quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

Desde menino, sonhava em empreender


Como o menino, no meio da ponte, que conversava com outro menino do outro lado, da propaganda do Sebrae 50 anos, vovô Milton foi aquele menino sonhador, que tinha entre tantos sonhos, também, o desejo de empreender.

Com o seu engraxate, nas costas, caminhava... sujo de graxa, até o seu ponto, na Avenida Goiás, de Jataí, para engraxar os sapatos dos profissionais liberais, da época, para ganhar o seu próprio dinheiro. E olhando para as pessoas bem vestidas, passando para lá e para cá, em seus carros ou a pé...comprando, indo ao cinema; o seu desejo e o seu sonho de ser alguém na vida e ter recursos suficientes para adquirir o que lhe desejava já começava a desabrochar. E dizia para ele mesmo: "Eu irei vencer". 

A pobreza não o fez desistir de lutar, o fez forte, animado e convicto de que para "ter" algo; primeiro, teria que "ser". Ser estudioso - Desde criança já demostrou a sua facilidade com o conhecimento. Seu irmão mais velho, certa vez, me disse, que os professores se reuniam para ver em qual sala ficaria, aprendia muito rapidamente...
Ser trabalhador, ser persistente e ser econômico. Guardou todo o dinheiro que ganhava, desde pequeno, para ir para Capital estudar.

Ele foi a luta, apenas, "com a cara e a coragem". Fez cursinho. Estudou, dia e noite, para passar no primeiro Vestibular que fez, em uma Universidade Federal. Como ele mesmo dizia. "Eu tinha apenas uma oportunidade... formar em uma Universidade Federal e no meu estado. Não tinha recursos para tentar em outros lugares"! 

Estudou com dificuldade, morando em repúblicas alugadas - geralmente, quartos dos fundos de alguma casa de morada, com uma cama, um "guarda- roupinha", uma "mesinha" para estudos, (o diminutivo aqui faz jus ao tamanho e a simplicidade) além de muitos sonhos na cabeça. Não tinha geladeira, não tinha televisão, não tinha celular e não tinha dinheiro. 

Vovô Milton dizia, que no começo, ele não tinha nem guarda- roupa, colocou uma corda, sobre  a sua cama, da cabeceira aos pés, para pôr as suas roupas... e essa corda, um dia, arrebentou e caiu, à noite, depois que ele estava dormindo, e lhe causou um  grande susto. 

(Conversando com a minha cunhada Maria, que morou uma época com ele para estudar em Goiânia, assim, relatou: "a nossa república era um quartinho, que cabia duas camas de solteiro, um guarda- roupinha que separava a minha cama da dele, uma mesinha e um rádio. Era essa a nossa casa. Não imaginem, vocês, que  ficávamos tristes! A gente tinha uma alegria, assim, genuína, espontânea mesmo. 
Quando a gente chegava à noite da escola, ela continuou...cada um tinha uma história para contar, e a gente cantava... a gente ria...; às vezes, até a dona da República ia lá para ver o que estava acontecendo, imaginava que fosse uma reunião de colegas, uma festa, mas, não, era, apenas, nós dois, e algum amigo de outro quarto, cantando, alegre, rindo! "

Assim.... "a gente driblava as dificuldades,  não deixava as mesmas atingirem o nosso emocional. Éramos alegres, muito positivos mesmo, levávamos tudo com muita leveza!

E isso, eu gostaria de ver, nos dias de hoje. A gente não vê isso.  A geração de, hoje, põe dificuldade em tudo. Não sei por quê ? Mas eu tenho essa lembrança, e gostaria que os nossos filhos, os nossos netos e os nossos sobrinhos pudessem ler e tirar algum proveito").

Só que o Milton contava e ria dessas peripécias, nunca com mágoa e revolta, mas com alegria de ter conseguido vencer, na vida, pelo seu próprio esforço.

Foi para Goiânia, com pouco recurso, o mínimo para sobreviver. Sua mãe, certa vez, me contou, que aos finais de semana, na hora do almoço ou do jantar, nem gostava de se alimentar, apenas chorava, porque sabia que seu filho estaria sem comer, porque o restaurante da Faculdade só fornecia comida durante a semana. Minha cunhada me disse, que, às vezes, eles faziam "vaquinha", nos finais de semana, com aqueles que ali também moravam, em outros quartos, compravam um frango assado ou dois, e, dessa forma, sentia muito bem servidos.

Mas logo começou a trabalhar de vender jornal - "Jornal O Popular", depois  trabalhou também em um escritório de Contabilidade... e as coisas foram melhorando . Mas foram muitas as vezes, que ele nos mostrou a distância que ele fazia caminhando a pé de um comércio ao outro para pegar blocos de notas para fazer contabilidade para os clientes; porque não queria gastar suas economias - comprar, nem que fosse uma bicicleta. Não! Guardava tudo para podermos casar, comprar móveis ou realizar algo que desejava.

Quando estava perto de formar, já tinha uma renda melhor, teve a ideia de levar seu irmão, que hoje é médico, para estudar em Goiânia também. Tratava - o como seu filho. Era bonito de se ver a união dos dois. Discutindo sobre músicas, filmes, livros, etc. Depois de formado, sempre, que podia, o Milton ajudava a sua mãe e seus irmãos mais novos. Sentia bem poder ajudá-los. Como ele dizia: "nunca pensei, apenas, em mim". E os ajudava com a maior satisfação. Nunca reclamava. 

Mas, sempre, com o desejo de fazer algo por nós, comprar a nossa casa própria e "um pedaço de terra" para passarmos os finais de semana. Aos poucos, foi comprando um pedaço aqui, outro ali, e foi formando o patrimônio que temos hoje. Mas tudo que ele conseguiu realizar, não foi construído de um dia para outro, durou quase quatro décadas. 

E empreender, como na historinha da propaganda, causa medo, preocupações, receio das coisas não darem certo, e para ele, não foi diferente. As pessoas, em geral, têm medo de se arriscar, enfrentar obstáculos, acreditar, seguir em frente. Nem sempre a realidade coincide com a nossa expectativa. 

Mas quando se quer realizar algo, só se jogando, principalmente, quando não pode contar com a ajuda de ninguém. E...‘por que será que a emoção de voar precisa começar com o medo de cair?’ Essa foi a pergunta de uma águia, em uma fábula, escrita por um autor desconhecido, que ao empurrar os seus filhotes num rochedo, lá do alto de uma montanha, pensava:  "Enquanto os filhotes não descobrissem suas asas, não haveria objetivos em suas vidas". 

Assim, somos nós, enquanto não arriscarmos, não nos jogarmos e não confiarmos em nossa capacidade, não conseguiremos realizar o que desejamos.

Por isso, vamos em frente, pois as lutas não param... e os desafios precisam ser superados com fé em Deus e confiança em nós mesmos! 

VAI que dá... deve ser o nosso lema! 








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