quinta-feira, 15 de julho de 2021

Meu povo...


Trazer o quê foi vivido pelas gerações passadas, através de relatos e também da fotografia, nos permite, além de passar conhecimentos e mostrar práticas de um tempo que ficou para trás, aos jovens e crianças; homenagear também àquelas mulheres e àqueles homens que aqui viveram; quando não existiam rodovias asfaltadas, luz elétrica, água encanada, planos de saúde, aposentadoria, escola para todos, e um "monte de coisas" que a tecnologia e a eletricidade tanto facilitaram a nossa vida.

Tempo de vida difícil, trabalho grosseiro, pesado, realizado sob o sol escaldante ou chuva, proveniente da falta de maquinários e eletrodomésticos, e por isso, as famílias tinham que  preparar a terra com os próprios braços, com a ajuda apenas da enxada ou da foice sobre os ombros; plantando ou colhendo para o próprio sustento da família. De mulheres que lavavam roupas nos córregos, com sabão de "bola" ou de diquada. E ali lavando as roupas, os pensamentos vinham de uma vida melhor para seus filhos... quem sabe poder formar e ter uma vida melhor. Que catavam o feijão sujo lá da roça de "toco", para cozinhar no fogão a lenha, que pegavam lá no mato para cozinhar a comida, nas panelas pretinhas de carvão, que devido ao cheiro de fumaça deixava a comida defumada, e por sinal muito gostosa.

Famílias essas oriundas das classes menos privilegiadas de diversas partes do país. Que, embora vivessem de forma precária - muito sofrimento, muito trabalho, falta de acesso a quase tudo, aínda, trazem registrado em suas memórias nítidas lembranças, até saudosas, por incrível que pareça, de cada momento que aqui passaram. E... fazem questão de contribuir; e, nos fazem de forma tão carinhosa e expressiva, estabelecendo, desse modo, uma relação importante de informação do passado, do jeito que viviam, às gerações que não conhecem.

Embora, sejam imagens reveladoras, por trás das residências paupérrimas e vestes surradas pela lida com a terra e com os animais... revelam uma história de um povo simples, sofrido, que vivia na terra e da terra. Que ali enterrou o seu umbigo, no mourão da porteira, com a esperança de ser rico, e não sair dali jamais!! 

Povo, que logo cedo, pedia aos pais, tios e avós as suas bênçãos, que respondiam" com um "Deus te abençoe". Que jogava o dente mole, no telhado, e dizia: que daria um dente podre para ganhar um são. Que cobria o espelho em dias de chuva. Chuva que era verdadeira tempestade. Tantos trovões e relâmpagos! Não tinha esse  "filho de Deus" que não pegava a sua Bíblia ou o seu Evangelho e orava até a chuva cessar.

Povo que tinha os pés parecidos uns "cascos"... meu avô paterno não conhecia nem dinheiro... gostava muito de caçar, andava descalço pelo mato, e não se espetava seus pés com nada, que eu me lembro, não reclamava. A mão parecia mais uma lixa... lembro de meu pai e tios... mão grossa de calos da lida manual com as ferramentas.

Que fumava cigarro de palha, e não tinha medo de ficar doente, embora soubesse que lhes podia causar tuberculose, doença que matava naquela época. Hoje, não mata mais. Mas tem um tal de Corona vírus, que vem matando tanta gente, e suas famílias não podem nem se quer enterrar seus mortos.

E quem pensava que seus pais e seus avós tinham vida ruim, não sabia o que estava falando... 


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