quarta-feira, 18 de agosto de 2021

19- De repente... chega um tempo...


Um dia... de repente... chegará um tempo... que vc perceberá que já não tem com quem conversar, contar o que viu e passou no final do dia - embora, segredos, já não os têm mais. 

As cicatrizes e os tombos que a vida lhe deu, não interessam a mais ninguém, só a você. E em vez de reclamar das pedras que encontrou pelo caminho, melhor seria falar das flores, meio a alguns espinhos, que aprendeu a cultivar.

De repente, chega um tempo... que você se vê completamente só, na mesa do jantar só basta um lugar, não precisará mais de dois pratos. Na cama, só um travesseiro e do seu lado, apenas, um livro, a Bíblia, um rosário, um óculos e o seu celular. 

De repente, você já não sabe que dia é da semana ou do mês, prá vc tanto faz. Você até olha no calendário, mas nem se dá conta que o mês já não é mais aquele; seu relógio da parede também acabou a pilha, e você nem se deu "por fé" que há meses as horas não mudam, sempre, na mesma hora está. 

De repente,  aquilo que tanto a encantava, já não a encanta. Nem o melhor elogio, nem a piada mais engraçada fazem sentido, nem aquele tropeção não a machuca mais.

E um dia... você vai percebendo que precisará de tão pouco para viver,  que a geladeira está cheia de frutas, mas que você já não gosta. Não se sabe se em razão da espécie ou do seu paladar.

E perceberá que o seu guarda - roupas está cheio de peças; sua sapateira cheia de sapatos que, ainda, gosta, mas que não os usa e nem os desfaz. 

Mas o tempo, este, sim, destrói, demole o que ele mesmo construiu, desmancha o que ele mesmo pintou; desmonta o que ele mesmo montou; modifica, anula, desorganiza o que, literalmente, organizou. Mas...com tudo, toda a vida,  a fé e a esperança equilibrista tem que continuar.

É o tempo...tempo que vai nos deixando como  aquela ave que perdeu, com as queimadas e com o desmatamento, o seu ninho e o seu instinto de voar. 

E vai pousar no fio de alta tensão...triste... perdida... observando o vento que passa, forte ou lento...  Ah... é a vida que passa..."Em dor maior", uma das maiores que há.


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