quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

O medo de perder um ente querido...



Segundo Osho, o medo é existencial e insubstancial... İsto é, ele existe, mas não tem corpo. Eu fiquei pensando… mas o meu medo tinha corpo, quando eu era criança; e olha que não era uma imagem pequena, Osho! Para eu dormir, minha mãe tinha que colocar cadeiras em volta da minha cama, e colocar lençóis brancos para não ver imagens de lobisomens, de bruxas...com suas vassouras enormes... ou outras aparições que meus pais contavam,
 passando as histórias que os seus pais também lhes contavam. 

Ah... e não tinha ursinho de pelúcia e nem as feiosas bonecas de pano ao meu lado, para me convencerem de que não estava sozinha. Mas como Osho mesmo disse,  quando se tem medo, uma corda vira uma cobra. Temos medo até da própria sombra. E eu tinha muito medo. Se durante o dia ficasse sabendo da morte de alguém que eu conhecia, já servia para eu não dormir, e ficar pensando naquela pessoa.

Fui crescendo...fui perdendo o medo das bruxas, mas foi surgindo outros medos. Medos mais reais! Medo de chuva! Sempre, tive muito medo de tempestade, com forte ventania, trovões e relâmpagos, sol muito quente, calor excessivo, granizo já tenho medo desde criança, época de muita seca, etc. Principalmente, porque não podemos fazer nada contra os fenômenos da natureza. 

Mas lendo o livro de Osho sobre o medo, logo nas suas primeiras páginas, pude fazer uma conexão com uma de suas passagens sobre o seu medo, com algumas minhas. Dentre elas, a de perder a passagem de ônibus. Incrível! Vejamos! Aconteceu também comigo!! 

Certa vez, viajei de ônibus, e, embora, seja uma viagem um tanto cansativa, gostava, pegava um bom livro, e ia lendo até chegar ao destino. (İsso quando não era naqueles ônibus que paravam em todas as cidades ou até na rodovia para pegar gente, aff... às vezes, meu estômago enjoava, era cheiro de pamonha, pequi, mexerica, misturado com a tal gasolina... perfume....aff.... não têm estômago que aguente....). 

Mas fora disso, era até divertido. Você pode nem acreditar, mas fazia cada crônica mentalmente.... rsrsrsrrsr, só eu mesma.  Dentro de um ônibus, a gente vê a vida como ela é... é gente de todo jeito. E, às vezes, tinha medo de dividir a poltrona com alguém que ficasse puxando conversa, e que me atrapalhasse a minha leitura. E foi num dia desses que percebi que a leitura não ia fluir muito bem, então, peguei aquela etiqueta das malas e coloquei para marcar a página, e para o meu azar, caiu dentro da sacola, e não percebi; e no destino, o motorista me pediu para pegar as minhas malas, e eu não a encontrava! 

E aí foi....um tira todas as coisas da minha bolsa; e sabe como é bolsa de mulher que cabe tudo, e fui tirando - tinha óculos, tinha remédio para dor de cabeça, enjoos, carregador do celular, batom, perfume, agenda de médico, até vela tinha, rsrs, estava estufada de tanta coisa!

Gente, não era caso de chorar, mas me deu vontade, e peguei o livro, novamente, folheei-o, e nada . Mas não olhei na sacola que tinha colocado o livro. Nesse ínterim, disse para o motorista, me entregar as malas! Pedindo até por favor, que poderia até lhe dizer quais peças estavam ali dentro, mas nada dele ceder. Era um sujeito jovem, mas não quis, só me disse, educadamente e desgraçadamente," enquanto a senhora não achar... vou ficando por aqui", e cruzou os braços, pegou um cigarro e ficou tragando e soltando aquelas baforadas de fumaça para o alto! 

Oh, meu Deus, o que que eu faço,eu pensava ? Eu já tinha procurado em todos os lugares possíveis...estava cansada, nervosa... morrendo de ódio… Aí pequei a sacola e tornei a olhar, e lá estava a bendita etiqueta! Hoje, já não viajo tanto de ônibus, mas sempre que coloco a minha mala no compartimento de carga, até de avião, certifico bem se está bem etiquetada e, sempre, guardo o comprovante comigo em lugar seguro, até a hora da retirada. E o medo de acontecer comigo outra vez!!

Tinha muito medo de pegar ônibus errado, também, principalmente, em rodoviárias de cidades grandes, com aquele tanto de ônibus no embarque, ficava de olho nas pessoas que assentavam próximas de mim, para não me confundir. 

Sempre, tive muito medo de perder meus pais, meus irmãos. Medo de perder meus filhos e o meu marido! Quando o Milton viajava, ficava morrendo de medo de acontecer algo com ele. Às vezes, eu o acompanhava nas viagens, porque achava que eu estando, poderia evitar algum acidente, porque imaginava que estaria atenta, conversando… para ele não dormir! Quando nossos filhos viajavam, então, eu ficava com tanto medo, que era um terror! E a gente só tem pensamentos negativos! Hoje, graças a Deus, já adquiri mais confiança.

E segundo a psicóloga….”O ser humano tem um conflito interessante: ele tem medo de perder algo que perderá de qualquer maneira. E isso gera uma preocupação tão grande que vivemos em função de algo que não temos controle e acabamos por perder um tempo precioso de vida e felicidade”. 

Eh, infelizmente, somos assim; e, embora, saibamos que um dia vamos perder um ente querido,cedo ou mais tarde… queremos evitar até pensar nisso, e quanto mais tardar melhor! Não somos tão realistas ao ponto de aceitar que por não termos controle, não precisamos preocupar… não é assim que o nosso cérebro funciona. Por isso mesmo, sofremos tanto por antecedência.  

E, hoje, então, depois dessa pandemia, as pessoas estão vivendo, literalmente, encurraladas e com medo de tudo! “Uma pesquisa avaliou a Coronofobia para entender o impacto do sofrimento psicológico vivido durante a pandemia. Por meio da análise de regressão múltipla hierarquizada, cientistas descobriram que a fobia ao Coronavírus agravou quadros de depressão, ansiedade generalizada e ansiedade por medo da morte. Houve ainda um aumento significativo na sensação de vulnerabilidade como forte fator de sofrimento”.

E quem perdeu um ente querido, então, esse medo é real. Sinto como se tivesse perdido um membro do meu corpo! İncrível! É um sentimento estranho...

Nenhum comentário:

Postar um comentário