quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

O político

O Milton me dizia que, desde menino, se interessava pelo que estava acontecendo ao seu redor. Em sua cidade, em seu estado, em nosso país e no mundo. Tanto no esporte, na cultura, na música, como na  economia e na política. İsso quando, ainda, não existia nem televisão, e tudo era informado pelo rádio. 

Desde que o conheci, como acadêmico de Direito, os temas sociais, político e econômico eram os mais discutidos entre familiares e amigos, sejam sobre as políticas públicas, administração ou a democracia brasileira. 

Lembro- me de que quando começamos a namorar, ele já pedia a mim e também à minha família para votarmos em seus candidatos. İnteressante, que eu mesma, sendo neta de um casal de "PDS roxo", como dizia antigamente, desde menina, eu tinha preferência pelo MDB, o mesmo partido dele. (İsto na década de 70, quando o bipartidarismo gerou, no Brasil, de 1966 a 1979, duas correntes políticas, a situacionista formada pela ARENA e corrente oposicionista formada pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB). A ARENA era chamada de "A situação" e o MDB de "A oposição.) Pesquisa Google.

E ele e os meus avós, sempre, conversavam sobre Política, mas cada um respeitando a preferência partidária do outro. E chegando em Caiapônia, no final de 1979, logo ficou amigo do saudoso ex-prefeito e nosso compadre Adão Nazir Martins Silva, vereador nesta época, que o apresentou ao saudoso ex- prefeito Sr. Joaquim Moraes dos Santos, que era candidato a prefeito por  Caiapônia, naquela época; passando a ajudá-lo a fazer a campanha política, em oposição ao, então, prefeito da época, Dr Bertoldo Francisco de Abreu do PDS.

E, naquele tempo, as campanhas políticas começavam bem cedo, quase três anos antes da eleição. Lembro bem, que os pretendentes a serem candidatos a prefeito, vice- prefeito e vereadores saiam para a zona rural, de fazenda a fazenda, visitando os companheiros e pedindo apoio. Assim, como na cidade. E, um ano antes da eleição já começavam os comícios, cada dia em um setor. 

(Eu sempre ia com as crianças, não tinha com quem deixá-los, não tínhamos parentes próximos, na cidade, e eu gostava, então, o acompanhava.  Às vezes, levava duas cadeiras infantis, assentava em uma com a minha filha dormindo no meu colo, e o meu filho, às vezes, dormindo, assentado na outra cadeirinha, com a cabeça na minha perna, quando ele não subia para o palanque com o pai.

 E eu ficava junto a plateia, observando... se via algum conhecido ou alguém de outro partido, que estavam no comício, e pedia para avisar para o Milton pedir ao locutor para convidá-los para subirem no palanque, e assim, muitos iam se manifestando apoio ao MDB.) E de um a um, o PMDB foi crescendo em Caiapônia. 

Através do diretório do PMDB de Caiapônia,  muitos políticos , como os saudosos: Íris Rezende, Henrique Santillo, Maguito Vilela, Lázaro Barbosa, İturival Nascimento, Mauro Bento, Romilton de Moraes e Leandro Vilela, passaram a se candidatar a governador, deputados estaduais e federais, e a pedirem votos e apoio em Caiapônia para as suas candidaturas.

A nossa casa, sempre, foi visitada por políticos, principalmente, pelos partidários, mas o Milton tinha uma relação respeitosa com todos os outros partidos. Alguns eram até amigos! 

Lembro- me das "Diretas Já", e o Milton lá estava discursando ao lado de Wlisses Guimarães,  Tancredo Neves e outros nomes na praça pública de Caiapônia. Só para relembrar e levar conhecimento aos meus netos e crianças, adolescentes ou não, que não viveram nesse momento... as "Diretas Já" foi um movimento popular ocorrido entre os anos de 1983 e 1984 que defendia a aprovação, no Congresso Nacional, da Emenda Constitucional 05/1983, proposta pelo deputado federal Dante de Oliveira (PMDB/MS) para a realização de eleições presidenciais diretas em 1985. Foi um movimento que reuniu diversas lideranças políticas, artistas, intelectuais e que realizou diversos comícios em várias capitais brasileiras. Era a primeira vez desde 1968 que a população se mobilizava para ir às ruas fazer manifestação. Pesquisa Google.
 
Milton, como político, sempre, estava acompanhando, ajudando os políticos do seu partido. Mas nunca quis ser candidato a nada. Lembro- me de cogitação do seu nome. Mas dizia em tom de brincadeira " que preferia ser amigo do rei a ser o próprio rei".

Morte de Maguito Vilela

Foi com pesar que recebemos no dia 13/01/2021 a notícia da morte de Maguito Vilela, como era conhecido pelos amigos e políticos. 

Conhecemos o Maguito, recém formado em Direito, ainda;  foi o meu professor de direito, no antigo curso Técnico em Contabilidade, no Colégio Estadual Nestório Ribeiro de Jataí. 

E de lá para cá, desde quando eu e o Milton mudamos para Caiapônia, em 1979, ele, sempre, nas campanhas políticas, estava aqui na cidade. Foi um dos grandes amigos políticos do Milton. Vinha em nossa casa, e por umas duas ou três vezes, pernoitou aqui, e os dois ficavam conversando até altas horas, falando sobre fazenda, advocacia, economia e também de política. 

Sempre, ligava para o Milton, para saber como estava a política em Caiapônia.  E o que eu achava mais interessante, e é algo que todo político precisava herdar, era a sua atenção com as esposas dos políticos, no bom sentido, com muito respeito, é claro!

E, quando ele ligava aqui em casa - naquele tempo, só existia telefone fixo - e se o Milton não estivesse; ele  não se despedia, apenas, como muitos faziam; não, ele me perguntava como estava a política em Caiapônia. " Como está o fulano? E o Cicrano?" Ele valorizava a minha opinião. Com esse jeito, ele ganhava a confiança não só dos homens, mas também das mulheres.

Foi uma perda irreparável. Era, realmente, um político diferenciado, que deixou um grande legado.

Obs:. Maguito faleceu um mês e 10 dias antes do Milton também pela Covid. Interessante, que no dia do falecimento do, então, amigo político, o Milton e eu assistíamos consternados as notícias, e nem imaginaríamos que um mês depois, ele, também, estaria morto.

Foto do Milton com Maguito Vilela

Morte de Íris Rezende

Foi com tristeza que recebi a notícia do falecimento de Íris Rezende Machado, grande político, que o Milton o conheceu bem no início de sua militância política por Caiapônia, com 31 anos de idade, ao lado do ex- prefeito Joaquim Moraes dos Santos e outros companheiros!  

Íris era bem jovem, ainda, deveria ter seus 49 /50 anos de idade.  Lembro-me bem de sua simpatia, de seu carisma, sempre com um sorriso no rosto e muito atencioso. 

Num dia desses, eu e o Milton o recebemos em nossa casa, juntamente com os políticos locais da época. 

A mais triste constatação nesta foto é que muitos destes já partiram! São eles: Mauro Bento, Sr Joaquim Moraes, Adão Nazir, Milton, íris Rezende, Maguito Vilela, Décio Rodrigues.

Foto do Milton com Íris Rezende e outros





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