Estive em Serranópolis no dia 31/05/83, em companhia do amigo Dr Amirto, ocasião que visitamos alguns irmãos maçons, inclusive, o venerável.
Confesso que fiquei um pouco emocionado com a visita. Durante a viagem de Jataí até a minha velha Serra do Café, procurava, constantemente, na paisagem mutilada a amplidão dos chapadões; onde antigamente, bandos de emas e veados pastavam, tranquilamente, no agreste interminável.
Procurei encontrar os cerrados rasteiros e bonitos da região,.mas tudo em vão; só apenas o capim brachiaria de um lado e de outro da rodovia, e no lugar de árvores tortas do cerrado, o progresso trouxe e plantou Eucalipto, transformando a paisagem bucólica do meu sertão em paisagem homogênea do Sul do país.
Chegando à cidade, fiquei assustado com tanta mudança. A cidade que era encostada dentro do mato, agora vive em céu aberto. Tudo que era mato transformou - se em capim.
A velha igreja, onde tantas vezes, brinquei com os meninos do meu tempo, pelas ruas irregulares, agora, estão calçadas. As casas humildes de pau a pique, cobertas de capim, foram substituídas por casas até luxuosas.
As pessoas me olhavam, fingindo não me conhecerem, e exibindo um ar de grandeza, demonstrando que a cidade progrediu.
Conversei, rapidamente, com alguns conhecidos, uma moça que foi minha colega no "pré", no velho Grupo Escolar, não teve vergonha em reconhecer- me.
Não deixei de ver o córrego da minha infância, "córrego moranga", de tantos banhos, de tantas pescas e de tantas emoções.
Suas águas, agora, diminuídas, poluídas e com mau cheiro, não se comparam com a naturalidade de antigamente.
Tudo transformado, tudo....!
Será isso o progresso? Pobres seres humanos terrestres, perdidos no meio de tanta metamorfose. Cpa, 11/06/83.
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