segunda-feira, 2 de agosto de 2021

6- Bodas de Carbonato ( Capítulo 6)

(Foto de nosso casamento)


Eh!! O tempo passou... e passamos juntos com ele. Já estávamos prestes a comemorar as Bodas de Carbonato,   "elemento composto por pequenos cristais, que nos remete a vida a dois... que precisa lidar com os obstáculos e com a solidez que o tempo ao casamento traz".  (Pesquisa Google)

Casamos tão jovens... eu com 21 anos e o Milton com 25. Tão apaixonados... tão ciumentos um do outro... tão esperançosos... tão aventureiros e tão inseguros...  ao mesmo tempo; e como dizia o Milton: " aínda, sem eira e nem beira"... precisou de ir a luta, incansavelmente, para "dar conta do recado", dos compromissos e objetivos que jurou para si mesmo que seria capaz de cumprir e conquistar. 

Mas...não imaginaríamos nunca os desafios que teríamos que enfrentar...e nem o quê o futuro nos reservava de bom e nem de ruim. Ninguém pode mesmo prever... e nessa idade, então, só tínhamos sonhos e belas expectativas. Éramos marinheiros da primeira viagem... que não tinhamos a bússola e nem o roteiro... só muita
vontade de prosseguir. "Encarando o mar  com a cara e a coragem."

E, apesar das adversidades e contratempos, que a imaturidade nos prega, conseguimos resistir e sobreviver muito bem quarenta e quatro anos juntos, graças a Deus!!  Uma vez que,  a vida não é 100% perfeita para ninguém. Como disse Rodrigo de Abreu: "casal perfeito não é aquele que nunca tem problemas, mas sim aquele que, apesar dos obstáculos, sempre permaneceram juntos".

E foi uma vida juntos! E só o amor, a  admiração, a compreensão e o gostar da companhia do outro - de ambas as partes - tem esse poder de unir duas pessoas por tanto tempo. O Milton dizia: "Quase meio século juntos"! Fase que estávamos compartilhando de um sentimento bem menos apaixonado do que no namoro e início de vida a dois. Isso é completamente normal!  Mas bem mais sincero, mais fortalecido, mais companheiro e mais verdadeiro.

Milton, sempre, foi um marido e um pai cuidadoso e zeloso. Nunca nos deixou faltar nada. Era muito trabalhador e dedicado,  buscava, sempre, melhorias para a nossa vida financeira, para nos dar uma vida mais confortável, mais digna e segura, na velhice, para nós e para o futuro dos nossos filhos. Nunca me escravizou no trabalho - sempre, tive uma pessoa que me ajudasse em casa. Nunca foi egoísta, nunca tolheu a minha liberdade; sempre me deu o direito de trabalhar, de especializar na minha carreira, de conquistar o meu próprio espaço também, como profissional e como mulher, e ter a minha independência.

Fui, de certa forma, protagonista da minha própria vida, embora, ele tenha sido o meu maior suporte. Sem ele em minha vida, meu caminho, com certeza, teria sido, totalmente, diferente. Um pouco de tudo que sei, de tudo que li, de tudo que ouvi  - de literatura, de música, de poesia, de cultura e de política , aprendi com ele. Foi sempre muito compreensivo, no sentido de me incentivar e de não problematizar as minhas faltas em casa, devido o meu trabalho ou os meus estudos.  

E por isso, esse tempo representa para nós uma verdadeira e grande conquista. E precisaríamos de agradecer muito a Deus, e comemorar, se aqui o Milton, ainda, estivesse. Como diz a escritora Ana Sparz: "Aniversário é época de agradecer e comemorar, pois a experiência de viver é o maior presente que Deus podia nos dar." 

Se houve uma regra, para termos vivido todo esse tempo juntos - uma das principais foi: as discussões não devem, necessariamente, terminar tendo um vencedor. A gente perde quando pensa que venceu uma discussão. Melhor será evitar discutir, e seguir a velha regra dos mais velhos: "de que quando um não quer, dois não brigam". Não esquecendo, também, o que disse, certa vez, o escritor Ferreira Gullar, " eu prefiro ser feliz a ter razão".

E... foi agindo, assim... ajudando e fortalecendo um ao outro, nos dias mais difíceis, cada um respeitando a individualidade do outro também... com muita paciência...muita sabedoria, um pouco de bom humor, muita educação e muito amor,
 principalmente, quando os obstáculos apareceram... "pensando que podiam mais do que um compromisso sério e uma preparação idealizada para o casamento", "até que a morte nos separasse"; exigindo de nós que deixássemos que a razão falasse mais alto do que a emoção. 

Enfim, dois filhos criados, dois netos...e um amor sincero, fortalecido e verdadeiro foi vencedor, até o dia que Deus o levou. 



Nenhum comentário:

Postar um comentário