terça-feira, 15 de março de 2022

Conhecer alguém é descobrir os seus espaços e manias



Lendo uma crônica de Fabrício Carpinejar - Boca de fogão preferida -   ele traz uma ação rotineira das mulheres, lembrando que a sua esposa tinha uma "boca de estimação", então, pensei... mas não é só a mulher dele... todo mundo deve ter a sua. Eu tenho a minha...para fazer o café da manhã, o chá da tarde, começar o meu almoço e aquecer o leite da noite, sempre, é a mesma boca - a primeira que fica a minha direita. E você tem a sua boca preferida? 

Mas você deve ter também alguns utensílios que gosta também, assim, como eu tenho - sabe aquela faca de mesa da pontinha quebrada, que é a melhor de corte... aquela tesoura que nunca perde a sua qualidade, aquela panela que não deixa grudar os alimentos, aquela vassoura do cabo leve...aquele rodo que não solta do pano...ah, com certeza, vc tinha aquela caneta que deixava a sua caligrafia mais bonita, e com vontade de escrever um caderno inteiro... aquele giz, colega professora, que escrevia macio, na lousa ou no quadro - negro,  que deixava você bem mais animada para encher o quadro, e a turma reclamando! E, se você quer saber o porquê, a resposta é bem direta...é porque é boa ou é bom.

Aí, ele continuou dizendo que, além de preferência por alguns objetos; sempre, temos predileção por um lugar na casa, na mesa, na cama, na janela, no sofá...etc. "Não usará a casa inteira, existirá uma casa unicamente sua dentro da casa".

İnteressante, não!! E é verdade! Assim como eu tenho, o Milton, sempre, tinha o seu lugar preferido para tudo, não era de ficar onde não se sentia bem. Na mesa de jantar da casa da cidade, sentávamos em frente ao outro; na fazenda, ele já preferia a ponta da mesa. 

Gostava de dormir durante o dia, no sofá, se fosse para cama acordava...
À noite, depois de dormir, um pouco, no sofá ia para cama. Se perdesse o sono, durante a noite, iria para o sofá, assistir Tv, porque se a ligasse em nosso quarto, me acordaria. Não dormia de pijama, gostava de uma camiseta velha... às vezes, me perguntava " jogou as minhas camisetas velhas fora, Nilva?" Vc sabe que não gosto de camisetas novas.... São quentes e apertadas..."

Era cheio das manias. Arroz tinha que ter rapa, café tinha que ser feito na hora, pão de queijo só frio, água gelada não tomava, mas as frutas, principalmente, laranja, melancia, abacaxi, preferia geladas. Dizia que ficavam mais doces.

Tinha uma mania de quando estava preocupado em decidir ou resolver alguma coisa, profissionalmente, ou não, ficava, literalmente, fazendo "pavios de papeizinhos" enrolados com os dedos enquanto pensava...

Não tinha agenda, a sua melhor era a cabeça, às vezes, anotava números de telefones em pequenos papéis e colocava em uma gaveta, e quando precisava, pegava.

Em 44 anos...parece pouco... Mas se imaginarmos quantos dias, quantas horas, na mesma casa... na mesma mesa... na mesma cama...? A gente passa a conhecer "quase tudo" sobre a pessoa. Digo quase tudo porque podemos conhecer "agora", amanhã a pessoa pode mudar. 

Acredito que nem depois que a pessoa já partiu dessa vida, podemos dizer, conclusivamente, que conhecíamos ou conhecemos tal pessoa. 

"Conhecer alguém é descobrir os seus espaços, já amar é respeitá-los, entendendo que são santuários de uma personalidade"
 


Nenhum comentário:

Postar um comentário