Com a correria do dia a dia, o mais comum é não ter tempo nem disposição para conhecer melhor ou conversar com os nossos vizinhos. Mas, no interior, os da terceira idade, principalmente, ainda, conservam o hábito de estimar os vizinhos.
Jonas, do Brinquedos Araguaia ou do Lava-jato Araguaia, como é conhecido, foi um grande vizinho nosso. Era vizinho de muro, como muitos dizem. Aquele que a gente tem liberdade de pedir ajuda, principalmente, quando nos faltava algo urgente em nossa casa.
Então, comumente, quando faltava algo em nossa casa, como, por exemplo: aquela chave de fenda para tirar o soquete daquela lâmpada que deu um defeito, no finalzinho do dia e começo da noite, aquele martelo, aquela cola... lá ia o Milton na loja do vizinho. Às vezes, eu dizia: "Milton, deixa, amanhã, a gente compra"! Ele me dizia, sério: "o Jonas é meu amigo! Que que isso?" E ele, geralmente, tinha o quê precisávamos, e nos dispunha, com a maior gentileza, a gente usava, e o Milton logo já devolvia.
Eram mesmo muito amigos. O Milton, antes de tomar o café da manhã, já estava conversando com o Jonas. Incrível! Enquanto, ele levantava, vestia sua roupa, eu ia preparar o café. Da cozinha mesmo, ouvia o barulho da porta e logo o seu papo e risos com ele na "porta da rua".
Acredito que duas ou três vezes por dia, lá, ele estava, na calçada...conversando com o vizinho. Era interessante, como os dois tinham assunto...! E os amigos do Milton sempre eram aquelas pessoas com as quais o deixavam bem a vontade, isto é, podia ser ele mesmo, com toda a sua essência e com total liberdade.
E, a gente percebe o carinho de uma pessoa por outra, quando a gente conversa com ela, e percebe a expressão do seu rosto. E conversando, um dia, com o Jonas, depois, que o Milton faleceu, ele disse, para mim "o brilho dessa rua acabou, D. Nilva, sentimos muito a falta dele". E continuou..."Dr Milton era um homem muito simples, agradeço por ter tido um grande conselheiro. Todos os dias, tive a honra de ser agraciado pela sua amizade".
E continuou..."homem que, por mais de trinta anos, teve à frente no desenvolvimento de nossa cidade. Foi um sábio conselheiro para nossos políticos. Será sempre insubstituível. Dr Milton para sempre em nossa memória!"
E segundo Cora Coralina, grande poetiza, "o vizinho é a luz da rua. Quando o vizinho viaja e fecha a casa,
é como se apagasse a luz da rua…
indagamos sempre: quando volta?
E quando o vizinho volta, abre portas e janelas
e é como se acendessem todas as luzes da rua
e nós todos nos sentimos em segurança
estas coisas nos reinos de Goiás".
é como se apagasse a luz da rua…
indagamos sempre: quando volta?
E quando o vizinho volta, abre portas e janelas
e é como se acendessem todas as luzes da rua
e nós todos nos sentimos em segurança
estas coisas nos reinos de Goiás".
Mas desta vez o vizinho foi para nunca mais voltar. E falar nisso é sofrer novamente. Saiu daqui, tão, inocente...nunca imaginaria que nos deixaria tão de repente!!
Só tenho a agradecer ao Jonas pela sua atenção, pelas orações, durante a estadia do Milton no hospital, e pela sua amizade.
Na fazenda, também, os vizinhos oraram bastante pela sua recuperação. Não esqueço de uma frase que o Sr Antônio Moraes me disse: "eu amava aquele amigo". D. Jovelina também reclamou: "todos os domingos, ele passava aqui, ficávamos muito tempo conversando, rindo... agora nosso domingo ficou também mais triste".
Milton tinha poucos amigos, mas os que ele tinha eram amigos de verdade!
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