quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

A última página - a escrita como ferramenta de cura" -  é um livro biográfico que relata a vida de um ente querido, apresentando sua origem, suas principais ações, experiências, anseios, sonhos devaneios e realizações, bem como, seus legados.

Escrever este gênero, de certa forma, serviu como uma autoterapia para mim durante o luto. Uma maneira que encontrei para expor o que me doía,  o que me preocupava, e o que eu precisava falar, mas não queria contar para ninguém naquele momento.

Nunca gostei de falar de meus problemas e angústias para terceiros, amigos, colegas de trabalho e nem mesmo para familiares. Achava que se eles  não podiam resolvê-los, não precisavam saber. Tinha essa filosofia de vida. Por isso , preferia escrever a falar. İsto é, tinha uma diálogo comigo mesma. E com isso, evitaria mexericos, especulações e julgamentos. 

E, assim, durante os obstáculos e perdas dos meus entes queridos, pais e marido, pude  aliviar,  expressar os meus sentimentos de melancolia e de preocupação.Durante o luto pela morte do meu marido, senti que havia perdido um de meus membros. Era horrível. A sua falta era e ainda continua imensa.

Mas depois que comecei a escrever sobre ele, ou seja, sua biografia em sua homenagem, com o objetivo de deixar  registrada a sua e a nossa história de vida para deixar para os nossos netos, familiares e a todos aqueles que quiserem ler, senti um pouco melhor. Pude focar em algo. Em alguém que não esqueço um só momento. 

Todos os dias, escrevia um pouquinho. Expondo meus sentimentos, minha dor, minha saudade. E depois de dois anos ou menos, o livro estava praticamente pronto. Você também pode escrever. Faça como eu fiz. Não é difícil! Tenho certeza que você será capaz. 


quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

A humanização dos animais e o primeiro neto do vovô Milton

Meu filho casou - se com uma moça, e demoraram ter filhos, quase quatro anos, queriam, primeiro, se afirmar mais profissionalmente. E como moravam longe da gente, nós em Goiás e eles em São Paulo, não podíamos visitá-los tão amiúde.

Mas um dia, saímos de Caiapônia e fomos para o interior de São Paulo visitá-los. Então,  logo que chegamos, conversa vai, conversa vem, meu filho disse para a sua esposa: "Amor, traga o Dommy para conhecer o vovô e a vovó
" rsrsrsrrsr... Milton, meio sem jeito... não sabia desse tal neto, entretanto o aguardou, e para não ser deselegante, fez um pequeno gesto de carinho na cabeça do tal neto, que chegou todo assanhado, pulando, logo subindo no sofá, e deitando bem em cima dos seus óculos.
 E sabe como são filhotes, tudo que vê põe na boca, acabou carregando e mordendo nas astes dos óculos do vovô...E sempre que o vovô deitava no sofá, ele vinha e deitava em cima dos seus pés. Vovô, embora, não estivesse acostumado com aquilo, aceitou.

Milton gostava muito de animais, mas não tinha grande preferência pelos pets, embora, os mesmos fossem carinhosos com ele. Não esqueço que, tínhamos um vizinho de fazenda, que tinha um cachorro que não podia ver a gente passar para a nossa fazenda de carro , para ele ir correndo atrás da camionete. Milton dizia que era o cachorro de dois donos. E como o animal gostava dele! O dono sempre o amarrava para não ir com a gente! Mas era só soltá-lo que ele chegava todo cansado em nossa fazenda.

Milton gostava muito dos suínos, bovinos e equinos. Ficava muitos minutos vendo os porcos se alimentarem, e gostava de ver a farra deles por uma manga que caia do pé. Quando o chão ficava forrado delas debaixo das mangueiras, ele gostava de encher o carrinho de mão, para vê-los se empanturrarem de comer. E um dia, ele jogou algumas abóboras, e dois porcos do mangueiro disputaram uma bem grande, frente a frente, e chegou rindo e me contando que eu poderia estar lá para registrar o momento. 

Pelos bovinos, ele exibia um sentimento próprio do fazendeiro comum - rústico, que queria sempre ter mais!  Ele me dizia: Nilva, quero chegar a tal ano ( futuro não muito próximo) com 500 vacas nelores parideiras. Conseguiu! (Até depois que ele faleceu, pensamos em continuar com a criação de gado da forma que ele fazia. Mas um amigo dele que trabalhava com ele, na fazenda, nos disse; "igual ao Dr Milton será difícil"). 

Gostava muito do gado gir.Gostava de criar cavalos. E pelos equinos, ele preferia àqueles que tinham mais jeito para a lida com o gado, ou seja,para o trabalho no campo. 

 Os animais, sempre, ocuparam um lugar especial na vida do Milton, e também de quase todos nós, há séculos, e hoje ainda mais, não é surpresa para ninguém... E, hoje, os animais de estimação são os mais variados aos mais exóticos. Mas, a meu ver, os pets, ainda, são os mais preferidos. E, hoje, os amantes têm o direito de criá- Los onde quiserem, até mesmo em apartamentos, desde que  os tutores sigam regras e dicas,  que nem sempre os lindos animais conseguem cumprir e agradam a todos. 

E hoje a maioria dos que tem animais de estimação cuida com o maior zelo e carinho; e os mesmos têm uma vida que muitos seres humanos não têm.  Dormem juntos com seus criadores, levam para todos os cantos possíveis, como foi o caso do casal que compartilhou a valsa do casamento ao lado do seu cão. Tem pet que vai para escola. Você acredita? Para desestressar.

E, além de muito zelo, carinho, precisam também de serem educados. E observando uma cena esses dias, fiquei a pensar... e fazendo uma analogia entre a educação das crianças e dos animais, uma vez que  há muitos critérios em comum; e muitos de seus donos não conseguem educá- Los bem, resultando em grandes transtornos. 

Um dia, precisei de uma costureira para arrumar algumas barras de calças e saias; então, minha prima fez a gentileza de me levar em uma costureira de muita referência. Chegando lá, agradei muito da senhora, muito educada e muito simpática. Excelente profissional da costura. Mas fiquei um pouco surpresa com o tanto de pets pelo sofá, tanto os pequenos quanto os grandes. E logo um pet pegou o sapato da minha prima e saiu pelo quintal; um entrou debaixo da minha saia, que era longa e rodada, e ficava brincando com a minha saia. Logo que fui provar uma saia, um dos maiores, entrou no quarto que eu estava, pulou em cima da cama, e da cama pulou a janela. Ah, gente, pensa, no constrangimento, e a senhora não sabia se nos atendia, ou se atendia os seus pets. Assim, pensei, tudo precisa de educação, até os animais, e se não conseguirmos, o sofrimento será de ambos.

E até aí tudo bem. Mas percebo que essa tal humanização exagerada aos bichos, além de causar sofrimento aos animais, aos donos também.E há casos de que, literalmente, a meu ver, passam dos limites. E pelo fato de conviverem tão próximos de nós e serem tão apaixonantes... são vítimas do antropoformismo.

Certo dia, há muito tempo, estava na cozinha, quando morava em Caiapônia, entretida com os preparativos para o almoço, e  ouço a minha vizinha de muro aos gritos: "Eu te mato, menina! Sai de novo para você ver, sem vergonha, se eu não te acabo no chinelo, ainda vai pegar uma barriga aí, sua safada, e vai me dar trabalho". 

E eu de minha casa, não sabendo com quem ela falava, fiquei indignada, achando que teria sido com a filha, e pensei...meu Deus... como  uma mãe tem coragem de falar desse jeito com uma filha...ela tinha uma mocinha de uns 13/14 anos que foi minha aluna, na época. Depois fui descobrir, sua cachorrinha chamava 'Menina'.

Outro dia, liguei para a minha prima, que tem os filhos todos criados, que há muito tempo não sabia notícias dela, e aí perguntando se ela estava bem e tal, ela começou a  reclamar que estava com um problema seríssimo de coluna, porque o Bill, seu cachorrinho, já muito velho, muito gordo, ficara cego, e ela ficava com ele para baixo e para cima, porque o mesmo não conseguia andar. Aí até lhe sugeri. "Por que não compra um carrinho, como aqueles de bebê para ele, se você está sofrendo com esse problema? Ela disse:" Vou comprar". 

Depois, fiquei sabendo que seu Bill havia morrido, e ela quase morreu junto de depressão também. Depois de um certo tempo, conversando sobre a escrita de um dos meus livros, ela me disse que o seu maior desejo era escrever um livro em homenagem ao seu grande amor pelo Bill. 

Outro caso interessante foi de uma bancária aposentada. Eu e meu saudoso marido fomos a um aniversário de um amigo dele, e conversando com uma amiga do aniversariante, que assentou a minha frente; ela dizia que havia trabalhado aqui na cidade, mas mudou-se, e que há muito tempo não passava mais por aqui, porque não podia sair mais de casa, porque o seu Tico, havia sido vítima de um acidente automobilístico e ficado tetraplégico, não andava, e ainda fazia as necessidades em fraldas. Então, não podia sair porque não tinha com quem deixá-lo, e carregar era difícil. 

E como o som do ambiente estava muito alto, a gente acaba ouvindo as falas pelas metades, e comecei achando que era seu filho, depois que entendi que era seu pet de estimação.

E..., sempre, estou vendo, alguém humanizando os animais! E, embora, já tenha praticado alguns atos de muito zelo e amor para com os animais desde os meus dez anos de idade, como: ensinar uma cachorrinha andar, pelo fato dela ter se endurecida... devido o tempo que ficara deitada, viva, mas sem se mexer. Tratar de uma galinha, que quebrara o bico ao cair do puleiro, e, só conseguir comer comida mais pastosa, e, finalmente, cuidar de uma gata que fora atacada por um animal feroz, na fazenda, e ficar arrastando de uma perna.

E, sempre, estou conversando com os meus gatos. Eu tinha um gatinho, que era filho dessa gata que falei,  que era de uma família que morava na fazenda, e quando mudou-se, deixou os gatos - um gato e uma gata com uns seis filhotes. 

E pelo fato de terem ficado lá, meio " a Deus dará", sem se alimentarem, ficaram meio ariscos. A gata, não sei se de fome ou estresse, matou quase todos os filhotes, sobrando apenas um, que tornou-se o mais arisco de todos. É claro, foi o único que escapou da maldade da mãe. 

Sempre, eu ia a fazenda, não o via, ou via só de relance. Às vezes, o chamava, mas não aproximava da gente. De repente, comecei a chamá-lo, e ele foi aproximando mais. E como os gatos têm algumas características parecidas com as dos seres humanos, hein, gente! 

De repente, foi ficando menos medroso e quando eu o chamava, ele vinha encostando nas cadeiras,como  se estivesse com vergonha. Mesmo morando em um lugar que ele não tinha acesso a comida; ele caçava ratos, insetos e passarinhos. Sempre, encontrava penas pela varanda da casa. Era um animal saudável e bonito. 

E sempre que ia lá, não esquecia de levar comida para ele, e chegava falando " venha aqui, eu trouxe comida para vc, Pipoca". Nome escolhido pelos meus netos. Então, ele vinha vindo devagar, pé por 👣 chegando... meu marido ficava encantado com a forma que ele foi se aproximando de mim. 

Lembro- me que o primeiro dia que ele deixou eu passar a mão em seus pelos, ele gostou tanto, que quando saí pelo quintal, ele quase me atropelava, por estar andando, próximo aos meus pés, querendo mais carinho. Às vezes ,até deitava para tocá- lo. Fico pensando...se até os animais gostam de carinho, imagine as pessoas! 

Mas acredito que essa tal humanização exagerada, além de causar sofrimento aos animais, aos donos também. Contudo, assim é a vida, e não podemos negar que os amamos tanto, assim, como um ente humano querido! E aqui lembrei-me de uma outra passagem de um cachorrinho por nome de Boby, que meu filho tinha, quando era menino, e que foi atropelado logo de manhã ao sair pela rua. Meu filho tinha uns 10 anos e chorou muito, ficou muito nervoso com o homem e pediu que o enterrasse no quintal de casa e lhe fez até uma poesia...

Contudo, se você, leitor, leu até aqui... deve ter percebido que, embora, eu tivesse certa admiração pelos animais, não parecia tanto; até que a minha filha adquiriu uma Yorkshire, uma Mini cachorrinha. Linda! Amável! Esperta! Que de tão inteligente, só falta falar. E só agora pude entender melhor por que minha prima sofria tanto da coluna por carregar o seu cachorrinho que ficara cego; porque a ex- bancária não tinha como viajar por causa do seu cachorrinho que ficara tetraplégico e porque a minha vizinha ficava tão nervosa quando a sua pet saia.

Só agora entendi porque as pessoas dormem com eles nas suas camas e suportam o odor de urina em toda a casa e não sente. İsso tudo é o amor pelos pets, que quase se compara ao amor pelos humanos. A gente ama muito esses bichinhos! E como 'são parecidos com gente'!! E quantos cuidados devemos ter com eles!! O mundo animal é um mundo à parte.

Maturidade

Amadurecer...se por um lado, é ruim porque perdemos a juventude, por outro lado, ganhamos experiência e melhor discernimento das coisas.


Quando somos jovens, somos tão indecisos, medrosos, complexados. E isso gera muitos conflitos. Depois de certa idade, não, tudo fica mais tranquilo. 




terça-feira, 5 de dezembro de 2023

Compadres, João Davi e Maria Luzia, boa noite! 

Nós, Eu e Iêda, ficamos muito tristes com a notícia do falecimento do nosso amigo Milton. Para nós foi uma grande surpresa, porque não sabíamos que ele estava com COVID.

Tenho certeza absoluta que todos que conheceram o Milton estão muito tristes, porque ele sempre foi um cidadão honrado, digno, amigo, exemplar chefe de família e uma pessoa animada e alegre.

Lamentamos muito. Aceitem nossas condolências, porque sabíamos da grande afinidade entre vocês. İmagino o que vocês estão passando. Se possível transmita à Viúva nossa solidariedade e os mais sinceros sentimentos.

Se nós pudéssemos fazer alguma coisa, iríamos fazer!!

Dos compadres e amigos,

                  Décio e Iêda 

sexta-feira, 10 de novembro de 2023

O poupador sem vaidade



Milton, segundo ele mesmo, desde criança, quando começou a ganhar o seu próprio dinheiro, “não comprava nem picolé, que era coisa que menino gostava. Economizava tudo que ganhava!” E, depois de adulto, quem o conheceu, concorda comigo, que ele não mudou muito, pois, dava a vida ao trabalho, dedicando à profissão e poupando tudo que ganhava, com o objetivo de conseguir dar uma vida mais digna e segura para nossa família.

E pode com o pouco dinheiro que poupou, quando era criança, como engraxateiro, ajudá-lo nas despesas de cursinho e outras, quando saiu do interior e foi para Capital estudar. (Conseguiu passar no primeiro Vestibular. Fazendo o curso que, sempre, sonhou, estudando a noite e trabalhando durante o dia. “Ser advogado, (ele disse), foi o meu primeiro pensamento, quando tive consciência do que é uma profissão, e uma ciência para estudar, para acompanhá-la por toda vida.” 

Foi um estudioso do Direito. Tinha seus momentos de devaneios e de ansiedade ( quem não os tem?), mas era muito positivo. Sempre, acreditou, piamente, que iria sair da condição que se encontrava. Acreditava que seria possível, se fosse dedicado, não parasse de estudar, e se não estagnasse, e se colocasse, sempre, no lugar de aprendiz - o que não sabia perguntava, lia, para aprender sobre a área que não tinha  conhecimento - empreendedorismo e administração financeira. E por que estou falando disso? Porque para ter sucesso na profissão ou qualquer outro trabalho ou empreendimento requer que seja proativo, equilibrado, persistente, competente no que faz, esperançoso, além de ter humildade para perceber que não sabe tudo, e se não souber algo, poder perguntar ou se preparar cada vez melhor).

E para sair da condição que vivia, Milton era prudente, só comprava o necessário - repetindo, não adquiria o que julgava supérfluo ou desnecessário.
Sempre foi assim! Ficava feliz quando pegava um trabalho advocatício e ia receber um bom honorário, mas em contrapartida não gostava de gastar, com o que não fosse essencial, como já foi dito anteriormente. Aprendeu com os Ricos, com os quais conviveu que: “Ricos não gastam com o que não lhes dão lucro, e nem fazem questão de aparecer”. 

E depois que li o primeiro livro de Robert Kiyosaki e Sharon Lechter - “Pai rico, Pai pobre”; pude entender melhor o que o Milton me dizia. Segundo o best-seller, ricos compram ativos e os pobres compram passivos. Isto é: Ativo - é a compra daquilo que tem perspectiva de renda (um imóvel, algo que valoriza, “que pode gerar dinheiro enquanto dormimos” ou algo que se compra com a intenção de ganhar); e o passivo, não - é aquele dinheiro que vai e não volta mais.

Sobre dinheiro, Milton tinha uma crença: “ dinheiro gosta de quem gosta dele, mas não aguenta abuso “. Às vezes, dizia, quando alguém se excedia nos gastos: “dinheiro de trouxa é matula de malandro”. Quando seus irmãos ou amigos postavam algo caro que tinham comprado ou feito, ele dizia: “Isso é a força do dinheiro”. Economizar para ele exigia certa disciplina básica: primeiro, conhecer a sua realidade financeira ou salarial, não fazendo dívidas acima de suas expectativas e possibilidades, sem saber onde estaria o dinheiro, para efetuar o pagamento, a curto ou longo prazo; e segundo, ter o controle de tudo era essencial! 

Mas disse em um de seus textos:” Sempre, vivi acima dos meus limites: físicos, intelectuais e financeiros. Sempre, me preocupei com o presente, mas com os olhos para o futuro. Preocupado com o bem estar da minha família e com o futuro dos meus filhos “.

Milton não era uma pessoa consumista. Ele só comprava o que, realmente, estava precisando. Às vezes, ele olhava um carro novo, por exemplo, ouvia a proposta do vendedor, ficava até deslumbrado, sabia que podia comprar tranquilamente, mas não realizava a compra. Chegava me falando sobre a expectativa daquela compra, até feliz, e se eu perguntasse:  E Por que não comprou, Milton? Ele respondia: “Só olhei e deixei a vontade passar!!” E continuava: Fico feliz só de poder comprar “. 

Era assim, não comprava nada por impulso, ou seja, sem pensar nos prós e contras, e dar uma pesquisada ou ter uma conversa com alguns dos familiares e amigos que tinham conhecimento sobre o assunto… se aquele negócio compensava, se era algo que valorizaria ou se era um produto comercial. Pensava nessas questões também.

Sabia também aproveitar as linhas de crédito para financiamento que os bancos ofereciam, uma vez que, há grande variedade de opções das mesmas, no mercado, que atendem aos mais diversos perfis de público e às mais diversas finalidades, trazendo conveniência e flexibilidade para pessoas e empresas. Como o FCO, por exemplo. Um Custeio Agropecuário que oferece crédito para cobrir as despesas de produção das atividades agrícolas e pecuárias de empreendimentos situados na região Centro-Oeste, conforme bb. com .br. 

O ruim de quem tem um comportamento poupador é que, a maioria deles, não se preocupa com eles mesmos; deixa de satisfazer algum prazer seu do momento presente, para poder aproveitar no futuro ou pensar na família no momento de uma necessidade. Futuro este tão imprevisível, que não sabe se o viverá ou não! E o Milton não foi diferente, preocupou-se muito pouco com ele mesmo. Tinha muito medo de morrer novo e deixar os filhos pequenos e desamparados. Sempre, me dizia isso, quando nossos filhos eram pequenos! 

Não tinha vaidade com quase nada, nem com casas e nem com carros de luxo; com vestuário, então, raramente, comprava roupas, sapatos e cintos. Tinha um sapato no pé e outro para passeio. Pode acreditar, não tinha mau cheiro nos pés e nem odor nas axilas, pelo fato de não transpirar praticamente nada! Até isso o ajudou a economizar. Roupas se eu não comprasse, ele nem pensaria, dizia: “é a Nilva que compra roupa para mim”. Justificando a sua pouca importância por calçados e vestes. E quando eu levava alguma peça para experimentar, dava um trabalho, nunca achava hora para tal. 

Às vezes, eu insistia para se vestir melhor, ele colocava a mão no peito e dizia: “Eu sou o que sou, Nilva ! “Dizia que não precisava investir em aparência, ele era o que realmente era, e as pessoas já o conheciam. Era muito simples! Se eu lhe pedisse para ir ao mercado, quando chegava em casa, ele apenas trocava a camisa de mangas compridas por uma gola polo, que já tinha usado na noite anterior e saía apressadamente. Fazia tudo muito rápido, quando eu pensava que estava saindo de casa, já estava voltando ou vice-versa. 

E um dia saiu com a camisa gola polo pelo avesso. Peça que tem o avesso bem marcado.Tinha esse costume. E,  se alguém falasse, dizia brincando, que “era para lhe trazer proteção, boa sorte e dinheiro “ e um dia a funcionária do caixa de um mercado lhe avisou que estava com a camisa do avesso, e ele respondeu: “é moda, moça”! E todos que estavam próximos, riram dele, e ele sorria também, e chegava me contando, e continuava com a camisa do avesso. 

Mas sabia que a primeira impressão é a que fica, e que a imagem era importante. Quando mudamos para Caiapônia “ para ele ser advogado “, como ele mesmo dizia, investiu em uns três ternos, calças e paletós, e usou-os por algum tempo,para ir ao escritório e ao fórum; segundo ele, “para passar uma imagem de mais velho e escondesse a cara de menino”. Todavia, algumas pessoas achavam que ele fosse mesmo “bancário”, pois era como os funcionários do banco usavam na época . Depois, deixou os ternos de lado, e optou por um vestuário mais clássico e sóbrio.

Era, no bom sentido da palavra, uma pessoa ambiciosa, que sempre teve como missão transformar o seu desejo de ter uma vida financeira melhor em uma meta de vida. (Quem foi pobre pode me entender melhor o que estou falando, embora, até os ricos quanto mais têm mais querem. Quem aqui não quer ? ). Então, sempre, trabalhou, economizou e administrou o que tinha com este objetivo - vencer a pobreza. Além de ter uma autoestima positiva para chegar onde quisesse, apesar das adversidades, sempre, foi muito esforçado,  dedicado e honesto. 

Não, não era ganancioso. “Ambição é ter disposição para encarar desafios e crescer, alcançar objetivos e realizar sonhos. Já a ganância é aquela vontade de ter mais do que precisamos no momento como se nada fosse suficiente”. Não era o caso dele. Ele já se sentia realizado com o que havia conseguido. “E, acredite, para ter a carreira que tanto sonhou é importante ter um pouco de ambição, pois ela nos impulsiona e nos ajuda a buscar a realização profissional”.  Se não fosse ser como era, não teria conseguido atingir os seus objetivos. 

Nesse assunto, sempre, vamos encontrar os que veem a ambição como algo negativo, caindo no senso comum e confundindo os dois termos. Todavia, quando ela é moderada vira o melhor ingrediente para o sucesso, conforme Equipe Blog Portal Pós.

segunda-feira, 6 de novembro de 2023

Eu posso comprar qualquer um daqueles, mas o melhor na vida é a gente poder e não ter necessidade de ter. 

sábado, 4 de novembro de 2023

O problema é que é possível educar um milhão de modos diferentes de se preparar para a vida. 

Que tipo de competência precisamos ter. O melhor caminho depende onde queremos chegar. Uma vida boa ou uma vida feliz. O que consiste essa vida feliz ou esta vida interessante Se vc sair à rua e perguntar o que caracteriza uma vida feliz.. é possível que vc encontre sutilezas de discurso, nuances de diferença, mas por trás a ideia está vinculada ao sucesso profissional, medido por recompensas econômicas e medido por recompensas simbólicas aplausos, o que a sociedade premia economicamente e simbolicamente não há garantias.

Não eduque as crianças as várias disciplinas especif

Só uma vida alinhada com a natureza de cada um poderá ter uma vida feliz. Uma vida que cada um faz o melhor, segundo os seus talentos. 


domingo, 29 de outubro de 2023

Quanto mais amor temos, mais facilmente fazemos a passagem pelo mundo. 

É preciso lembrar que ele usou o termo interessante. Ele disse interessante contrapõe a 

É indicativo de uma certa....

Mais fácil fazer algo

A ideia é essa...

Pois bem, chegamos na questão da felicidade. Levando em consideração ... nós temos uma propensão 


terça-feira, 24 de outubro de 2023

O dinheiro, o sucesso nos dão uma satisfação apenas momentânea

Nunca vamos sentir pleno. Tudo que conseguimos com essa correria maluca é uma ilusão, mas vamos afastar de nós mesmos. O mundo inteiro vai nos estimular a buscar a paz, a alegria, a serenidade, mas não vêm. 

Olhe a sua volta, todo mundo - bonito, feio, rico, pobre  desesperados. Querendo chegar na plenitude, na abundância. E as pessoas, mesmo depois de terem conseguido tudo que querem, não param de correr. 

Cada um de nós é um ponto focal de consciência.

Terceiro ponto. É a compulsão. Necessidade incontrolável de viver do passado e do futuro. Da memória do aconteceu e que vai acontecer. E nessa correria esquecemos o presente. 

O passado nos dá uma identidade, que cria uma insatisfação. Tanto o passado quanto aquilo que buscamos no futuro é uma ilusão. 


Por que vc não alcança aquilo que vc quer? Porque vc tem um suposição que tudo está no futuro. 
Todos estão perdidos numa busca interminável. Como dizem: O melhor está por vir . A única coisa real é o agora. O futuro é uma ideia na sua cabeça. O futuro é uma ilusão.

Há uma história que precisa se sacrificar no presente para não sofrer no futuro.  Aí vc me pergunta então posso comer doce a vida inteira que não vai prejudicar o nosso futuro. Mas o resultado de tudo que terá no futuro e o que faz agora.

Se vc acha que só será feliz se tiver o resultado. 

O momento presente é mais importante do que o resultado. Não precisa sacrificar o presente pensando no futuro. A sua vida perde a vibração, perde o encantamento, e fica naquela obsessão por algo... 


 


sábado, 21 de outubro de 2023

O meu exercício de cura através da escrita


Diante das mudanças e da perda tão abrupta do meu marido pelo COVID 19, no período mais letal da pandemia, e do desejo de poder fazer algo para acalentar o meu sofrimento, manter meu cérebro concentrado, equilibrar o meu estado emocional e evitar mais adoecimento físico e mental, pensei em escrever este livro, e poder com ele inspirar outras pessoas enlutadas e angustiadas a se autocurarem, também, através da escrita. 

Durante toda a minha vida, usei a escrita como escuta. Do  meu jeito, no meu tempo e na minha hora. Ou seja, no momento que o coração, que a ansiedade, a angústia, a tristeza e a saudade me visitavam. 

E colocando os problemas em palavras e analisando - os por escrito, pude perceber os insights e as perspectivas, que não seriam possíveis de outras formas. Uma vez que, somente, através desse tipo de escuta, de exposição pessoal, podemos nos desabafar e depois de lida fazer a nossa interpretação, a nossa reflexão.

E pouco a pouco,  pude sentir mais aliviada da dor que sentia, do problema que me angustiava, e pude me sentir melhor, encontrar uma resposta e uma saída. Como disse Rubem Alves:"O que as pessoas mais desejam é alguém que as escute de maneira calma e tranquila. Em silêncio. Sem dar conselhos. Sem que digam: "Se eu fosse você..." A gente ama não é a pessoa que fala bonito. É a pessoa que escuta bonito."

 E a escrita, pode acreditar, leitor
( a), desempenha muito bem essa função de cura e libertação de sentimentos e aflições, uma vez que, muitas pessoas não conseguem verbalizar o que sentem, mas conseguem escrever, desenhar ou ilustrar com as palavras. E mesmo que não tenha um destinatário,  você  pode escrever para o seu ente querido que já partiu, como no meu caso; ou para a pessoa que a/ o deixou preocupada ou nervosa (o)por algo, por exemplo. 

 Somente, o exercício  de expor o que você está sentindo pode ajudá-lo (a)  a organizar seus pensamentos e, entender como está pensando e poder  elaborar melhor as situações. Mesmo que a dor do luto  seja eterna, pode ser amenizada. E como disse Fernando Pessoa : " Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir".

E, segundo Lella Malta (2023), cientista social, "as possibilidades das palavras se tornarem ponte para a (re) organização de sentimentos nesta fase dolorosa são infinitas. A escrita ressignifica experiências, alcança memórias, é canal de escuta atenta das dores que carregamos no peito. Ainda que essas dores sejam eternas".

Na verdade, senti que a escrita foi como um combustível, uma vez que, a minha mente permaneceu centrada nele, relembrando tudo que vivemos, suas principais ações e experiências, das mais remotas às mais recentes, bem como seus legados. E se me distraia , me causava também muita dor. Mas pude me reinventar...ocupar o tempo com algo que gosto e que foi significativo para nós.
 
E, como meu marido havia deixado alguns escritos, resolvi digitar todos os seus textos e começar a escrever a sua biografia em sua homenagem, com o objetivo de deixar  registrada a sua e a nossa história de vida para nossos netos, familiares e a todos aqueles que quiserem ler uma história verídica de um ser humano único, trabalhador e esperançoso. 

Um ser humano, que acreditava, sempre, que "ninguém, além dele mesmo, poderia tornar o seu sonho realidade", fazendo jus com o ato de se escutar. Podemos até ter ajuda de um terapeuta, neste momento, mas ninguém pode nos escutar melhor do que nós mesmos (as). Tente! Você também será capaz!! 

 

quarta-feira, 27 de setembro de 2023

A última página....A escrita como ferramenta de cura

              

  "A última página - a escrita como ferramenta de cura" -  é um livro biográfico que relata a vida de um ente querido, apresentando sua origem, suas principais ações, experiências, anseios, sonhos devaneios e realizações, bem como, seus legados.

Escrever este gênero, de certa forma, serviu como uma autoterapia para mim durante o luto. Uma maneira que encontrei para expor o que me doía,  o que me preocupava, e o que eu precisava falar, mas não queria contar para ninguém naquele momento.

Nunca gostei de falar de meus problemas e angústias para terceiros, amigos, colegas de trabalho e nem mesmo para familiares. Achava que se eles  não podiam resolvê-los, não precisavam saber. Tinha essa filosofia de vida. Por isso , preferia escrever a falar. İsto é, tinha uma diálogo comigo mesma. E com isso, evitaria mexericos, especulações e julgamentos. 

E, assim, durante os obstáculos e perdas dos meus entes queridos, pais e marido, pude  aliviar,  expressar os meus sentimentos de melancolia e de preocupação.Durante o luto pela morte do meu marido, senti que havia perdido um de meus membros. Era horrível. A sua falta era e ainda continua imensa.

Mas depois que comecei a escrever sobre ele, ou seja, sua biografia em sua homenagem, com o objetivo de deixar  registrada a sua e a nossa história de vida para deixar para os nossos netos, familiares e a todos aqueles que quiserem ler, senti um pouco melhor. Pude focar em algo. Em alguém que não esqueço um só momento. 

Todos os dias, escrevia um pouquinho. Expondo meus sentimentos, minha dor, minha saudade. E depois de dois anos ou menos, o livro estava praticamente pronto. Você também pode escrever. Faça como eu fiz. Não é difícil! Tenho certeza que você será capaz. 


O político fica muito exposto. E a exposição é dolorida.

terça-feira, 26 de setembro de 2023

A mulher, cuja filha é médica, chegou. 
Cujo/ cujo / cujas e cujos indicam posse. 

Ela é a mulher sobre/ de cuja vida falávamos 

A casa onde moro pegou fogo 

1- Está e a cidade  por cujas..... ruas andeil

Aquela foi a situação..a que.. me referia

Maria é a autora.com quem ... ideias me identifico

Jonas é o homem.. sem o qual..nada disso seria possível

A comida...da qual. mais gosto é a japonesa

Rafaela é a mulher.por quem / por cuja...vida rezei 1

segunda-feira, 25 de setembro de 2023

Com a morte abrupta do meu marido, e com o intuito de fazer  algo que pudesse diminuir o meu sofrimento, amenizar um pouco a sua falta e manter meu cérebro concentrado para não ficar, somente, presa aos problemas e pensamentos ruins; pensei em escrever.

A escrita foi um grande canal de escuta para mim; atenta às minhas dores e aos desafios que a vida nos trazem melancolia e preocupação.Foi uma verdadeira autoterapia, uma companhia que me escutava, e me ajudava a sustentar a minha vida, quando meus entes queridos foram embora. 

Principalmente, quando meu saudoso marido faleceu.E a minha mente permaneceu centrada nele, relembrando tudo que vivemos juntos - suas principais ações e experiências, das mais remotas às mais recentes, bem como seus legados.

E se me distraia, me causava também muita dor. Mas pude me reinventar...ocupar o tempo com algo que gosto e que foi significativo para nós. E poder, talvez, ajudar a todas as pessoas que perderam seus entes queridos, assim, como eu, curando da ansiedade e da depressão.

Invente, tente... você também pode se auto ajudar e ajudar a sua família a passar por esse momento tão doloroso do luto, com mais aceitação..

quinta-feira, 14 de setembro de 2023

O luto Fabrício Carpinejar

São duas mentiras sociais. A Primeira 
que o luto tem data de validade. Não tem. Você vai ter o luto por toda a vida. 
Vai ajeitar aquela dor para doer menos. Mas vai levar a dor para o trabalho. A dor a passear, a dor para viajar. A dor vai junto. 

A segunda mentira é que com o tempo dói menos. Não dói. No luto, a felicidade muda. Porque quando vc consegue ser feliz, esquecer um pouco tudo que aconteceu, a felicidade é engolida pela saudade. Vc está feliz e pensa: como meu ente querido ficaria feliz se estivesse aqui. Vc modifica seu olhar depois de uma perda. Vc não tem como voltar a ser como antes. 

quarta-feira, 6 de setembro de 2023

Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida. Quando vejo retratos, quando sinto cheiros, quando escuto uma voz, quando me lembro do passado, eu sinto saudades. 
Sinto saudades de amigos que nunca mais vi, de pessoas com quem não mais falei ou cruzei

quinta-feira, 31 de agosto de 2023

A filosofia tem como objetivo indagar/  problematizar / avaliar/investigar /analisar/ buscar origens de  ideias de preconceitos, de crenças limitantes, de fatos, práticas, costumes , valores, conceitos, princípios e causas; libertando e levando seres humanos a refletirem sobre as ideias do senso comum. 

quarta-feira, 16 de agosto de 2023

Eu mereço me mudar completamente.
Eu mereço paz.
Eu mereço confiar em mim e no fluxo da vida.
Eu escolho acreditar que a vida coloca na minha frente para eu mudar completamente.
Eu escolho me amar.
A vida coloca oportunidade na nossa vida para transformar toda a nossa vida.

segunda-feira, 14 de agosto de 2023

O Milton tinha sempre um lema ou um propósito: Quero chegar tal tempo com 500 vacas parideiras...

sábado, 12 de agosto de 2023

Pensando bem
Temos pouco tempo
E vamos deixar a melhor idade
Não é muito fácil envelhecer

Temos menos tempo para tudo

quarta-feira, 9 de agosto de 2023

sexta-feira, 4 de agosto de 2023

Geração

Estamos sobrevivendo
Meio a uma geração conectada 
Realista, prática e pragmática 
Avessa ao extremismo e à polarização 
De muitos padrões, crenças e pressões.

Uma geração moderna 
Solitária por preferir 
De rostos inexpressivos, tristes 
İnjetados, repuxados "pela beleza"
E pela subtração do tempo 

Uma geração desapegada a posses
Que foi educada para ser eficiente
Realizada, preparada para a vida 
Mas não é uma coisa e nem outra 
E  também não é contente.

Uma geração que prefere 
As relações virtuais as pessosis
Que tem grande energia 
Para pensar, criar e inovar
Mas no trabalho prefere
No aconchego do lar.

São sujeitos em dois tempos
Cheios de contradições
Enquanto uns consomem tecnologia 
Outros não vivem sem terapia.  

Enquanto uns vivem no quarto
Outros só vivem em grupos.
Enquanto a inteligência artificial sobe
A humana desce 

Apesar de ricos em possibilidades 
Escolhem descer, em vez de crescer.
Eta vida complicada, Meu Deus! 

quarta-feira, 2 de agosto de 2023

quinta-feira, 27 de julho de 2023

Depois de tantas etapas, depois de tantas anotações, conversas, prazos, começos e recomeços... 

segunda-feira, 24 de julho de 2023

A cronista e eu


De Marta Medeiros ao filósofo Contardo Calligaris ao Papa Francisco, Clóvis de Barros, Maria Homem e Edgar Allan Poe....


Lendo uma crônica de Marta Medeiros intitulada "O que será de nós" - a autora relembra a obra do saudoso escritor e psicanalista Contardo Calligaris,  dizendo que a sua perda a deixou com um grande sentimento de orfandade, pelo fato do mesmo lhe ter sido, “como um farol, rumo à sua maturidade”. 

E enquanto lia, fiquei a pensar e a fazer algumas analogias - pensando na sua dor, pensei também na minha, inclusive no meu percurso quanto à minha maturidade. Casei tão jovem, e foi através da convivência com o meu marido que me amadureci plenamente. Como disse o papa Francisco, " o  matrimônio é um trabalho de ourivesaria que se constrói todos os dias ao longo da vida. O marido ajuda a esposa a amadurecer como mulher, e a esposa ajuda o marido a amadurecer como homem. Os dois crescem em humanidade e esta é a principal herança que deixam aos filhos", acrescenta.

E como um ourives, fomos sendo lapidados, um modelando o outro, até tornarmos estes dois seres que você, leitor, acabou de conhecer com esta biografia - de um lado o biografado e do outro lado quem a escreveu. É claro que para chegar a este resultado final, cada um teve que passar e usar de técnicas que foi aprendendo com o tempo,  com a convivência a dois e com a vida; assim, como um pai e uma mãe quando estão educando os filhos — que, hoje, embora, ainda não tenham fórmulas prontas, existem mais informações do que antigamente. Então, naquele tempo, somente, com muito amor, sabedoria,  resiliência, equilíbrio ao lidar com os obstáculos, com os ciúmes, com os mal entendidos, etc. 

Não é muito comum encontrar ourives capacitados nesta arte do amadurecimento,que não dêem o seu testemunho de que só com a prática, que advém do tempo para terem a certeza de que o trabalho ficou ao gosto de cada pessoa. De cada família. Como eu disse, casamos muito jovens, construímos a nossa família também muito cedo, mudamos de cidade, fomos morar longe da família, e tudo isso contribuiu para o nosso sofrimento e também o desenvolvimento da nossa maturidade emocional, nos deixando, a cada dia, melhores, mais resignados, mais resilientes e menos ansiosos.

 No final das contas, como disse o professor e filósofo Clóvis de Barros, citando Edgar Allan Poe: " nunca ter sofrido é nunca ter sido abençoado". "E ser abençoado é uma graça de Deus. E Deus é amor. E aquele que é abençoado, recebe ajuda, mudando o seu estado anterior para melhor. E, segundo o filósofo, Edgar Allan Poe afirma de pé junto, peito aberto, que o sofrimento é ou pode ser uma benção importante. Tão importante que sem ele as outras bençãos perdem o seu valor. Nunca ter sofrido, é nunca ter sido abençoado. A benção pressupõe algum sofrimento. O sofrimento nos permite crescer. Nos faz pensar que talvez seja condição, inerente a vida, e possamos alcançar por intermédio de caminhos difíceis, tenebrosos, que nunca vêm desgarradas de sofrimento. Portanto, embora, pareça estranho, "nunca ter sofrido é nunca ter sido abençoado". 

E nessa matéria de sofrimento, posso dizer que sofremos bastante. Foi  preciso que ambos estivessem preparados para lidar, mais do que nunca, com os defeitos do outro. Vida a dois é para quem ama mesmo!  


E, com certeza, fomos abençoado por 42 anos juntos.Vivemos quase meio século juntos, dentro da mesma casa! Na mesma mesa do café da manhã, do almoço e do jantar, no mesmo sofá, na mesma cama! Na fazenda...na cidade...Do amanhecer ao anoitecer. De janeiro a dezembro.  Muito raramente, viajávamos sem o outro. E isso foi uma verdadeira benção. Construímos uma família abençoada. Frutos do nosso amor. 

Na verdade, a gente vive muito mais tempo com o marido ou com a esposa, ou com o (a) companheiro (a) do que vivemos com os nossos pais. Por isso, quando se perde um ente querido, a gente perde o rumo de viver. Como disse Fabrício Carpinejar: "Até você entender, aceitar o que aconteceu leva tempo. Você precisa de tempo para digerir, e um longo tempo! Porque nós somos apegados". 

Morreu um ente querido... você pode tirar tudo que lembra dele, suas roupas, seu chapéu, seu carro; todas as suas fotos, todos os porta-retratos. Todos os seus livros, todos os seus discos. Mas a sua imagem vai estar "espalhada nos seus hábitos". 

E é verdade! A lembrança daquela rotina nos traz de volta em tudo. No noticiário da manhã, no café quente após o almoço, na sesta no sofá da sala de TV, ouvindo os programas da TV Senado, ao ouvir um toque de violão no começo da noite... Tudo nos faz recordar. Até quando vemos um carro parecido com o que era dele na rua, quando encontramos casais.  Quando temos um problema para resolver, decidir. Era ele que decidia quase tudo sobre os negócios, e agora não tê- lo mais, nos traz muita insegurança. Até quando viajamos, ele vai junto com a gente! A sua falta é constante. E a vida, para mim, a cada dia, vai tornando mais desinteressante. 

E quando perdemos o "interesse" pelas coisas, ou seja, pela vida, parece que tudo perde a graça, inclusive, até a esperança. Felicidade não existe. E em uma das passagens da cronista, ela relembra uma das frases mais conhecidas do psicanalista, que é: “Melhor do que ser feliz é ter uma vida interessante “.  

E, eu fiquei a me perguntar: O que seria, na verdade, ter uma vida Interessante, que fosse melhor do que ser feliz? Você tem ideia,  leitor (a), se todo mundo busca essa tal felicidade a qualquer preço, e já não tem prioridade nesse contexto? 

Para melhor analisar essa questão, primeiramente, é preciso lembrar que ele usou a expressão "vida interessante" contrapondo com a ideia de " vida feliz". E fiquei a indagar...de que consistiria essa vida interessante? O que estaria vinculada a essa ideia? Que tipo de competência precisamos ter? Sucesso profissional?Recompensas econômicas? Aplausos? Status? Tenho certeza, leitor (a), que você deve ter pensado em outras hipóteses que lhe deixariam a sua vida também mais interessante...  

Mas, para melhor significar e  pormenorizar o vocábulo “interessante”, e poder trazer para você algo bem particular do termo usado - "por que uma vida interessante pode ser melhor do que ser feliz", resolvi recorrer ao dicionário Google, primeiramente, para depois ler a entrevista de Contardo Calligaris. 

Vamos lá? Então, vejamos:  “İnteressante vem do Latim INTERESSANS, de INTERESSE, “ser de importância, fazer diferença”, literalmente “estar entre”, de INTER, “entre”, mais ESSE, “ser, estar". 

E algo 'interessante'significa: intrigante, legal, incomum, notável, raro, surpreendente, singular, agradável, cativante, encantador, adorável, atraente, fascinante, divertido, envolvente, afável”. Isto é, importante e diferente. 

Uau! Logo pensei e concluí, que uma vida, assim, com esses adjetivos, é a ideal. É a perfeita! Com certeza, inconscientemente, ou não, deve ser a vida que a maioria das pessoas busca. Imagine comigo , leitor(a),ter uma vida, sempre, divertida, surpreendente, cativante, encantadora, atraente e envolvente? Pelos vocábulos, percebemos que  é tudo que sonhamos - uma vida, assim, não iria cair na rotina, no desânimo, no tédio e tristeza nunca! 

Todavia, leitor ( a), o próprio significado dicionarizado já não nos dá tantas “garantias de ser tão fácil”, uma vez que, a construção de uma vida interessante é algo “raro “, “diferente”, “incomum “, “estranho”, “esquisito”. E, segundo Martha Medeiros, Contardo defendia a vida “como a construção de uma trajetória individual autêntica, com experiências variadas, bem diferente da felicidade fabricada com fórmulas de obediência social".


 E pensei… aí mora também um outro problema, porque, hoje em dia,  até para ter "uma vida autêntica diferente da felicidade fabricada " está cada vez mais difícil; principalmente, por convivermos em uma sociedade intolerante às diferenças, “ao passo que deixar passar algo sem qualquer filtro, também possa ser desgastante e deselegante”.  E, hoje, podemos perceber que a felicidade é fabricada. Segundo Contardo, é muito mais um ilusão mercadológica, uma vez que, ao mesmo tempo, que a satisfaz, satisfaz também um sistema econômico, o capitalismo moderno e o desejo das pessoas que não esgota nunca. 

Por exemplo, alguém diz: o dia que você tiver aquela casa, aquele carro, aquela fazenda, aquele corpo, ter feito aquela viagem, você vai ser feliz. Você coloca essa crença em sua cabeça... mas depois que você conquista, percebe que foi puríssima ilusão. 

Sempre, quando você conseguir algo, você vai desejar outra coisa, e aquela  que você conseguiu já perde o seu valor. De tanto ver embaça os olhos.  Como disse padre Antônio Vieira, basta que as coisas sejam experimentadas para que não sejam as mesmas, descobre os defeitos, os encantos, etc. Sempre assim. 

E com isso, como disse um padre da minha cidade, na homilia de domingo, vamos perdendo a nossa essência, com fórmulas de obediência social ”, que o psicanalista fala, bem o modelo que estamos vivendo, hoje, infelizmente. Onde quase tudo é feito no coletivo e muito pouco no individual. Como diz: tudo de manada. Se alguém está fazendo isso, postou no Instagram ou Facebook, preciso fazer também. De olho, sempre, nas redes sociais, onde tem peso maior para muitas pessoas, por  incrível que pareça, mais do que a opinião de alguém da família. Aumentando a percepção de comparação e de “vida idea1l” para jovens e adultos, e até para as crianças. 

 E, embora, a psicologia nos pregue a importância de nos arriscarmos mais, fazer as nossas próprias escolhas, ou seja, aventurarmos mais. etc; o psicanalista, durante uma entrevista, nos dá um exemplo dele próprio : "Eu, pessoalmente, fui mais por esse caminho. (caminho esse da aventura) Mas o preço foi muito alto". Ele relatou que como morava em outro país não pode chegar em tempo de ver seus entes queridos quando morreram e não teve tempo de ver o seu filho crescer. Assim, como o Milton dizia: "fazer o que quer também pode dar problemas".

E com isso, sinto que a cada dia, o estado de insatisfação das pessoas do meu convívio ou não, da maioria dos brasileiros, vem aumentando, assustadoramente; fazendo do Brasil o país mais insatisfeito do mundo, conforme leituras de pesquisas. Principalmente, num país com distâncias sociais tão grandes, com a felicidade, a autoestima e até a esperança fabricadas. Basta acessar as redes sociais como: Instagram, Facebook e outras para constatarmos a enxurrada de celebridades, influenciadores e outros.

 Que sem pensar no mal que vêm nos causando, mostrando uma vida somente de prazeres e ostentação x desfavorecimento de muitos do outro lado da tela, com imagens de rostos e corpos também fabricados, enquanto a tristeza, os problemas, a desesperança,aqui e agora, do outro lado ou de ambos (muitas vezes, esse querer aparecer pode ser carência de algo por algum ângulo de suas vidas) e, desse modo, vêm contribuindo para o nosso enfastiamento e a perda do gosto por tudo. Depois da Pandemia, mais ainda, com a perda de centenas e centenas de pessoas. 

Mas, voltando ao assunto de ter uma vida mais interessante do que feliz; para Contardo, "significa viver plenamente. Isso pressupõe poder se desesperar quando se fica sem alguma coisa que é muito importante para você. É preciso sentir plenamente as dores: das perdas, do luto, do fracasso. Eu acho um tremendo desastre esse ideal de felicidade que tenta nos poupar de tudo o que é ruim." 

E ele tem razão, a realidade é dura, e viver na ilusão de que felicidade é ausência de problemas é mesmo um tremendo desastre, porque uma vida assim não existe. Por isso, esta foi uma das suas respostas ao entrevistador, veja: 

"Para ser feliz, enfim, o segredo é não buscar a felicidade?

Contardo Calligaris: Isso eu acho uma excelente ideia. A felicidade, em si, é realmente uma preocupação desnecessária. Se meu filho dissesse "quero ser feliz", eu me preocuparia seriamente.

Preferia que dissesse o quê?

Contardo Calligaris: Só gostaria que ele me dissesse: “Estou a fim de…" A partir disso, qualquer coisa é válida. O que angustia é ver falta de desejo nas pessoas, em particular nos jovens. Agora, se ele está a fim de algo, mesmo que isso pareça muito distante do campo do possível dentro da vida que leva, eu acho ótimo.

E a felicidade, a meu ver, uma simples professora, que de repente virou escritora, é um estado de espírito. Repetindo: A felicidade é um estado de espírito. Isto é, é uma característica. Uns a têm, outros não. Assim, como o bom humor, o sorriso, a sabedoria, a resiliência, a empatia, a desenvoltura para resolver as coisas, a liderança, etc. Você pode pensar diferente, mas eu penso assim, e a convivência com os meus alunos, familiares foi me certificando desse conceito. Nem todas as pessoas são felizes, podem ter momentos interessantes.

Continuando com a leitura da crônica, à medida que lia, fui fazendo também as minhas reflexões, fazendo uma coautoria também com a autora do texto, fui buscando outras informações. E me deparei com um  diálogo publicado por Maria Homem, esposa do psicanalista  que também é psicanalista, em que ela conta algumas conversas íntimas entre os dois ( o casal), de vários momentos diferentes do relacionamento deles; que ela falava brincando com o esposo, quando o mesmo ainda estava bem de saúde : "o que seria de mim sem você?" (Ou seja o que seria dela sem ele), e, segundo ela, ele respondia: " Vai ser o que você quiser".

E, depois que a doença o levou, a pergunta e a resposta ganhou um aspecto trágico e assombroso para ela. (E eu fiquei, uma simples professora aposentada a analisar o diálogo de dois psicanalistas renomados. Assim, como se dissesse para uma pessoa leiga e estranha até, a meu ver: Você será a dona de seu nariz . Da sua liberdade. De sua vida. A escolha é sua. O risco é seu. A responsabilidade é sua. Você que sabe!! Entregando a responsabilidade de sua própria vida para ela). 

E é bem assim que acontece, quando perdemos um ente querido, que nos dava segurança emocional, não temos outra escolha, que não seja a de enfrentar a vida com muita ansiedade, medo e muita responsabilidade também! Não temos com quem contar, para, pelo menos, nos dizer "isso passa". Filhos, parentes não substituem. Acredito que ninguém poderá substituí-lo.

“E ser o que quiser ", de certa forma, embora, passe uma ideia de liberdade para muitas pessoas; para mim, no momento, não! Acredito que está em jogo, não só o que passa pela  nossa cabeça, estão ali presas as crenças da educação que nossos pais nos projetaram, as pessoas com as quais convivemos, as nossas dependências físicas e emocionais , e até o nosso caráter. 

Não é fácil!  Eu pensei que com o tempo poderia sentir menos falta do meu saudoso esposo, mas parece que cada dia aumenta mais. Não vou negar para vocês para dar uma de forte, há dias, que penso que não vou resistir. 


Óleo da semente de sálvia mexicana para o intestino. Combinação dos ingredientes  "Pura Flora". 
Frascos do Pura Flora 

sexta-feira, 21 de julho de 2023

Por acaso

Por acaso
Num dia que não estava programado
Para eu nascer... eu nasci.

Por acaso 
O primeiro curso técnico
que fiz... não trabalhei.

Por acaso 
Sem saber quanto tempo viveria 
Aquele amor com você ... Casei 

Por acaso
Sem ainda saber ser pai e mãe 
Nossos filhos nasceram 

Por acaso
Jurando fidelidade para o resto da vida
Você me traiu e eu o perdoei.

E por acaso
Num dia que nunca imaginaria
Que Deus teria escolhido
Você partiu... e eu fiquei.



terça-feira, 27 de junho de 2023

Aceitar a ausência

Minha amiga perdeu o seu pai nesta semana
Ela não sabia como reagir, ninguém sabe reagir 
Ela está entendendo que a data do óbito é diferente da data de despedida 
Demoramos muito tempo para aceitar amorte de um pai, de uma mãe ou de um ente querido.
Demora
O Luto é uma luta 
Para reconhecer a ausência ou a presença que nos restou
Após ler um livro de quem a gente tanto amou, vem aquele mal estar, aquele desencanto _ a gente volta as páginas para gente encontrar as páginas sublinhadas.
A dor é isso
Nunca ser o contemporâneo dela
Vai doer tempos após ter iniciado 

"Até vc entender, aceitar o que aconteceu leva tempo. Você precisa de tempo para digerir, e um longo tempo. Porque nós somos apegados. 

Morreu um ente querido vc pode limpar o quarto, esvaziar o guarda roupa, deserdar todas as gavetas, esvaziar tudo o que tem ali dentro, mas vai ter ainda a sala, a geladeira, a cozinha. 

Qualquer coisa vai lembrar dentro de casa. Porque uma pessoa nunca está concentrada apenas no seu quarto. Ela está espalhada pelos hábitos".

Amor bom é amor velho

Assim foi o nosso amor
Como calçado novo e velho

Quando se é novo é bonito! Mas pode ser  apertado, não é cômodo e pode nos machucar, deixando nossos pés calejados.

Agora, calçado velho, não! Embora, seja surrado e bem ajustado aos defeitos dos nossos pés, calça mais leve, é mais macio e confortável. Sem falar no equilíbrio que pode nos dar. É maravilhoso!!

Assim foi o nosso amor, aos poucos, ele foi se adequando ao mundo dos casais perfeitos.

E ficou do jeito ideal
Sereno, perfeito, amável 
Como sapato velho
Morreu e deixou muita saudade









domingo, 25 de junho de 2023

De manhã: 
1-ver se consigo trocar a saia da Nalygia

2- ir na farmácia comprar o restante dos remédios da Nalygia

3- levar a mala com as roupas dela para lá

4- depois do almoço ir à dentista.

quarta-feira, 21 de junho de 2023

Saudades de um tempo assim



Saudades do tempo que alguém me dizia: "é só uma fase, tudo vai passar”.  Era como se ele segurasse em minhas mãos, e eu pudesse despreocupar.

Saudades de quando meus filhos eram pequenos, leves, soltos, que ainda podíamos a vida deles administrar, e eles não tinham propósito de vencer na vida e nem de com ninguém se comparar.

Saudades do tempo que tínhamos muita esperança, e tudo que ouvíamos nos Jornais poderíamos acreditar. Não existia tanta notícia, que vinha do mundo inteiro para nos globalizar.

Saudades de um tempo que a informação era só a recebida pela experiência e não precisávamos de preocupar com Alzheimer,com o vírus, com o clima, com a imagem e nem de não nos amar. 

Saudades de um tempo em que se um aluno nos desrespeitasse, a gente o colocava para fora, chamava o diretor e tudo era resolvido por lá . 

Saudades do tempo que as horas demoravam a passar. Não tinha as tais redes sociais, a gente conversava na porta da rua com os vizinhos, com os amigos ou familiares para se relacionar. 

Saudades de um tempo que a sociedade não tinha a filosofia de descarte. Tudo durava a vida inteira. Ninguém se preocupava em trocar por algo novo ou em inovar. 

Não tínhamos preconceito com a idade, não havia comparação entre esse ou aquele, mais culto, mais viajado e nem entre aqueles que acham que com o dinheiro tudo pode comprar.

Saudades de um tempo que não havia tanta preocupação com a aparência, tudo era de acordo com o tempo, não buscava tanto o contorno corporal e nem a harmonização fácial. 



Passageiros do tempo

Entre uma trajetória e outra, vamos vivendo meio mecanicamente - dormindo, acordando, trabalhando, estudando, voltando para casa - e sem nos preocupar quando será o nosso fim derradeiro, vamos repetindo o nosso modo insatisfeito de viver .

Somos, apenas, passantes desta vida 
morosa ou vivida com muita rapidez.
Sem muito esmero com o tema
da existência, da resiliência e não prevalência das coisas, nem sempre
mentirosas, nem sempre explicitas e nem sempre verdadeiras...

Vamos vivendo, apenas, por viver.
ora entristecendo, hora se alegrando e sobrevivendo a muitos protocolos, com o objetivo de melhor viver, tirando nossas próprias conclusões da nossa existência, dos nossos medos tão corriqueiros

Mas vamos sobrevivendo meio a tantas ondas, tantas expectativas, tantas tempestades e reações impulsivas 
tão certeiras. E na travessia, esquecemos da luz, da liberdade e da vida que sempre sonhou e pouco viveu.

A vida vai nos transformando
Com as perdas e ganhos
E nos ensinando a viver
Apesar da tristeza e da dor
E de falta de força para viver. 

Da dor da vida e da partida...  
"Vida que é trem- bala, parceiro
E a gente é só passageiro
Prestes a partir".

E nesse componente misterioso 
Precisamos  ter esperança
Sacudir a poeira e reerguer 
E apossar novamente
Da própria vida... e viver




quarta-feira, 14 de junho de 2023

Precisamos aceitar que em nossas relações tem mais diferenças do que semelhanças, por vários ângulos, tanto comportamentais quanto de caráter, formas de verem as coisas, de aceitar as coisas, enquanto não aceitarmos o outro do jeito que ele é,  não seremos felizes. Mas não é fácil aceitar Pessoas que querem ser francas demais, verdadeiras demais, mal educadas demais, impulsivas demais, e as pessoas começam a tratalas da mesma forma. A educação assim como o amor é recíproca. Se eu sou educada, as pessoas são educadas comigo.l
"Os momentos difíceis não são para nos punir de nada. Os momentos difíceis são para gente evoluir. Para gente aprender . E mais, ainda, para a gente descobrir quem são nossos verdadeiros amigos, quem são nossos verdadeiros amores. 

Quem está com a gente para nos apoiar ou quem está com a gente só para tirar proveito ou utilizar a gente como trampolim. 

Então, nunca se esqueça disso, preste atenção nos momentos difíceis - quem esteve e quem estará com você. İsso faz uma diferença absurda". Tik Tok a mente.positivaa. mensagens _ kardecistas. 


quarta-feira, 7 de junho de 2023

Homenagem ao vovô Milton - Daniel

Eu sou o Daniel Chiquitin Moraes Ferreira, primeiro neto da vovó Nilva e do vovô Milton. A vovó Nilva era professora, mas está aposentada; porém em alguns trabalhos de Português, ela me ajudava, quando eu não conseguia fazer. O vovô Milton era advogado e fazendeiro. 

 Meu avô tinha duas fazendas, mas eu gostava mais de ir na Fazenda Morro de Mesa, pois lá era muito grande e tinha bastante animais, e eu adorava andar a cavalo na garupa com o meu pai ou com o meu avô.  Andávamos pelos pastos para ver se tudo estava normal...Parávamos um pouco para ver as vacas, depois voltávamos para a casa da fazenda.

Na fazenda, sempre, tinha paçoca de amendoim, feita por Orlene, a funcionária da fazenda. Eu e meu irmão gostávamos muito. Eu também adorava o caldo de cana que fazia lá. Eu gostava de ver meu pai e o meu avô colocando a cana para ser espremida no engenho. E a minha avó pegava o balde de garapa, coava para não deixar fiapos do bagaço. 

Lá, eu também adorava dar milho para os porcos com o meu avô. Eu e o meu irmão Lucas, todos os dias, e às vezes quando dava, a gente ia também pescar com o vovô...Sempre, eu e meu irmão no colo do meu pai ou do meu avô, e o meu avô ia nos ensinando a pegar o peixe. E a minha avó ficava com o celular filmando e tirando fotos da gente e da paisagem. Minha avó adorava tirar fotos da natureza. Às vezes, quando tinha tempo ou folga, a tia Ná ia para fazenda com a gente.

Depois, a gente ia embora da fazenda para cidade - Caiapônia - Go, onde meus avós moravam. Um dia ou dois dias depois, voltávamos para Marília - SP, onde moramos. Fazíamos isso todos os anos, nas férias de julho, íamos para a fazenda do vovô, e era bem divertido.

Porém, como se diz aquele ditado
 " nem tudo são flores", no começo de 2020, veio a pior pandemia global que eu já presenciei em toda a minha vida, o COVID 19, que logo já estava espalhado pelo mundo afora, chegando o primeiro caso no Brasil. Logo que fiquei sabendo, fiquei preocupado, mas em minha mente, não ia se espalhar tanto, porém estava totalmente enganado, e a cada dia que passava, aparecia mais casos. 

Eu estava cursando a quinta série, e a minha mãe ficou muito preocupada comigo. Um dia, eu acordei e perguntei a minha mãe "por que ela não havia me chamado para ir à escola", e ela me disse "que os casos de COVID haviam aumentado bastante, então, era perigoso, precisaria ficar em casa". Nisso, eu lembrei que tinha um trabalho de Ciências, que era um foguete que eu havia feito com garrafa pet, para ser entregue e apresentado para a minha turma, e que tinha deixado na escola. Mas como não fui à aula, não pude apresentá-lo. 

Logo, meus amigos também começaram a não ir... Depois, a escola mesmo informou aos pais da decisão de paralisar com as atividades escolares, pois a pandemia já estava fazendo estrago demais, causando mortes, e eu e a minha família precisaríamos ficar em casa de quarentena...

No começo, eu estava até gostando de ficar em casa, porém eu não podia chamar os meus amigos para irem a minha casa, e eu não podia ir na casa deles. E, por isso, com o passar dos dias, eu fui ficando entediado, e meu pai já há alguns dias, não estava indo ao trabalho também. Enquanto meus avós estavam na fazenda isolados da cidade, com bastantes suplementos para conseguirem se manter o maior tempo possível lá, e ir menos vezes na cidade. 

Nesse período, começaram as aulas online, e eu podia ver minha turma por alguns meses, apenas, pela tela do notebook da minha mãe, e foi bem legal, todavia, teve aula até, nas férias, devido alguns dias anteriores sem aula.

Depois de alguns meses, meu avô e minha avó pegaram COVID 19, e meu pai ficou muito preocupado, pois meus avós não estavam vacinados, pois a vacina, ainda, não havia chegado na cidade e nem na faixa etária deles. Só o meu pai, por ser médico, foi o primeiro da família a ser vacinado pela astrazeneca.

Passando alguns dias, minha vó estava melhor da COVID 19, mas o meu avô estava no hospital. Meu pai foi visitá-lo, para ver de perto, se ele estava bem e poder cuidar dele. Passaram alguns dias, o meu avô já estava quase recebendo alta, porém voltou a piorar. Meu pai foi novamente para Goiânia, pois ele fora entubado em estado grave. 

Eu e a minha família fomos pra Goiânia e ficamos na casa da minha tia, irmã do meu avô, por uns três dias. Durante esses dias, todos iam ao hospital, menos eu e o meu irmão. No terceiro dia, fomos embora. Meu pai precisava trabalhar. Durante a viagem, recebemos uma notícia de que meu avó havia melhorado um pouco, e ficamos bastante felizes. 

Mas passaram alguns dias, meu avô teve um ataque cardíaco, os médicos tentaram reanimá-lo e teve sucesso. Outro dia, teve de novo, os médicos tentaram, novamente, mas sem sucesso, seu coração não foi reabilitado e meu avô veio a óbito. A hora que fiquei sabendo, não acreditei, pois não estava preparado para receber tal notícia. 

Então, liguei para o meu pai, que estava em Goiânia, e ele chorando me confirmou que meu avô não estava mais na terra. Na hora desabei... até tinha compromissos com as aulas, mas não fui, estava muito triste com essa situação. 

Porém, minha mãe falou que havia chegado a hora dele partir, e mesmo se o vovô estivesse vários outros sonhos para serem realizados; só até aqui, ele já tinha deixado um legado gigante - foi um ótimo profissional, criou uma ótima família e teve uma ótima esposa. 

 A vida é passageira mesmo e temos que aprender com ela... Meu avô deixou muitas coisas - algumas vou guardar de lembranças. As coisas maiores - os bens materiais, meu pai e minha avó estão cuidando. 

A vida começa e uma hora ela acaba. Aqui termino a minha fala em homenagem ao meu avô, que fez a diferença na minha família. 


terça-feira, 6 de junho de 2023

O Milton era muito natural - transmitia credibilidade, energia e entusiasmo por onde andava 

Demonstrava autoridade pelo que fazia, pelo que viveu, através da sua experiência, de seus estudos, trabalhos, etc.
  Era coerente com aquilo que pregava. Dizia que fazia algo, e fazia! 







segunda-feira, 5 de junho de 2023

Vestida com a cor da solitude



No Silêncio das noites 
Revisito as minhas memórias
Vividas com você e por você 
E num abraço imaginário 
Acaricio o meu travesseiro.

É a saudade sua que persiste
Neste meu vazio existencial 
Tão cheio de melancolia 
Onde suas lembranças 
Depois que você partiu 
Vieram comigo morar.
 
E sem conseguir dormir 
Só espero pelo amanhecer
“Visto a sua falta” e me levanto
Tomo um café como de costume 
E volto para rotina outra vez .

Com pouco ou sem propósito 
Vou vivendo... sem viver
Deixo a vida me levar 
Finjo não me aborrecer.

A esperança sonolenta 
Acorda...dorme...consola
O coração vulnerável 
Que tem saudade de você.

Afinal, tudo me traz 
De volta ao passado 
Que não é mais
Mas que não quero esquecer .

Mas como num passe de mágica 

Vamos seguindo em frente 

Por quem ficou



segunda-feira, 24 de abril de 2023

O amor é alguém que surge na sua frente como uma missão. Alguém que desperta o seu melhor. 

quinta-feira, 20 de abril de 2023

Vida de celebridades e influenciadores - criando um perfil desejado, feliz,  kiindependente das circunstâncias. O Brasil é o país mais insatisfeito do mundo. Por conta do processo de digitalização da sociedade brasileira, e também do peso que as redes sociais tem no nosso dia, aumento da percepção de comparação 

sábado, 15 de abril de 2023

Nossas condolências

Compadres, João Davi e Maria Luzia, boa noite! 

Nós, Eu e Iêda, ficamos muito tristes com a notícia do falecimento do nosso amigo Milton. Para nós foi uma grande surpresa, porque não sabíamos que ele estava com COVID.

Tenho certeza absoluta que todos que conheceram o Milton estão muito tristes, porque ele sempre foi um cidadão honrado, digno, amigo, exemplar chefe de família e uma pessoa animada e alegre.

Lamentamos muito. Aceitem nossas condolências, porque sabíamos da grande afinidade entre vocês. İmagino o que vocês estão passando. Se possível transmita à Viúva nossa solidariedade e os mais sinceros sentimentos.

Se nós pudéssemos fazer alguma coisa, iríamos fazer!!

Dos compadres e amigos,

                  Décio e Iêda 

quarta-feira, 5 de abril de 2023

 Nós estamos em busca da completa felicidade, e perfeição não existe em nada. Buscamos a liberdade em todos os sentidos. Eu me sinto livre, mas ainda me sinto presa em alguns pontos.

terça-feira, 4 de abril de 2023

O conhecimento torna a alma jovem e diminui a amargura da velhice. Colhe, pois, a sabedoria. Armazena suavidade para o amanhã.

Trabalhar em busca do aprendizado 
Profeciencia financeira - gasta menos do que ganha 

Ativos- imóveis, 
Passivos - 

Cuidar do seu negócio - 

Corrida dos ratos
Precisa entrar na faculdade, arrumar um emprego, comprar um carro, comprar coisas que não precisamos, parar de comprar coisas, gastar todo dinheiro que ganha. Então deve parar de comprar, parar de viver de aparência. Acreditar piamente que vai sair dessa condição, acreditar que é possível. Aceitar , se colocar no lugar do aprendiz, não parar de estudar, não estagnar, diversificar, aprender sobre sua área, o conhecimento deixa a alma mais jovem, aprenda o que são ativos e passivos. Ricos compram ativos e os pobres compram passivos. Gerar dinheiro enquanto dorme. 

Deixar de acreditar em crenças limitantes. Comece a pensar e ressignificar a nossa mentalidade. 
Não trabalhe pelo dinheiro - trabalha , depois compra algo, e fica escravo. 

Ser Autônomo - terceirizar - empreender. 
Sair de empregado e ser investidor.

8 lição - Seja aberto pelo novo..







Saia da corrida dos ratos - eduque - se financeiramente, não pare de estudar. A busca do conhecimento deve ser constante. Comece cedo a construção da riqueza. Aprenda sobre empreendedorismo. Cuide de seus negócios. Ativo - tudo aquilo que põe dinheiro no seu bolso. Passivo é tudo que tira dinheiro do seu bolso.

Não trabalhe apenas pelo dinheiro
Crenças limitantes. Mentalidade positiva, que é rico, 

Os empregados
Os autônomos

Os empreendedores - dinheiro que trabalha para as pessoas 
Os 

Oito lições




direcionamento às próximas páginas

Eu pensei em direcionar o leitor para ler tal página depois da outra para completar o seu raciocínio. 

domingo, 2 de abril de 2023

Travessia



A vida é mesmo uma travessia 
Às vezes, (des) medida 
(in) calculável e insana 
Aqui o jogo gira sem intervalo 
E sem muita expectativa.

Mas continuemo- nos torcendo 
Umas  poucas pessoas ganhando
E muitas perdendo...com a crença
Que o importante, ainda
Apesar do contraditório
É participar!! 

A gente ouve … faz parte 
Tudo se repete …tudo é um processo
Tudo se transforma 
E o (in)vulnerável ser humano 
Faz da convivência uma dor sem nome
Difícil de conduzir e mudar. 

Quase sempre nos desafiando 
A respirar fundo e acreditar
Que tudo tem jeito 
E nada é problema 
E a gente vai levando
Até se acostumar 

Tudo aceita…Tudo suporta 
Tudo forma e conforma
Como novelo e trama
Tudo ao mesmo tempo.

E o tempo vai passando 
E entre novos contextos
E velhas desconexões
Se correr o bicho pega
Se ficar o bicho come .

Enquanto isso os nascentes e
Os Sobreviventes seguem 
Segurando o relógio do tempo 
Calejados pelas decepções 
E vacinados contra a indignação.


quarta-feira, 22 de março de 2023

Ei acredito que em cada fase da vida, o medo apresenta de uma maneira, quando somos mais jovens, pensamos em nós mesmos e nos pais, quando crescemos, pensamos em nossos filhos e no marido ou companheiro. 
   Com a maturidade tornamos mais realista 

terça-feira, 21 de março de 2023

Colocar esse texto vizinhos nas homenagens , depois do texto Final de tarde e Grito do Silêncio.

domingo, 19 de março de 2023

O poupador sem vaidade

O Poupador Sem Vaidade

Milton, quem o conheceu bem,  concorda comigo, que era um grande poupador e não fazia gastos desnecessários, que considerava supérfluos. Desde pequeno, como ele mesmo dizia : “ não comprava nem picolé, que era coisa que menino gostava. Economizava tudo que ganhava”.

Sempre foi assim! Ficava feliz quando pegava um serviço advocatício e ia receber um bom dinheiro, mas em contrapartida não gostava de gastar, com o que não fosse essencial. Sobre dinheiro tinha uma crença: “ dinheiro gosta de quem gosta dele, mas não aguenta abuso “.

Economizar para ele exigia certa disciplina básica: primeiro, conhecer a sua realidade financeira ou salarial, não fazendo dívidas acima de suas expectativas e possibilidades, sem saber onde estaria o dinheiro para efetuar o pagamento, a curto ou longo prazo; e segundo, ter o controle de tudo era essencial! 

Além de não gastar mais do que ganhava  - não era uma pessoa consumista. Ele só comprava o que, realmente, estava precisando. Às vezes, ele olhava um carro novo, por exemplo, ouvia a proposta do vendedor, ficava até deslumbrado, sabia que podia comprar tranquilamente, mas não realizava a compra. Chegava me falando sobre a expectativa daquela compra, até feliz, e se eu perguntasse:  E Por que não comprou, Milton? Ele respondia: “Só olhei e deixei a vontade passar!! “ 

Era assim, não comprava nada por impulso, ou seja, sem pensar nos prós e contras, e dar uma pesquisada ou ter uma conversa com alguns dos familiares e amigos que tinham conhecimento sobre o assunto… se aquele negócio compensava, se era algo que valorizaria ou se era um produto comercial. Pensava nessa questões também.

Sabia também aproveitar as linhas de crédito para financiamento que os bancos ofereciam, uma vez que, há grande variedade de opções das mesmas, no mercado, que atendem aos mais diversos perfis de público e às mais diversas finalidades, trazendo conveniência e flexibilidade para pessoas e empresas. Como o FCO, por exemplo. O FCO, para quem não sabe, é um “Custeio Agropecuário que oferece crédito para cobrir as despesas de produção das atividades agrícolas e pecuárias de empreendimentos situados na região Centro-Oeste, conforme bb. com .br. 

O ruim de quem tem um comportamento poupador é que  ele não se preocupa com ele mesmo; deixa de satisfazer algum prazer seu do momento presente, para poder aproveitar no futuro ou pensar na família no momento de uma necessidade. Futuro este tão imprevisível, que não sabia se o viveria ou não! E o Milton não foi diferente, preocupou-se muito pouco com ele mesmo. Tinha muito medo de morrer novo e deixar os filhos pequenos e desamparados. Sempre, me dizia isso! 

Não tinha vaidade com quase nada, nem com casas e nem com carros de luxo; com vestuário, então, raramente, comprava roupas, sapatos e cintos. Tinha um sapato no pé e outro para passeio. Pode acreditar, não tinha chulé! Até isso o ajudou a economizar. Roupas se eu não comprasse, ele nem pensaria, dizia: “é a Nilva que compra roupa para mim”. E quando eu levava alguma peça para experimentar, dava um trabalho, nunca achava hora para tal. 

Às vezes, eu insistia para se vestir melhor, ele colocava a mão no peito e dizia: “Eu sou o que sou, Nilva ! “Dizia que não precisava investir em aparência, ele era o que realmente era, e as pessoas já o conheciam. Era muito simples! Se eu lhe pedisse para ir ao mercado, quando chegava em casa, ele apenas trocava a camisa de mangas por uma gola polo, que já tinha usado na noite anterior e saía apressadamente. Fazia tudo muito rápido, quando eu pensava que estava saindo de casa, já estava chegando, ou vice-versa. 

E um dia saiu com a camisa gola polo pelo avesso. Peça que tem o avesso bem marcado.Tinha esse costume. E,  se alguém falasse, dizia brincando, que “era para lhe trazer proteção, boa sorte, boas energias e dinheiro “ e um dia a funcionária do caixa de um mercado lhe avisou que estava com a camisa do avesso, e ele respondeu: “é moda, moça”! E todos que estavam próximos, riram dele, e ele sorria também, e chegava me contando, e continuava com a camisa do avesso. 

Mas sabia que a primeira impressão é a que fica, e que a imagem era importante. Quando mudamos para Caiapônia “ para ele ser advogado “, como ele mesmo dizia, investiu em uns três ternos, calças e paletós, e usou-os por algum tempo,para ir ao escritório e ao fórum; segundo ele, “para passar uma imagem de mais velho e escondesse a cara de menino”. Todavia, algumas pessoas achavam que ele fosse mesmo “bancário”, pois era como os funcionários do banco usavam na época . Depois, deixou os ternos de lado, e optou por um vestuário mais clássico e sóbrio.

Era, no bom sentido da palavra, uma pessoa ambiciosa, que sempre teve como missão transformar o seu desejo de ter uma vida financeira melhor em uma meta de vida. (Quem foi pobre pode me entender melhor, embora, até os ricos quanto mais têm mais querem. Quem aqui não quer ? ). Então, sempre, trabalhou, economizou e administrou o que tinha com esse objetivo - vencer a pobreza. Além de ter uma autoestima positiva para chegar onde quisesse, e, apesar das adversidades, era muito esforçado,  dedicado e honesto. 

Não, não era ganancioso. “Ambição é ter disposição para encarar desafios e crescer, alcançar objetivos e realizar sonhos. Já a ganância é aquela vontade de ter mais do que precisamos no momento como se nada fosse suficiente”. Não era o caso dele. Ele já sentia realizado com o que havia conseguido. “E, acredite, para ter a carreira que tanto sonhou é importante ter um pouco de ambição, pois ela nos impulsiona e nos ajuda a buscar a realização profissional”.  Se não fosse ser como era, não teria conseguido atingir os seus objetivos. 

Nesse assunto, sempre, vamos encontrar os que veem a ambição como algo negativo, caindo no senso comum e confundindo os dois termos. Todavia, quando ela é moderada vira o melhor ingrediente para o sucesso, conforme Equipe Blog Portal Pós (2021).

terça-feira, 21 de fevereiro de 2023

Uma homenagem de sua cunhada Kátia Barbosa Macedo

Dizem que enquanto uma pessoa é lembrada, enquanto suas histórias  circularem o mundo,  ela viverá. Quando me lembro do Milton Ferreira,  o primeiro sentimento  que acompanha minhas memórias  é de admiração, seguido de gratidão  e saudade.  

Admiração  pela sua história,  menino pobre de recursos financeiros,  o que para muita gente podetia significar  uma sentença; no caso dele  se transformou em uma motivação  para escrever sua história  de próprio  punho. 

Mesmo com a ausência  precoce de seu pai, a luz, a força  e o amor de Dona Luiza e dos irmãos  foram mais um incentivo para  construir um novo caminho de prosperidade,  com muito  trabalho, estudo,  músicas  no violão  e livros. E assim essa família  foi vivendo e superando as dificuldades  da vida com fé em Deus, no trabalho honesto e  alegria.

Milton,  juntamente  com os irmãos  mais  velhos foram a luz no caminho dos irmãos  mais novos.  Um dos traços mais marcantes de sua personalidade  foi a generosidade,  partilhando  o pouco  que tinha  com os irmãos,  tenho dito o grande mentor e inspiração  para o José Ferreira  e Welter, principalmente.  

Outro  traço bem característico  era sua perspicácia inteligência para ler as situações  de um ângulo que ultrapassava as aparências, o que o levou a ser considerado  um político  de referência  em sua região,  pasmem, sem nunca ter se candidatado  a nenhum cargo político.  Uma proeza para poucos.  Por isso toda a gratidão  que não  só eu, mas a grande maioria  que conviveu com ele.

Infelizmente  Milton  foi uma das milhares de vítimas que nos foram arrancadas  pela pandemia que assolou o mundo, e que poderia ter sigo minimizada, no Brasil, se tivéssemos tido  um governo  mais preocupado  com a saúde  da população.  A dor de perder pessoas  que amamos,  sem podermos ao menos despedir,  agradecer por tudo e desejar que sigam seu caminho rumo à luz  de Deus, nos acompanha a todos,  e de vez em quando, sentimos uma lágrima silenciosa  descer dos olhos marejados  de saudade,  da alegria , dos comentários irônicos, das risadinhas, das músicas e da simples companhia por perto.

O mundo ficou  mais pobre sem o Mílton,  cunhado querido. A ideia  maravilhosa  da Nilva de homenageá-lo, coletando escritos deles, depoimentos  e histórias  o transforma em um imortal, pois agora Milton vive não  apenas em minha memória,  mas está escrito na história.  E não  foi pelo "poder do dinheiro", como ele gostava de brincar, e sim pelo poder da força mais poderosa que há no universo: o amor. Amor que espalhou  por onde passou. Salve Milton  para sempre em nosos corações.

Kátia Barbosa Macêdo

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023

Meu padrinho



                            Patrícia de Castro Ferreira
                              -Sua sobrinha e afilhada- 



Sempre associei a imagem do meu padrinho a uma pessoa muito inteligente. Além de todas as outras qualidades que ele certamente tinha, essa sempre foi a que me chamou a atenção. 

E ele não ficava satisfeito em estudar e saber sozinho, sempre incentivou todos ao seu redor a buscarem o conhecimento, seja histórico, literário, político e, claro, de formação profissional. 

Era admirável sentar-se com ele e o escutar falando da história de Caiapônia e as origens das famílias que vieram para esta cidade, com uma memória impecável. 

Lá atrás, ele contribuiu grandemente para que seus irmãos mais novos fizessem uma faculdade, incentivando-os e ajudando para que pudessem estudar. Anos depois, também fazia isso comigo, incentivando a leitura desde que eu era criança (e nem queria saber de ler, mas de brincar... risos). 

Olhando para trás vejo a importância deste incentivo e sou muito grata por tudo que ele fez pela família. A formação que temos certamente veio da inspiração que tivemos. Muito obrigada, padrinho. Para sempre será lembrado! Amo o Sr. e sentimos sua falta!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

Pesca da cuia ....



Há uns três anos, nas férias de julho, nossos dois netos, o mais velho com dez anos, o outro com quatro e um amigo deles com nove anos vieram com os seus pais, do interior de São Paulo, passar uns dias conosco na fazenda. 

 Logo que chegaram, Daniel e Lucas levaram o amigo para conhecer um lindo córrego, denominado por eles de riacho, todo ladrilhado de pedras, que fica bem no fundo da casa. Depois de andar um pouco descalço, molhar os pés, na água branquinha e morna, que  lavava toda a sua margem  por onde a  corredeira passava, tiveram a ideia de pescar lambaris. 

E o lugar é bem característico das veredas, onde a água corre por um rego fundo e largo, e vem serpenteando, lá de cima, entre galhos e folhas secas dos  buritis e outras plantas típicas do lugar úmido e sombrio, formando um lindo aquário a céu aberto. 

Mas antes de começar, com a pesca denominada "pesca da cuia", não esqueceram da recomendação do vovô, de dar uma olhada pelos arredores do riacho, observando se não havia algum animal peçoento, como: serpentes, aranhas, escorpiões, lacraias, abelhas, vespas, marimbondos,  arraias, cobras e outros, que sempre escolhem esse tipo de habitat para fazer morada.

Olharam aqui, olharam ali, atentamente, mas não viram nada que os temesse, e resolveram fixar em um lugar mais limpo, literalmente, de cabeça para baixo e de bumbum pra cima, rsrsrs, para conseguirem pegar os espertos peixinhos do lugar. 

Quem via os dois amigos pescando, naquela posição, ajoelhados nas pedras, poderia reconhecer "que quando alguém quer algo, não vê dificuldade alguma". Levando- os também a crerem  "que nada terá exito sem esforço e sem sacrifício". 

Seus joelhos ficaram esfolados e doloridos, no entanto, pouco reclamaram, pois estavam pegando bastante lambaris, e estavam animados. Principalmente, porque entre colegas, sempre, há uma certa competição interna, mesmo sem dizer quem era o vencedor, falavam! "Nossa o Gabriel já pegou dois." O outro, " eu peguei o maior!".

Era a primeira vez que pescavam, e de cuia, então, foi uma invenção deles. 
Encheram uma bacia de alumínio dos peixinhos de todos os tamanhos; uns menores, outros maiores, e levaram para casa para apreciá- los, por mais algum tempo - não tiveram a intenção de comê- los. 

Passaram o período da tarde todo namorando os tais peixinhos. Dando algum alimento e se divertindo com eles. Mas depois de algum tempo, notaram que alguns peixes estavam boiando na água,  então, olharam bem e viram que alguns haviam morrido.  Só restaram uns oito. Então, o vovô olhou e disse: "que se eles não quisessem vê-los todos mortos, precisariam de levá-los de volta ao seu hábitat".

Então, Daniel, o mais velho, depois de pensar um pouco, resolveu seguir o conselho do vovô, e disse: "Então vamos soltá- Los. Melhor... antes que morram todos". Saíram  com o avô para devolvê-los ao córrego. Chegando ao córrego, escolheram o primeiro poço, que encontraram, e Daniel, bem lentamente, foi deixando cada um ir embora.
 
E o vovô Milton presenciando aquela cena, ficou encantado, e com uma expressão de alegria no rosto por perceber  a determinação, a obediência e a consciência ecológica deles. Lucas, o menor deles, ficou muito triste, até chorou, porque, além de ter sentido a morte dos peixinhos, sabia que o seu irmão, embora, reconhecesse a importância de dar vida aqueles peixinhos, estava descontente porque queria ficar olhando-os por mais algum tempo.

De volta para casa, vovô os convidou   para andarem a cavalo, para esquecerem o que tinha ocorrido com os peixes. E logo todos estavam alegres e não falaram mais sobre o assunto. Ficando a lição e o conselho do vovô - "a vida não é sobre o que a gente conquista, mas sobre o que a gente supera"!

A gente vai embora

Eh, como dizem, “A GENTE VAI EMBORA” e fica tudo aí “; nossos projetos, nossos compromissos, nossos sonhos e esperanças,nosso apego com a família e com os filhos…nossa pressa… nossas angústias e manias, nossa indignação com a política e com a e economia do nosso país, com a vida, com a nossa falta de liberdade ou com a nossa prisão… 

Tudo Fica… quando a gente for embora… 

A GENTE VAI EMBORA e sequer despede dos parentes e amigos mais próximos, pegamos todos, praticamente, de surpresa  ou Não… 

A GENTE VAI EMBORA, mas não do jeito que gostaríamos… se é que alguém já desejou morrer desse jeito ou daquele, um dia…assim como  escreveu Machado de Assis em Memórias Póstumas de Brás Cubas. Dando vida a alguém depois de morto…

Será  o quê as pessoas falariam  no dia do meu, do seu, do nosso velório? Será que mencionariam a minha, a sua, a nossa importância, o nosso jeito de ser e de compreender as coisas? 

Falariam de nossa ambição ou de nossa vaidade? De nossas qualidades ou defeitos? Ou da Importância, que pensávamos que tínhamos ter, mas muitos não davam o mínimo valor, mas depois da morte, sim …falam, lamentam, choram… 

A GENTE VAI EMBORA e a vida continua… com a  falta de fé, de comunicação e de amor entre as pessoas. 

A GENTE VAI EMBORA e deixa tudo aí, até aquilo que vc tinha mais ciúme. Até aquilo que vc não emprestava para ninguém, e guardava debaixo de sete chaves! Seus livros, seus textos, seus pendrives… seu celular…seus segredos… 
Tudo ficará exposto para quem quiser ver… sua intimidade vai embora também, e tudo é revirado… doado… como se a sua , a nossa sombra ainda ali não mais estivesse. Mas não podemos fazer nada, a gente já se foi…e embora toda a nossa energia, ainda esteja presente ali, nada podemos fazer…

A GENTE VAI EMBORA, pois é. É bem assim: piscou, o show da vida terminou… Show ou Malabarismo? Não escolhemos nem o dia e nem a hora… nem a roupa… nem o caixão… nem onde gostaríamos de ficar… Tudo não será escolhido por você!!

 "A GENTE VAI EMBORA o tempo todo, aos poucos e um pouco mais a cada segundo que passa"...desde o momento que a gente nasce. Por isso, não vale a pena ficar preso a tantas coisas banais e insignificantes que só nos fazem sofrer.

AH, A GENTE VAI EMBORA…e fica tudo aí!!!

sábado, 21 de janeiro de 2023

Biografia

Nilva Maria Moraes Ferreira é professora aposentada, formada em Letras, pós- graduada em Língua Portuguesa. Foi diretora - escolar, coordenadora, vice- diretora e professora do Ensino Fundamental e Médio.