sábado, 7 de agosto de 2021

4 de maio de 2020 - o último aniversário com o meu marido

Dia quatro de maio de 2020,  

mudei de idade, completei sessenta e quatro anos de vida... mas de uma forma bem atípica, longe de tudo e de todos, só com a presença do meu marido e de minha filha.

E, embora, a palavra de ordem fosse "ficar em casa", mais do que hoje, pude começar a fazer algo novo e reinventar, uma vez que, ainda, não aposentei de mim mesma. Ainda, me recuso, por incrível que pareça, a comportar como velhas. Vestir como velhas, viver como velhas. Pensar como velhas. Não me sinto velha ainda. 

A grande verdade é que quem comanda a minha  jovialidade é a minha cabeça. E nunca achei  que com a velhice, perderia a alegria, a vitalidade, a energia e o prazer de viver. Não! Não é a minha flacidez, não são as minhas rugas,  a minha pele mais seca e sem cor, os meus cabelos brancos que não podem ficar sem ser retocados... os pés que pedem sapatos baixos...mas que me reluto a não fazer os seus gostos.  A coluna que retrai... as pernas... que não gostam mais de andar depressa... a cabeça...que não lembra mais de tudo... que me deixarão sem esperanças... 

Problemas, a maioria das pessoas tem. Como driblá- los é o que faz a diferença. E o vírus, de certa forma, nos amedronta, mas a vida continua, e precisamos arrumar uma forma de amenizar, um pouco, a nossa ansiedade. E cada pessoa pode fazer do jeito que ache melhor. Ou liga para a família... fala com  os netos pelo Whatsapp, lamentam as dores, fazem planos de viagens, comunicam pelas redes sociais, etc. Eu, como a autora do livro que estou lendo, escrevo. "Escrever foi o jeito que encontrei, desde muito cedo, de resolver os problemas, de elaborar os sentimentos, de encontrar as saídas. Desde criança, escrever é o meu projeto de vida. Na verdade, escrever para mim é sinônimo de viver." E, se algo me chateava, costumava desabafar no papel. Hoje, uso o celular. Em fim terminei de escrever o meu primeiro livro, com tudo que fui aprendendo e desaprendendo durante toda a minha vida, como mulher, esposa, mãe e professora.

Tanto o papel quanto o celular costumam aceitar tudo, e nos convencem a arrumar um jeito de disfarçar este temor e este medo por conta dessa pandemia, e ocupar a mente com algo interessante, e que nos faz bem, e pode fazer bem também para outras pessoas, se você compartilhar. Não!! Não quero saber dos números do Covid. Prefiro não ligar a TV.  Mas é preciso prevenir e reinventar. 

E pude me reinventar, nesta quarentena, como ninguém, ou seja, como alguém que tivesse idade para tanto. Como participo de vários grupos de fotografias, pude compartilhar com vários as minhas fotos. Em alguns, fui capa, em outros ganhei o selo bronze, prata e até ouro. Participei também de várias lives. Em uma aprendi sobre moda, como me sentir melhor com o corpo que tenho; em outra, aprendi a arte da comunicação não - violenta; na outra sobre a criança interior ferida, que carregamos pela vida afora e, na outra, as técnicas de relaxamento.

Eh... não podemos mesmo negar a influência das redes sociais nas nossas vidas, principalmente, em um momento, como este, que precisamos nos distanciar das pessoas; então, os contatos virtuais têm nos ajudado, de forma relevante, a passar por esses momentos com menos ansiedade, menos medo e menos temor desse vírus.

E poder deixar registradas nossas histórias pessoais e, muitas vezes, profissionais nos fazendo co- autores deste momento plural, ou seja coletivo, que estamos passando. Portanto, reinvente. Se não gosta de ler, escrever, fotografar e participar das redes sociais; faça o que goste, e ainda não foi feito. Faça algo novo. İlustre a sua vida e, se for possível, compartilhe com os amigos e familiares.

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