domingo, 15 de agosto de 2021


Trazer o quê foi vivido pelas gerações passadas, através da fotografia, nos permite, além de passar conhecimentos e mostrar práticas de um tempo que ficou para trás, aos jovens e crianças; podemos homenagear também àquelas mulheres e àqueles homens que aqui viveram, quando não existiam rodovias asfaltadas, luz elétrica, água encanada, planos de saúde, aposentadoria, telefone, e um "monte de coisas" que a tecnologia e a eletricidade facilitaram a nossa vida.

Tempo de vida difícil, trabalho grosseiro, pesado, realizado sob o sol escaldante ou chuva, proveniente da falta de maquinários e eletrodomésticos, e por isso, as famílias tinham que  preparar a terra com os próprios braços, plantar e colher para tirar o sustento da sua própria família. Família essa oriunda das classes menos privilegiadas de diversas partes do país. Que, embora vivesse de forma precária - muito sofrimento, muito trabalho, falta de acesso a quase tudo, aínda, vive e traz registrado em suas memórias nítidas lembranças, até saudosas, por incrível que pareça, cada passagem que aqui passou. E... faz questão de contribuir; e, nos faz de forma tão carinhosa e expressiva, estabelecendo, desse modo, uma relação importante de informação do passado, do jeito que vivia, às gerações que não conhecem.

São imagens que podem revelar bem mais do quê estão mostrando, nas residências paupérrimas e vestes surradas pela lida com a terra e com os animais... Revelando, desse modo, uma história de um povo sofrido, que vivia na terra e da terra. Que ali enterrou o seu umbigo, no mourão da porteira, com a esperança de ser rico, e não sair dali jamais!! 

Povo, que logo cedo, pedia aos pais, tios e avós as suas bênçãos, que respondiam" com um "Deus te abençoe". Que jogava o dente mole, no telhado, e dizia: que daria um dente podre para ganhar um são. Que cobria o espelho em dias de chuva. Chuva que era verdadeira tempestade. Tantos trovões e relâmpagos! Não tinha esse  "filho de Deus" que não pegava a sua Bíblia ou o seu Evangelho e orava até a chuva cessar.
Esse foi o meu povo, que podemos chamar de nosso!

Povo simples e ordeiro, que trabalhava de sol a sol, carregando a enxada ou a foice sobre os ombros; plantando ou colhendo para o próprio gasto. Mulheres que lavavam roupas nos córregos, com sabão de "bola" ou de diquada. Que catava o feijão sujo lá da roça de "toco", para cozinhar no fogão a lenha, que pegavam lá no mato para cozinhar a comida, nas panelas pretinhas de carvão, que devido ao cheiro de fumaça deixava a comida defumada, e por sinal muito gostosa.

Povo que tinha os pés parecidos uns "cascos"... meu avô paterno não conhecia nem dinheiro... gostava muito de caçar, andava descalço pelo mato, e não se espetava seus pés com nada, que eu me lembro, não reclamava. A mão parecia mais uma lixa... lembro de meu pai e tios... mão grossa de calos da lida manual com as ferramentas.

Que fumava cigarro de palha, e não tinha medo de ficar doente, embora soubesse que podia causar tuberculose, doença que naquela época matava.

Que estudou pouco, mas a maioria não se arrepende,

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