O que conta, na vida, são as pessoas...
Hoje, lembrei- me de um texto, que há muitos anos, lia para meus alunos na sala de aula. O texto narra a história de um pai que deu de presente para sua filha um lindo vaso de uma planta rara, que dava belíssimas flores.
E a filha, com os grandes encargos, do dia a dia, tanto em casa quanto no trabalho, esquecia de cuidar da sua planta, olhava de relance, lá, sempre, estava bonita, então, passava... até pensava, que precisava de regá- la, como seu pai havia lhe recomendado, mas ela acabava esquecendo, e ia deixando para depois, amanhã eu rego... depois, depois... e o tempo ia passando... um dia, mais outro, mais outro, mais outro, passou uma semana, duas, três, quatro...um mês. E um mês, quando pensamos nos trinta dias, parece muito; mas quando pensamos que um mês é quatro senanas já parece menor.
Um dia, percebeu que sua linda planta de flores vermelhas estava murcha; pensou que podia ser consequência do calor dos dias anteriores ou o vento daquela manhã. Mas teve, nesse dia, um certo impulso, e aproximou- se do vaso; porém, não acreditou no que estava vendo, sua planta estava toda seca, galhos, raízes, tudo. A planta estava morta.
Então, chorando... foi reclamar ao pai que seu belíssimo vaso de flores que ele lhe tinha dado havia morrido. Seu pai, sem querer ofendê- la, apenas, lhe disse: "pois é, e, agora, não posso fazer nada, não posso lhe dar outra, porque aquela era o último exemplar daquela espécie". Era única, assim, como seu marido, seus filhos, seus irmãos e sua mãe. Se um deles morrer, ninguém poderá substituí-lo.
E, assim, pensei... a falta de cuidado consigo mesmo e com o próximo, a falta, talvez, de iniciativa, de procurar um médico, o mais rápido possível, a falta de estrutura hospitalar adequada, a falta de empatia, a falta de incentivo/ de recursos para as pesquisas científicas...tudo isso, levou ao caos da saúde, infelizmente. Tirando o que é mais importante em nossas vidas - as pessoas. Assim, como a mulher que perdeu sua rara planta.
E, a partir desse fato, lembrei- me das flores raras do meu jardim que tbém perdi, e que ninguém, mas ninguém mesmo poderá substituí-las. Todas eram únicas, raras e especiais ❤️
E o traço maior, que cada uma delas nos deixou embutido, nas lembranças, os torna especiais, pela diferença que cada um traz consigo. Diferenças essas que as marcam em um contexto bem restrito de pessoas. Mas que os fazem ser gente e não um número.
Milton, há quase três meses, passou para o plano espiritual. E, às vezes, conversando com minha filha, que fica indignada com as omissões de certas pessoas perante os protocolos que protegem a vida deste vírus, que levou seu estimado pai e milhares de pessoas pelo país e mundo afora; ou falando com o meu filho, que é mais estudioso da Bíblia, eu fico a questionar o sentido da vida, depois que um ente querido passa para o lado de lá.
A morte é uma viagem sem volta. Tão cheia de mistérios!Tão cheia de dúvidas!! Cada religião vê de uma forma. Há quem a veja como um fim. Outros já veem, apenas, como uma passagem - o fim apenas de uma experiência com determinado corpo. Uns acreditam que depois de mortos serão julgados pelos seus atos, na Terra, e, só assim... vão para o céu, purgatório ou para o inferno, e terão uma vida eterna.
De uma forma ou de outra, a ausência dói muito. E é ela que nos faz reconhecer a importância de sermos mais zelosos conosco mesmo e com o próximo. Só o zelo, a empatia, a gratidão e o amor nos deixam conscientes de que a nossa relação com aquele ente querido valeu a pena.
Pense nisso. A vida é um sopro... quando você menos esperar, lá se foi a sua flor mais rara.
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