Nos finais de semana, sempre, íamos prá fazenda. Logo que chegávamos, ele ia para o campo, e eu ia caminhar pelo quintal..
Olhava para um lado
Olhava para outro
Sentia o cheiro
Da terra
De uma flor
De uma fruta
As mãos na bica ia lavar.
Logo, à tardezinha, via as "galinhas" subirem no mais alto galho do velho cajueiro para se empuleirar, os bezerros separavam das mães, e eu ia ver o sol se pôr, e as araras azuis a cantar, preparando para o seu último vôo do dia, e se descansar.
Logo chegava a noite... íamos deitar. Antes das cincos e meia da manhã, os galos vinham nos acordar, em comprida serenata - um galo, dois galos, três galos. Assim...em teia...em equipe...entre todos....do lugar, numa integração fundamental.
Assim... João Cabral de Melo
Vem nos falar...
"Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito de um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem os fios de sol de seus gritos de galo, para que a manhã, desde uma teia tênue, se vá tecendo, entre todos os galos."
A abordagem da união...sempre foi um requisito necessário. Certos de que sempre haverá uma manhã e outros amanhãs, com ganhos ou com perdas... mas virão.
Mas, independente, o sol vai brilhar e aquecer a terra todos os dias. Nos presenteando com duas certezas, que o dia pode acabar para alguns, mas para outros vai continuar.
Assim como o dia que nasce e morre todos os dias, e os galos que continuarão a cantar. Certos de que outras manhãs e outros amanhãs acontecerão, e precisamos seguir adiante. Vida que segue... é o nosso lemar.
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