domingo, 20 de fevereiro de 2022

Qual será a a minha, a sua, a nossa recompensa?

Muitas pessoas constroem a sua vida alicerçada no trabalho. Milton foi assim, achava que não podia nem tirar férias; quando viajávamos para a casa de nosso filho ou de minhas irmãs ou dos seus irmãos, ele não conseguia ficar mais de três dias; ficava ansioso para retornar para casa. 

Quando chegava, deitava no sofá da sala de TV, e dizia que a sua casa era o melhor lugar do mundo. Às vezes, fazia alguns questionamentos do tipo:  "Têm pessoas que parecem que não gostam das casas delas!!" Era caseiro e sentia à vontade em casa.

E lendo o livro, "O tempo não tem idade", de Pedro Paulo Monteiro (2011), uma passagem de um homem  muito simples e muito trabalhador me chamou atenção, e quero com vcs, também, compartilhar. 

Tratava- se de uma pessoa muito 
positiva, que acreditava que os ventos estariam, sempre, a seu favor, e que nada podia abatê-lo, a não ser os seus pensamentos. Então, trabalhava dia e noite, com a intenção de obter o valor que merecia, pela sua força de vontade e pelo poder que tinha de superação, com o objetivo de nunca faltar ao trabalho, que um dia seria recompensado de alguma forma.

Trabalhava, incansavelmente, e sabia usar os seus músculos para ganhar dinheiro, e a sua cabeça para economizá- lo. Aprendera com o pai que "quem cedo madruga conseguiria o melhor pasto", por isso, antes do sol anunciar a sua chegada, já estava de pé para ir para o trabalho.

Mas de repente, às manhãs, quando se levantava e ia calçar as suas meias, sentia dores no corpo, porém recusava escutar o corpo exausto. Para ele, os dias, sempre, eram os mesmos, porque só existia labuta. O descanso não era merecimento para quem precisava ter mais. 

Os anos passavam, e a força, a disposição deste homem também. Mas buscava reanimar, com a crença de perseverar para vencer e ser alguém na vida. Se desmotivava, olhava as suas economias que só aumentavam; e motivava novamente. 

Para ele, a palavra "descanso" não soava bem. E continuava a trabalhar. No fim da noite, sentia- se vitorioso, pois sua força não o abandonara, e ia dormir para no outro dia levantar cedo e continuar a luta.

Este homem trabalhava no campo durante o dia, e a noite em um bar. Não tinha família. Já tinha conseguido o dinheiro suficiente para viver confortavelmente, poderia diminuir a labuta. Mas tinha a ideia fixa de que um dia poderia precisar de dinheiro, e continuava trabalhando sem trégua, com a certeza de que um dia a vida iria recompensá- lo.

Tudo ia muito bem, a seu ver...mas numa noite, os pensamentos não o deixaram dormir. Levantou e foi ao banheiro... olhou no espelho, e percebeu o quanto estava velho, sofrido e insatisfeito com a vida. Os olhos estavam empapuçados do cansaço e de sua insistência. E em voz alta disse para ele mesmo: " Um dia a vida te recompensará. Tenha paciência!"

Quanto mais velho ficava, mais sozinho sentia. Pensava....o que tinha feito da vida? Não queria questionar a si mesmo, pois a teimosia insistia em acreditar que poderia ser recompensado. Se sentiu velho e sabia que a morte estava a sua espreita. 

Tinha que dormir mais cedo, hoje porque, no dia seguinte, o prefeito da cidade o homenagearia em público, como o homem cuja história foi construída a partir do nada - ele era um exemplo de superação. Agora, ele era proprietário de grande parte dos estabelecimentos da cidade, e todos o consideravam um homem de valor. O seu esforço era um grande mérito. Finalmente, seria reconhecido, e isso era motivo de muita satisfação.

Naquela mesma noite, este homem sonhou quebrando pedras, conseguiu quebrar todos os tipos e tamanhos. E que o sol queimava a sua pele, o suor escorria pela sua face, mas os músculos mantinham se firmes. Ele não sentia satisfação em quebrar pedras, mas tinha que realizar o trabalho. ( sentia como obrigação).

Na manhã, dia que seria homenageado, acordou com o corpo muito estranho, não era cansaço, porque a sensação era diferente. Pensou que poderia ser nervoso por causa da homenagem. Estava tonto, a cabeça doia muito, como um dente latejando; lembrou do sonho, mas como não era superticioso, não deu importância. 

Ele tinha que arrumar para o seu grande dia. Seu discurso já estava pronto. Estava orgulhoso por ter conseguido chegar onde chegou. İsso confirmaria que a vida afinal o havia recompensado. No entanto, não estava bem, tentou mesmo cambaleando ir em direção ao guarda-roupa para colocar a sua roupa, feita pelo melhor alfaiate da cidade. Ao meio do quarto, suas pernas tremiam, continuava tonto. 

Subitamente, esqueceu o que ia fazer, ficou imóvel até a sua memória voltar. Sabia que estava nu, mas não sabia onde tinha guardado as suas roupas..Tentou pegar um pijama, mas sua coordenação estava estranha, não sentia o braço, sentia que o corpo estava dissociado do seu Eu. 

De repente, sentiu uma dor de cabeça incontrolável que desmaiou, foi para o chão. Sua boca entortara, e seu coração batia, lentamente, anunciando uma parada. Um silêncio ensurdecedor se fez presente. 

Ali no chão, ele se acalmou, e algumas perguntas surgiram...O que está acontecendo comigo? Várias outras perguntas, pensamentos e lembranças brotavam e iam desaparecendo lentamente. Então, encolheu seu corpo como se fosse um feto no ventre da mãe e mansamente deu um último suspiro. 

E fiquei pensando... quantas pessoas viveram e vivem como esse homem viveu, pensando que um dia, terão também a sua recompensa, que pode ser até como o desejo desse homem de ser reconhecido ou ter o agradecimento por parte de alguém.

E a maioria das pessoas, muitas vezes, não pensam, nenhum pouco, em si próprias. Só pensam em trabalhar, ganhar dinheiro, ter cada vez mais, acumular, e não acham hora para aproveitar. Sempre, não podem. 

Principalmente, como disse Monteiro (2011), " quando o homem nasceu em uma família pobre com recursos escassos, que conseguiu trabalhar e ficar melhor de vida. Estando melhor, na velhice, tem medo de voltar a ser pobre como fora na infância. Esse exemplo demonstra a dificuldade em enfrentar o tempo simbólico. Para ele, o tempo passado se tornou um risco para o tempo futuro, provocando em si insatisfação e sofrimento no tempo presente. O passado assombra o presente. O futuro é ameaçador, algo inacabado, que é apenas uma probabilidade". 

Muitas só pensam nos filhos. E trabalham para os filhos não passarem o que eles passaram. E não reclamam! Quantas vezes, o Milton me disse, "preciso arrumar essas fazendas para deixar para os nossos filhos". Sentia como se fosse uma obrigação que tivesse que cumprir antes de sua partida. Mas não via como uma obrigação ruim, não! Fazia com prazer, embora, sofresse para manter aquele patrimônio. 

Mas qual será a recompensa dele ou dos outros? Ah, são tantas, né gente!  A primeira, o amor e a consideração dos filhos. Depois, a preocupação, o cuidado, a paciência, o amor e a empatia.

E sobre essa recompensa, o senhor da história também esforçou muito por esse dia... Embora não tivesse construído família, pensava em uma homenagem do lugar que vivera. E no dia de sua homenagem, faleceu. 

Por isso é importante que a pessoa se valorize, e não espere valorização do outro. "Quando desenvolvemos nossa autovalorização, automaticamente, construímos uma autoimagem positiva. Começamos a nos sentir merecedores de nossas de vitórias, sucessos, conquistas e vivemos em um estado de automotivação mais sólido". E  passamos essa credibilidade às pessoas de nosso convívio, ou seja, a todo o Universo.  

Nós seres humanos temos o hábito de valorizar só o que perdemos. Por que não valorizarmos às pessoas em vida?  O Milton recebeu algumas homenagens em vida, lembro de algumas, mas não esqueço de uma do sindicato dos logistas de Caiapônia, inclusive, feita por um de seus amigos, que ele ficou muito agradecido.  Não esqueço da melodia que tinha como fundo musical - "Esse é o Cara!", música de Roberto Carlos.  Ele amou. Saiu feliz do evento! 

É claro, que depois da morte, também é importante. É uma forma de lembrar e agradecer aquela pessoa pela sua representatividade em vida!  Mas nada se compara a uma homenagem em vida!!





Os netos puxaram o seu avô

Vovô Milton adorava seus netos, Daniel e Lucas. Sempre, buscava neles uma característica dele. Amava quando alguém lhe dizia que os netos pareciam com o avô. Até o meu netinho de tanto ver os pais dizerem: "Eh, Miltinho"... dizia: "meu avô me puxou", ao invés de dizer que ele havia puxado o avô. Rsrsrsrrsr

E, interessante, é que netos herdam muito mesmo características psicológicas do avô. Por exemplo, Daniel, desde pequeno, é um menino curioso, gosta de estar muito bem informado, sobre o que está acontecendo no país e no mundo. Fica atento às notícias dos jornais. Ficou preocupado com as enchentes no Rio de Janeiro e com a guerra da Rússia contra a Ucrânia. Com doze anos resolveu se candidatar a vice- presidente do grêmio estudantil. Eu disse para o meu filho: "Olhe isto, já está nascendo um político...". 

Lucas, embora, só tenha sete anos, herdou um pouco do seu lado humorístico, e tem umas tiradas de boa memória que lembram muito o avô. Certo dia, eu estava olhando um álbum de fotos deles pequenos, e o perguntei: "Lucas, este bebê, nesta foto, é você ou o Daniel?". Veja a pergunta de uma criança com seis anos - "Ele nasceu em 2009 ou 2015? " (Se fosse em 2009 seria seu irmão, e se fosse em 2015 seria ele). Percebeu a boa memória com datas que ele tem? Com seis anos já lia corretamente e conversava pelo whatsapp, conosco, os avós, e com a tia. Incrível!! 

Outra passagem do meu neto mais novo...

Sempre, que nossos netos chegavam em nossa casa, o Milton dava o celular dele para os netos; e sempre, ficava mais com o netinho mais novo.

Depois, que o avô faleceu, eles vieram passear em casa, e logo me pediram o celular do avô para usar. Quando iam voltar para casa, me devolviam.  

Mas, um certo dia, o mais novo me perguntou: " vovó, por que não posso levar para a minha casa o celular do meu avô?". Certamente, pensou...o vovô não está usando mais, posso levar para a minha casa agora...

Mas, eu lhe disse: "não, deixa aqui, porque tem a agenda de telefones que o vovô usava, talvez, a vovó pode precisar".

Ele ficou triste, e respondeu: " e eu vou continuar com o meu telefone quebrado?" Rsrsrsrrsr. Então, resolvi deixá-lo levar. Se eu precisasse da agenda era só pedir. 

Foram embora para casa. Um dia, uma revendedora de produtos veterinários, que, com certeza, sempre, ligava para o Milton, resolveu lhe passar um áudio, sem saber da triste notícia, oferecendo os produtos; e o nosso netinho, usando o telefone, com seis anos, na época, sem saber o que dizer, resolveu responder de uma forma bem atípica, certamente pensou... Vc não sabe.....e escreveu :

 "Eu morri"

Nunca mais ninguém ligou 😞.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

Vizinhos


Com a correria do dia a dia, o mais comum é não ter tempo nem disposição para conhecer melhor ou conversar com os nossos vizinhos. Mas, no interior, os da terceira idade, principalmente, ainda, conservam o hábito de estimar os vizinhos. 

Jonas, do Brinquedos Araguaia ou do Lava-jato Araguaia, como é conhecido, foi um grande vizinho nosso. Era vizinho de muro, como muitos dizem. Aquele que a gente tem liberdade de pedir ajuda, principalmente, quando nos faltava algo urgente em nossa casa.

Então, comumente, quando faltava algo em nossa casa, como, por exemplo: aquela chave de fenda para tirar o soquete daquela lâmpada que deu um defeito, no finalzinho do dia e começo da noite, aquele martelo, aquela cola... lá ia o Milton na loja do vizinho. Às vezes, eu dizia: "Milton, deixa, amanhã, a gente compra"! Ele me dizia, sério: "o Jonas é meu amigo! Que que isso?" E ele, geralmente, tinha o quê precisávamos, e nos dispunha, com a maior gentileza, a gente usava, e o Milton logo já devolvia.

Eram mesmo muito amigos. O Milton, antes de tomar o café da manhã, já estava conversando com o Jonas. Incrível! Enquanto, ele levantava, vestia sua roupa, eu  ia preparar o café.  Da cozinha mesmo, ouvia o barulho da porta e logo o seu papo e risos com ele na "porta da rua". 

 Acredito que duas ou três vezes por dia, lá, ele estava, na calçada...conversando com o vizinho. Era interessante, como os dois tinham assunto...! E os amigos do Milton sempre eram aquelas pessoas com as quais o deixavam bem a vontade, isto é, podia ser ele mesmo, com toda a sua essência e com total liberdade. 

E, a gente percebe o carinho de uma pessoa por outra, quando a gente conversa com ela, e percebe a expressão do seu rosto. E conversando, um dia, com o Jonas, depois, que o Milton faleceu, ele disse, para mim "o brilho dessa rua acabou, D. Nilva, sentimos muito a falta dele". E continuou..."Dr Milton era um homem  muito simples,  agradeço por ter tido um grande conselheiro. Todos os dias, tive a honra de ser agraciado pela sua amizade". 

E continuou..."homem que, por mais  de trinta anos, teve à frente no desenvolvimento de  nossa cidade. Foi um sábio conselheiro para nossos políticos. Será sempre insubstituível. Dr  Milton para  sempre em nossa memória!"

E segundo Cora Coralina, grande poetiza, "o vizinho é a luz da rua. Quando o vizinho viaja e fecha a casa,
é como se apagasse a luz da rua…
indagamos sempre: quando volta?
E quando o vizinho volta, abre portas e janelas
e é como se acendessem todas as luzes da rua
e nós todos nos sentimos em segurança
estas coisas nos reinos de Goiás".

Mas desta vez o vizinho foi para nunca mais voltar. E falar nisso é sofrer novamente. Saiu daqui, tão, inocente...nunca imaginaria que nos deixaria tão de repente!! 

Só tenho a agradecer ao Jonas pela sua atenção, pelas orações, durante a estadia do Milton no hospital, e pela sua amizade.

Na fazenda, também, os vizinhos oraram bastante pela sua recuperação. Não esqueço de uma frase que o Sr Antônio Moraes me disse: "eu amava aquele amigo". D. Jovelina também reclamou: "todos os domingos, ele passava aqui, ficávamos muito tempo conversando, rindo... agora nosso domingo ficou também mais triste".

Milton tinha poucos amigos, mas os que ele tinha eram amigos de verdade! 

domingo, 13 de fevereiro de 2022

Um ano sem meu marido - um ano de luto

Perder alguém muito próximo da gente
nos deixa 

Formas de abordar as pessoas.


"Bom dia, meu jovem!! "

Essa era a sua forma de cumprimentar aos mais jovens. Que, muitas vezes, era correspondido de forma respeitosa por alguns, com um "Bom dia, meu mestre ou, apenas, mestre!!"

"Bom dia, meu chefe!! "

Era uma forma de cumprimentar aqueles que tinham certa representação para ele ou na cidade. Políticos ou não! 

- Bom dia, meu cunhado rico!
- Bom dia, meu amigo rico!

Gostava de brincar com os concunhados e amigos, cumprimentando-os dessa forma.
Esse tratamento era dado às pessoas que eram descendentes de famílias que tinham grandes posses, mesmo que os mesmos não tenham sido tão beneficiados com a herança. Mas para ele, essas pessoas tinham uma representação diferenciada de "animal de raça", como brincava. Pois, além de um nome representativo, carregava em seus hábitos e comportamento e uma postura nobre. Assim, ele compreendia, e completava: "eu sou um vira- lata". 

Eu sentia que alguns amigos ficavam um pouco sem jeito, não compreendendo muito essa forma de seu tratamento, achando que ele estaria criticando; mas, não... ele como era amante e conhecedor das histórias de famílias, percebiam uma certa diferença entre àqueles que eram descendentes de famílias ricas, dos outros que não eram.





sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

Responsabilidade do viver

Jeito próprio de lidar com a vida descobrindo a nossa autonomia, apesar dos olhares dos outros. Ver se está agradando, aceito, aprovado. Que dificuldade a vida foiproduzindo em mim - preocupações, ricas , medos, mau humor; experiência de angústias. 

Qual é a percepção, ou estou desconectada com a realidade da vid
Responsabilidade do viver

Jeito próprio de lidar com a vida descobrindo a nossa autonomia, apesar dos olhares dos outros. Ver se está agradando, aceito, aprovado. Que dificuldade a vida foiproduzindo em mim - preocupações, ricas , medos, mau humor; experiência de angústias. 

Qual é a percepção, ou estou desconectada com a realidade da vid

terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

Acredito, Marina, que o meu estilo seja, mais casual para o dia a dia em casa, pois uso bermuda jeans, regata de malha canelada, cabelo de rabo, rasteirinha, e só. Não uso brinco, não uso anéis, não uso nada em casa.

Mas se vou sair, já faço questão de sair mais arrumadinha, passo um batom, já prefiro um estilo mais contemporâneo, mas mais discreto, pois gosto de acompanhar as tendências da moda. Sou consumista, principalmente, com roupas, mas compro peças mais atemporais, que não saem tanto de moda. Então, acabo aproveitando bem. 

Gosto muito de estampas, tanto mais florais diferentes, estampas mais abstratas ou de animal print.Tenho vestidos, tenho saias e calças estampadas. Gosto muito de cores. Gosto de quase tudo. Por exemplo tenho alguns looks bem clássicos, principalmente, vestidos, saias e blusas. Geralmente, uso com meia calça, pois não tenho pernas bonitas, por isso, quando saio a noite, uso a meia bem da cor da pele. Sempre, usei e uso com scarpim. Gosto de quase todos os modelos de calças: pantacour,  flare,  corte reto, montaria, alfaiataria ou não, legging (mas sempre uso com blusas abaixo do bumbum). Gosto de ser diferente. Uso óculos de grau, mas uso óculos de sol e sempre com grau. Gosto de bolsas mais estruturadas. Tenho vermelha. Tenho preta, tenho de palha, etc

Agora, mesmo comprei um vestido super estampado e uma calça de linho alfaiataria verde. Adoro acessórios! E às vezes, compro uns bem exagerados. 
Mas acredito que tenha um toque de especial, minhas amigas dizem assim: isso é a cara da Nilva. Eu uso de tudo. Só não uso short, não uso bermuda curta, não tenho pernas bonitas.
Não gosto muito de mix de estampas, até gostaria, mas nunca encontrei uma roupa que me agradasse. 

Meu estilo complementar acredito que até possa ser mais romântico... pois gosto de roupas com  caimentos mais fluidos, de rendas, gosto dos rosês secos. Mas não gosto de acessórios delicados. Não gosto das saias modelo três Marias. Não gosto muito de estampas de florzinhas, não gosto de silhuetas marcadas. Tenho tênis, mas não gosto! Não gosto muito de sandálias de dedo, de calçados com salto muito grosso. Gosto de um estilo  mais sofisticado. Mas não gosto muito de couro. Não gosto de peças que armam muito. Comprei uma jaqueta jeans porque acho bonito, moderno, mas não sei se seja falta de costume, não gosto muito, prefiro o blazer, com mais caimento. 

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

O político

O Milton me dizia que, desde menino, se interessava pelo que estava acontecendo ao seu redor. Em sua cidade, em seu estado, em nosso país e no mundo. Tanto no esporte, na cultura, na música, como na  economia e na política. İsso quando, ainda, não existia nem televisão, e tudo era informado pelo rádio. 

Desde que o conheci, como acadêmico de Direito, os temas sociais, político e econômico eram os mais discutidos entre familiares e amigos, sejam sobre as políticas públicas, administração ou a democracia brasileira. 

Lembro- me de que quando começamos a namorar, ele já pedia a mim e também à minha família para votarmos em seus candidatos. İnteressante, que eu mesma, sendo neta de um casal de "PDS roxo", como dizia antigamente, desde menina, eu tinha preferência pelo MDB, o mesmo partido dele. (İsto na década de 70, quando o bipartidarismo gerou, no Brasil, de 1966 a 1979, duas correntes políticas, a situacionista formada pela ARENA e corrente oposicionista formada pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB). A ARENA era chamada de "A situação" e o MDB de "A oposição.) Pesquisa Google.

E ele e os meus avós, sempre, conversavam sobre Política, mas cada um respeitando a preferência partidária do outro. E chegando em Caiapônia, no final de 1979, logo ficou amigo do saudoso ex-prefeito e nosso compadre Adão Nazir Martins Silva, vereador nesta época, que o apresentou ao saudoso ex- prefeito Sr. Joaquim Moraes dos Santos, que era candidato a prefeito por  Caiapônia, naquela época; passando a ajudá-lo a fazer a campanha política, em oposição ao, então, prefeito da época, Dr Bertoldo Francisco de Abreu do PDS.

E, naquele tempo, as campanhas políticas começavam bem cedo, quase três anos antes da eleição. Lembro bem, que os pretendentes a serem candidatos a prefeito, vice- prefeito e vereadores saiam para a zona rural, de fazenda a fazenda, visitando os companheiros e pedindo apoio. Assim, como na cidade. E, um ano antes da eleição já começavam os comícios, cada dia em um setor. 

(Eu sempre ia com as crianças, não tinha com quem deixá-los, não tínhamos parentes próximos, na cidade, e eu gostava, então, o acompanhava.  Às vezes, levava duas cadeiras infantis, assentava em uma com a minha filha dormindo no meu colo, e o meu filho, às vezes, dormindo, assentado na outra cadeirinha, com a cabeça na minha perna, quando ele não subia para o palanque com o pai.

 E eu ficava junto a plateia, observando... se via algum conhecido ou alguém de outro partido, que estavam no comício, e pedia para avisar para o Milton pedir ao locutor para convidá-los para subirem no palanque, e assim, muitos iam se manifestando apoio ao MDB.) E de um a um, o PMDB foi crescendo em Caiapônia. 

Através do diretório do PMDB de Caiapônia,  muitos políticos , como os saudosos: Íris Rezende, Henrique Santillo, Maguito Vilela, Lázaro Barbosa, İturival Nascimento, Mauro Bento, Romilton de Moraes e Leandro Vilela, passaram a se candidatar a governador, deputados estaduais e federais, e a pedirem votos e apoio em Caiapônia para as suas candidaturas.

A nossa casa, sempre, foi visitada por políticos, principalmente, pelos partidários, mas o Milton tinha uma relação respeitosa com todos os outros partidos. Alguns eram até amigos! 

Lembro- me das "Diretas Já", e o Milton lá estava discursando ao lado de Wlisses Guimarães,  Tancredo Neves e outros nomes na praça pública de Caiapônia. Só para relembrar e levar conhecimento aos meus netos e crianças, adolescentes ou não, que não viveram nesse momento... as "Diretas Já" foi um movimento popular ocorrido entre os anos de 1983 e 1984 que defendia a aprovação, no Congresso Nacional, da Emenda Constitucional 05/1983, proposta pelo deputado federal Dante de Oliveira (PMDB/MS) para a realização de eleições presidenciais diretas em 1985. Foi um movimento que reuniu diversas lideranças políticas, artistas, intelectuais e que realizou diversos comícios em várias capitais brasileiras. Era a primeira vez desde 1968 que a população se mobilizava para ir às ruas fazer manifestação. Pesquisa Google.
 
Milton, como político, sempre, estava acompanhando, ajudando os políticos do seu partido. Mas nunca quis ser candidato a nada. Lembro- me de cogitação do seu nome. Mas dizia em tom de brincadeira " que preferia ser amigo do rei a ser o próprio rei".

Morte de Maguito Vilela

Foi com pesar que recebemos no dia 13/01/2021 a notícia da morte de Maguito Vilela, como era conhecido pelos amigos e políticos. 

Conhecemos o Maguito, recém formado em Direito, ainda;  foi o meu professor de direito, no antigo curso Técnico em Contabilidade, no Colégio Estadual Nestório Ribeiro de Jataí. 

E de lá para cá, desde quando eu e o Milton mudamos para Caiapônia, em 1979, ele, sempre, nas campanhas políticas, estava aqui na cidade. Foi um dos grandes amigos políticos do Milton. Vinha em nossa casa, e por umas duas ou três vezes, pernoitou aqui, e os dois ficavam conversando até altas horas, falando sobre fazenda, advocacia, economia e também de política. 

Sempre, ligava para o Milton, para saber como estava a política em Caiapônia.  E o que eu achava mais interessante, e é algo que todo político precisava herdar, era a sua atenção com as esposas dos políticos, no bom sentido, com muito respeito, é claro!

E, quando ele ligava aqui em casa - naquele tempo, só existia telefone fixo - e se o Milton não estivesse; ele  não se despedia, apenas, como muitos faziam; não, ele me perguntava como estava a política em Caiapônia. " Como está o fulano? E o Cicrano?" Ele valorizava a minha opinião. Com esse jeito, ele ganhava a confiança não só dos homens, mas também das mulheres.

Foi uma perda irreparável. Era, realmente, um político diferenciado, que deixou um grande legado.

Obs:. Maguito faleceu um mês e 10 dias antes do Milton também pela Covid. Interessante, que no dia do falecimento do, então, amigo político, o Milton e eu assistíamos consternados as notícias, e nem imaginaríamos que um mês depois, ele, também, estaria morto.

Foto do Milton com Maguito Vilela

Morte de Íris Rezende

Foi com tristeza que recebi a notícia do falecimento de Íris Rezende Machado, grande político, que o Milton o conheceu bem no início de sua militância política por Caiapônia, com 31 anos de idade, ao lado do ex- prefeito Joaquim Moraes dos Santos e outros companheiros!  

Íris era bem jovem, ainda, deveria ter seus 49 /50 anos de idade.  Lembro-me bem de sua simpatia, de seu carisma, sempre com um sorriso no rosto e muito atencioso. 

Num dia desses, eu e o Milton o recebemos em nossa casa, juntamente com os políticos locais da época. 

A mais triste constatação nesta foto é que muitos destes já partiram! São eles: Mauro Bento, Sr Joaquim Moraes, Adão Nazir, Milton, íris Rezende, Maguito Vilela, Décio Rodrigues.

Foto do Milton com Íris Rezende e outros





Ver se coloco antes do Prefácio , fazendo junção com aquele texto

Diante das mudanças e da perda tão abrupta do meu marido pelo COVID 19, no período mais letal da pandemia, e do desejo de poder fazer algo para acalentar o meu sofrimento, manter meu cérebro concentrado, equilibrar o meu estado emocional e evitar mais adoecimento físico e mental, pensei em escrever.
  " Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir" - disse Fernando Pessoa. E, segundo Lella Malta (2023),cientista social, "as possibilidades das palavras se tornarem  para a (re) organização de sentimentos nesta fase dolorosa são infinitas. A escrita ressignifica experiências, alcança memórias, é canal de escuta atenta das dores que carregamos no peito. Ainda que essas
dores sejam eternas".

Na verdade, senti que a escrita foi como um combustível, uma vez que, a minha mente permaneceu centrada nele, relembrando tudo que vivemos, suas principais ações e experiências, das mais remotas às mais recentes, bem como seus legados. E se me distraia , me causava também muita dor. Mas pude me reinventar...ocupar o tempo com algo que gosto e que foi significativo para nós.
 
E, como meu marido deixou alguns escritos, resolvi digitar todos os seus textos e começar a escrever a sua biografia em sua homenagem, com o objetivo de deixar  registrada a sua e a nossa história de vida para nossos netos, familiares e a todos aqueles que quiserem ler uma história verídica de um ser humano único, trabalhador e esperançoso. Que acreditava, sempre, que "ninguém, além dele mesmo, poderia tornar o seu sonho realidade".  



quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

O medo de perder um ente querido...



Segundo Osho, o medo é existencial e insubstancial... İsto é, ele existe, mas não tem corpo. Eu fiquei pensando… mas o meu medo tinha corpo, quando eu era criança; e olha que não era uma imagem pequena, Osho! Para eu dormir, minha mãe tinha que colocar cadeiras em volta da minha cama, e colocar lençóis brancos para não ver imagens de lobisomens, de bruxas...com suas vassouras enormes... ou outras aparições que meus pais contavam,
 passando as histórias que os seus pais também lhes contavam. 

Ah... e não tinha ursinho de pelúcia e nem as feiosas bonecas de pano ao meu lado, para me convencerem de que não estava sozinha. Mas como Osho mesmo disse,  quando se tem medo, uma corda vira uma cobra. Temos medo até da própria sombra. E eu tinha muito medo. Se durante o dia ficasse sabendo da morte de alguém que eu conhecia, já servia para eu não dormir, e ficar pensando naquela pessoa.

Fui crescendo...fui perdendo o medo das bruxas, mas foi surgindo outros medos. Medos mais reais! Medo de chuva! Sempre, tive muito medo de tempestade, com forte ventania, trovões e relâmpagos, sol muito quente, calor excessivo, granizo já tenho medo desde criança, época de muita seca, etc. Principalmente, porque não podemos fazer nada contra os fenômenos da natureza. 

Mas lendo o livro de Osho sobre o medo, logo nas suas primeiras páginas, pude fazer uma conexão com uma de suas passagens sobre o seu medo, com algumas minhas. Dentre elas, a de perder a passagem de ônibus. Incrível! Vejamos! Aconteceu também comigo!! 

Certa vez, viajei de ônibus, e, embora, seja uma viagem um tanto cansativa, gostava, pegava um bom livro, e ia lendo até chegar ao destino. (İsso quando não era naqueles ônibus que paravam em todas as cidades ou até na rodovia para pegar gente, aff... às vezes, meu estômago enjoava, era cheiro de pamonha, pequi, mexerica, misturado com a tal gasolina... perfume....aff.... não têm estômago que aguente....). 

Mas fora disso, era até divertido. Você pode nem acreditar, mas fazia cada crônica mentalmente.... rsrsrsrrsr, só eu mesma.  Dentro de um ônibus, a gente vê a vida como ela é... é gente de todo jeito. E, às vezes, tinha medo de dividir a poltrona com alguém que ficasse puxando conversa, e que me atrapalhasse a minha leitura. E foi num dia desses que percebi que a leitura não ia fluir muito bem, então, peguei aquela etiqueta das malas e coloquei para marcar a página, e para o meu azar, caiu dentro da sacola, e não percebi; e no destino, o motorista me pediu para pegar as minhas malas, e eu não a encontrava! 

E aí foi....um tira todas as coisas da minha bolsa; e sabe como é bolsa de mulher que cabe tudo, e fui tirando - tinha óculos, tinha remédio para dor de cabeça, enjoos, carregador do celular, batom, perfume, agenda de médico, até vela tinha, rsrs, estava estufada de tanta coisa!

Gente, não era caso de chorar, mas me deu vontade, e peguei o livro, novamente, folheei-o, e nada . Mas não olhei na sacola que tinha colocado o livro. Nesse ínterim, disse para o motorista, me entregar as malas! Pedindo até por favor, que poderia até lhe dizer quais peças estavam ali dentro, mas nada dele ceder. Era um sujeito jovem, mas não quis, só me disse, educadamente e desgraçadamente," enquanto a senhora não achar... vou ficando por aqui", e cruzou os braços, pegou um cigarro e ficou tragando e soltando aquelas baforadas de fumaça para o alto! 

Oh, meu Deus, o que que eu faço,eu pensava ? Eu já tinha procurado em todos os lugares possíveis...estava cansada, nervosa... morrendo de ódio… Aí pequei a sacola e tornei a olhar, e lá estava a bendita etiqueta! Hoje, já não viajo tanto de ônibus, mas sempre que coloco a minha mala no compartimento de carga, até de avião, certifico bem se está bem etiquetada e, sempre, guardo o comprovante comigo em lugar seguro, até a hora da retirada. E o medo de acontecer comigo outra vez!!

Tinha muito medo de pegar ônibus errado, também, principalmente, em rodoviárias de cidades grandes, com aquele tanto de ônibus no embarque, ficava de olho nas pessoas que assentavam próximas de mim, para não me confundir. 

Sempre, tive muito medo de perder meus pais, meus irmãos. Medo de perder meus filhos e o meu marido! Quando o Milton viajava, ficava morrendo de medo de acontecer algo com ele. Às vezes, eu o acompanhava nas viagens, porque achava que eu estando, poderia evitar algum acidente, porque imaginava que estaria atenta, conversando… para ele não dormir! Quando nossos filhos viajavam, então, eu ficava com tanto medo, que era um terror! E a gente só tem pensamentos negativos! Hoje, graças a Deus, já adquiri mais confiança.

E segundo a psicóloga….”O ser humano tem um conflito interessante: ele tem medo de perder algo que perderá de qualquer maneira. E isso gera uma preocupação tão grande que vivemos em função de algo que não temos controle e acabamos por perder um tempo precioso de vida e felicidade”. 

Eh, infelizmente, somos assim; e, embora, saibamos que um dia vamos perder um ente querido,cedo ou mais tarde… queremos evitar até pensar nisso, e quanto mais tardar melhor! Não somos tão realistas ao ponto de aceitar que por não termos controle, não precisamos preocupar… não é assim que o nosso cérebro funciona. Por isso mesmo, sofremos tanto por antecedência.  

E, hoje, então, depois dessa pandemia, as pessoas estão vivendo, literalmente, encurraladas e com medo de tudo! “Uma pesquisa avaliou a Coronofobia para entender o impacto do sofrimento psicológico vivido durante a pandemia. Por meio da análise de regressão múltipla hierarquizada, cientistas descobriram que a fobia ao Coronavírus agravou quadros de depressão, ansiedade generalizada e ansiedade por medo da morte. Houve ainda um aumento significativo na sensação de vulnerabilidade como forte fator de sofrimento”.

E quem perdeu um ente querido, então, esse medo é real. Sinto como se tivesse perdido um membro do meu corpo! İncrível! É um sentimento estranho...

Seu posicionamento como pai


A Educação de um modo geral, tanto a informal quanto a formal, deve ter a participação dos dois, tanto do pai quanto da mãe. É essencial que haja um diálogo receptivo e recíproco entre o casal, e que nenhum deles venha desmerecer a autoridade do outro.

É claro que, geralmente, a mãe acaba levando "a fama" de que a obrigação é mais dela; que, em parte, acaba sendo. Por preocupar com a alimentação e com a saúde das crianças; com a higiene da casa, das roupas e dos filhos, e com a educação por inteiro. E aí entra a escolha dos alimentos por ela, se mais industrializados ou naturais. Se ela trabalha fora ou não. Quem leva as crianças, na escola e nas atividades complementares - violão, preparação religiosa, natação, Kumon, balé e etc. 

E com relação à educação formal - quanto ao conhecimento adquirido, na escola, é a mesma coisa; e a experiência me traz essa questão bem clara, uma vez que,  80% são as mães que acompanham também os filhos. Mas quando os pais valorizam a formação científica e cultural há uma tendência natural e positiva de influênciar os filhos, neste processo de aprendizagem, tão importante, na vida, dos filhos, e porque não dizer, na vida da família! 

E essa influência acontece de forma até emocional e rotineira. Pois começa com a demonstração do interesse dos pais pela vida dos filhos, isto é, pelos aprendizados que eles vão adquirindo ao longo dos anos, na escola, desde os primeiros dias, lá no jardim da infância e alfabetização, quando as crianças levam a tarefinha e o desenho para casa, até a sua formação acadêmica.

E quando os pais demonstram desejo de vê-los prosperando pela vida a fora, eles acompanham, eles observam, eles questionam... E essa atitude reflete diretamente no comportamento dos filhos. "É o peso da relação familiar estabelecida com o mundo, com a ciência, com o conhecimento e, por isso, tão importante e determinante no direcionamento da formação dos filhos", segundo Juliana Spinelli Ferrari,colaboradora Brasil Escola.

E o Milton, embora, sempre, tenha deixado essa parte da alimentação, da higiene e da escolha de quase tudo que se faz em casa por minha conta, e , ainda, ser muito ocupado; ele, sempre que podia, acompanhou também os nossos filhos. A nossa filha, então, foi ele que a  acompanhou, diariamente, durante as suas tarefas de casa, principalmente, quando ela começou a ser alfabetizada. Ela era muito nervosa, mas ele nunca perdia a paciência com ela. Nem com o nosso filho, era um pai compreensivo.

A sua relação com a cultura, com a escrita, com a leitura, com a música, etc, foi determinante no direcionamento da formação cultural de nossos filhos. Sempre, valorizou muito a pesquisa, a literatura, a informação em geral. Era um leitor assíduo. Gostava de estar sempre muito bem informado sobre o que estava acontecendo.

E foi o seu posicionamento de pai, perante as realizações dos nossos filhos, que foi considerado por muitos estudiosos, como o corte do cordão umbilical, pois, enquanto eu protegia, ele incentivava ir à frente! Às vezes, o pai precisa  ser um pouco mais "duro", no bom sentido, é claro; depois, o filho perceberá que foi importante.

 Eu me lembro de uma passagem, quando o nosso filho passou no vestibular, em Juiz de Fora - MG, com 17 anos de idade. Então, o Milton foi levá-lo, e, quando chegaram, no outro dia, uma cidade diferente, vários quilômetros de distância de nosso estado, foram ao mercado para fazer as compras para deixar para ele; e o Milton me contou que ficou com uma pena dele, de deixá-lo só, com pessoas que não conheciam, em um lugar estranho, ele me contou que disse para ele: " Meu filho, aqui é como vc estivesse numa selva, onde há bichos perigosos e bons, vc precisa aprender a distingui- Los para sobreviver bem". 

E o nosso filho, dedicado e obediente como era, sempre, nos ligava e vinha passar as férias com a gente. Por ser muito longe, a gente preferia que ele viesse, até porque poderia descansar mais. Mas um dia, não me lembro se foi quando fazia o segundo ou terceiro ano de Medicina, ele ligou para o pai e reclamou que estava muito cansado da faculdade, que não estava aguentando mais. (Curso de horário integral, estudava o dia inteiro, realmente, cansa). 

E o seu pai lhe respondeu, com um tom de brincadeira, é claro, mas esperando que ele reagisse:

- Venha para cá, meu filho, deixe a faculdade e venha trabalhar. Aqui em Caiapônia, a prefeitura abriu uma grande frente de serviços, e tem até um amigo seu trabalhando". 

Meu filho respondeu: 

-Ah, é, pai, e o que é o serviço? 

Milton respondeu:  

-É de abrir buracos em ruas para colocar a tubulação para encanamento da rede de esgoto da cidade.

Meu filho disse: 

-Pára de brincadeira, pai! 

E o pai respondeu: 

-Não estou brincando, é sério, meu filho, pense bem, vc um estudante de Medicina, que tem um futuro brilhante pela frente, reclamar que está desanimado, venha fazer um trabalho braçal para ver?  

 Para o Milton, estudar não podia gerar canseira. E por ter sofrido bastante para estudar, achava que o sofrimento dele fora maior do que dos jovens de hoje, que tem um pai para sustentá- Los. 

E muitas vezes, o pai tem que tomar alguns posicionamentos, até contra a sua própria vontade, para o filho desenvolver a capacidade de lidar com as frustrações, que a vida nos impõe!!







terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

O viver se faz no presente
Fez no passado, hoje lembrança
Fará no futuro... esperança

Só podemos mudar o nosso destino
No tempo presente
Se o tempo é um número
O passando é um número


Meu corpo expressa por meio de sintomas
Mas não porque estou ficando velha
Nosso corpo acumula nos músculos
A intolerância para com os outros, a impaciência da espera, a raiva reprimida, as expectativas frustradas, o medo do enfrentamento, as tristeza pelo insucesso, a ansiedade contraia os músculos.