sábado, 7 de agosto de 2021

Amanhã, vamos embora, e tudo vai ficar para trás...

Ao entardecer, o Milton chegou em casa dizendo que havia passado por uma  sibipiruna carregadinha de flores, que valia a pena fotografá- la. Então, o chamei para irmos lá registrar aquele momento, de uma das poucas espécies que restaram da primeira e da última arborização que fora feita, em Caiapônia, onde moramos por 43 anos, e que estava em plena floração. 

Mas não como quem tirava fotos, só pensando em postar, nas redes sociais, como muitas pessoas dizem. Fui para admirar a beleza e registrar aquele ciclo, que não temos muita certeza, se teremos outros ou não, e depois poder compartilhar com vcs, também. É claro!! 

E, embora, a árvore seja de grande porte. Esbelta! Maravilhosa! İmagino, que seria difícil alguém passar por ali, e não admirá- lá. Todavia, talvez, seja possível, pela pressa do dia a dia, pelo olhar cabisbaixo ou sisudo demais, não os deixando perceber a beleza, que, hoje, vejo; mas que, há algum tempo, tbém não conseguia ver...pela correria, pela rotina, pela impaciência por coisas banais ou não.

Era bem de tardezinha, o sol já começava a se pôr, no horizonte, e fui aproveitar o espetáculo daquele final de tarde, em um horário nobre para quem gosta de fotografia, e que  poucas pessoas  trafegavam, por ali, para não me inibirem... e conseguir registrar aquele momento do ocaso, sem mesmo sair do carro.

Digo inibir porque eu prefiro fotografar quando estou acompanhada ou ninguém vendo. Eu, sempre, fico achando que há algumas pessoas, ainda, que não entendem bem esse meu encantamento pelas coisas da natureza e do lugar; e veem como algo de pouco valor, e deturpam um pouco as coisas. Digo algumas pessoas, porque reconheço que há muita gente que gosta. Que elogia...e tal. Mas há, ainda, muita gente que não vê beleza em nada, por isso, não consegue ver o que a gente vê. 

 E, pensando nisso, lembrei- me de um dia que eu e a minha secretária fomos à casa de uma vizinha de fazenda, e logo que fui adentrando o seu quintal, vi um mamoeiro que estava carregadinho de frutos verdes e flores de rara beleza, e logo lhe disse: " nossa, como aquele  'pé de mamão' está maravilhoso! Vou lá fotografá-lo!" Percebi, naquele momento, o seu olhar de surpresa, se não fosse a sua negação...mas não lhe respondi nada. Reconheço que cada pessoa vê as coisas de uma maneira.  Para ela, o seu mamoeiro não passava de uma fruta comum, não tinha valor algum.

Assim....como não tinha a fazenda do amigo de Olavo Bilac, até que o poeta a descreveu para vendê-la, mostrando as qualidades que aquele sítio tinha.  Assim, como é, talvez, você, que acha que suas coisas são, sempre, as piores ou com pouco valor. Como estava sempre ali, suas retinas cansam de ver , e por isso de tanto ver, não vê...

Pensei... para muitas pessoas, a vida só tem sentido trabalhando,e, às vezes o quê as cerca não tem o mínimo valor ou não tem tempo para observar. Que tristeza, não poder enxergar as belezas que a natureza nos oferece de graça, quase sempre. 

Conheço muita gente assim! Mas, como disse a minha irmã Maria Luzia, que é contadora aposentada, mas que continua trabalhando: "As vezes, tbém, fazemos do trabalho uma mera fuga do nosso cotidiano. Nunca achamos que podemos parar. É o meu caso…. às vezes, penso em parar com minha rotina de trabalho no escritório…mas tenho medo de criar uma outra rotina mais dolorosa…pois, às vezes, me levanto indisposta, mas como o dever me chama, vou para o Escritório e, aos poucos, vou me envolvendo e me sinto melhor. Penso…que se não tivesse o escritório, às vezes, ficaria deitada no sofá ou na cama, e ao levantar estaria pior…por isso, prefiro deixar como está. Pq sei que será para mim uma mudança brusca…e, ainda, posso ser ativa, no meu trabalho, e quem sabe ajudar a preservar o meu cérebro contra as doenças da mente". 

 E eu concordo plenamente com a minha irmã, isso acontece mesmo. É claro, que se eu não tivesse vocês para eu poder compartilhar as minhas fotos, e tudo que fui aprendendo e desaprendendo, durante toda a minha vida,  não teria a mínima graça. A fotografia me deixou mais próxima da natureza. E o que eu aprendi, só tem sentido, se eu compartilho com você. Foi por isso que escrevi o meu primeiro livro! 

Mas... acima de tudo, não podemos mudar o outro. Não conseguimos mudar ninguém. Só a própria pessoa pode, e muitas precisam de ajuda. Seria injusto impor o meu próprio gosto em todos aqueles ao meu redor. Mas podemos estimular... e, na maioria das vezes, só conseguimos enxergar o que possuímos quando pegamos emprestados os olhos alheios ou perdemos algo.

Por isso, não deixe para amanhã para fotografar aquela árvore florida, aquela flor, aquela pessoa amada... Não temos certeza do amanhã e nem de nada!! Esse texto, escrevi antes do Milton partir... hoje tudo está diferente... já não o tenho mais para me levar para fotografar as árvores... não moro mais em Caiapônia... onde deixei muitos amigos... e por onde ando, vejo muito mais pessoas conhecidas do que, aqui, na minha cidade natal. 

De repente, tudo muda... é a vida, e se observarmos mais atentamente... tudo se modifica. Veja... até o tempo... Tem momentos de secas bem feias... mas logo vêm as chuvas... há anos que chove mais, outros que chove menos... mas chove. Assim, é a esperança. 

E a nossa esperança deve estar em Deus e em nós mesmos... acreditando, que apesar de tudo, podemos reanimar e pensar que tudo vai dar certo outra vez. Sei que vamos sentir muito a sua falta. Mas, certamente, Deus quis assim... e as partidas sempre acontecem, e nem sempre fazem parte dos planos de ninguém. 

A vida passa...

A gente envelhece, os filhos crescem, os netos tbém, mas amanhã, também, vamos embora, e deixaremos tudo aí... nossos compromissos e preocupações de todos os dias, com o trabalho, com a casa, com os filhos, com tudo.

Amanhã, vamos embora...

 E tudo vai ficar aí: aquele sapato, aquela roupa, aquele perfume que vc deixou para uma outra ocasião... momento que nunca chega. 

Amanhã, vamos embora, e tudo ficará aí, vc não terá tempo nem de fechar a porta, nem de dizer adeus à sua mulher ou ao seu marido, aos seus filhos, aos seus  netos...não escolherá nem a sua própria roupa, nem onde, se quer, gostaria que fosse a sua última morada.

Por isso, seja mais leve, seja menos perfeccionista, menos sério (a) com você mesmo ( a) e com o próprio trabalho, a gente morre e fica tudo aí...coma a picanha gordurosa de vez em quando, tome o sorvete, beba o seu vinho e a sua cerveja. Exija menos de você e dos outros! Perdoe, silencie quando achar que vai magoar. Fale apenas para agradar ou ajudar. Faça um compromisso de amor com você mesmo (a). A vida é só uma, e é você que tem que cuidar.  


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