quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

Namoro no tempo do vovô e da vovó - do cinema ao passeio na Avenida

Eu e o Milton já nos conhecíamos bem antes de começarmos a namorar. Ele era vizinho de minha avó materna, e por intermédio dela, que comprava no mercado de seu pai, me dizia que " ele era falante e atencioso com ela". Meu tio, irmão de minha mãe, pouco mais velho do que ele, me dizia que era o "cara" que eu deveria namorá- lo. 

Eu sempre o admirei, mas tinha um namorado. Todavia, me lembro de que, certa vez, fui ao cinema, e ele me pediu para reservar a poltrona para ele; (era costume, daquela época, os rapazes pedirem para as suas pretendentes reservarem a poltrona do cinema, que ficava ao lado delas), mas como ele saiu e demorou, achei que não voltaria, então, outro rapaz pediu para assentar comigo, deixei, e ele chegou... entregou algumas balas para minha irmã, e pediu para que ela me entregasse. 

Com o fim do meu namoro com o outro rapaz, eu e ele começamos a namorar, no dia 24 de outubro, feriado do Aniversário de Goiânia. Milton era um rapaz modesto, simples, mas muito sedutor. Via nele, desde bem jovem, "um rapaz de futuro", fazia faculdade, tocava violão, cantava, lia poesias, tinha cabelos compridos, como os jovens da época,  gostava de uma calça e de uma jaqueta Lee, que, com certeza, custou muito para comprá -las, além de muitos sonhos na cabeça. Tinha tudo que me seduzia. 
( Foto do Milton jovem)

Mas o nosso primeiro encontro foi mesmo ao cinema. Lembro- me bem, que depois que saímos do cinema, passeamos um pouco, pela avenida, de mãos dadas. Era também costume, daquela época, fazermos avenida.  Hábito de andar para cá e para lá pela Avenida Goiás de Jataí, para passear e avistar aquela pessoa que faria seu coração bater mais forte ou, ao menos, render um bate papo descontraído, numa época que não existia shoppings, lanchonetes, sorveterias e cafés de, hoje, e muito menos internet e celular. 
 
Namoramos três anos por cartas.


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