Hoje, estou com uma profunda descrença de tudo...uma gripe me atormenta, me deixando indisposto para o trabalho.
É hora do almoço. No sofá, meu filho está brincando, e, na cozinha, a Nilva briga com as vasilhas, reclamando da falta de empregada doméstica, que anda muito difícil conseguir contratar uma.
É preciso continuar, nada não pode parar, hoje em dia. Somente, a morte consegue o milagre de fazer o homem moderno parar as atividades.
Era muito raro, o Milton dizer que estava "descrente". Às vezes, era um pouco melancólico, principalmente, quando ficava sem algo para fazer, pois era muito ansioso e sofria por antecedência.
E "os nossos pensamentos podem ser um 'leão' ou uma 'cobra'. O primeiro surge, apresenta o problema e o conduz a resolvê-lo. A pessoa consegue estabelecer um planejamento mesmo que a situação o preocupe. Já a cobra é aquele pensamento que dá o bote e fica repetindo 'você não vai conseguir', 'não vai dar tempo', 'não vai dar certo'. "Ele aparece trazendo evidências fantasiosas de que você pode fracassar", comenta a psicóloga Juliana Vieira, pós-doutoranda em psicologia e docente na Univali (Universidade do Vale do Itajaí),
E, como o Milton não podia contar com ninguém, só com ele mesmo, preocupava muito. E, embora, fosse uma pessoa extremamente, positiva; mas o fato de fazer grandes compromissos, como compra da casa própria, compra de terras, por exemplo, sempre, "um atrás da outro", isto é, logo que terminava um compromisso, já fazia outro - o medo de não conseguir rondava a sua mente. A meu ver, característica normal de uma pessoa honesta com os negócios.
Mas, segundo uma pesquisa, "a preocupação serve como um “amortecedor emocional” contra imprevistos e pode motivar as pessoas a serem mais proativas e saudáveis.
Isso ocorre porque indivíduos que estão constantemente preocupados tentam também solucionar seus problemas e, consequentemente, obtêm maior sucesso, podendo apresentar, inclusive, melhor performance nos estudos e em questões relacionadas ao trabalho.
O lado bom da preocupação é encontrar uma solução!
“Preocupar-se é pensar no Plano B”
A cientista Kate Sweeny explicou, em entrevista ao site Science Daily,que com a preocupação as pessoas se preparam para o pior mas tudo muda quando a notícia é boa. Por isso, a preocupação pode fazer bem à saúde, porque ela ajuda as pessoas a se organizarem e a planejarem melhor o que está por vir.
Os cientistas não estão defendendo a preocupação excessiva, mas indicando que ficar preocupado pode ser bom quando gera planejamento e ação!"
Só que para o Milton, esse amortecedor, se acontecia, era a longo prazo, e o desgastava muito emocionalmente e acredito que até fisicamente, pois era muito intenso em tudo que fazia. Na fazenda, na advocacia, na política, em qualquer lugar. Quem o conheceu no dia a dia, pode testemunhar.
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