segunda-feira, 30 de agosto de 2021

De repente...



De repente... tudo vai perdendo o  sentido para nós. Tudo vai mudando...nosso nome, nosso estado civil, nosso status, nossa agilidade, nossa estátua, nossos gostos, nossa liberdade de expressão, nosso poder... nosso direito...

De repente... nosso nome vira senha, nossa chave vira cartão, nossa agência vira pix, nossa fala vira live, nosso mercado vira Drive thru. 

Trabalhamos por home office, nosso neto  estuda por home schooling e enquanto isso as famílias ficam lockdown,  viajando, como o Milton gostava, pela Netflix.

De repente...pouco importa uma coisa como o contrário dela.  As mensagens vão nos cansando. Boas ou ruins! Uma ou outra nos chamam atenção!! Pode ser a do amigo, a do filho ou a do irmão.

De repente... nosso espaço vai ficando menor. Nosso número de amigos também. Tudo vai se fechando, literalmente. 

Começamos abrir mão daquilo que transcende o necessário. Paramos de querer consertar o mundo e o que não nos parece certo. 

Se é errado para nós, mas é certo para o outro, já basta. Prefirimos deixar para a vida consertar.

 Depois de certo tempo, entendemos que é preferível ser feliz a ter razão. E para ser feliz não precisamos que o mundo inteiro esteja do nosso lado. 

Basta que aqueles
que pertencem ao nosso mundo nos mostrem o seu próprio bem estar. 

E se cada um preocupasse com o seu quadrado, como muitas pessoas dizem, talvez, o nosso planeta estaria melhor. 


domingo, 29 de agosto de 2021

Quando se dá poder à palavra

A insensibilidade e a frieza das regras não nos dão vazão às nossas vozes e nem aos nossos ouvidos doloridos, que dormem no recôndito do nosso ego. 

Sempre, quis dar liberdade a minha voz. Mas não a que canta, não a que grita, mas a que expressa a dor, calmamente, e que, de repente, pode curar os que, ainda, sintam,  imobilizados, no meio do caminho, presos a padrões, que os impedem de revelar o quê também gostariam de expressar.

Não prezo modelos e nem a velocidade do vento e muito menos do tempo, com a sua grandeza vetorial, prefiro a corrente de ar mais lenta a do mês de agosto.

O vento forte embaralha os meus pensamentos e toca nas minhas lembranças, deixando tudo em desordem, meu Deus! Devagar, a gente também chega, mesmo que os Narcisos achem feio o que não seja espelho.

Cresci e envelheci vendo os passarinhos a voar e a cantar, acompanhados ou sozinhos e, aprendi com "todos esses que aí estão / atravancando meu caminho /Eles passarão...Eu passarinho!"

Na minha inocência de menina, queria pegá-los para poder com eles brincar e com prazer contemplar todos os dias.

Não sabia que se os prendesse, poderia sufocá- Los, ou deixá-los sair entre os meus dedos, e nunca mais poderiam voar e também cantar.  Eis a ciência do amor, da cura e da libertação - Amar, amar, na medida certa, nunca foi sufocar.

Sempre, gostei mais de escrever do que de falar. Escrever não é falar difícil. Escrever é uma forma de nos libertar e de nos curar.

sábado, 28 de agosto de 2021

Isso ou aquilo - não vai me contestar?



Se vivo desse jeito, estou errado
Se choro - para que chorar
Se corro, para que correr
Se não corro, assim não dá.

Se ganho dinheiro, tenho sorte 
Se não ganho, tenho azar
Se só penso em riqueza, 
"Prá que? Vai morrer
Nada vai levar!.

Se esbanjei dinheiro
Não pensa nenhum pouco
No dia de amanhã. 
Tenho que decidir
Se guardo dinheiro
Ou se vou gastar.

Se não tenho casa
Ah, precisa comprar. 
"Se compro prá que?
Gasta um dinheirão!" 
Melhor  alugar. 

Se como fora, melhor não.  
Se não come - nossa, muito melhor! Fazer comida só dá trabalho!

Se ando de coletivo, melhor de carro. Se saio de carro, melhor de ônibus. 
Se saio, ah, não pode sair
Se não saio. Só fica em casa!?

Se tenho o cabelo comprido,
 por que você não corta? 
Se eu corto, por que você cortou!? Sempre, vai ter alguém para nos
Impugnar

Faço isso ou aquilo?
Pode me ajudar?
Sem me contestar?

Poema que fala de gente 
(Nilva Moraes Ferreira)

Ah, é tão bom
Ler um livro que fala da gente
E de outras gentes.

De gente igual 
Ou diferente da gente
Mas que é gente 
Como a gente.

De gente 
Que não conhece a gente 
Mas conhece a gente
Muito mais que muita gente.

Gente de todas as partes
Escreveu sobre gentes
Logo toda gente
Estará lendo sobre a gente.

domingo, 22 de agosto de 2021

Agora tudo é saudade

Noites em claro...o sono não vem, e é tão ruim ficar acordada (o),  enquanto todos em casa e quase tudo dormem...

Todas as pessoas dormem:
no campo, na cidade, na rua, nas estradas...E quem ficar acordado, no campo, pode ouvir o som dos sapos nas lagoas. Nas cidades, das sirenes dos carros apressados, nas ruas vazias ou nas estradas a cochilar. 

Muitas vezes, tenho vontade que o dia acorda logo, para também levantar. Pego o meu celular, vou ler ou escrever...para a noite passar.

Mas não passa....Nós que já passamos dos 60, poucas vezes, dormimos bem. Tudo parece estar bem...mas não está. 


sábado, 21 de agosto de 2021

2-Faço parte desta história ( Pensei em colocar este texto depois da apresentação ou antes ou depois do texto intitulado Minha vida? O que vc acha?)

Trazer o quê foi vivido por um pai / uma mãe; um avô / ou uma avó, através de sua árvore genealógica, de sua autobiografia ou biografia,  de relatos de suas vidas, de  fotografias, etc, é de fundamental importância para a formação da identidade do indivíduo. 

Para responder a pergunta “quem sou eu?” é preciso saber de qual história faço parte: o que eu sou é, fundamentalmente, o que herdei, de um passado específico que está presente até certo ponto no meu presente. Descubro que faço parte de uma história e isso é o mesmo que dizer, em geral, quer eu goste ou não, quer eu reconheça ou não, que sou um dos portadores de uma tradição". (MACINTYRE, 2001, p. 372)

E isso é, a meu ver, altamente, considerável tanto para as gerações atuais quanto para as futuras, mesmo que muitas pessoas não se importam; pois, além de passar conhecimentos de ordem biológica, psicológica e hereditária (fenômenos em que os genes e as características dos pais são transmitidas aos seus descendentes), mostrar práticas de um tempo que ficou para trás.

Podemos conhecer também um pouco da vida dos nossos antepassados, nossos bisavós e avós, que aqui viveram, quando não existiam rodovias asfaltadas, luz elétrica, água encanada, planos de saúde, aposentadoria, telefone celular, e um "monte de coisas" que a tecnologia, a eletricidade e as TICs (são todos os meios técnicos usados para tratar a informação e auxiliar na comunicação, o que inclui o hardware de computadores, rede e telemóveis) que facilitaram a nossa vida.

Tempo de vida difícil, trabalho grosseiro, pesado, realizado sob o sol escaldante ou chuva, proveniente da falta de maquinários e eletrodomésticos, e por isso, as famílias tinham que  preparar a terra com os próprios braços, plantar e colher tudo para tirar o sustento da sua própria família.

Famílias essas oriundas das classes menos privilegiadas de diversas partes do país. Que, embora vivessem de forma precária - muito sofrimento, muito trabalho, falta de acesso a quase tudo, viviam felizes, e, aínda, vivem e trazem registrado em suas memórias nítidas lembranças, até saudosas, por incrível que pareça, por cada passagem que aqui passou. 

E... fazem questão de contribuir, e nos prestam de forma tão carinhosa e expressiva, estabelecendo, desse modo, uma relação importante de informação do passado, do jeito que vivia, às gerações que não conhecem. 

E, muitas vezes, nem as narrativas nem as imagens podem nos revelar o quê, realmente, seus antecedentes passaram para sobreviver e sobressair a esse círculo que viviam de extrema pobreza, em residências paupérrimas e vestes surradas pela lida com a terra e com os animais... Revelando, desse modo, uma história de um povo sofrido, que vivia na terra e da terra ou do básico para sobreviver.  Que ali enterrou o seu umbigo, no mourão da porteira, com a esperança de ser rico, e não sair dali jamais!! 

Povo, que logo cedo, pedia aos pais, tios e avós as suas bênçãos, que respondiam" com um "Deus te abençoe". Que jogava o dente mole, no telhado, e dizia: que daria um dente podre para ganhar um são. 

Que cobria o espelho em dias de chuva. Chuva que era verdadeira tempestade. Tantos trovões e relâmpagos! Não tinha esse  "filho de Deus" que não pegava a sua Bíblia ou o seu Evangelho e orava até a chuva cessar. Lembro- me bem do meu pai pegar a bíblia e orar. E para ficar mais próximo de Deus, assim imagino, ele subia em um tamborete e orava em voz alta, pedindo que a chuva cessasse.... contudo,  lá fora, a gente podia ouvir o barulho do vento quebrando árvores e destelhando casas.

Esse foi o meu povo, que podemos chamar de nosso! Povo simples e ordeiro, que trabalhava de sol a sol, carregando a enxada ou a foice sobre os ombros; plantando ou colhendo para o próprio gasto.  

Mulheres que lavavam roupas nos córregos, com sabão de "bola" ou de diquada. Milton, sempre, relembrava das idas ao córrego, ajudar a sua mãe lavar roupas. 

Que catava o feijão sujo lá da roça de "toco", para cozinhar no fogão a lenha que pegavam lá no meio do mato para cozinhar a comida, nas panelas pretinhas de carvão, que devido ao cheiro de fumaça deixava a comida defumada, e por sinal muito gostosa.

Povo que tinha os pés parecidos uns "cascos"... meu avô paterno não conhecia nem dinheiro... gostava muito de caçar, andava descalço pelo mato, e não se espetava seus pés com nada, que eu me lembro, não reclamava. A mão parecia mais uma lixa... lembro de meu pai e tios... mão grossa de calos da lida manual com as ferramentas.

Que fumava cigarro de palha, e não tinha medo de ficar doente, embora soubesse que podia causar tuberculose, doença que naquela época matava. 

E muitos dos filhos desses conseguiram romper com a pobreza, estudando, indo a luta. Milton e seus irmãos foram uns desses.


sexta-feira, 20 de agosto de 2021

*"...Em que espelho ficou perdida a minha face"*...    (Cecília Meireles )

Às vezes acordo triste e nem sei o porquê dessa tristeza.
Uma angústia,  um descontentamento,  uma solidão interior...
Muitas vezes vem uma vontade de chorar, uma fragilidade que nada parece estar bom...
Nós ,que já passamos dos 50, muitas vezes nos encontramos assim. O mundo inteiro caminha normalmente, tudo está bem e vem essa tristeza.
Quantas vezes eu me olhei no espelho e me curti, me achei linda e saí dona do mundo esbanjando mocidade e vendendo alegria?
Quantas vezes fui elogiada, fotografada por olhares cheios de admiração? 
E no espelho desfilei caras e bocas...Com a beleza que aos poucos foi se modificando, foi mudando de fases, foi se perdendo e dando lugar a  um outro tipo de mulher: a mulher madura, aquela que muitas vezes ouve como elogio: você está conservada. 
Que triste elogio! Diga como vc está bonita, que linda vc  está. ..soa melhor, engrandece a alma, que hoje já tem tantas cicatrizes. 
Beleza está em todas as idades, conversem com seu espelho e descubra o seu ponto forte, ele pode estar no seu interior. 
Onde ficou perdida minha face?
Não sei, só sei que vou passar o meu batom vermelho, rimel e lápis nos olhos,
deixar meus cabelos brancos ao vento, vestir meu vestido de festa e subir no salto, como sempre fiz e sair linda e maravilhosa curtindo os meus 64 anos. 
Faça o mesmo vc de 50, 60, 70, 80, 90...
E não se entristeça vivendo do passado e tendo medo de aproveitar a vida.
Se não usar mais salto, coloque uma rasteirinha ou se preferir fique descalça na areia da praia. 
Você é linda em qualquer idade.

*Para todas as mulheres que se amam e que amam a vida*. 

Envie para uma que você conhece!

13-Um fazedor de contas... que preferia criar vacas a arrendar suas terras para soja...

Atualmente, Goiás é o terceiro maior produtor de soja no Brasil. Na safra 2019/2020, o Estado produziu 13,1 milhões de toneladas do grão, crescimento de 8,8% sobre a safra passada (2018/2019), em uma área plantada de 3,5 milhões de hectares, segundo dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A produtividade na safra 2019/2020 foi de 3.712 quilos por hectare e representou aumento de 6,7% em relação à safra 2018/2019. ( Pesquisa Google)

E Caiapônia não ficou para trás, e muitos donos de terras arrendaram as suas fazendas, com o objetivo de ter uma renda razoável ou muito boa (isto é, depende da quantidade de terras), sem muito trabalho. Mas o Milton nunca viu com bons olhos o arrendamento de nossas terras, por isso, conseguiu ficar por algum tempo sem arrendar, dizia que depois que as terras são arrendadas, nunca mais seremos mais donos delas. 

Segundo ele, é um caminho sem volta, porque ficamos acomodados com aquela renda todos anos. Dizia até que era um investimento para preguiçosos.
E, por um lado, ele tinha mesmo razão. Embora, o arrendador seja dono, não tem o domínio daquele patrimônio, talvez, nunca mais. Milton preferia criar o seu gado nelore e gir, mas ter o poder / o controle sobre os seus bens. 

Seu sobrinho, Max Paulo, até nos lembrou de uma das suas tiradas:  Tio Milton me disse que, certa vez, alguém lhe perguntou: " Dr Milton, porque não planta soja? Ele respondeu: "porque gosto de vacas"! A pessoa questionou: " mas soja dá mais dinheiro". E ele: "mas gosto mais de vaca do que de dinheiro!!!" Rsrsrsrsr.

Ele, sempre, me dizia isso também. Tinha o costume de ir para uma mesa, geralmente, aos sábados ou domingos à tarde, que temos, na varanda, pegava um caderninho, e ia "fazer contas", fazer planejamento das receitas e das despesas. Às vezes, me dizia: "não aguento uma despesa desse tamanho, Nilva", outras vezes, ligava para um ou dois amigos perguntando o que eles achavam de arrendamento das terras, e a primeira impressão era de que era um negócio muito bom, e tal, até ele ficava meio entusiasmado, mas cheio de dúvidas. 

Então, chegava para mim, perguntando, "e aí eu arrendo a fazenda?".  Às vezes, eu lhe perguntava: "quais seriam as vantagens do arrendamento e da criação de gado?". Ficávamos conversando por alguns minutos sobre isso. Mas ele nunca achou que soja daria mais renda do que o gado para o arrendador, é claro; mesmo que gastasse bastante com sal mineral e proteinado para o seu rebanho, segundo ele, o resultado, a curto prazo, do gado, não pensando na valorização do imóvel, era melhor. 

A última das nossas terras, que ele arrendou para plantar soja, a princípio, não foi muito de seu agrado, arrendou mais pelo fato de um vizinho ter arrendado, e tê-lo incentivado, e eu dizer que seria melhor, pelo fato de nossas pastagens estarem muito degradadas. 

Assim, fez, então, logo que ele arrendou, chamou o funcionário da fazenda para dar uma volta pelo campo. E o interessante, que foi, como alguém que saía a procura de algo que havia perdido... Logo que chegou, me disse, meio desesperado, como quem não tinha encontrado o que procurava: "esta fazenda perdeu toda a graça para mim, não é minha mais. Não vou poder cavalgar mais nela". 

E eu lhe disse, mesmo compreendendo bem o que estava sentindo, pensando em reanimá- lo: "Mas Milton, ainda, sobrou tanto espaço, como não é mais sua? Quantas pessoas têm menos do que sobrou aqui, e estão felizes, e você não está!? Temos a outra fazenda que está intacta!" Ele, apenas, balançou a cabeça, dando sinal que "não" e disse: "acabou, não é mais minha". Mas depois de alguns dias, conformou- se com a ideia, e já estava até bem contente.

Era um ser que pensava muito antes de fazer algum negócio. Era uma pessoa cautelosa e prudente. Tinha muito medo de perder os seus bens, que foram construídos com muito trabalho. Ele não preocupava muito com o trabalho que aquela atividade ia lhe causar. Preocupava com o prazer aliado ao lucro que aquele negócio poderia lhe dar. 

Por isso, gostava da criação de gado, acredito que por ser algo que o tirava da zona de conforto, e tinha, sempre, algo para fazer, que lhe dava prazer - dizia aos amigos mais íntimos que "brincava de fazendeiro". 



quinta-feira, 19 de agosto de 2021

 Às vezes depois de uma manhã de trabalho a 🐎. Ele dizia. " A cabeça até quer trabalhar, mas o corpo, não; mas não posso fazer gosto ao corpo".

16-Conselheiro

A palavra "conselho", sempre, me remete a uma música de Chico Buarque, que o Milton gostava de ouvir e também de cantar:

"Ouça um bom conselho
Que eu lhe dou de graça

Inútil dormir que a dor não passa
Espere sentado
Ou você se cansa
Está provado, quem espera nunca alcança."

(Chico Buarque, quando escreveu a letra dessa música, o Brasil vivia o momento de Ditadura Militar, então, ele deu um conselho aos manifestantes, para não ficarem esperando de braços cruzados, porque aquela situação não ia passar, enquanto não lutassem  e corressem atrás da mudança.) 


E, hoje, com a tecnologia, embora, tenha facilitado bastante, as atividades cansam muito mais a nossa mente - sentimos como se fôssemos comandados pelas máquinas... nos dando a sensação de uma vida sem sentido, que só trabalhamos, e repetimos, incessantemente, o dia, a semana, o mês e o ano todo; tornando tudo enfadonho e entediante.

E, às vezes, mesmo que tudo, no ambiente que vivamos, pareça estar tudo bem, "a vida  parece "muito cheia" do que nos cansa e nos estressa...e "vazia demais" de atividades que nos dão prazer. Muitas pessoas sofrem de abstinência por algo que as alegra e as faça feliz. E, por isso, estamos, sempre, correndo atrás de algo que nos preencha ou que nos deixe menos entediados e com mais apetite de viver. 

Na maior parte das vezes, vamos em busca de algo para consumir de todas as formas. Como se aquilo fosse substituir o que nos falta. Muitas pessoas afogam, nas bebidas, outros até nas drogas, outras em doces,  outras em viagens, outras consomem mais e mais, e muitas se envolvem, muitas vezes, também no trabalho. 

E segundo estudos e teorias desenvolvidas por Freud e Lacan — "é que tais sujeitos enfrentam a “falta da falta”. Ou seja, não dispõem de algo que os impulsiona /que os entusiasme / que os anime, que mude a sintonia que estejam vivendo, no momento, em favor das suas verdadeiras aspirações.

Não é difícil de encontrar gente, assim, que está sempre em busca de algo que  a sacie completamente. Embora, por um lado, seja "uma característica que está na origem do desenvolvimento da nossa espécie", segundo Eugenio Mussak, médico de formação, professor da FIA-USP e da Fundação Dom Cabral, nas áreas de liderança e gestão de pessoas, além de escritor e palestrante.

Mas para Mussak, "a insatisfação, na história da origem da humanidade, pode ser 'considerada positiva', pois possibilitou a evolução e fez o homem se movimentar para viver melhor. O problema é que o acesso às inúmeras facilidades do mundo atual, dos bens de consumo e serviços à informação, elevou muito os padrões de satisfação. “É difícil hoje ficarmos satisfeitos ou pelo menos satisfeitos por muito tempo”. 
E, sempre, quando não estamos em busca de uma expectativa financeira, como bens materiais,  buscamos  pelo  lado pessoal, mas físico. É como aquela pessoa que, embora, tenha sucesso e tenha a maioria dos objetos de desejos sonhados por muitas pessoas; mas, se esses bens não dialogarem com o que lhes faltam, que, às vezes, muitas pessoas não sabem, realmente, nem o que sejam de verdade, não resolvem. Muitas pessoas sofrem desse mal. Têm tudo, mas não têm o quê desejam. 

E o Milton, como disse o seu irmão Welter, que trabalhava com ele:  "Sempre tinha uma saída prá tudo". Ele dizia aos nossos filhos, quando os mesmos tinham algum problema: " Meu filho /minha filha, deixa eu te ajudar, passo o dia inteiro resolvendo problemas dos outros, posso ajudar você também". Aí, completava: "Para tudo na vida há uma saída. Só não inventaram uma solução, ainda, para a morte!" Às vezes, repetia brincando, algumas frases de uns de seus amigos da política; " o momento é de pausa", do outro "deixa eles" e de outro "calma, nada passa da hora".

Mas, ele mesmo, era uma pessoa que não gostava de comentar sobre aquilo que lhe foi prejudicial ou chateasse. Se algo desse errado em sua vida, principalmente; se alguém lhe tivesse feito algo que o desagradou, ele não gostava que a gente nem mensionasse o nome daquela pessoa ou tocasse no assunto daquilo que não deu certo. Ele evitava. "Não dava força aquilo que era prejudicial e negativo". 

Era preocupadíssimo com os nossos filhos e netos! A política o deixava "falando sozinho" tbém, às vezes, gesticulava com a boca e até com as mãos. E, apesar de ser estranho ver alguém conversando sozinho, para a neuropsicóloga e psicopedagoga Adriana Fóz (2020), o hábito ajuda a desenvolver a imaginação, a linguagem, o raciocínio e a memória. "A fala faz com que a gente extravase também muito das nossas emoções, é algo que vem para o equilíbrio da mente", explicou. 

E acredito que ele, certamente, por estar preocupado e tentando encontrar uma solução - fazia planos, "mexendo, literalmente, com as pedras. Segundo amigos, ele era um grande articulador político - aquele que tinha facilidade em "apagar incêndios", isto é, que sabia analisar, conversar com as pessoas e perceber alguma estratégia para conseguir montar o quebra - cabeça, ou seja, resolver os problemas de cada um.

Mas cansava... para descansar, íamos no final de semana prá fazenda, segundo ele, para poder brincar um pouco / relaxar. E certo dia, conversando pelo telefone com o seu irmão Zé Ferreira, que é médico - cirurgião pediatra, fazendeiro, conversa vai, conversa vem, resolveu  lhe dar um grande conselho: "Zé...arrume um brinquedo prá vc levar a vida melhor até o fim". E continuou..." eu, se não tivesse as minhas fazendas para eu brincar de fazendeiro, de carreiro... não sei o que  seria de mim, já teria morrido de tédio, ansioso como eu sou...". 

E esse "conselho de brincar'', que ele falava, não se tratava de juntar os amigos e irem para fazenda para beber, jogar futebol, pescar, jogar baralho, jogar conversa fora; embora, seja uma forma, de alguns acabarem sendo mais atraídos. 

Não! Não era esse o programa que ele indicava! Era  se ocupar a mente com algo que poderia lhe dar um pouco mais de prazer", mesmo sendo seu próprio trabalho, e pudesse juntar o útil ao agradável. Tendo um estado mental mais positivo, que modificasse a sua postura interna.

Que pode ser conseguida com uma maior receptividade e aceitação da própria profissão que você escolheu. Como disse Confúcio: "Trabalhe com o que você ama e nunca mais precisará trabalhar na vida.” 

Muitas pessoas arrumam algo para preencher a sua vida em momentos de folga. Outros não! Não lêem, não escrevem, não tocam um instrumento, não pintam, não bordam, não fazem nada... Assim, a vida torna sem graça demais... Não achas?

Milton estava, sempre, ouvindo músicas, vendo um filme, assistindo algum documentário, uma série, que poderia ser sobre política ou cultura, quando não estava trabalhando. İsso o distraía bastante. Nunca ficava totalmente parado, sem fazer nada!! Só parava quando estava dormindo, e dormia muito. E... como dizia um de seus amigos: "para descansarmos, temos a vida eterna". 








quarta-feira, 18 de agosto de 2021

19- De repente... chega um tempo...


Um dia... de repente... chegará um tempo... que vc perceberá que já não tem com quem conversar, contar o que viu e passou no final do dia - embora, segredos, já não os têm mais. 

As cicatrizes e os tombos que a vida lhe deu, não interessam a mais ninguém, só a você. E em vez de reclamar das pedras que encontrou pelo caminho, melhor seria falar das flores, meio a alguns espinhos, que aprendeu a cultivar.

De repente, chega um tempo... que você se vê completamente só, na mesa do jantar só basta um lugar, não precisará mais de dois pratos. Na cama, só um travesseiro e do seu lado, apenas, um livro, a Bíblia, um rosário, um óculos e o seu celular. 

De repente, você já não sabe que dia é da semana ou do mês, prá vc tanto faz. Você até olha no calendário, mas nem se dá conta que o mês já não é mais aquele; seu relógio da parede também acabou a pilha, e você nem se deu "por fé" que há meses as horas não mudam, sempre, na mesma hora está. 

De repente,  aquilo que tanto a encantava, já não a encanta. Nem o melhor elogio, nem a piada mais engraçada fazem sentido, nem aquele tropeção não a machuca mais.

E um dia... você vai percebendo que precisará de tão pouco para viver,  que a geladeira está cheia de frutas, mas que você já não gosta. Não se sabe se em razão da espécie ou do seu paladar.

E perceberá que o seu guarda - roupas está cheio de peças; sua sapateira cheia de sapatos que, ainda, gosta, mas que não os usa e nem os desfaz. 

Mas o tempo, este, sim, destrói, demole o que ele mesmo construiu, desmancha o que ele mesmo pintou; desmonta o que ele mesmo montou; modifica, anula, desorganiza o que, literalmente, organizou. Mas...com tudo, toda a vida,  a fé e a esperança equilibrista tem que continuar.

É o tempo...tempo que vai nos deixando como  aquela ave que perdeu, com as queimadas e com o desmatamento, o seu ninho e o seu instinto de voar. 

E vai pousar no fio de alta tensão...triste... perdida... observando o vento que passa, forte ou lento...  Ah... é a vida que passa..."Em dor maior", uma das maiores que há.


domingo, 15 de agosto de 2021


Trazer o quê foi vivido pelas gerações passadas, através da fotografia, nos permite, além de passar conhecimentos e mostrar práticas de um tempo que ficou para trás, aos jovens e crianças; podemos homenagear também àquelas mulheres e àqueles homens que aqui viveram, quando não existiam rodovias asfaltadas, luz elétrica, água encanada, planos de saúde, aposentadoria, telefone, e um "monte de coisas" que a tecnologia e a eletricidade facilitaram a nossa vida.

Tempo de vida difícil, trabalho grosseiro, pesado, realizado sob o sol escaldante ou chuva, proveniente da falta de maquinários e eletrodomésticos, e por isso, as famílias tinham que  preparar a terra com os próprios braços, plantar e colher para tirar o sustento da sua própria família. Família essa oriunda das classes menos privilegiadas de diversas partes do país. Que, embora vivesse de forma precária - muito sofrimento, muito trabalho, falta de acesso a quase tudo, aínda, vive e traz registrado em suas memórias nítidas lembranças, até saudosas, por incrível que pareça, cada passagem que aqui passou. E... faz questão de contribuir; e, nos faz de forma tão carinhosa e expressiva, estabelecendo, desse modo, uma relação importante de informação do passado, do jeito que vivia, às gerações que não conhecem.

São imagens que podem revelar bem mais do quê estão mostrando, nas residências paupérrimas e vestes surradas pela lida com a terra e com os animais... Revelando, desse modo, uma história de um povo sofrido, que vivia na terra e da terra. Que ali enterrou o seu umbigo, no mourão da porteira, com a esperança de ser rico, e não sair dali jamais!! 

Povo, que logo cedo, pedia aos pais, tios e avós as suas bênçãos, que respondiam" com um "Deus te abençoe". Que jogava o dente mole, no telhado, e dizia: que daria um dente podre para ganhar um são. Que cobria o espelho em dias de chuva. Chuva que era verdadeira tempestade. Tantos trovões e relâmpagos! Não tinha esse  "filho de Deus" que não pegava a sua Bíblia ou o seu Evangelho e orava até a chuva cessar.
Esse foi o meu povo, que podemos chamar de nosso!

Povo simples e ordeiro, que trabalhava de sol a sol, carregando a enxada ou a foice sobre os ombros; plantando ou colhendo para o próprio gasto. Mulheres que lavavam roupas nos córregos, com sabão de "bola" ou de diquada. Que catava o feijão sujo lá da roça de "toco", para cozinhar no fogão a lenha, que pegavam lá no mato para cozinhar a comida, nas panelas pretinhas de carvão, que devido ao cheiro de fumaça deixava a comida defumada, e por sinal muito gostosa.

Povo que tinha os pés parecidos uns "cascos"... meu avô paterno não conhecia nem dinheiro... gostava muito de caçar, andava descalço pelo mato, e não se espetava seus pés com nada, que eu me lembro, não reclamava. A mão parecia mais uma lixa... lembro de meu pai e tios... mão grossa de calos da lida manual com as ferramentas.

Que fumava cigarro de palha, e não tinha medo de ficar doente, embora soubesse que podia causar tuberculose, doença que naquela época matava.

Que estudou pouco, mas a maioria não se arrepende,

          Confecção de máscaras
(Nilva Moraes Ferreira)

Era um final de tarde, comecinho da noite, de um dia muito quente, como outros daquele lugar...

Mamãe confeccionava máscaras para a família toda e também para vender,
conseguir um dinheirinho para poder nos sustentar....

Nuvens negras encobriam o céu da cidade de um jeito diferente. Mamãe correu para pegar as máscaras lavadas no varal.

E gritavam para as crianças fecharem as janelas e portas, se não as máscaras feitas, naquele dia, podiam molhar.

Que o vento, os trovões e os pingos fortes anunciavam uma chuva forte
dessas torrencial...

Relâmpagos substituiam a energia elétrica da rua e das casas... Só ouvia
passos correndo no escuro, prá lá e para cá.

Buscando um abrigo, algumas pessoas
entraram para o 'alpendre' de nossa casa, e diziam:"Vamos ficar aqui
Até  a chuva passar".

Tudo bem, a gente respondia
"Podem ficar "
Mas por ser época da pandemia
Não chamávamos para entrar.

Ficamos sem jeito, por não podermos
Acolhimento lhes dar. Infelizmente... hje está assim, mesmo protegidas de máscaras, meio a um temporal não se pode aglomerar.

Nesse dia, mamãe vendeu umas 10 máscaras para aquela família, que apareceu ali para se agasalhar.

A vida é assim
Não se pode reclamar
Se chove molha
Se não chove
Seco está


















sábado, 7 de agosto de 2021

4 de maio de 2020 - o último aniversário com o meu marido

Dia quatro de maio de 2020,  

mudei de idade, completei sessenta e quatro anos de vida... mas de uma forma bem atípica, longe de tudo e de todos, só com a presença do meu marido e de minha filha.

E, embora, a palavra de ordem fosse "ficar em casa", mais do que hoje, pude começar a fazer algo novo e reinventar, uma vez que, ainda, não aposentei de mim mesma. Ainda, me recuso, por incrível que pareça, a comportar como velhas. Vestir como velhas, viver como velhas. Pensar como velhas. Não me sinto velha ainda. 

A grande verdade é que quem comanda a minha  jovialidade é a minha cabeça. E nunca achei  que com a velhice, perderia a alegria, a vitalidade, a energia e o prazer de viver. Não! Não é a minha flacidez, não são as minhas rugas,  a minha pele mais seca e sem cor, os meus cabelos brancos que não podem ficar sem ser retocados... os pés que pedem sapatos baixos...mas que me reluto a não fazer os seus gostos.  A coluna que retrai... as pernas... que não gostam mais de andar depressa... a cabeça...que não lembra mais de tudo... que me deixarão sem esperanças... 

Problemas, a maioria das pessoas tem. Como driblá- los é o que faz a diferença. E o vírus, de certa forma, nos amedronta, mas a vida continua, e precisamos arrumar uma forma de amenizar, um pouco, a nossa ansiedade. E cada pessoa pode fazer do jeito que ache melhor. Ou liga para a família... fala com  os netos pelo Whatsapp, lamentam as dores, fazem planos de viagens, comunicam pelas redes sociais, etc. Eu, como a autora do livro que estou lendo, escrevo. "Escrever foi o jeito que encontrei, desde muito cedo, de resolver os problemas, de elaborar os sentimentos, de encontrar as saídas. Desde criança, escrever é o meu projeto de vida. Na verdade, escrever para mim é sinônimo de viver." E, se algo me chateava, costumava desabafar no papel. Hoje, uso o celular. Em fim terminei de escrever o meu primeiro livro, com tudo que fui aprendendo e desaprendendo durante toda a minha vida, como mulher, esposa, mãe e professora.

Tanto o papel quanto o celular costumam aceitar tudo, e nos convencem a arrumar um jeito de disfarçar este temor e este medo por conta dessa pandemia, e ocupar a mente com algo interessante, e que nos faz bem, e pode fazer bem também para outras pessoas, se você compartilhar. Não!! Não quero saber dos números do Covid. Prefiro não ligar a TV.  Mas é preciso prevenir e reinventar. 

E pude me reinventar, nesta quarentena, como ninguém, ou seja, como alguém que tivesse idade para tanto. Como participo de vários grupos de fotografias, pude compartilhar com vários as minhas fotos. Em alguns, fui capa, em outros ganhei o selo bronze, prata e até ouro. Participei também de várias lives. Em uma aprendi sobre moda, como me sentir melhor com o corpo que tenho; em outra, aprendi a arte da comunicação não - violenta; na outra sobre a criança interior ferida, que carregamos pela vida afora e, na outra, as técnicas de relaxamento.

Eh... não podemos mesmo negar a influência das redes sociais nas nossas vidas, principalmente, em um momento, como este, que precisamos nos distanciar das pessoas; então, os contatos virtuais têm nos ajudado, de forma relevante, a passar por esses momentos com menos ansiedade, menos medo e menos temor desse vírus.

E poder deixar registradas nossas histórias pessoais e, muitas vezes, profissionais nos fazendo co- autores deste momento plural, ou seja coletivo, que estamos passando. Portanto, reinvente. Se não gosta de ler, escrever, fotografar e participar das redes sociais; faça o que goste, e ainda não foi feito. Faça algo novo. İlustre a sua vida e, se for possível, compartilhe com os amigos e familiares.

Rostos mascarados ( livro)

Em cada canto, onde eu posso ir, na farmácia, no mercado, no hospital, ou em um ponto solitário qualquer.

Lá está um, dois, três, conhecidos ou não, com os rostos mascarados, com as faces perdidas no seu compasso.

Com expressões encobertas, todos parecem iguais. Quem era aquele? Ou aquela afinal?

Os olhos sozinhos nem sempre podem expressar. E o medo do amigo, 
do colega ou do vizinho estarem contaminados chega a ser irracional.

Doentes ou enlutados dividem- se na fila, sem o direito de ir e vir, ou em prisão domiciliar.

Noite e dia, dia e noite, consumindo os noticiários dos números de mortes amedrontam cada dia mais.

Aulas remotas, lojas fechadas, 
o aumento do desemprego, 
da desaceleração econômica,
se preocupam o governo,
a população, também, em geral.

Parece que o tempo parou para esperar por uma vacina, e ver esse tal Corona vírus passar.

E os meus, os seus, os nossos dias tão longos, tão tediosos e desesperadores, passamos a achar a  tristeza normal.

13-Manhãs e amanhãs


Nos finais de semana, sempre, íamos prá fazenda. Logo que chegávamos, ele ia para o campo, e eu ia caminhar pelo quintal..

Olhava para um lado

                               Olhava para outro
Sentia o cheiro
                              Da terra
De uma flor
                              De uma fruta
As mãos na bica ia lavar.

Logo, à tardezinha, via as "galinhas" subirem no mais alto galho do velho cajueiro para se empuleirar, os bezerros separavam das mães,  e eu ia ver o sol se pôr, e as araras azuis a cantar, preparando para o seu último vôo do dia, e se descansar.

Logo chegava a noite... íamos deitar. Antes das cincos e meia da manhã, os galos vinham nos acordar, em comprida serenata - um galo, dois galos, três galos. Assim...em teia...em equipe...entre todos....do lugar, numa integração fundamental.

Assim... João Cabral de Melo
Vem nos falar...
"Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito de um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem os fios de sol de seus gritos de galo, para que a manhã, desde uma teia tênue, se vá tecendo, entre todos os galos."

A abordagem da união...sempre foi um requisito necessário. Certos de que sempre haverá uma manhã e outros amanhãs, com ganhos ou com perdas... mas virão.

Mas, independente, o sol vai brilhar e aquecer a terra todos os dias. Nos presenteando com duas certezas, que o dia pode acabar para alguns, mas para outros vai continuar.  

Assim como o dia que nasce e morre todos os dias, e os  galos que continuarão a cantar. Certos de que outras manhãs e outros amanhãs acontecerão, e precisamos seguir adiante. Vida que segue... é o nosso lemar. 

Efeito borboleta ( livro)

Passeando pelo quintal, numa tarde de domingo, avistei duas borboletas, dessas comuns, que a gente vê muito para todos os lados; e logo tive a intenção de fotografá- las...até parecendo quem "não tinha o quê fazer"...ou o quê fotografar...e quando não se tem algo melhor, qualquer coisa serve.

Mas logo que cheguei, elas voaram, mas  esperei a volta delas...quem "conhece do ramo" sabe que elas não demoram a retornar, e acostumam com a nossa presença.

E...observando as modelos do dia, elas vieram pousar bem pertinho de mim, em um galhinho de uma florzinha tão delicada, que não sei como conseguiu aguentá- las de pé com o peso das duas.

Mas o galhinho nem se mexeu...e pensei com jeitinho tudo se resolve. As borboletas são muito sábias, uma pousa bem de leve, como uma aeronave ao pousar, e depois a outra.

É uma tática e uma leveza incrível...e não nasceram sabendo voar... passaram por várias metamorfoses, que só o tempo sabe dizer.

Por isso, "jamais subestime a capacidade que o tempo tem de mudar a realidade, transformar sentimentos, apaziguar corações. 

Não sou quem fui ontem, muito menos quem serei amanhã. Este, quem sabe, seja o verdadeiro efeito borboleta pra se usar de forma positiva e sábia."

Amanhã, vamos embora, e tudo vai ficar para trás...

Ao entardecer, o Milton chegou em casa dizendo que havia passado por uma  sibipiruna carregadinha de flores, que valia a pena fotografá- la. Então, o chamei para irmos lá registrar aquele momento, de uma das poucas espécies que restaram da primeira e da última arborização que fora feita, em Caiapônia, onde moramos por 43 anos, e que estava em plena floração. 

Mas não como quem tirava fotos, só pensando em postar, nas redes sociais, como muitas pessoas dizem. Fui para admirar a beleza e registrar aquele ciclo, que não temos muita certeza, se teremos outros ou não, e depois poder compartilhar com vcs, também. É claro!! 

E, embora, a árvore seja de grande porte. Esbelta! Maravilhosa! İmagino, que seria difícil alguém passar por ali, e não admirá- lá. Todavia, talvez, seja possível, pela pressa do dia a dia, pelo olhar cabisbaixo ou sisudo demais, não os deixando perceber a beleza, que, hoje, vejo; mas que, há algum tempo, tbém não conseguia ver...pela correria, pela rotina, pela impaciência por coisas banais ou não.

Era bem de tardezinha, o sol já começava a se pôr, no horizonte, e fui aproveitar o espetáculo daquele final de tarde, em um horário nobre para quem gosta de fotografia, e que  poucas pessoas  trafegavam, por ali, para não me inibirem... e conseguir registrar aquele momento do ocaso, sem mesmo sair do carro.

Digo inibir porque eu prefiro fotografar quando estou acompanhada ou ninguém vendo. Eu, sempre, fico achando que há algumas pessoas, ainda, que não entendem bem esse meu encantamento pelas coisas da natureza e do lugar; e veem como algo de pouco valor, e deturpam um pouco as coisas. Digo algumas pessoas, porque reconheço que há muita gente que gosta. Que elogia...e tal. Mas há, ainda, muita gente que não vê beleza em nada, por isso, não consegue ver o que a gente vê. 

 E, pensando nisso, lembrei- me de um dia que eu e a minha secretária fomos à casa de uma vizinha de fazenda, e logo que fui adentrando o seu quintal, vi um mamoeiro que estava carregadinho de frutos verdes e flores de rara beleza, e logo lhe disse: " nossa, como aquele  'pé de mamão' está maravilhoso! Vou lá fotografá-lo!" Percebi, naquele momento, o seu olhar de surpresa, se não fosse a sua negação...mas não lhe respondi nada. Reconheço que cada pessoa vê as coisas de uma maneira.  Para ela, o seu mamoeiro não passava de uma fruta comum, não tinha valor algum.

Assim....como não tinha a fazenda do amigo de Olavo Bilac, até que o poeta a descreveu para vendê-la, mostrando as qualidades que aquele sítio tinha.  Assim, como é, talvez, você, que acha que suas coisas são, sempre, as piores ou com pouco valor. Como estava sempre ali, suas retinas cansam de ver , e por isso de tanto ver, não vê...

Pensei... para muitas pessoas, a vida só tem sentido trabalhando,e, às vezes o quê as cerca não tem o mínimo valor ou não tem tempo para observar. Que tristeza, não poder enxergar as belezas que a natureza nos oferece de graça, quase sempre. 

Conheço muita gente assim! Mas, como disse a minha irmã Maria Luzia, que é contadora aposentada, mas que continua trabalhando: "As vezes, tbém, fazemos do trabalho uma mera fuga do nosso cotidiano. Nunca achamos que podemos parar. É o meu caso…. às vezes, penso em parar com minha rotina de trabalho no escritório…mas tenho medo de criar uma outra rotina mais dolorosa…pois, às vezes, me levanto indisposta, mas como o dever me chama, vou para o Escritório e, aos poucos, vou me envolvendo e me sinto melhor. Penso…que se não tivesse o escritório, às vezes, ficaria deitada no sofá ou na cama, e ao levantar estaria pior…por isso, prefiro deixar como está. Pq sei que será para mim uma mudança brusca…e, ainda, posso ser ativa, no meu trabalho, e quem sabe ajudar a preservar o meu cérebro contra as doenças da mente". 

 E eu concordo plenamente com a minha irmã, isso acontece mesmo. É claro, que se eu não tivesse vocês para eu poder compartilhar as minhas fotos, e tudo que fui aprendendo e desaprendendo, durante toda a minha vida,  não teria a mínima graça. A fotografia me deixou mais próxima da natureza. E o que eu aprendi, só tem sentido, se eu compartilho com você. Foi por isso que escrevi o meu primeiro livro! 

Mas... acima de tudo, não podemos mudar o outro. Não conseguimos mudar ninguém. Só a própria pessoa pode, e muitas precisam de ajuda. Seria injusto impor o meu próprio gosto em todos aqueles ao meu redor. Mas podemos estimular... e, na maioria das vezes, só conseguimos enxergar o que possuímos quando pegamos emprestados os olhos alheios ou perdemos algo.

Por isso, não deixe para amanhã para fotografar aquela árvore florida, aquela flor, aquela pessoa amada... Não temos certeza do amanhã e nem de nada!! Esse texto, escrevi antes do Milton partir... hoje tudo está diferente... já não o tenho mais para me levar para fotografar as árvores... não moro mais em Caiapônia... onde deixei muitos amigos... e por onde ando, vejo muito mais pessoas conhecidas do que, aqui, na minha cidade natal. 

De repente, tudo muda... é a vida, e se observarmos mais atentamente... tudo se modifica. Veja... até o tempo... Tem momentos de secas bem feias... mas logo vêm as chuvas... há anos que chove mais, outros que chove menos... mas chove. Assim, é a esperança. 

E a nossa esperança deve estar em Deus e em nós mesmos... acreditando, que apesar de tudo, podemos reanimar e pensar que tudo vai dar certo outra vez. Sei que vamos sentir muito a sua falta. Mas, certamente, Deus quis assim... e as partidas sempre acontecem, e nem sempre fazem parte dos planos de ninguém. 

A vida passa...

A gente envelhece, os filhos crescem, os netos tbém, mas amanhã, também, vamos embora, e deixaremos tudo aí... nossos compromissos e preocupações de todos os dias, com o trabalho, com a casa, com os filhos, com tudo.

Amanhã, vamos embora...

 E tudo vai ficar aí: aquele sapato, aquela roupa, aquele perfume que vc deixou para uma outra ocasião... momento que nunca chega. 

Amanhã, vamos embora, e tudo ficará aí, vc não terá tempo nem de fechar a porta, nem de dizer adeus à sua mulher ou ao seu marido, aos seus filhos, aos seus  netos...não escolherá nem a sua própria roupa, nem onde, se quer, gostaria que fosse a sua última morada.

Por isso, seja mais leve, seja menos perfeccionista, menos sério (a) com você mesmo ( a) e com o próprio trabalho, a gente morre e fica tudo aí...coma a picanha gordurosa de vez em quando, tome o sorvete, beba o seu vinho e a sua cerveja. Exija menos de você e dos outros! Perdoe, silencie quando achar que vai magoar. Fale apenas para agradar ou ajudar. Faça um compromisso de amor com você mesmo (a). A vida é só uma, e é você que tem que cuidar.  


Quem diria...( livro)

Ah, quantas ações rotineiras
Que pareciam tão  naturais
Tão significativas para uns
Tão insignificantes para outros
Mas só agora, depois da pandemia
Pode o merecido valor nos mostrar

Quem imaginaria que um dia
Sentiríamos falta
De um aperto de mão
De sair pelas ruas 
Respirando o ar puro
Reunindo com os amigos
Abraçando os familiares.

Quem imaginaria que um dia
Estaríamos de rostos escondidos
Que apenas o nosso corpo e olhos
Estariam livres falando por nós

Quem imaginaria que um dia
Fôssemos proibidos de visitar
Um doente, um parente, um amigo

Quem imaginaria que um dia
Fôssemos proibidos 
De enterrar nossos mortos?!







Pai, venha ver o sol ( livro)

Pai

O sol já nasceu
E veio sem reclamar
O dia inteiro
A terra aquecerá

Muito raro não aparecer
E vem, sempre, sem exigir elogios​,
Muito menos recompensas
Só veio para brilhar...

Assim, como são os pais
Uns com mais 
Outros com menos
İntensidade...

Só quem já não tem 

É que sabe 

A falta que um pai 
Assim, como o sol faz. 

Sempre fico a observar
O nascer e o pôr do sol
E vem sempre 
Em minha memória
A lembrança de meu pai.

Meu pai sempre levantava
Antes do sol nascer
É só voltava do trabalho
Depois do sol se pôr.

Mas... Não tinha muito tempo
Nem para os filhos
E nem para o sol apreciar.

Ah...como meu pai era trabalhador
Na vida....como mesmo dizia
Só aprendeu trabalhar
Trabalhar e trabalhar.

Mas foi o meu esteio
Foi severo... grosseiro
Meio sem jeito para lidar
Mas tenho orgulho de dizer
Foi o meu pai.


O céu ...

                            Entardecer ( livro)

                                  ( Nilva Moraes Ferreira)

Mais um dia vem findando
E estou a poetizar...
Desculpe-me, mais letrados
Por não saber muito bem
Com as palavras brincar.

Sou abençoada por aqui morar
Onde o céu sempre coberto está
Por lindas nuvens -brancas, azuis..
Da cor que os meus olhos podem dar.

Na cidade, na fazenda ou viajando...
Meu olhar sempre 

Fitado para o alto está

Onde Deus tem a sua morada
E os mais sensíveis
Sabem tão bem valorizar.

A natureza me encanta por demais...
Mas o céu com a sua galeria
Não dá para comparar
Ah!! Posso desenhar 
O que a minha imaginação quiser criar.

Sem falar no pôr do sol...
Na Lua...
Nas estrelas

No arco - íris

Que namorados, amantes...

E apaixonados...

Sabem tão bem contemplar

Não foi à toa
Que  Deus criou aves
Que "voariam por cima da terra
Pela vastidão do céu".
Para nossa casa enfeitar.


Em plena pandemia

Passei muito tempo
Acreditando que o príncipe
Dos contos de fadas
Um dia iria chegar...

Ah...o 'era uma vez'
Acompanhado pelo felizes
Prevalecia para sempre
Em busca do amor ideal...

Os anos foram passando
E esse tão sonhado amor
Encantado, nada de chegar

Achei até que existia 
Comigo algo errado
Via os recordes da vida 
Dos amigos de agora
E de outrora a compartilhar

Momentos alegres, radiantes
Com seus /suas parceiros (as)
Às vezes, me encantavam
Ou chegavam a me desesperar...

Mas eis que um dia
Em plena pandemia 
Olhando e falando de tão longe
E de tão perto... Pelo meu celular
Encontrei alguém para amar

E aprendi que o amor
Requer de nós coragem
Que incluía a mim e a ele
Seguir os protocolos
Valendo para momentos pré
Durante e pós-pandemia.

Convivendo mesmo à distância
Com as proteções diárias
Reconhecendo um erro do outro
Aqui... e ali.... acolá
Que faz parte da vida real

Se seremos felizes 
Para sempre...Ninguém sabe
Mas enquanto nos admirarmos

Estando dispostos a dialogar
Podemos aprender
A viver também o amor
Quem sabe até o ideal....







O sol nosso de cada dia

O sol nosso de cada dia...
                     (Nilva Moraes Ferreira)

Como é lindo ver o sol  raiar e se pôr... todos os dias... nos cumprimentando ou de nós se despedindo...nos conduzindo da melhor forma toda a sua energia!

A cada novo desfecho, da natureza, podemos vê- lo pintando o céu, nos inspirando, trazendo alegria e nos proporcionando diferentes amanheceres e pores do sol de rara beleza...

Bordando, minuciosamente... as nuvens, com traços inimagináveis, que, às vezes, com o tempo ofuscam ou ultrapassam os limites  dos olhos apaixonados de quem vê... 

Hipnotizando cada um de maneira também diferente...Às vezes...com nuances de vermelho, amarelo, alaranjado, em todo o mundo... captados por fotógrafos de toda a terra.

Pena... que nem todos têm a chance 
De ver a sua entrada e saída triunfal

Anunciando um novo tempo
Ou despedindo se dele
Com a certeza de um novo dia
Que vai começar....

Mesmo que alguém parta
Para nunca mais voltar
Ele virá com chuva ou com sol
Mas vem nos iluminar...




Painas ao vento

Pela estrada eu vi 
A paina se desmanchar
O vento a tocava para frente
Com um simples soprar

Diferente da vida
Que nos deixa para trás
Se você não estiver atento
Pode se arruinar

Sobe, sobe pluma branca
Das grandes paineiras
Até onde posso olhar
Se o vento te carrega
A esperança pode me levar...
            
                      (Nilva Moraes Ferreira)

quinta-feira, 5 de agosto de 2021

Bolos de fubá

Bolo de fubá cremoso e fácil ❤ Tipo bolo paulista.

- Ingredientes:
2 copos (americano) de açúcar
1 copo (americano) de fubá
3 ovos
3 colheres (sopa) de farinha de trigo
1 colher (sopa) de margarina
3 copos de leite
1 pacote de 50 g de queijo ralado
1 colher (sopa) de fermento

- Modo de preparo:
Bata tudo no liquidificador. Leve ao forno médio, pré-aquecido, por aproximadamente 40 minutos, ou até dourar.


Bolo Mané Pelado delicioso ❤️

- Ingredientes:
4 xícaras de mandioca ralada
2 xícaras bem cheias de queijo ralado
3 xícaras de leite
1 xícara de açúcar
5 ovos
2 colheres de sopa de manteiga
1 pacotinho de 100 gramas de côco ralado
1 colher de sopa de fermento

- Modo de Preparo:
Bata os ovos como para omelete, despeje numa bacia e junte com os demais ingredientes, exceto o fermento que deverá ser colocado por último, mexa misturando muito bem.
Despeje numa forma untada com manteiga e leve ao forno médio por cerca de 50 minutos, até que doure.
Faça o teste do palito pra conferir o cozimento 😉
Ps.1 eu ralei no ralo grossinho porque só tenho ele, mas o ideal é ralar no fino, aquele de ralar queijo e milho.

terça-feira, 3 de agosto de 2021

Ansioso e persistente

Goiânia, quarta - feira, 31/01/79.

Hoje, estou com uma profunda descrença de tudo...uma gripe me atormenta, me deixando indisposto para o trabalho.

É hora do almoço. No sofá, meu filho está brincando, e, na cozinha, a Nilva briga com as vasilhas, reclamando da falta de empregada doméstica, que anda muito difícil conseguir contratar uma. 

É preciso continuar, nada não pode parar, hoje em dia. Somente, a morte consegue o milagre de fazer o homem moderno parar as atividades.
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Era muito raro, o Milton dizer que estava "descrente". Às vezes, era um pouco melancólico, principalmente, quando ficava sem algo para fazer, pois era muito ansioso e sofria por antecedência.

E "os nossos pensamentos podem ser um 'leão' ou uma 'cobra'. O primeiro surge, apresenta o problema e o conduz a resolvê-lo. A pessoa consegue estabelecer um planejamento mesmo que a situação o preocupe. Já a cobra é aquele pensamento que dá o bote e fica repetindo 'você não vai conseguir', 'não vai dar tempo', 'não vai dar certo'. "Ele aparece trazendo evidências fantasiosas de que você pode fracassar", comenta a psicóloga Juliana Vieira, pós-doutoranda em psicologia e docente na Univali (Universidade do Vale do Itajaí), 

E, como o Milton não podia contar com ninguém, só com ele mesmo, preocupava muito. E, embora, fosse uma pessoa extremamente, positiva; mas o fato de fazer grandes compromissos, como compra da casa própria, compra de terras, por exemplo, sempre, "um atrás da outro", isto é, logo que terminava um compromisso, já fazia outro - o medo de não conseguir rondava a sua mente. A meu ver, característica normal de uma pessoa honesta com os negócios.

Mas, segundo uma pesquisa, "a preocupação serve como um “amortecedor emocional” contra imprevistos e pode motivar as pessoas a serem mais proativas e saudáveis.

Isso ocorre porque indivíduos que estão constantemente preocupados tentam também solucionar seus problemas e, consequentemente, obtêm maior sucesso, podendo apresentar, inclusive, melhor performance nos estudos e em questões relacionadas ao trabalho.

O lado bom da preocupação é encontrar uma solução! 

“Preocupar-se é pensar no Plano B”

A cientista Kate Sweeny explicou, em entrevista ao site Science Daily, que com a preocupação as pessoas se preparam para o pior mas tudo muda quando a notícia é boa. Por isso, a preocupação pode fazer bem à saúde, porque ela ajuda as pessoas a se organizarem e a planejarem melhor o que está por vir.

Os cientistas não estão defendendo a preocupação excessiva, mas indicando que ficar preocupado pode ser bom quando gera planejamento e ação!"

A pesquisa está disponível na revista científica Social and Personality Psychology Comp

Só que para o Milton, esse amortecedor, se acontecia, era a longo prazo, e o desgastava muito emocionalmente e acredito que até fisicamente, pois era muito intenso em tudo que fazia. Na fazenda, na advocacia, na política, em qualquer lugar. Quem o conheceu no dia a dia, pode testemunhar. 

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

A vida muda

A vida muda, impiedosamente, quando aquele que é o esteio vai embora, não nos dando a mínima chance de voltar. 

Mas deixando gravado, em nossa mente, as lembranças de seu alto - astral, de sua positividade, na maioria dos momentos vividos,  e de sua animação, transbordante, em tudo que fazia...  tanto em casa com a família, quanto na advocacia, quanto na política, na cidade ou na fazenda. 

Assim, era o Milton; e, deste modo, gostaria de ver os meus filhos, netos, todos os meus e seus familiares, e também amigos.

Como disse o nosso filho:  "o pai do riso fácil, das brincadeiras com os netos, dos conselhos, da observação atenta à natureza, do andar ligeiro, do falar alto, dos momentos de introspecção, de tudo isso faz muita falta. A dor é grande mas estamos seguindo, o senhor está conosco, seus projetos estão de pé e honraremos pra sempre sua história".

Fica a dica... e que Deus nos abençoe nesta caminhada tão incerta, que estamos vivendo! É, assim, que quero lembrá-lo, sempre ❣️!

6- Bodas de Carbonato ( Capítulo 6)

(Foto de nosso casamento)


Eh!! O tempo passou... e passamos juntos com ele. Já estávamos prestes a comemorar as Bodas de Carbonato,   "elemento composto por pequenos cristais, que nos remete a vida a dois... que precisa lidar com os obstáculos e com a solidez que o tempo ao casamento traz".  (Pesquisa Google)

Casamos tão jovens... eu com 21 anos e o Milton com 25. Tão apaixonados... tão ciumentos um do outro... tão esperançosos... tão aventureiros e tão inseguros...  ao mesmo tempo; e como dizia o Milton: " aínda, sem eira e nem beira"... precisou de ir a luta, incansavelmente, para "dar conta do recado", dos compromissos e objetivos que jurou para si mesmo que seria capaz de cumprir e conquistar. 

Mas...não imaginaríamos nunca os desafios que teríamos que enfrentar...e nem o quê o futuro nos reservava de bom e nem de ruim. Ninguém pode mesmo prever... e nessa idade, então, só tínhamos sonhos e belas expectativas. Éramos marinheiros da primeira viagem... que não tinhamos a bússola e nem o roteiro... só muita
vontade de prosseguir. "Encarando o mar  com a cara e a coragem."

E, apesar das adversidades e contratempos, que a imaturidade nos prega, conseguimos resistir e sobreviver muito bem quarenta e quatro anos juntos, graças a Deus!!  Uma vez que,  a vida não é 100% perfeita para ninguém. Como disse Rodrigo de Abreu: "casal perfeito não é aquele que nunca tem problemas, mas sim aquele que, apesar dos obstáculos, sempre permaneceram juntos".

E foi uma vida juntos! E só o amor, a  admiração, a compreensão e o gostar da companhia do outro - de ambas as partes - tem esse poder de unir duas pessoas por tanto tempo. O Milton dizia: "Quase meio século juntos"! Fase que estávamos compartilhando de um sentimento bem menos apaixonado do que no namoro e início de vida a dois. Isso é completamente normal!  Mas bem mais sincero, mais fortalecido, mais companheiro e mais verdadeiro.

Milton, sempre, foi um marido e um pai cuidadoso e zeloso. Nunca nos deixou faltar nada. Era muito trabalhador e dedicado,  buscava, sempre, melhorias para a nossa vida financeira, para nos dar uma vida mais confortável, mais digna e segura, na velhice, para nós e para o futuro dos nossos filhos. Nunca me escravizou no trabalho - sempre, tive uma pessoa que me ajudasse em casa. Nunca foi egoísta, nunca tolheu a minha liberdade; sempre me deu o direito de trabalhar, de especializar na minha carreira, de conquistar o meu próprio espaço também, como profissional e como mulher, e ter a minha independência.

Fui, de certa forma, protagonista da minha própria vida, embora, ele tenha sido o meu maior suporte. Sem ele em minha vida, meu caminho, com certeza, teria sido, totalmente, diferente. Um pouco de tudo que sei, de tudo que li, de tudo que ouvi  - de literatura, de música, de poesia, de cultura e de política , aprendi com ele. Foi sempre muito compreensivo, no sentido de me incentivar e de não problematizar as minhas faltas em casa, devido o meu trabalho ou os meus estudos.  

E por isso, esse tempo representa para nós uma verdadeira e grande conquista. E precisaríamos de agradecer muito a Deus, e comemorar, se aqui o Milton, ainda, estivesse. Como diz a escritora Ana Sparz: "Aniversário é época de agradecer e comemorar, pois a experiência de viver é o maior presente que Deus podia nos dar." 

Se houve uma regra, para termos vivido todo esse tempo juntos - uma das principais foi: as discussões não devem, necessariamente, terminar tendo um vencedor. A gente perde quando pensa que venceu uma discussão. Melhor será evitar discutir, e seguir a velha regra dos mais velhos: "de que quando um não quer, dois não brigam". Não esquecendo, também, o que disse, certa vez, o escritor Ferreira Gullar, " eu prefiro ser feliz a ter razão".

E... foi agindo, assim... ajudando e fortalecendo um ao outro, nos dias mais difíceis, cada um respeitando a individualidade do outro também... com muita paciência...muita sabedoria, um pouco de bom humor, muita educação e muito amor,
 principalmente, quando os obstáculos apareceram... "pensando que podiam mais do que um compromisso sério e uma preparação idealizada para o casamento", "até que a morte nos separasse"; exigindo de nós que deixássemos que a razão falasse mais alto do que a emoção. 

Enfim, dois filhos criados, dois netos...e um amor sincero, fortalecido e verdadeiro foi vencedor, até o dia que Deus o levou. 



domingo, 1 de agosto de 2021

Éramos felizes e não sabíamos

Éramos felizes e não sabíamos

Domingo, sempre, foi um dia das pessoas ficarem em casa... no aconchego da família. É um dia de descanso...de  cada um voltar para o lar e para a família, poder descansar, dormir até tarde, por a conversa em dia com a esposa/ esposo/ filhos. 

Era um dia de fazer um feedback da semana.  Entre, as conversas do dia a dia do trabalho, comentar, de repente, o papo agradável que tiveram com os amigos, naquele encontro, da sexta-feira ou do sábado. 

Mas, hoje, o assunto mudou - é  só de notícias tristes. Mais de meio milhão de pessoas mortas só no Brasil. Desconhecidos, conhecidos, colegas, amigos, parentes, pessoas da família e entes queridos.

Domingo era dia de ir à feira comprar aquele frango caipira, aquele pequi, aquele quiabo e aquele milho verdinho, lá da roça, para fazer um refogado, com o angu temperado ou não; chamar toda a família para almoçar juntos; e se deliciarem desses pratos, que a maioria dos goianos, ainda, faz questão de preservar, mais pelo gosto do que pela tradição. Ou levar a família para almoçar no Shopping. Mas nada disso podemos fazer mais.

Antigamente, as pessoas podiam se encontrar, conversar...  Ah, como éramos felizes e não sabíamos. Agora nem sair à rua pode. Todo mundo trancado em casa. É tempo de lockdown. 

Há um tempo, podíamos ir à igreja, assistir à missa ou o culto, agora, também, nem à igreja, podemos ir. Precisamos conformar em assistir às missas online. E a gente acaba aceitando e gostando porque é mais rápida.

Ah, que tristeza! Ninguém poderia imaginar, que um dia, pudéssemos falar só pelo whatsapp, hein, gente, para podermos nos proteger de um tal vírus, que vem assustando e matando as pessoas que mais amamos.
 
O olho a olho, o aperto de mãos, o abraço são tão importantes, conseguimos ver coisas  que o escutar, o falar não conseguem decifrar. Mas até de máscara, temos medo de ser contaminados, e se não for uma máscara boa, corremos o risco.

Morrer está por um triz. Viver é uma esperança luxuosa, hoje. Só quem passou pelo que eu passei sabe falar. Não saia sem máscara, gente, talvez, não esteja sentindo nada, mas pode estar contaminando, e pode contaminar seu parente, seu amigo, seu colega de trabalho, seu vizinho, seu parente, e deixá-lo quinze dias em uma UTI, até não resistir... e vir a falecer. 

A responsabilidade de todos é muito grande. Estamos perdendo vidas, não estamos deixando as pessoas, apenas, doentes, com uma gripezinha. E cada organismo reage de uma maneira. Talvez o seu, assim, como o meu organismo, reagiu bem e em poucos dias expulsou o vírus, mas de outros, não. E, no momento não está tendo UTI, é ser contaminado, e ficar doente, e orar, pedir a Deus e contar com a sorte.  A cada dia milhares de pessoas deixam esse mundo pra trás. 

😭😭😭 Oh, meu Deus, tenha misericordia de nós e do mundo inteiro. Pense nisso!!

23-Não, não vá...

Não! Não vá...
(Nilva Moraes Ferreira)

A gente, sempre, acreditou e, ainda, continuamos a esperar pelo futuro.  

Pelo amanhã... 
                      Por outro dia, 
Pelo mês seguinte, 
             Pelo novo ou próximo ano. 

Achando que tudo estaria sob o nosso controle...e que nada poderia nos separar.

Mas, "no momento atual e global, 
muitos de nós deixamos,            simplesmente, de querer saber do futuro. E parece recíproco: o futuro também não quer saber de nós".

Mas passou a nos dominar...  nos impedindo de viver e de ter garantias e certezas de que tudo poderá normalizar, e ser como antes, novamente. Mas, mesmo assim,  corremos atrás. Nós que sempre fomos enamorados. Deixando tudo por sua conta... nossos sonhos, nossos projetos, nossas principais conquistas. 

Sempre, acreditamos que, no futuro, estaria a nossa esperança, que nos traria felicidade, sucesso e mais expectativa de dias melhores. 

Nunca, pensamos em uma mudança, assim, tão drástica em nossas vidas, que perdêssemos a confiança até na própria vida.

Mesmo sabendo que um dia a vida acaba, que o futuro é imprevisível, e que nada está seguro em nossas mãos, mesmo assim, não preparamos para sofrer... e para perder ninguém, principalmente, alguém tão próximo da gente.

Levávamos a vida como se fôssemos eternos. Sem data de validade... De certa forma, infinita... não pensávamos em despedida tão cedo... em dor da partida, em ansiedade e em sofrimento.

Mas a vida gosta de passar uma rasteira na gente. E a morte é a única coisa que não tem jeito.  Você cai. Você sente dor, perde o rumo. 

Não dá pra dizer: volta aqui, espere um pouco... depois você vai...

Ou venha aqui... deixa para amanhã... Talvez, alguém toparia ir em seu lugar... ninguém vai.. o que precisamos passar, ninguém passa prá gente. Ninguém....

Ah... você não pode ir, agora, seus filhos, seus seus netos e eu, ainda, precisamos de você. Quando seus netos crescerem, você vai... Nada! 

Nãoooo, hoje, nãooo!!!!
Você estava com aquele projeto, termine - o, primeiro.

Não vá, precisa aproveitar mais a vida... só trabalhou... Agora, que se aposentou... agora, que as coisas estão se ajeitando, você vai?

Venha... volte, não vá! Agora, sim, vamos ter mais tempo prá você. 

Não vá, eu te amo! 

Nada... o faz reviver... Nada!! 

Mas vão te falar - "calma, tudo vai passar". 

"Você vai aprender a conviver com a dor e com a saudade".

" Vai ter dias que vai acordar melhor, outros não".

Não, não vai PASSAR..........💔 

Mas Deus pode nos confortar!
Ele partiu... Mas será eterno.

14-Dia triste

Dia triste

Hoje, está um dia frio e triste
O Sol quase não apareceu
Tudo parece que saiu do ritmo
Nem os pássaros vieram
Para nos aclamar.

Sentado à beira do lago
À sombra...meia luz
Ficava a pescar peixes ou sonhos
Com paciência...todos vinham
Depois de muito esperar.

Mas, hoje, tudo virou lembrança
Depois do vírus nos contaminar
"nós somos instantes
E num instante não somos mais"
E num instante tudo muda
Tudo fica para trás.

É a vida nos lembrando
Que ela passa
E não nos prepara
Para o final

Mas a Esperança Equilibrista
Apesar de mais de meio milhão de mortos e desvalidos
Tem que continuar...