quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

Seu posicionamento como pai


A Educação de um modo geral, tanto a informal quanto a formal, deve ter a participação dos dois, tanto do pai quanto da mãe. É essencial que haja um diálogo receptivo e recíproco entre o casal, e que nenhum deles venha desmerecer a autoridade do outro.

É claro que, geralmente, a mãe acaba levando "a fama" de que a obrigação é mais dela; que, em parte, acaba sendo. Por preocupar com a alimentação e com a saúde das crianças; com a higiene da casa, das roupas e dos filhos, e com a educação por inteiro. E aí entra a escolha dos alimentos por ela, se mais industrializados ou naturais. Se ela trabalha fora ou não. Quem leva as crianças, na escola e nas atividades complementares - violão, preparação religiosa, natação, Kumon, balé e etc. 

E com relação à educação formal - quanto ao conhecimento adquirido, na escola, é a mesma coisa; e a experiência me traz essa questão bem clara, uma vez que,  80% são as mães que acompanham também os filhos. Mas quando os pais valorizam a formação científica e cultural há uma tendência natural e positiva de influênciar os filhos, neste processo de aprendizagem, tão importante, na vida, dos filhos, e porque não dizer, na vida da família! 

E essa influência acontece de forma até emocional e rotineira. Pois começa com a demonstração do interesse dos pais pela vida dos filhos, isto é, pelos aprendizados que eles vão adquirindo ao longo dos anos, na escola, desde os primeiros dias, lá no jardim da infância e alfabetização, quando as crianças levam a tarefinha e o desenho para casa, até a sua formação acadêmica.

E quando os pais demonstram desejo de vê-los prosperando pela vida a fora, eles acompanham, eles observam, eles questionam... E essa atitude reflete diretamente no comportamento dos filhos. "É o peso da relação familiar estabelecida com o mundo, com a ciência, com o conhecimento e, por isso, tão importante e determinante no direcionamento da formação dos filhos", segundo Juliana Spinelli Ferrari,colaboradora Brasil Escola.

E o Milton, embora, sempre, tenha deixado essa parte da alimentação, da higiene e da escolha de quase tudo que se faz em casa por minha conta, e , ainda, ser muito ocupado; ele, sempre que podia, acompanhou também os nossos filhos. A nossa filha, então, foi ele que a  acompanhou, diariamente, durante as suas tarefas de casa, principalmente, quando ela começou a ser alfabetizada. Ela era muito nervosa, mas ele nunca perdia a paciência com ela. Nem com o nosso filho, era um pai compreensivo.

A sua relação com a cultura, com a escrita, com a leitura, com a música, etc, foi determinante no direcionamento da formação cultural de nossos filhos. Sempre, valorizou muito a pesquisa, a literatura, a informação em geral. Era um leitor assíduo. Gostava de estar sempre muito bem informado sobre o que estava acontecendo.

E foi o seu posicionamento de pai, perante as realizações dos nossos filhos, que foi considerado por muitos estudiosos, como o corte do cordão umbilical, pois, enquanto eu protegia, ele incentivava ir à frente! Às vezes, o pai precisa  ser um pouco mais "duro", no bom sentido, é claro; depois, o filho perceberá que foi importante.

 Eu me lembro de uma passagem, quando o nosso filho passou no vestibular, em Juiz de Fora - MG, com 17 anos de idade. Então, o Milton foi levá-lo, e, quando chegaram, no outro dia, uma cidade diferente, vários quilômetros de distância de nosso estado, foram ao mercado para fazer as compras para deixar para ele; e o Milton me contou que ficou com uma pena dele, de deixá-lo só, com pessoas que não conheciam, em um lugar estranho, ele me contou que disse para ele: " Meu filho, aqui é como vc estivesse numa selva, onde há bichos perigosos e bons, vc precisa aprender a distingui- Los para sobreviver bem". 

E o nosso filho, dedicado e obediente como era, sempre, nos ligava e vinha passar as férias com a gente. Por ser muito longe, a gente preferia que ele viesse, até porque poderia descansar mais. Mas um dia, não me lembro se foi quando fazia o segundo ou terceiro ano de Medicina, ele ligou para o pai e reclamou que estava muito cansado da faculdade, que não estava aguentando mais. (Curso de horário integral, estudava o dia inteiro, realmente, cansa). 

E o seu pai lhe respondeu, com um tom de brincadeira, é claro, mas esperando que ele reagisse:

- Venha para cá, meu filho, deixe a faculdade e venha trabalhar. Aqui em Caiapônia, a prefeitura abriu uma grande frente de serviços, e tem até um amigo seu trabalhando". 

Meu filho respondeu: 

-Ah, é, pai, e o que é o serviço? 

Milton respondeu:  

-É de abrir buracos em ruas para colocar a tubulação para encanamento da rede de esgoto da cidade.

Meu filho disse: 

-Pára de brincadeira, pai! 

E o pai respondeu: 

-Não estou brincando, é sério, meu filho, pense bem, vc um estudante de Medicina, que tem um futuro brilhante pela frente, reclamar que está desanimado, venha fazer um trabalho braçal para ver?  

 Para o Milton, estudar não podia gerar canseira. E por ter sofrido bastante para estudar, achava que o sofrimento dele fora maior do que dos jovens de hoje, que tem um pai para sustentá- Los. 

E muitas vezes, o pai tem que tomar alguns posicionamentos, até contra a sua própria vontade, para o filho desenvolver a capacidade de lidar com as frustrações, que a vida nos impõe!!







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