Ao longo da nossa vida, eu e o Milton fomos transformando em pessoas mais pragmáticas, menos deslumbradas, nem muito pessimistas e nem muito otimistas; e que acreditávamos menos em soluções extraordinárias...
Com o tempo...com tudo que foi nos acontecendo, fomos tornando
mais realistas e resilientes. Tínhamos muito a comemorar, mas, também, a lamentar, é claro! Quem não tem? É a vida!
E, aos poucos, fomos adquirindo mais consciência e experiência de vida, e fomos aprendendo a agir mais pela razão do que pela emoção, e não nos deixarmos levar pelas "más línguas, pelos "falsos elogios" e pelo "jogo do inimigo", e começamos aprender "a colocar as pessoas do nosso lado" e nos seus devidos lugares.
E isso só aprendemos convivendo, e dando, literalmente, a cara a tapas, isto é, enfrentando a vida sem desistir - arriscando e sendo ousados! Mas não me refiro a nenhum sofrimento específico, mas a tudo, que com o passar do tempo foi nos ferindo, pessoalmente, e nos ensinando.
E lembrei-me que o Milton, sempre, me dizia - "o político e a sua família são como vidraças". São vítimas da exposição, até meio que, inconscientemente, principalmente, no interior; e se foi um profissional que não era filho do lugar, e conseguiu vencer, na vida, isso piora, e as pedras vêm de todos os lados.
E, embora, as pedras tenham sido bastantes e feito muito barulho, pelo fato das vidraças serem bem resistentes - a cada pancada, ficávamos mais fortes e mais resignados. Era como se fosse um teste de fortaleza.
Todavia, não pense você, leitor/leitora, que não sofremos...sofremos muito... e nossos filhos também. E, hoje, fico pensando... quantos aprendizados, quantas experiências e quantas marcas ficaram... mas será que não teria sido melhor, se tivéssemos nos esquivados dos problemas? Talvez, teríamos sofrido menos.
Mas o Milton era apaixonado por política. Gostava de estar no meio dos políticos e do povo. Trabalhava mais por prazer. Tinha paixão pelo que fazia. "E era essa paixão que lhe dava a energia necessária para suportar contratempos, ter persistência e a dedicação necessárias para alcançar um objetivo, mesmo quando todos à sua volta pareciam desistir ou não acreditar.10 de dez. de 2006
Por isso, conseguia prosseguir, apesar de todos os obstáculos, não deixando se abater, "mantendo- se
de pé" todo o tempo, e não nos deixando perder pelo caminho, apesar de tudo. Mostrando, de certa forma, que não éramos edificados como a madeira, o feno e a palha, porque precisaríamos resistir ao "fogo cruzado", como o Milton dizia, assim, como o ouro, a prata e outras pedras preciosas.
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