sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

8-Período de adaptação nesta cidade

Em dezembro de 1978, formei em Direito, e em julho de 1979, eu, minha esposa e meu filho mudamos para Caiapônia para eu ser exercer a minha profissão.

Caiapônia 7/10/1979

Acostumei, sempre, escrever as minhas reflexões, ou os meus sentimentos nas folhas em branco, que ficam, nas últimas páginas dos livros, que ao longo de minha vida, venho adquirindo.

Hoje é sábado, e quase ninguém está trabalhando. Estou no meu escritório, estudando, pensando e esperando. Acho melhor estudar aqui do que em casa. 

Ainda, não consegui deixar de viver como vivia em Goiânia - quieto. Aqui não há nada para fazer. A rotina e a monotonia parecem tomar conta de todos. 
Quase todos conseguem refugiar em determinada coisa.  Alguns vão ao bar - na bebida e na conversa com os amigos, esquecem o cotidiano,  intoxicam de bebidas alcoólicas, e conversam futilidades. Uns ficam no jogo de cartas e no futebol, praticando ou assistindo. Outros vão às festas tão vulgares e tão ridículas. 

Somente, eu não consigo, a não ser, no trabalho e na leitura, fugir do enigma do cotidiano. Estou precisando comprar um pedaço de terra para passarmos os finais de semana. Convivermos com a natureza, correr, andar a cavalo, lidar com gado e poder divertir, trabalhando.

Queria ser um sertanejo para trabalhar de sol a sol, sem deixar o corpo descansar. Ser um camponês que tivesse como diversão apenas assistir o nascer e o pôr do sol, e a lua cheia, porque esta surge muito cedo, quase na hora que ele vai dormir.

(Colocar uma das fotos do pôr do sol)

Ser um camponês e cuidar de suas vacas, seus porcos, galinhas e de sua roça. Viver em harmonia com a natureza. Viver dela e para ela. Por enquanto é um sonho, mas logo será realidade.  

Não sei se sou um visionário ou se um sonhador. Sei que preciso mudar a rotina que está matando e atrofiando o meu viver. 

O sino da igreja tocou novamente, avisando que a missa vai começar. Alguns fiéis tão infiéis estão chegando para ouvir falar de coisas que ouvem todos os domingos, mas não praticam.
Há quase seis meses nesta cidade
Está iniciando mais uma semana do mês de janeiro de 1980. Estou, no escritório, pensando e estudando. Somente agora, depois de quase seis meses residindo, nesta cidade, estou conseguindo harmonizar a minha vida, que teve um grande transtorno emocional com a minha mudança da Capital para cá. 

Estou fazendo um plano de estudos, iniciando pelos temas que tem mais utilidade na prática. Assim que estudar Direito Cívil e Penal, passarei para um plano mais aprofundado, fazendo pesquisas.

Preciso estudar bastante, estou novo, e quero aproveitar estes anos para arquitetar o meu conhecimento no ramo do Direito. 

Ser um bom advogado, mesmo a longo prazo, ou, então, estar preparado, se preciso for, para prestar um Concurso e passar.
Está aproximando o mês de fevereiro. Este mês de janeiro foi muito parado. Espero que no próximo entre serviço no escritório. É preciso trabalhar.

Mas mesmo sem serviço, tenho esperanças que conseguirei e vencerei.
Cpa, 28/01/1980).

Um ano residindo em Caiapônia

O mesmo sino que anuncia as horas do dia, também anuncia a morte

Hoje, o sino da igreja bateu novamente. O único veículo de comunicação desta cidade é o alto- falante da igreja. Toca as horas e anuncia a morte. 

Desta vez, a morte levou um ancião - Sr Chico, pai do atual Prefeito Municipal, Bertoldo Francisco de Abreu. Teve visitas de políticos importantes: Deputado Federal e Secretários de Estado. 
O velório é o mesmo de tantos outros, e o mistério da morte continua intacto, e eu continuo vivendo, pensando e escrevendo. Cpa, 27/11/1979).

Em Caiapônia, fui, também, professor

Hoje, foi o último dia do mês de novembro de 1979. Ontem, foi a minha última aula. Foi um bate papo. 

No final, falei alguma coisa como despedida. É emocionante falar para uma classe de alunos, quase todos da minha idade ou pouco mais jovens.

É interessante o fato de que alguns entenderam a minha posição durante as minhas aulas. 

O dia hoje está diferente de ontem, parece que vai chover.

Só vence aquele que persiste 
e aguenta esperar...

Estamos vivendo o início dos anos 80. Estou esperançoso que este ano seja muito importante para mim. Preciso definir a minha situação como advogado.

 Às vezes, fico descontente com a falta de serviço, mas a expectativa é boa, e somente, vence aquele que aguenta esperar. 

Ainda, não sei se estou preparado para essa espera. Preciso ser forte, ser estudioso. É preciso ser realista e positivo. Vencerei!

Ainda, é cedo da noite, e a energia acabou. Tudo está muito escuro. Em noites escuras, o silêncio é maior. A Nilva e o Virgílio dormem no sofá. A monotonia aumenta, ainda, mais, não tendo com quem conversar.

O silêncio é cortado pelo barulho de um carro. Como é triste ficar só, sentir só em uma cidade, envolvido em seus movimentos tão lentos, tão devagar.
Continuo a refletir...
                   Caiapônia, 18/01/80

Final de janeiro de 1981
Estamos vivendo o final do mês de janeiro de 1981, e para este ano, as esperanças são muito boas, bem maiores que o ano que passou. 

Estou sentindo mais à vontade nesta cidade e na minha profissão. Somente, o cotidiano que quase nada mudou. 

Espero o quanto antes poder refugiar as minhas emoções, no campo, onde pretendo montar um sítio. Afinal tudo está bem.( Cpa, 26/01/1981).

Milton era um ser inquieto e angustiado, e sofria muito por antecipação. E segundo Augusto Cury, entrevistado pela Revista Época, citado por Camila Guimarães ( 2014), "temos de impugnar cada ideia, cada sofrimento por antecipação, para não registrar a experiência ruim e não empulhar nossa memória com dados inúteis. 
Devemos pensar no futuro apenas para traçar metas. Não devemos sofrer por antecipação. Não podemos dispensar o presente, único momento que temos para ser estáveis e felizes".

Mas, dificilmente, a pessoa consegue mudar sozinho, principalmente, quando é jovem. Quando faz compromisso, e tem receio de não poder cumpri- lo. 

O Milton ficou bem mais tranquilo depois que envelheceu. Com certeza,  as condições incômodas ou desfavoráveis foram mudando, e ele foi se adaptando, controlando mais, adquirindo mais experiência, e pode tranquilizar mais.

As preocupações e os causos de Tião Franco às margens do Rio Araguaia

Estamos quase no final do ano. A vida anda difícil, pois o país atravessa um situação muito crítica. A economia não anda bem, deixando as pessoas preocupadas com a atual conjuntura socioeconômica do Brasil.

Na minha profissão, os serviços estão escassos; com a crise econômica, todos,  que precisam de fazer qualquer serviço, estão deixando para depois.

Até agora, tenho conseguido manter tudo sob controle. Não sei até quando aguentarei. A minha esposa, impaciente, me cobra solução, que infelizmente, no momento, não posso solucionar. 
Às vezes, fico triste e desiludido diante de tanta monotonia. É preciso ser forte, já vivi situações piores e sobrevivi. 
Amanhã será setembro. As auguras de agosto estão no fim. Estou com boas esperanças para este mês.

No campo da cultura, estou sentindo que a deixei, um pouco de lado; por necessidade ou por conveniência. İsto no campo teórico, pois no Campo prático, tenho aprendido bastante.

Estou, sempre, em contato com gente humilde, que me dão oportunidade de conhecer as minhas próprias raízes.
Conheci pescadores, velhos caçadores, vaqueiros, vagabundos - autênticos filósofos e artistas natos, que fazem da vida, a sua mais simples e pura maneira de vivê- la.
Por tudo isso, acho que, hoje, estou mais equilibrado, mais experiente, e em condições de conhecer melhor as pessoas e também a mim. 
Quando estou deitado sob o relento, sobre a rede armada sobre galhos no cerrado agreste, às margens do Rio Araguaia, ouvindo as estórias bem contadas pelo "Tião Franco", fico imaginando as peripécias passadas por cada um de nós. Junto àqueles companheiros rudes, simples e leais, sinto- me envolto por dois mundos: um civilizado e outro primitivo, que faz de mim, também  duas pessoas com tantos conflitos internos.

No balanço final, não tenho  dúvidas que saí ganhando neste dois anos que estou residindo nesta cidade.
   A vida continua....
Caiapônia 31/08/ 1981.

 15 anos em Caiapônia

Após 15 anos, que cheguei nesta cidade, volto novamente a estudar, para dedicar- me quase que exclusivamente à advocacia, e às minhas atividades como fazendeiro.
Posso dizer que hoje tenho uma experiência muito boa no ramo da advocacia, mas falta- me agora mais conteúdo jurídico e também mais atualização do direito, tendo em vista que a minha atuação na política fez com que eu deixasse o estudo de lado.
                          Cpa, 13/07/94.

Um misto de advogado, político e fazendeiro 

Após tantas lutas, tantos sonhos, alegrias e decepções, sinto- me rejuvenescido, espiritualmente, apesar do meu rosto denunciar claramente que estou envelhecendo fisicamente.

Intelectualmente, sinto mais maduro e com mais facilidade para compreender aquilo que estudo ou leio.

Profissionalmente, percebo que estou vivendo uma boa fase. Estou com o escritório bom, e as pessoas me julgam acima das minhas possibilidades, tanto política quanto profissional e financeira.

Financeiramente, estou como sempre estive; sempre sem dinheiro, apesar de  possuir fazendas, casa própria, veículos, gado bovino - tudo adquirido com muito esforço. 

E, embora,  tenha consciência que já consegui muito mais do que muitas pessoas da minha idade e do meu nível social conseguiram; mesmo assim, continuo mais do que nunca, um misto de advogado, político, fazendeiro e sertanejo sonhador, em busca do tesouro perdido na imensidão dos sonhos e ilusões, neste país de tantas oportunidades e de tantas desigualdades. ( 20/11/1996)

Milton, sempre, dizia que vivia no limite. Para conseguir as coisas foi com muita dificuldade. E, embora, fosse uma pessoa extremamente, positiva; o fato de fazer grandes compromissos, como compra de terras, por exemplo, o medo de não conseguir cumprir no tempo certo, rondava a sua mente. 

06/06/2001)
Ontem, completei 49 anos de idade. É o meu primeiro aniversário deste século.

Lembro- me como se fosse hje das minhas projeções de criança, comentando com amigos, que no ano de 2000, estaria velho, ou seja, com 47 anos.

O tempo passou rápido. Dentro de mim, ainda vive aquele menino sonhador, cheio de planos e esperança no futuro.

Biológica e psicologicamente, sinto- me como se tivesse 35 anos. Fisicamente posso até parecer um quarentão, mas minha alma é jovem, e ainda pulsa pungente a minha juventude. 


    


Homenagem a Moisés Manuel

Recebi, hoje, um novo disco de Orfeu e Menestrel, o terceiro disco gravado, que consta, em sua maioria, as letras do compositor Moisés Manuel, que foi tragicamente assassinado.

Às vezes, eu fico pensando naquele rapaz, que foi um rebelde, e muitas pessoas não aceitaram a sua maneira de viver. . Apaixonou- se, brigou, namorou, mesmo depois de casado, e não aceitou ser, simplesmente, convencional. 

As suas letras mostram, claramente, a sua maneira de ver a vida. Muitos dos que o criticavam, e não aceitaram a sua visão de mundo, chamando- o de louco e de irresponsável, agora, que ele está morto, acha que ele viveu corretamente. 

Por tudo isto, eu imagino e penso... como é difícil viver em harmonia com a sociedade e com nós mesmos. É um eterno conflito de sobrevivência entre o ser e o ter. 

Hoje, ele está em outra dimensão. Não sei como está vivendo, e o que está achando do planeta que deixou de habitar.  Eu sei que muitas letras que fariam lindas músicas ficarão sem composição, pois morreu o compositor e o poeta. 

Poeta na sua visão de mundo. No seu bucolismo, cantando as tradições e as mutações que estão acontecendo com o nosso sertão.

O sangue sertanejo dos seus antepassados ressurge  em suas músicas, que cantou como ninguém, a natureza e o sertão, mutilada pelo progresso, sem fibras e seus autênticos sertanejos.

Eu nunca cheguei a conversar com esse moço, mas o entendi melhor que muitos daqueles que viveram ao seu redor. Compreendi suas angústias e suas atitudes.

3- Minha vida.

Minha Vida

(Epígrafe c/fonte menor)

Minha infância cheira frutos do cerrado ( gabiroba, cajuzinho do campo, maninha- cadela, araticum e croadinha). 
Minha adolescência cheira futebol
Minha juventude cheira mulher bonita
E o presente cheira saudade... mfs.


Nasci no dia cinco de junho de 1952, na cidade goiana de São Luís de Montes Belos. Quando tinha dois anos, meus pais mudaram para cidade de Morrinhos- GO, e de lá mudaram para uma fazenda que, hoje, fica no município de Joviânia- GO, onde meu pai foi trabalhar como vaqueiro.

Dessa fazenda, mudamos para Serranópolis, onde morava uma tia do meu pai, irmã da minha avó paterna. Tia Ana e tio Manuel Parente eram as únicas pessoas conhecidas dos meus pais aqui no sudoeste goiano.

Não sei bem a data certa que chegamos na Serra do Café. Segundo a minha mãe, era final de 1956. Éramos cinco irmãos, pela ordem de idade: Vicente, Vilson (Zico), Maria, eu e a Divina, que era muito pequena. Hoje somos nove: José, Welter, Shirley e Valéria.

Nessa cidade, meu pai foi trabalhar na roça, cuidou de um cafezal; depois, foi açougueiro e depois foi comerciante, ramo que teve algum progresso. Meu pai era um homem sábio, apesar de analfabeto. Sempre, teve muita habilidade nos negócios e facilidade de fazer amigos, tornando uma pessoa até importante em Serranópolis.
(Foto do Sr Ferrugem com enxada nos ombros)

Dessa época, as lembranças do "Córrego da Moranga" não sai da minha cabeça. Duas ou três vezes por semana, eu acompanhava minha mãe até um local escolhido pelas lavadeiras para lavar a roupa da família, e todas as tardes, juntos com outros meninos, banhávamos em suas águas limpas e frias. ( Foto da dona Áurea lavando roupa)

Quantas vezes, eu e minha mãe fomos ao cerrado, próximo à cidade, para recolher restos de madeiras que serviriam de lenha em nossa casa.
( Foto da dona Áurea pegando lenha)

 Quantas vezes, fomos às fazendas de pessoas amigas para buscar palha de milho para encher os colchões, e paina para fazer ou reformar os travesseiros, ou mesmo para buscar frutas dos velhos quintais da região.

Sou mineiro por engano 

Por engano do meu pai ou por equívoco do Escrivão que lavrou o meu registro de nascimento, em meus documentos consta que nasci na cidade mineira de Ponte Nova. Nunca fui a esta cidade e nem sei onde a mesma fica.
Mas acima de tudo: sou Serranapolino...sou Jataiense. Sou de Goiás. Sou Caiaponiense.
Sou goiano - goiano do pé rachado. Criado com pequi, com pamonha, milho assado, frango com guariroba e quiabo.
Sou goiano do serrado. Não sou do mato. O Serrado da minha infância tinha gabiroba, cajuzinho do campo, mangaba, croadinha, araticum e maminha cadela.
Das frutas dos quintais das fazendas e das vilas. Jabuticaba, goiaba, laranja, manga, abacate, jenipapo, mexerica e cajá-manga.
Sou genuinamente goiano. Meus limites são as barrancas dos rios Araguaia e do Paranaíba...  até hoje, não precisei atravessá-los. 

Pode parecer pequeno o meu território ou o meu mundo; mas me basta e satisfaz o meu espírito e o meu jeito goiano de viver, pois, na definição do escritor Carmo Bernardes: "um homem nunca é mais do que aquilo que a vida quis que ele fosse".

Sou descendente de velhos sertanejos que embrenharam pelos sertões de Minas e Goiás, e iniciaram a colonização em nosso estado. Venho de uma família pobre e obscura. 

Sou uma mistura de raças: negro, índio e branco. Do branco europeu, herdei a ambição, o espírito aventureiro, o gosto pela literatura e pela cultura. Do negro, herdei a disciplina pelo trabalho, admiração pela música, instrumentos musicais e crenças. Do índio, herdei a intimidade com a natureza, o espírito de liberdade, o prazer de pescar, caçar e a paixão pelos rios, e até mesmo o jeito preguiçoso de viver.

Reminiscência
                         
Meus pais viveram como nômades, mudando, sempre, de um lugar para outro; e foi assim que, nos idos de 1955, vieram para o Sudoeste Goiano, precisamente, para Serranópolis, tentar a vida longe de sua cidade natal - Morrinhos.
Na Serra do Café, meus pais e meus irmãos mais velhos foram trabalhar na roça, especialmente, na colheita do café ou capinando e roçando pastos para os fazendeiros daquela região.

Meu pai, apesar de analfabeto, não era nada bobo, e logo concluiu que não daria conta de manter e educar sua manada de filhos no "cabo da enxada", então, resolveu fixar residência, na cidade, montando um açougue de porco, e a única coisa que conseguiu ganhar neste ramo comercial foi o apelido de " Mané Capado".

Com o insucesso do açougue, meu pai resolveu abrir um boteco, que logo foi alcunhado de Boteco do Mané Capado". Neste boteco, além de bebidas, também eram vendidos alimentos e armarinhos.

Foi através desse pequeno comércio do meu pai que eu e meus irmãos aprendemos a conversar com desenvoltura, a "fazer conta de cabeça", e através do contato com os viajantes que iam de Jataí para Mato Grosso, e de lá para Jataí, ficávamos sabendo das novidades da região; além das informações que chegavam até nós, através das ondas sonoras das rádios Nacional, Tupi e Record, no velho rádio "Semp", que ficava em cima da geladeira a querosene.

        

3-Reminiscências

Minha infância cheira frutos do cerrado ( gabiroba, cajuzinho do campo, maninha- cadela, araticum e croadinha). 
Minha adolescência cheira futebol
Minha juventude cheira mulher bonita
E o presente cheira saudade... mfs.

Desde criança, fui um leitor assíduo, lendo tudo que via pela frente, principalmente, História e Literatura, e sempre, me interessei por assuntos que falam da origem do Universo, do Homem, sobretudo da minha região e do seu povo.

Meus pais viveram como nômades, mudando, sempre, de um lugar para outro; e foi assim que, nos idos de 1955, vieram para o Sudoeste Goiano, precisamente, para Serranópolis, tentar a vida longe de sua cidade natal - Morrinhos.
Na Serra do Café, meus pais e meus irmãos mais velhos foram trabalhar na roça, especialmente, na colheita do café ou capinando e roçando pastos para os fazendeiros daquela região.

Meu pai, apesar de analfabeto, não era nada bobo, e logo concluiu que não daria conta de manter e educar sua manada de filhos no "cabo da enxada", então, resolveu fixar residência, na cidade, montando um açougue de porco, e a única coisa que conseguiu ganhar neste ramo comercial foi o apelido de " Mané Capado".

Com o insucesso do açougue, meu pai resolveu abrir um boteco, que logo foi alcunhado de Boteco do Mané Capado". Neste boteco, além de bebidas, também eram vendidos alimentos e armarinhos.

Foi através desse pequeno comércio do meu pai que eu e meus irmãos aprendemos a conversar com desenvoltura, a "fazer conta de cabeça", e através do contato com os viajantes que iam de Jataí para Mato Grosso, e de lá para Jataí, ficávamos sabendo das novidades da região; além das informações que chegavam até nós, através das ondas sonoras das rádios Nacional, Tupi e Record, no velho rádio "Semp", que ficava em cima da geladeira a querosene.

        Mudança para Jataí

No início do ano de 1965, meu irmão mais velho, Vicente, num ato de ousadia, de intuição e inteligência convenceu meus pais a mudarem para Jataí, que, naquela época, já era uma grande cidade, onde todos nós teríamos oportunidade de continuar os nossos estudos.

Em Janeiro, daquele ano, chegamos a Jataí, onde meus irmãos Vicente e Zico foram trabalhar como serventes de pedreiro, na construção do Banco do Brasil, e eu fui trabalhar de engraxate, na Avenida Goiás, na Praça Tenente Diomar Menezes, e depois na Engraxataria  da Onça, que ficava onde hoje é a agência do Bradesco.

O menino franzino e o seu engraxate

Naquela época, com apenas 12 anos de idade, estudava de manhã, cursando a antiga 4 ª série primária, no Grupo Escolar Serafim de Carvalho, e às 12:30h começava a trabalhar na Engraxataria, e saia, somente, a partir das 21h; aos sábados e aos domingos, trabalhava até meia noite.

Eu, menino franzino, de calças curtas, sujo de graxa, olhava admirado para as pessoas que passeavam pela Avenida, todas muito bem arrumadas, indo ao cinema, às compras. Naquela época, economizava tudo que ganhava, e não comprava se quer sorvete ou picolé, que era coisa que menino gostava.

Naquele tempo, não podia imaginar que eu e minha família pudéssemos vencer tantos obstáculos - o analfabetismo, a pobreza - e chegar aonde chegamos.
Não demorou muito, meu pai, novamente, abriu um pequeno comércio, que logo transformou em um armazém, sendo conhecido como "Armazém do Capado". E para quem não tinha quase nada, de repente, ter casa própria, carro, televisão, geladeira, era como se tivéssemos alcançado o eldorado. Éramos tidos, na cidade, como novos ricos. A fase rica de minha família durou pouco tempo, meu pai resolveu mudar mais uma vez, e desta vez foi sozinho, deixando minha mãe com os oito filhos - o mais velho com 26 anos e a mais nova com apenas quatro anos de idade. Atravessamos um período difícil, os quatro irmãos mais velhos (Vicente, Zico, Maria das Graças e Divina) assumiram a manutenção e a educação dos quatro irmãos mais jovens. 

Apesar das adversidades, conseguimos manter a família unida, trilhando sempre no caminho do bem; trabalhando com afinco, com responsabilidade e sem abandonar os estudos. Mas tudo isso, devemos à inteligência do mano Vicente, e também à sabedoria e à bondade da minha mãe. Graças a estes esforços, hoje, assistimos filhos e netos da dona Luiza brilhando em várias atividades.

Meus pais, mesmo analfabetos, pobres, sem origem e ciganos, na vida, tiveram muita sorte com os filhos, dos oito: dois são advogados, um médico, uma odontóloga, todos formados pela Universidade Federal de Goiás, aprovados em um único Vestibular, e ainda, uma professora e uma contabilista. 

Os netos do casal Manuel e Luiza, também, demonstraram interesse pelos estudos, haja visto que dos quinze netos, temos um engenheiro agrônomo, três médicos, quatro advogados, três farmacêuticos, dois formados em Ciência da Computação, uma psicóloga, uma odontóloga e um músico, 

Meu pai, certa vez, conversando com um primo fazendeiro, lá em Serranópolis, o primo rico falou que meu pai tinha que ensinar seus filhos trabalharem na roça. Meu pai lhe respondeu, dizendo, " para trabalhar na roça não era necessário ensiná- Los, eles aprenderiam sozinhos, eles precisavam estudar". Talvez, está frase seja a única herança deixada por meu pai.

 

Estou no limite, cansei de ser forte

quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

7-Sua Biblioteca...



Milton tinha um grande acervo de livros jurídicos e literários, que foi comprando um a um, todo mês um livro, que foi testado por ele, como bens a partilhar. 

Realmente, para ele, os seus livros eram considerados bens de grande valor; principalmente, por terem sido adquiridos com muita dificuldade, em uma época que tinha menor poder aquisitivo, e começou a exercer a sua profissão.

Alguns jurídicos já estão desatualizados. Foram comprados, quando mais precisava preparar para tornar de fato o advogado que foi, "lá pelos idos de 1978/1979". Quando a busca pelo conhecimento restringia-se às fontes disponibilizadas pelas bibliotecas, pois se constituía em uma única fonte de informação. 

Na atualidade, a biblioteca tem valor pelo que representou e não pelo que lhe é útil. Ninguém está a procura da obra, mas do resumo fragmentado, curto, objetivo, sucinto. "A informação deixou de estar estritamente ligada ao livro para ser uma entidade presente em vários suportes. “A informação não é avaliada pelo suporte físico, mas sim pela sua utilidade, e ela agora pode ser reprocessada ao gosto do freguês.”(SILVA; ABREU, 1999, p. 102).

"No passado a imagem da biblioteca estava associada com a idéia de um espaço que se assemelhava a um depósito de livros, onde o bibliotecário desempenhava o papel de guardião. A inserção das tecnologias na vida da biblioteca e seus profissionais estão transformando substancialmente as concepções dos bibliotecários e dos usuários acerca da biblioteca e o seu papel". 

No entanto, no presente coexistem resquícios da visão tradicional de biblioteca com as novas formas que elas estão assumindo. Nesse novo contexto, a biblioteca está sendo identificada como um local “moderno” onde se disponibiliza informação e o bibliotecário como seu disseminador".

Milton, sempre, foi um leitor assíduo, um profissional estudioso!  A meu ver, um dos melhores advogados da região. Falo, sem medo de errar. Ainda, era aquele advogado que escrevia as suas ações jurídicas, sempre, "a punho", como dizia. Não copiava nada da internet, mesmo nos últimos tempos, quando encontramos tudo pronto. "Tinha tudo na cabeça". Era uma enciclopédia ambulante. Atuou em várias causas jurídicas, como ele dizia :nos Fóruns e tribunais do Júri.

Milton era daqueles advogados que tinham em seu escritório duas prateleiras cheinhas de livros. Mais de 500 exemplares, a meu ver. Mas não de livros que, apenas, enfeitavam a sua biblioteca. Era de livros que foram lidos. 

Sua biblioteca não era a das mais organizadas, mas tinha certa ordem. Primeiro, as coleções. Tinha várias. Não sei se por ordem dos autores mais consagrados, se por assuntos, se por tamanho, cores ou por frequência de uso ou aleatóriamente. Nunca tive curiosidade de perguntar. Mas pelo que eu conhecia dele, acredito que por assuntos.

Milton era daqueles bons leitores, que não deixavam passar nada. Sempre, gostou de estar muito bem informado, sobre vários assuntos. Era difícil um assunto sobre História Geral que ele não soubesse. Até da Bíblia, mesmo não sendo um religioso. Primeiro, porque tinha uma memória incrível, não esquecia nada. Segundo, porque lia muito, leu quase todos os clássicos sugeridos nas aulas de Português e dos Vestibulares. Ele me dizia que chegou a ler trezentos livros, quando fazia cursinho para o Vestibular. 

De vez em quando, às vezes, já tarde da noite, pegava algum livro, que levava para casa, folheava...pegava outro, lia um pouco, às vezes, lia um trecho para mim, e guardava o livro. 
Gostava muito desse trecho do livro de Rui Barbosa. "De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto".(Rui Barbosa).

Era daqueles que tinham, na ponta da língua, os nomes e sobrenomes de personagens principais e  secundários dos livros literários. Quem o conheceu sabe que tinha uma memória e grande interesse pela cultura. 

İnteressante que, às vezes, eu lia algum texto, alguma poesia pra ele, que dizia ser de um autor - ele me dizia: "essa poesia não é de Fernando Pessoa ou Cora Coralina - eles não tinham esse estilo ou não escreviam assim", e logo íamos pesquisar, e sempre ele estava certo. Era apaixonado pela Literatura.

Era também um estudioso do Direito, de Política, de História, etc. Todos os dias, tinha como hábito ler o jornal. Ultimamente, não lia mais o escrito, e, sim, pela TV. Tinha preferência pelos jornais: Os Pingos Nos Is na Jovem Pan.
(Foto dele lendo o jornal)

1-Vasculhando a sua intimidade

Percorrer os guardados de um ente querido falecido é um pouco estranho, invasivo e surpreendente, ao mesmo tempo; principalmente, quando a nossa intenção era procurar por diários que o mesmo deixou escritos. A gente nunca sabe o que vai encontrar, e se vai nos agradar ou não. 

Eu senti como se estivesse vasculhando a sua intimidade, algo que aprendemos, durante toda a nossa vida, que seria invasão da privacidade. Interessante, que mesmo sabendo que não estava mais ali, tinha um grande sentimento de respeito impregnado em mim.

E a  escrita, então, pode nos revelar muito quem somos. E, embora, não seja fácil controlá- la, mesmo estando vivos, imagine  depois de mortos; não podemos controlar nada, nem quem vê o quê, nem em que ordem ou contexto será interpretado. 

Milton não está mais aqui para nos explicar o porquê de suas divagações existências -  de tanta ansiedade, medo e desencantos, que renovavam, sempre, como mecanismos de defesa, talvez,  entremeados de muita esperança e de um constante entusiasmo pela vida. 

E... como eu sabia do seu costume, e tendo a intenção de registrar seus textos para editar um livro em sua homenagem; precisava buscar seus devaneios. Encontramos vários. E descobrimos que a maior viagem que lhe empreendia era para dentro de si mesmo.

 "E o modo mais emocionante de realizá-la é lendo um livro, pois um livro revela que a vida é o maior de todos os livros. Mas é pouco útil para quem não souber ler nas entrelinhas. E descobrir o que as palavras não disseram" 
( Augusto Cury).

E foi no primeiro Domingo de Páscoa, sem ele, que escolhemos para folhear livro por livro de sua biblioteca. Foi um dia inteirinho...  de reflexões e de tristeza para mim e para os nossos filhos, pois tínhamos nada mais, nada menos, à nossa frente... do que seis caixas de livros, dessas grandes de supermercados, entre coleções de livros jurídicos, literários e outros; para ver se encontrávamos alguns dos seus escritos. 

Foi um momento de profunda reflexão para nós, sobre a transitoriedade da vida. Sobre o que fazemos aqui ou deixamos de fazer. Sobre aproveitar a vida ou não aproveitar. Sobre viver a vida do jeito que quer e não viver. 

Hoje estamos aqui.. Amanhã tem alguém vasculhando as nossas coisas. É a vida! Por um descuido de nossa parte ou do outro, estamos viajando.

E viver já foi a melhor coisa que Deus nos deixou. E hoje nem isso podemos fazer mais.

E... não fomos preparados para entender o tempo de Deus e nem os seus mistérios, porém, sabemos que não cabem a nós entender, mas aceitar que quem  amamos será eternarizado, não morto, mas vivo dentro de nós.

Legado - uma retrospectiva

Sempre, quando alguém parte desta vida...o quê mais me impressiona é quando essa pessoa que partiu deixou um " legado pessoal" do que foi e representou na vida de outras pessoas. "Ah, como meu pai era animado e positivo",  "minha mãe era caridosa", " meu pai tinha um propósito de vida" , "meu tio foi um homem trabalhador e muito econômico", " como vovó Luiza sabia receber as pessoas em casa! ", "como vovó Esmeralda era autêntica e carismática", como vovô José era sistemático, mas honesto,  " "como tio Vicente era comunicativo e tinha amigos", " como tio Zico era alegre e atencioso com todos". 

İsto é, um legado de amor para com as pessoas - da mãe e do pai; do filho e da filha; do irmão e da irmã que foram, ou do/ da profissional, da/ do religioso (a), do político, do artista que cada um foi...do homem trabalhador que foi e do ser humano que foi. A sua essência, o seu jeito são características que destacam depois que você for embora.

E cada um de nós, com certeza, de uma forma ou de outra, deixará a sua essência marcada por onde passou, por onde passa e passará nesta vida. Mas, İmagino... que poucas pessoas já pensaram nisto, e se pensassem, talvez, vivessem melhor com todos! 


Há quem diga assim - "ah, morreu, acabou"! Ah, como é triste essa constatação! Não pensar na imagem, nas lembranças, no legado, que aquele ente querido nos deixou!

"Ah!... o que importa, agora, se a pessoa já não existe?"  "Ou o que importa, o que vão pensar de nós,  depois que partirmos? ": Muitos dizem.

Cada um tem uma maneira de enxergar e ver as coisas, e esse mundo tão misterioso dos mortos... que, ainda, é muito pouco desvendado pelos estudiosos, um verdadeiro enigma para mim.

Todavia, só morre quem foi esquecido. Quem é lembrado, acredito, que habita em nós, assim, como Cristo, que não podemos enxergá- Lo, mas tudo que Ele foi, jamais, será esquecido por nós, e, principalmente, por aqueles que O amam e O seguem.

E, embora, a nossa memória seja muito seletiva e curta, o quê ficar gravado nela determinará o que aquele ente querido nos representou em vida.

Quantas lembranças serão guardadas, hein, querido (a) leitor ( a)?! Muitas decorrentes de curto ou de longo prazo. Mas tudo vai depender da qualidade e da forma que aquela pessoa nos impressionou.

Você já pensou sobre o que deixará para trás quando deixar esta existência? Como será lembrado (a) pelos seus filhos, pelos seus netos, pelos seus familiares e amigos?

A grande verdade é que muitas pessoas preocupam em deixar bens. Tudo depende do propósito de vida que a pessoa tinha como objetivo. E se era o seu desejo deixar a família bem, para não sofrer depois, não vejo mal nisso. 

Acho louvável! Principalmente, quando o pai viveu grande escassez, associada desde a sua ancestralidade, e tinha isso como prioridade. Só não deve se escravizar e deixar de viver. Sobre o dinheiro, o Milton tinha esta crença: "dinheiro gosta de quem gosta dele, e não aguenta abuso". Sempre, dizia isso. 

 Mas a melhor coisa que alguém pode deixar, será o tempo que marcou na vida da família, dos filhos, dos netos, dos amigos e das pessoas com as quais conviveram.

 E como disse Mário Quintana, " o que importa é tudo que semeares colherás.

Por isso, marca a tua passagem,
deixa algo de ti,...
do teu minuto,
da tua hora,
do teu dia,
da tua vida".

Assim, não será esquecido. Como disse o meu netinho de seis anos, ao visitar o túmulo do avô pela primeira vez, no primeiro dia dos finados: " Vovó, agora, que meu avô está aqui, eu não paro de pensar nele". 

Tudo ficará nas imagens que carregamos dele. Assim, como disse: sua irmã Shirley, minha cunhada.


"Que dia triste para minha família! Meu irmão que era tão cheio de vida, tão espirituoso... toda vez que ouvir a batida de um violão, sentirei a sua presença, toda vez que ouvir um "causo" ou sentir o cheiro de um café forte sendo coado, saberei que ali você está. 

Sentirei enorme falta das suas palavras tão sábias para me orientar. Com você, aprendi a ser otimista, acreditar nas pessoas e ter sempre uma palavra para elevar a nossa alma. 

Eu te conheci irmão, que se mostrou pai, e convivi, contando com  o amigo. Obrigada por acreditar em mim, por ter me feito dentista e ser forte e persistente. 

Que Deus te receba com toda paz que você sempre buscou. Te amarei para sempre!" 
(Foto da Shirley com ele tocando violão.)

Nosso filho Virgílio 
 "Hoje meu pai faria 69 anos. O sentimento é de muita saudade. Hoje estaria feliz e "contando vantagem" por estar, ainda, com tanta saúde. O riso fácil, as brincadeiras com os netos, os conselhos, a observação atenta da natureza, o andar ligeiro, o falar alto, os momentos de introspecção, tudo isso faz muita falta. A dor é grande, mas estamos seguindo, o senhor está conosco, seus projetos estão de pé e honraremos pra sempre sua história".
(Foto dele e do Virgílio)

Da nossa filha Nalygia: Pai, hoje, o Senhor estaria fazendo aniversário! Infelizmente, não estamos mais juntos nesta data! Ficaram as lembranças e os ensinamentos!! Ser sempre uma pessoa positiva ( tentando)e acreditar em dias melhores! Sua alegria e autenticidade sempre vão estar presentes!

Seu sobrinho Carlos Henrique:
"Oi Tia, este abraço sempre foi tão importante na minha vida, em tudo: na minha crisma, no vestibular, na minha formatura, no meu casamento, no nascimento do meu primogênito e nas minhas conquistas pessoais!!! É muito duro não tê- lo mais!!!! Desculpe o desabafo, mas hj especialmente, estou muito emotivo e as lágrimas não saem dos meus olhos!!!!"

Foto do abraço do Milton com o Carlos Henrique:  Carlos Henrique ( sobrinho) e Milton (tio).

De Argemiro Rodrigues dos Santos, Prefeito de Caiapônia 

Hoje eu só quero agradecer. Agradecer a Milton Ferreira da Silva, advogado, procurador jurídico e um dos maiores líderes políticos que Caiapônia já teve.

Milton sempre esteve comigo nos momentos tristes e felizes, foi um orgulho compartilhar momentos com esse grande homem e profissional.

Competência e empenho são as melhores palavras para descrevê-lo. Sempre trabalhou com profissionalismo, disposição e dedicação.

Obrigado, Milton, você sempre estará gravado em meu coração e eternizado na história do município de Caiapônia.
( Foto do Argemiro com ele)

Sua nora Ana Maria

Não sou muito de expressar meus sentimentos e nem de escrever o q sinto. Não há palavras que expressem a dor que estamos suportando, o sofrimento de perceber que o senhor  não está mais entre nós. 

Sinto que podíamos ter nos  conhecido, ainda, melhor, mas em todas as experiências que vivemos juntos, eu sempre aprendia  algo de muito valioso.
Para mim o senhor foi um sogro maravilhoso,  um excelente pai e um bom marido,  como sempre dizia, e um ótimo avô coruja . Para as pessoas, em geral, foi um homem verdadeiro e humilde, um exemplo digno de ser imitado. 

Vou guardar, no meu coração, suas palavras de sabedoria, adiquiridas ao longo de uma vida de muita luta, garra e perceverança, que o tempo o forjou e o transformou num homem de fibra e determinado.  Vida difícil como sempre ouvi o senhor  dizer, sempre querendo nos ensinar algo. 

Nunca esquecerei a maneira generosa com a qual me recebeu, na família, e todas as coisas importantes que me ensinou.  

Todos nós vamos sentir muito a sua falta. É uma dor real. Um verdadeiro pesadelo... Mas....descanse em paz... Saudades eternas. De sua nora Ana Maria e netos, Daniel e  Lucas.


Pergunta do meu netinho de seis anos a mim, logo que ficou sabendo da morte do avô. O avô amava os netos.

Oi vó, o vovô morreu, sim ou não? 

 Se ele morreu 😱😱😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭

 😱😱😱😱😱😔😔😔😔😔😔😔😔😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭

Oh, vó, o vovô tá com Jesus.

sábado, 25 de dezembro de 2021

Quando a saudade toca...

Quando a saudade toca, vou lá, no meu álbum ou no Google fotos, revisitar as minhas memórias para curar a minha melancolia. Só a fotografia e as lembranças nos permitem olhar para trás e reviver o tempo que não volta mais.

E se o passado não pode voltar, a única saída é tentar conformar com o que temos em mãos - as lembranças que ficaram guardadas. Elas são capazes de manter vivas as recordações dos momentos felizes que vivemos.

 É triste pensar que para essa dor não há cura.