​; mas não precisamos perder a nossa educação...mesmo que, talvez, nos deixem nervosos, irados...Precisamos manter a calma, ouvir o outro. Não devemos agir pelo impulso e atacarmos as pessoas como se fôssemos animais irracionais.

Manter o controle de si mesmo é bom para mim, é bom para você e todo mundo gosta! Gentileza é um exercício  que podemos praticar todos os dias. Mesmo que achemos difícil dar um bom dia, "se para você não está", é importante cumprimentar as pessoas. É importante ensinar esse exercício às crianças. Hoje, a maioria das crianças entra e sai sem cumprimentar e despedir das pessoas. ( Vou contar uma passagem que aconteceu com meu netinho de oito anos. O avô convidou - o para ir a um vizinho de fazenda, mas antes de sair, disse pra ele - Chegando lá, cumprimente as pessoas... Ele disse: Mas já cumprimentei aquele dia, tem que cumprimentar de novo? Rsrsrsrs)

Em fim... Pequenas atitudes poderão reverter a sua expectativa de bem - estar para você​ mesma e para as pessoas, com as quais você convive. Dê o primeiro passo.Tente!! Tenha em mente que tratar as pessoas bem é um presente - um ato de amor. "E é dando que se recebe….!"

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