domingo, 18 de julho de 2021

7 Profissão-Formatura - oficialmente advogado ( capítulo 7)

Fotos da formatura
Dezembro de 1978

Agora, sou oficialmente advogado! 

Hoje, realizei um sonho de toda a minha vida. Recebi a minha carteira de advogado. Ser advogado foi o meu primeiro pensamento, quando tive consciência do que é uma profissão, e  uma ciência para estudar, para acompanhá-la por toda vida.

Foi uma seção chata, pessoas discursando, monotonamente, coisas que não interessam ao advogado moderno. 

Ainda perdura na consciência de quase todos os estudantes de Direito, aquele formalíssimo acadêmico e rebuscado, preocupando mais com a forma do que com a essência.

Notei muita falta de coerência nas palavras do orador que representou a turma no compromisso de hoje.
Hoje, vivo uma nova fase em minha vida. Espero poder lutar.
                Goiânia, 30/05/79
(Foto da carteira de advogado)

Lembro- me bem desse dia, chegou feliz, me abraçando e dizendo:  "Agora, sou oficialmente advogado, minha querida! "

Recém- formado em Direito 

Em dezembro de 1978, formei em Direito, e em julho de 1979, eu, minha esposa e meu filho mudamos para Caiapônia para eu ser advogado, apesar de nunca ter entrado em um escritório de advocacia, e jamais ter conversado com um juiz, promotor, delegado ou advogado.

Momentos de ansiedade
* Comarca sem juiz
* Pouco serviço

Hoje, está um dia nublado, nuvens pezadas entristeceu o céu. Estou novamente no meu escritório de advocacia, sentado, estudando e esperando que algum cliente desaventurado ou injustiçado venha até mim para contratar os meus serviços profissionais.
Neste final de semana, recebi a visita de minha mãe, de minha tia e de meu irmão Vicente. A visita foi breve, e a monotonia voltou novamente nesta cidade. 
Às vezes, sinto muito só aqui. Sinto vontade de mudar para perto de minha família ou vê-los mais amiúde, mas a distância, com as estradas ruins,  parece ser tão grande que chego a desanimar. 
A tarde vai chegar, e logo, a noite...outro dia virá. Mas parece que tudo continua como está. Tudo quieto, involúvel, estático, nesa cidade, ao pé da serra do Gigante Adormecido. 
(16/10/79)

Hoje é segunda -feira (19/11/79), o tempo mudou- se de muito quente, para uma temperatura agradável, isto depois da chuva desta madrugada.
A cidade continua a mesma, quieta, pacífica e comentada. Estamos sem juiz, por isso ficou mais difícil advogar. Temos que ir a Jataí para despacharmos nossos processos.

Está aproximando o final do ano. É preciso ganhar dinheiro, é preciso gastar. Será o primeiro Natal que passarei depois de deixar a faculdade, e nesta cidade, juntamente com a minha família.
Ainda há muitas coisas para viver nesta cidade, nesta região.

Estamos no mês de março (1980), e ainda não foi definido o problema do juiz para assumir a comarca de Caiapônia. 

Durante estes três meses que passaram, o serviço não foi abundante. Não sei se é a falta de juiz ou a falta de serviços, que está ocasionando esta paralização. Preciso trabalhar, preciso preencher o tempo que está ocioso.

Ultimamente, não estou conseguindo estudar, não sei se é devido ter lido quase todos os livros, ficando assim monótono o estudo.
Preciso comprar mais livros para estudar / pesquisar e aplicar  o resultado em casos práticos.

Apesar de tudo, eu tenho certeza que vencerei. 

(Um dos momentos mais difíceis na vida de um recém- formado é quando ele vai em busca de uma oportunidade no mercado de trabalho. 

Muitas dúvidas e receios fazem parte dessa fase; afinal, ele não conhece na prática o que aquela profissão exige, só aprendeu teorias e poucas aulas práticas, próximas de um professor para tudo que precisar. E aí saber lidar com alguns possíveis ‘nãos’, que a própria inexperiência vai lhes mostrando, além da competitividade e insegurança, daquele início da carreira, não é e nunca foi fácil, principalmente, para o recém-formado pobre, porque quando é rico é diferente. No começo, a família ajuda, e tudo fica bem. Mas o pobre, não, tem com quem contar. É só com ele).

Além de recém- formado, era recém-casado, recém - pai, e recém-morador - em uma cidade nova. Então, é muita coisa para se adaptar.


Depois de vinte anos de formado

Este é um ano importante para mim, uma vez que, neste ano, estarei completando vinte anos de formatura.

Há vinte anos, um jovem com apenas vinte e seis anos de idade, já casado e com um filho de cinco meses de idade, no colo, recebia seu tão esperado diploma de bacharel em direito, o que me autorizava a ser advogado, profissão que lutei acima dos meus limites e de minhas forças para conseguir, através da Faculdade Federal de Direito.

Neste ano, também, meu filho está completando vinte anos, e já está cursando o segundo ano de 
Medicina na UFJF. A minha filha que está com 17 anos, vai fazer cursinho para o Vestibular para Direito, aínda, neste ano 

Chego aos vinte anos de formado, mais maduro, experiente e mais velho.
Os sonhos da juventude, agora, se resumem em trabalho, política e ser fazendeiro.

Como advogado, miltei, diariamente, no fórum desta região e nos tribunais do meu estado, defendendo os interesses dos meus clientes, tanto na advocacia cível, quanto na criminal. 

Sempre, levava serviço para casa. Era comum ficar, assim, lotada de trabalho. Muitas vezes, ele dizia que no escritório não tinha tempo! E como as defesas eram feitas “a punho”, exigia silêncio. 

Depois que comecei a ajudá-lo a fazer correção, ele passou a levar mais trabalho para casa, digitava, e me dizia: “Nilva, corrige aqui para mim os erros gramaticais, é pouca coisa! “ E ficávamos até meia noite trabalhando. Ele lia e me dizia: “agora, sim, ficou um texto limpo, bonito, enxuto !” Era extremamente exigente com essa parte. Se fosse um processo longo, ele imprimia as folhas para ser corrigido! 


26/02/2021 14:00

OAB-GO LAMENTA MORTE DO ADVOGADO MILTON FERREIRA DA SILVA

É com profunda tristeza que a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO) comunica o falecimento do advogado Milton Ferreira da Silva, aos 68 anos, ocorrido nesta sexta-feira (26/02), vítima de Covid-19.

Com larga experiência na advocacia pública, especialmente na área administrativa, foi procurador do município de Caiapônia em várias gestões e atuou como advogado por 42 anos.

Neste momento de luto, a OAB-GO, por meio de toda Diretoria e Conselho Seccional, externa condolências aos familiares e amigos por esta triste perda e roga a Deus para que conforte a todos."

05/01/22
Quase um ano sem você
Quase um ano sem você, meu saudoso esposo! Como a sua falta me dói! E a saudade aumenta cada dia mais! 

Aqui, na mesa de nossa casa, era comum ficar, assim, lotada de trabalho. Muitas vezes, ele dizia que no escritório não tinha tempo! E como as defesas eram feitas “a punho”, exigia silêncio. 

Depois que comecei a ajudá-lo a fazer correção, ele passou a levar mais trabalho para casa, digitava, e me dizia: “Nilva, corrige aqui para mim os erros gramaticais, é pouca coisa! “ E ficávamos até meia noite trabalhando. Ele lia e me dizia: “agora, sim, ficou um texto limpo, bonito, enxuto !” Era, extremamente, exigente com essa parte. Se fosse um processo longo, ele imprimia as folhas para ser corrigido! 

Esse registro foi feito uns vinte dias antes dele partir ...um tinindo com o dedo, dizendo para a família que estava tudo bem. Não estava. Mas ele pensava que sim! Que esteja gozando do descanso eterno!

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